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24 janeiro 2026

Redução do número de pessoas do Board do Iasb e Issb

Passou desapercebido do blog uma decisão interessante da Fundação IFRS: a redução de 14 para 10 os membros dos dois conselhos (Iasb e Issb). Eis trecho do texto

Conforme destacado em seu Relatório Anual de 2024, a Fundação IFRS iniciou uma revisão estratégica e abrangente de suas operações e agora está implementando elementos-chave de um programa de transformação. O objetivo do programa é garantir que a organização permaneça preparada para o futuro, após um período de sucesso significativo e rápido crescimento, e continue a cumprir sua missão de levar transparência, eficiência e accountability aos mercados de capitais em nível global.


Como parte de seu programa de transformação, a Fundação:

  • simplificou suas estruturas de gestão, linhas de reporte e racionalizou a tomada de decisões operacionais em toda a Fundação e em seus conselhos;

  • realizou uma revisão dos custos operacionais para assegurar o uso eficiente e eficaz dos recursos em toda a Fundação. Como parte desse trabalho, os Trustees aprovaram uma redução nos custos de governança e de pessoal, bem como planos para reduzir os custos de operação dos dois conselhos. A redução será alcançada por meio de maior uso da flexibilidade prevista na Constituição para determinar o tamanho apropriado dos conselhos emissores de normas. Os Trustees pretendem reduzir gradualmente cada conselho de 14 para 10 membros até o final de 2028, à medida que os mandatos dos membros forem se encerrando; [negrito do blog] 

Já tínhamos comentado anteriormente (aqui, por exemplo) sobre a situação financeira da Fundação. Nos últimos anos, a despesa cresceu muito, com a contratação de mais pessoas. Isso é uma despesa fixa, mas será que ainda existem interessados em doar para a Fundação? Vamos ver o que diz o Relatório de 2025.

Papel da informação contábil na pesquisa de fraude

Este artigo revisa a extensa literatura sobre o poder preditivo das informações contábeis para a falência. Pesquisas anteriores demonstram que as informações das demonstrações financeiras preveem falências de forma eficaz fora da amostra (out-of-sample), tanto de forma independente quanto em combinação com dados de mercado. Discuto diversos atributos da informação contábil que podem ampliar ou prejudicar sua utilidade na previsão de falências. Utilizando um conjunto de dados abrangente de falências entre 1980 e 2023, analiso como o papel da informação contábil na avaliação do risco de crédito evoluiu nas últimas quatro décadas. Minhas descobertas revelam que o poder preditivo de modelos baseados exclusivamente em informações contábeis permaneceu estável nas décadas mais recentes, ao passo que o poder preditivo das informações do mercado de capitais apresentou um aumento modesto. Notavelmente, o desempenho dos modelos contábeis e de mercado nem sempre se alinha. Em períodos de declínio na eficácia da informação de mercado, a informação contábil frequentemente permanece robusta, mitigando o impacto em modelos combinados. Por outro lado, as informações de mercado frequentemente compensam reduções no poder preditivo dos dados contábeis, ressaltando as forças complementares dessas fontes de informação.

Resumo daqui 

Correia, Maria (2025) Accounting and corporate failure: the evolving role of accounting information in bankruptcy prediction. Accounting and Business Research, 55 (5). 510 - 537. ISSN 0001-4788  


Atratividade do salário do contador na América Latina

(...) A América Latina tornou-se a escolha óbvia para muitas equipes de contabilidade dos EUA, e aqui está o porquê:

  • Educação contábil de classe mundial. As principais universidades da região, como a Universidade de Buenos Aires e a Universidade de São Paulo, possuem programas de contabilidade consolidados com padrões rigorosos. Os graduados ingressam no mercado de trabalho com bases técnicas sólidas e um conhecimento profundo das normas IFRS, o que lhes confere as habilidades necessárias para se adaptarem rapidamente às necessidades das empresas americanas.
  • Alinhamento de fuso horário. São Paulo, Bogotá e Cidade do México compartilham a maior parte — ou a totalidade — da jornada de trabalho dos EUA. Isso significa que reconciliações, revisões e aprovações podem ocorrer em tempo real, e não de um dia para o outro. 
  • Experiência com firmas globais. Muitos profissionais iniciam suas carreiras nos escritórios latino-americanos das "Big Four" (PwC, Deloitte, etc.) ou em multinacionais. Isso significa que as empresas dos EUA podem contratar contadores que já sabem operar conforme os padrões globais e americanos.
  • Eficiência de custos. Para empresas que não conseguem acompanhar a aposta de bilhões de dólares da Ernst & Young em salários, a América Latina também oferece uma resposta prática às pressões de custos. As expectativas salariais para profissionais contábeis de alto nível na região são, normalmente, de 30% a 70% menores do que nos EUA, devido às diferenças no custo de vida. 


 Fonte: aqui

23 janeiro 2026

Influência dos influenciadores

Os influenciadores possuem um grande poder, não somente nas decisões de compra, mas também aconselhando as pessoas, inclusive em questões contábeis. Uma pesquisa mostrou a importância dos influenciadores (via aqui), como no Brasil (primeiro país da imagem), mas também cresce em outros mercados, como Coréia do Sul.

Detecção de plágio


O surgimento da inteligência artificial fez com que sua aplicação passasse a ser usada, e muito, no ambiente acadêmico. Tive a experiência de receber um trabalho em que, ao final do texto, havia uma frase do tipo: “Se você deseja um detalhamento maior, posso ajudá-lo...”. Claramente, o aluno usou IA para fazer o trabalho. Em outro, surgiram cinco citações cujo texto original não consegui localizar, indicando também que o trabalho deve ter sido feito pela ferramenta.

Mas, em outros casos, tive sérias dúvidas sobre a autoria, embora não pudesse comprovar, com certeza, o problema ético. Muitas vezes recebo e-mails em que tipicamente foi usada a IA para a redação. Isso é, de fato, um problema.

Na contabilidade, tivemos um caso na Austrália em que uma empresa de auditoria, contratada pelo governo para realizar um trabalho, usou — comprovadamente — IA. Teve que devolver o dinheiro recebido pelo serviço contratado. E os exemplos prosseguem.

Mas há uma consequência interessante desse mundo moderno. Assim como existe inteligência artificial para fazer trabalhos acadêmicos, os softwares de plágio começaram a vender soluções para detectar o uso de IA. Recentemente, minha universidade disponibilizou uma dessas ferramentas, o Turnitin, com essa função.

O grande problema é que as ferramentas de detecção não funcionam como anunciam. Por desconfiar disso, resolvi não pedir mais trabalhos científicos na disciplina de graduação. Além de dar muito trabalho ler duas vezes a peça, não tinha segurança sobre como o aluno havia avançado nisso.

E, infelizmente, algumas instituições estão levando essas ferramentas a sério e até punindo alunos. Há o caso de uma universidade da Austrália que usou o Turnitin para detectar o uso de IA. Seis mil estudantes foram acusados, e muitos deles não fizeram nada de errado. As empresas de software advertem para que os resultados sejam usados com cautela, mas essa universidade não o fez. Depois disso, a universidade resolveu desligar a ferramenta.

Rir é o melhor remédio

 

Fonte de todo o conhecimento.
Torneira de insights ocasionais.
Balde de trivialidades inúteis.
Aspersor de fatos duvidosos.
Poça de estatísticas enganosas.

Fonte: aqui 

Quantificação em excesso


Escrevendo sobre o uso de relógios fitness, Tim Harford observa

Ainda assim, como muitas métricas de desempenho, o relógio também pode me levar a atividades contraproducentes, como treinar em excesso até o ponto de lesão. A função de monitoramento do sono tenta muitas pessoas a pensar demais sobre o sono, o que é justamente o tipo de coisa que dificulta pegar no sono. Há até um termo técnico para isso: “orthosomnia”. Significa que você está perdendo sono porque está preocupado que seu rastreador de sono esteja julgando você.

Há outro efeito sutil em ação, algo chamado “fixação pela quantificação”. Um estudo publicado no ano passado pelos cientistas comportamentais Linda Chang, Erika Kirgios, Sendhil Mullainathan e Katherine Milkman convidou participantes a escolher entre uma série de duas opções, como destinos de férias ou candidatos a emprego. Chang e seus colegas descobriram que as pessoas levavam números mais a sério do que palavras ou símbolos. Ao decidir entre um hotel barato e caindo aos pedaços ou um caro e luxuoso, ou entre um estagiário com fortes habilidades de gestão ou outro com fortes habilidades em cálculo, os participantes do experimento favoreceram sistematicamente a característica que vinha acompanhada de um número, em vez de uma descrição como “excelente” ou “provável”. Os números podem nos fixar.

“Uma implicação central de nossos achados”, escrevem os pesquisadores, “é que, ao tomar decisões, as pessoas são sistematicamente enviesadas a favorecer opções que dominam em dimensões quantificadas. E trade-offs que colocam informações quantitativas contra qualitativas estão por toda parte.”