Este estudo examina se e como a comparabilidade das demonstrações financeiras facilita a disseminação do conhecimento inovador entre empresas e estimula a criação de novos conhecimentos. Usando citações cruzadas de patentes para rastrear transferências de conhecimento entre firmas, constatamos que a comparabilidade aumenta os incentivos das empresas para aprender com seus pares e criar novas patentes que citem patentes já existentes desses pares. A investigação do mecanismo revela que a comparabilidade melhora a capacidade das empresas de estimar o valor monetário do conhecimento dos pares e prever seus próprios benefícios financeiros decorrentes da aquisição desse conhecimento. O impacto da comparabilidade é mais pronunciado quando o conhecimento dos pares é mais publicamente acessível ou possui maior valor monetário. Consequentemente, o conhecimento adquirido estimula inovações subsequentes, permitindo que as empresas produzam mais patentes com maior relevância econômica. Evidências de dois quase-experimentos naturais sugerem que nossos achados são plausivelmente causais. Em suma, nosso estudo destaca o papel importante da comparabilidade contábil na facilitação da disseminação do conhecimento.
22 setembro 2025
Importância da comparabilidade no conhecimento
Este estudo examina se e como a comparabilidade das demonstrações financeiras facilita a disseminação do conhecimento inovador entre empresas e estimula a criação de novos conhecimentos. Usando citações cruzadas de patentes para rastrear transferências de conhecimento entre firmas, constatamos que a comparabilidade aumenta os incentivos das empresas para aprender com seus pares e criar novas patentes que citem patentes já existentes desses pares. A investigação do mecanismo revela que a comparabilidade melhora a capacidade das empresas de estimar o valor monetário do conhecimento dos pares e prever seus próprios benefícios financeiros decorrentes da aquisição desse conhecimento. O impacto da comparabilidade é mais pronunciado quando o conhecimento dos pares é mais publicamente acessível ou possui maior valor monetário. Consequentemente, o conhecimento adquirido estimula inovações subsequentes, permitindo que as empresas produzam mais patentes com maior relevância econômica. Evidências de dois quase-experimentos naturais sugerem que nossos achados são plausivelmente causais. Em suma, nosso estudo destaca o papel importante da comparabilidade contábil na facilitação da disseminação do conhecimento.
Pagamento digital em três países da América Latina
Eis o resumo:
Plataformas de pagamento digital podem substituir o dinheiro em espécie e ampliar o acesso a serviços financeiros para populações subatendidas, mas muitos adultos ao redor do mundo ainda permanecem sem conta bancária. Com base em microdados detalhados sobre transações individuais e características dos usuários, argumentamos que a substituição ampla do dinheiro por meio de plataformas peer-to-peer (P2P) depende de um “rápido gradiente de renda”, isto é, da velocidade com que a adoção se espalha dos primeiros usuários de maior renda para os grupos de menor renda. Em três casos latino-americanos — o Pix no Brasil, o Sinpe Móvil na Costa Rica e o CoDi no México — documentamos que baixos custos de adoção, fortes efeitos de rede, integração coordenada do lado da oferta e esforços iniciais de conscientização permitiram que Pix e Sinpe Móvil alcançassem praticamente todos os segmentos de renda em até cinco anos, enquanto o CoDi segue caracterizado por baixo uso e predominância de adotantes de alta renda.
21 setembro 2025
O polêmico Musk e xAI
Da newsletter do NYT (DealBook) de 19 de setembro:
Já se passaram quatro meses desde que Elon Musk deixou seu papel dentro da Casa Branca de Trump para voltar a concentrar-se totalmente em seu império de negócios.
À primeira vista, a Tesla parecia ser a maior beneficiária. O conselho da fabricante de veículos elétricos tentou “prender” o foco de Musk oferecendo-lhe um gigantesco pacote de compensação avaliado em até 1 trilhão de dólares, e as ações subiram.
Mas Musk parece estar dedicando a maior parte do tempo à xAI, a startup de inteligência artificial cuja tecnologia, ele acredita, sustentará suas empresas. Quanto mais tempo ele passa lá, mais turbulência parece semear, segundo fontes que falaram ao The Times e ao The Wall Street Journal.
Na investigação do Times, Cade Metz, Kate Conger e Ryan Mac descobriram que:
A partir de maio, usuários do Grok, da xAI, ficaram surpresos ao ver o chatbot respondendo com comentários altamente controversos e até racistas, incluindo acusações de que a África do Sul teria cometido “genocídio” contra cidadãos brancos. Isso ocorreu depois de Musk dizer aos funcionários que o Grok estava “woke” demais, levando um engenheiro a mexer no código.
Uma posterior reestruturação de liderança, conduzida por Musk, foi seguida por uma atualização do Grok que elogiava Hitler.
Houve também uma fuga de executivos, incluindo Mike Liberatore, então diretor financeiro da xAI, que foi para a OpenAI; e Igor Babushkin, cofundador da empresa com Musk.
O Journal também informou que vários executivos deixaram a xAI após confrontos com dois dos conselheiros mais próximos de Musk, Jared Birchall e John Hering, sobre a saúde financeira da empresa e suas projeções.
Vários desses executivos de alto escalão também reclamaram da ausência de uma cadeia de comando formal e levantaram dúvidas sobre como o family office de Musk, a Excession, liderada por Birchall, geriu parte do caixa e da contabilidade da xAI.
Alex Spiro, advogado que representa Musk, contestou a reportagem do Journal, dizendo que as sugestões de que os relatórios financeiros da empresa eram impróprios eram “falsas e difamatórias”.
O que vem a seguir? As ações da Tesla caíram ontem após a divulgação das reportagens. Alguns investidores temem que a atenção de Musk ainda esteja excessivamente dispersa.
Bancos e ambiente
O sistema financeiro tem apoiado ações no sentido de reduzir o risco das mudanças climáticas. Qual a razão para esse apoio? Um texto, “Banks can’t survive climate change,” de Richard Murphy, argumenta que as propriedades tornarão cada vez mais inseguráveis — o que comprometerá os imóveis vinculados a hipotecas como garantia dos bancos. Sem seguro, essas garantias se perdem, os empréstimos se tornam inseguros e os balanços bancários podem desabar.
Murphy descreve os efeitos crescentes de incêndios, inundações, secas e calor extremo em várias regiões — como no sul da Europa, no Reino Unido (incluindo Londres) e na Austrália — tornando propriedades vulneráveis a riscos que elas não foram projetadas para enfrentar. A analogia é feita com a crise financeira de 2008, destacando que, naquele caso, o mercado colapsou quando os bancos não sabiam o valor real das hipotecas uns dos outros. Murphy acredita que algo similar pode ocorrer se esse risco de “propriedades sem seguro” continuar a crescer sem resposta regulatória ou estrutural.
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Sobre a periodicidade contábil e a SEC
A SEC (Securities and Exchange Commission) anunciou apoio à proposta de Donald Trump para alterar a exigência de divulgação de resultados corporativos de trimestral para semestral . A ideia, segundo Trump, é reduzir custos e permitir que gestores concentrem-se mais na administração das empresas. Paul Atkins, chefe do órgão regulador de Wall Street, afirmou que a mudança seria positiva, mas caberia ao mercado decidir se prefere manter o padrão trimestral ou migrar para o semestral. Isso não é novo.
Mas o texto do link informa que durante seu primeiro mandato, Trump já havia defendido a mudança, alegando que relatórios trimestrais estimulam visão de curto prazo. Estudos anteriores da própria SEC reconheceram que a prática traz mais transparência e reduz o custo de capital, mas também reforça pressões imediatistas sobre executivos.
Especialistas divergem sobre o impacto: alguns veem a mudança como alívio da pressão sobre as companhias, permitindo planejamento estratégico mais amplo; outros alertam que a redução na frequência pode diminuir a transparência e afetar a eficiência do mercado. Também não sabia que caso aprovada, a medida colocaria os EUA em linha com países como Reino Unido, China, Austrália e Japão, que já adotam relatórios semestrais em suas bolsas.
Confissões de duas orientandas ensandecidas
Um artigo aprovado no Congresso da Anpcont, que irá ocorrer em dezembro, em Brasília, revela alguns sentimentos de duas doutorandas do PPGCont. Eis um trecho:
Escrever uma tese é, antes de tudo, atravessar a si mesma. Cada capítulo é produto de leituras e métodos, e o reflexo das noites insones, das páginas rabiscadas no intervalo de um compromisso, das dúvidas que pesam no peito quando o cursor pisca na tela. Ferreira (2025) revela que orientar é “viver entre prazos e pessoas”, e, do lado da orientanda, o processo é “viver entre sonhos e medos”, tentando costurar vida e ciência em um mesmo tecido. A vulnerabilidade que ela narra como
orientadora é também a que sentimos: o medo de não ser suficiente, o desejo de honrar o conhecimento e, ao mesmo tempo, de não se perder no caminho.
A vida acadêmica não acontece em suspenso; ela se mistura ao cotidiano. A tese cresce enquanto o mundo pede atenção: uma aula para preparar, um filho que pede colo, uma conta que vence no mesmo dia do prazo de submissão. Há uma beleza silenciosa nisso: a ciência nascendo no meio do real, com suas urgências e imperfeições.
Confissões de Duas Orientandas Ensandecidas: uma resposta afetivo-acadêmica à
desorientação da orientação
O texto de Ferreira, citado no trecho acima, é o seguinte:
Ferreira, A. C. de S. (2025). Desorientação acadêmica: Confissões de uma orientadora ensandecida. Revista Contabilidade Vista & Revista, 36(1), 1–9.
Por uma IA com falhas
(...) Fabrizio Dell’Acqua, da Harvard Business School, que recentemente conduziu um experimento no qual recrutadores eram assistidos por algoritmos — alguns excelentes e outros nem tanto — ao decidir quais candidatos convidar para entrevista. (Isso não é IA generativa, mas é uma grande aplicação real de IA.)
Dell’Acqua descobriu, contraintuitivamente, que algoritmos medianos, com cerca de 75% de acurácia, entregaram melhores resultados do que bons algoritmos com aproximadamente 85% de acurácia. A razão é simples: quando os recrutadores recebiam orientação de um algoritmo conhecido por ser irregular, permaneciam atentos e acrescentavam seu próprio julgamento e expertise. Quando recebiam orientação de um algoritmo que sabiam ser excelente, recostavam-se e deixavam o computador decidir.
Talvez eles tenham economizado tanto tempo que os erros valeram a pena. Mas certamente houve erros. Um algoritmo fraco e um humano ligado tomam decisões melhores juntos do que um algoritmo de ponta com um humano desligado. E, quando o algoritmo é de ponta, um humano desligado é justamente o que você tende a obter.
Ouvi sobre a pesquisa de Dell’Acqua por Ethan Mollick, autor do futuro Co-Intelligence. Mas, quando mencionei a Mollick a ideia de que o piloto automático era uma analogia instrutiva para a IA generativa, ele me alertou contra buscar paralelos “estreitos e um tanto reconfortantes”. É justo. Não há um precedente tecnológico único que faça justiça ao avanço rápido e ao escopo desconcertante dos sistemas de IA generativa. Mas, em vez de descartar todos esses precedentes, vale procurar analogias diferentes que iluminem partes distintas do que pode estar por vir. Tenho mais duas em mente para explorar no futuro.
(Tim Harford)



