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05 agosto 2016

Brasileiro mostra que Piketty está errado

Thomas Piketty’s case for rising inequality took another hit this week.

Mr. Piketty hypothesized that income inequality has risen because returns on capital—such as profits, interest and rent that are more gleanings of the rich than the poor—outpaced economic growth.

The evidence modern capitalism foments inequality, the former adviser to French Socialist Party candidate Ségolène Royal argued, was in capital’s rising share of incomeat the expense of labor’s contribution over the last four decades.

But Mr. Piketty’s thesis, posed by the French economist in his controversial 2013 tome “Capital in the Twenty-First Century,” isn’t proved by historical data, says International Monetary Fund economist Carlos Góes.


“There is little more than some apparent correlations the reader can eyeball in charts,” Mr. Góes says in a new paper published by the IMF. “While rich in data, the book provides no formal empirical testing for its theoretical causal chain.”

Mr. Góes tested the thesis against three decades of data from 19 advanced economies. “I find no empirical evidence that dynamics move in the way Piketty suggests.”

In fact, for three-quarters of the countries he studied, inequality actually fell when capital returns accelerated faster than output.

Those findings support previous work by Daron Acemoglu of the Massachusetts Institute of Technology and political scientist James Robinson, now of the University of Chicago, suggesting Mr. Piketty’s thesis was far too simplistic for the complexities of real-world economies that are affected by politics and technology.

Mr. Góes says his study also provides evidence that Mr. Piketty’s assumption that saving rates remain stable is flawed. Rather, the data shows changes in the savings rate are likely to offset most of the effects of an increase in capital share of national income.

Why does all this matter?

Because if policy makers seeking to address inequalities misunderstand the problem, their solutions could be wrong, ineffective and costly. Based on his inequality theory, Mr. Piketty has proposed progressive wealth taxes, a measure some economists argue could harm economic growth.


Mr. Góes says his study suggests, however, “one needs to look for the causes of inequality (and potential solutions) elsewhere.”

Fonte: aqui

Resumo:

Thomas Piketty's Capital in the Twenty-First Century puts forth a logically consistent explanation for changes in income and wealth inequality patterns. However, while rich in data, the book provides no formal empirical testing for its theoretical causal chain. In this paper, I build a set of Panel SVAR models to check if inequality and capital share in the national income move up as the r-g gap grows. Using a sample of 19 advanced economies spanning over 30 years, I find no empirical evidence that dynamics move in the way Piketty suggests. Results are robust to several alternative estimates of r-g.

Peso do funcionalismo público

Diagnóstico Sistemático do Brasil pelo Banco Mundial

Neste link você pode encontrar o excelente Relatório do Banco Mundial sobre o Brasil denominado :
RETOMANDO O CAMINHO PARA A INCLUSÃO, O CRESCIMENTO E A SUSTENTABILIDADE
O texto abaixo é um resumo do relatório:

Martin RaiserValor Econômico

Na última década, o Brasil deu um exemplo para o mundo de como conjugar o aumento da renda e a estabilidade macroeconômica a um nível mais elevado de inclusão social e redução da pegada ambiental. Entre 2003 e 2013, a pobreza e a desigualdade tiveram reduções acentuadas, resultado do rápido aumento da taxa de empregos formais, salários reais mais elevados e políticas de assistência social inclusivas como o Bolsa Família. Houve melhora no acesso à educação, saúde, recursos hídricos e saneamento, principalmente entre os 40 por cento mais pobres da população. Ao mesmo tempo, o Brasil reduziu o desmatamento em 82% entre 2004 e 2014. Após décadas de desenvolvimento desigual, parecia que o Brasil havia finalmente conseguido conjugar crescimento, estabilidade, equidade e sustentabilidade ambiental.

Hoje, a profunda crise econômica enfrentada pelo Brasil ameaça essas conquistas. O que deu errado? Em parte, o fato do sucesso brasileiro ter sido construído em bases voláteis. O fim do super-ciclo das commodities enfraqueceu o modelo de crescimento atrelado ao consumo no Brasil. Os esforços do governo para estimular a demanda vêm tendo pouco impacto e um custo fiscal cada vez mais elevado. O retorno dos déficits públicos e a crescente incerteza política minaram a confiança no país e o submergiram na pior recessão em décadas.

No entanto, há desafios estruturais mais profundos por trás das dificuldades econômicas enfrentadas atualmente pelo Brasil. Recentemente, em um diagnóstico amplo dos desafios de desenvolvimento do país, identificamos cinco grandes restrições que o Brasil precisa superar para retomar o caminho da inclusão, do crescimento e da sustentabilidade. A superação dessas restrições não será fácil. Em todas as áreas, no entanto, o Brasil pode construir sobre as realizações do passado e lançar mão de experiências internacionais ao traçar o caminho à frente.

Em primeiro lugar, os grandes dispêndios com a população não-pobre - consagrados na lei através de vinculações orçamentárias e regras de indexação - minam a estabilidade fiscal, reduzem o espaço para investimentos públicos e limitam os recursos disponíveis para políticas socialmente inclusivas. Por exemplo, em 2014 os gastos dos dois regimes públicos de previdência foram seis vezes maiores do que todas as prestações de seguridade social, incluindo as pensões rurais. A reforma do sistema previdenciário ou a redução de subsídios desnecessários a empresas geraria uma economia de recursos suficiente para reduzir os déficits fiscais e também ampliar as transferências aos pobres, que são os que mais sofrem com os efeitos da recessão.

Em segundo lugar, as fragilidades da governança do setor público e a fragmentação institucional dificultam a formulação, o planejamento e a implementação de políticas de longo prazo. Por exemplo, embora o nível de acesso tenha aumentado consideravelmente nas últimas duas décadas, a qualidade dos serviços de saúde e educação no Brasil permanece baixa. A ineficiência é grande e muitas vezes faltam (ou são ignoradas) evidências concretas de quais políticas funcionam e quais não. Isto também vale para os grandes programas de infraestrutura, que vêm sofrendo com custos excessivos e atrasos e não conseguem preencher a lacuna de infraestrutura do país. No entanto, o nosso trabalho com vários governos estaduais demonstra que é possível melhorar a qualidade da prestação de serviços - desde a educação no Rio de Janeiro e em Pernambuco, até a gestão de recursos hídricos no Ceará, às reformas das compras públicas no Amazonas. A aprendizagem com estes casos de sucesso e sua ampliação podem melhorar os serviços públicos e economizar recursos.

Em terceiro lugar, a segmentação dos mercados financeiros, a falta de crédito de longo prazo e as taxas de juros elevadas podem distorcer a alocação de capital e dificultar os investimentos privados. Essas distorções aumentaram recentemente com a expansão das linhas de crédito oferecidas pelos bancos públicos. No futuro, usar os bancos públicos para atrair financiamento privado reduzindo os riscos, ao invés de subsidiar o custo do crédito, talvez seja a melhor opção a seguir.

Em quarto lugar, a concorrência insuficiente e um ambiente de negócios deficiente diminuem o apetite dos investidores e desaceleram a criação de empregos produtivos. O Brasil continua sendo a mais fechada entre as principais economias do mundo, atrás da maioria de seus pares na qualidade do seu ambiente de negócios. Muitas empresas brasileiras são de pequeno porte, com gestão ineficiente e poucos incentivos para crescer e aumentar a produtividade. Ainda assim, certas empresas brasileiras - como a Embraer - conseguiram se destacar por sua inovação e diligência. Os empresários brasileiros precisam aprender com os melhores para conseguirem competir no mercado global. A concorrência seria mais fácil se o ambiente empresarial fosse mais competitivo e a infraestrutura fosse aprimorada para reduzir o custo de penetração nos mercados mundiais.

Em quinto lugar, as deficiências na gestão dos recursos naturais no Brasil prejudicam a plena exploração do potencial de crescimento verde do país. Os principais problemas estão relacionados à fragmentação institucional, às políticas de precificação da água e de outros recursos naturais e à urbanização mal planejada, com assentamentos informais em situação de risco de inundação, contaminação e outros problemas de saúde. Porém, dotado de um arcabouço adequado de políticas, o Brasil pode se valer do seu papel de líder em negociações internacionais sobre o clima para atrair financiamento verde e instituir um novo motor de crescimento sustentável.

Os problemas estruturais do Brasil já existem há muito tempo. A resolução desses problemas não pode mais ser adiada, mesmo que ainda não haja consenso no caminho a ser seguido. O Brasil já introduziu inovações importantes em suas políticas com base em amplo consenso político e forte monitoramento - alguns dos exemplos mais proeminentes são a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Programa Bolsa Família e a redução do desmatamento na Amazônia. Espera-se que o país consiga fazê-lo novamente.

Rir é o melhor remédio


03 agosto 2016

Sete Brasil

Retrospectiva – A empresa foi fundada em 2011, como consequência da expectativa da exploração do petróleo no Brasil, na camada pré-sal. Seus acionistas eram fundos de pensão, bancos, empresas de investimento e a Petrobras. Logo após sua criação, a empresa venceu licitações na Petrobras para construção de 28 sondas. Em 2013, recursos institucionais do FGTS, no total de 2,5 bilhões, foram alocados na empresa por meio de debêntures.

Continuidade – A palavra continuidade é usada 16 vezes na demonstração financeira do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2015. Na primeira vez, na abertura das notas explicativas, informa-se que “não há como assegurar a continuidade operacional do grupo no atual cenário. Com isso, (...) contratou uma firma internacionalmente reconhecida para elaborar um laudo de avaliação do valor de mercado dos ativos e, consequentemente, suportar o valor de recuperabilidade de cada ativo”. Ocorreu uma mudança de atitude na empresa, já que no ano anterior as demonstrações foram preparadas sob o pressuposto da continuidade. Com efeito, nas demonstrações é possível encontrar frases como “situação de elevada probabilidade de não continuidade” ou “dúvida substancial sobre a continuidade operacional da Companhia”.

Efeitos da Recuperabilidade – é possível verificar os efeitos tanto nas diversas demonstrações contábeis da empresa. No balanço, o ativo da controladora caiu de quase 10 bilhões de reais, para 1,9 bilhão. A principal alteração foi na linha “investimentos”, que de 8,4 bilhões, no final de 2014, passou para zero um ano depois. Do ativo da empresa no final de 2015, 93% corresponde a “partes relacionadas”, do circulante. Já o ativo do balanço consolidado caiu de 23,7 bilhões para 491 milhões de reais entre final de 2014 e 2015. A principal alteração está no item imobilizado (de 23,3 bilhões para 488 milhões de reais). Ao mesmo tempo em que ocorreu uma redução substancial no ativo, o passivo aumentou, de 16,2 bilhões para 23,7 bilhões de reais. A empresa tinha ao final de 2015 14,6 bilhões de empréstimos e financiamentos.

Se o ativo reduziu em 23 bilhões e o passivo aumentou, o efeito vai aparecer no patrimônio líquido. No balanço consolidado do final do ano de 2014 o patrimônio líquido era de 7,7 bilhões; um ano depois tinha a situação de passivo a descoberto, ou seja, patrimônio líquido negativo de 23 bilhões.

A demonstração do resultado, o prejuízo operacional de 148 milhões de 2014 aumentou para 35 bilhões de reais, sendo 34 bilhões decorrente da perda de recuperabilidade. As despesas financeiras aumentaram de 34 milhões para 1,055 bilhão. Mas a empresa foi ajudada com variações cambiais: 4,5 bilhões positivo. O resultado líquido foi de 31,3 bilhões; ou 32,5 bilhões, considerando o resultado abrangente.

Empréstimos e financiamentos – Conforme informado, o volume de empréstimos era de 14,6 bilhões para um ativo de menos de meio bilhão. Somando com debêntures, a dívida onerosa era de 17,4 bilhões em 31 de dezembro de 2015 e 13,6 bilhões um ano antes. Como a empresa tem sérias dúvidas sobre a chance de continuidade no futuro, é sempre interessante saber quem são aqueles que dificilmente irão receber seus recursos. A análise das demonstrações mostra que os principais credores são na ordem: FGTS, Caixa Econômica Federal e três operações de empréstimo-ponte onde estão envolvidas as grandes instituições financeiras que atuam no Brasil: Banco do Brasil, Itau, Santander e Bradesco. Segundo o Valor Econômico (TORRES, Fernando. Conta da Sete Brasil para bancos fica em R$10 bi, 2 de agosto de 2017) o Banco do Brasil seria o principal credor, com R$3,5 bilhões, seguido FGTS.

Um aspecto que chama a atenção é que a soma da dívida onerosa no final de 2014 era de R$ 13,6 bilhões. E isto gerou em 2015 despesas financeiras de R$1 bilhão. Numa conta grosseira, dividindo a despesa financeira pelo valor da dívida temos 7,4%, que corresponderia a taxa de juros aproximada dos empréstimos. Este valor está superestimado, já que a nota explicativa informa que as despesas com juros de empréstimos foram de R$879 milhões. (Note que considerando o valor médio de empréstimos e financiamentos e este valor de despesa, a taxa de juros das dívidas onerosas seria de 5%. E isto é taxa nominal. Considerando uma inflação de 8%, tem-se uma taxa real de juros negativa).

Geração de caixa - poderia argumentar que a amortização contábil seria um lançamento que não afetaria caixa. Entretanto, analisando o fluxo de caixa da empresa tem-se que um caixa das operações negativo em 119 milhões. É certo que este resultado é melhor que o obtido em 2014, mas o balanço mostra que a empresa tinha, no final de 2015, 196 milhões de caixa e equivalentes. Persistindo a situação do ano passado, a empresa em poucos meses não terá mais caixa. Outro aspecto interessante do fluxo de caixa é que brusca redução do fluxo de investimento. Se no ano de 2014 este fluxo era negativo em 5 bilhões, em 2015 praticamente zerou, com a redução expressiva da aquisição de imobilizado.

Corrupção - a Sete Brasil foi criada recentemente diante do sonho de aproveitar o petróleo como indutor do crescimento econômico. Mas a empresa dependia de um cliente somente: a Petrobras. Tendo sido criado um esquema de corrupção na estatal, era natural que o mesmo tenha ocorrido na empresa. O depoimento de Pedro Barusco indicou que ex-executivos da Sete Brasil combinavam pagamentos de 1% dos valores dos contratos de construção das sondas. A empresa informa que moveu ações de responsabilidade civil contra estas pessoas. Mas uma das consequências é que a empresa não está conseguindo empréstimos junto ao BNDES, que poderia reduzir a possibilidade de descontinuidade. Além disto, a operação Lava Jato foi responsável pela ênfase no relatório do auditor.

Mas o problema da Sete Brasil com a justiça não é tão simples quanto a empresa faz crer. A empresa informa não foi “intimada pelas autoridades competentes” e que “diversas ações foram adotadas (...) no sentido de investigar detalhadamente as alegações, não tendo sido identificados nenhum ato ilícito em relação aos contratos com terceiros”. Mas nada impede que processos da CVM sejam abertos, investigação sobre o aporte do FGTS na empresa seja objeto de questionamento e os fundos de pensão que investiram na empresa queiram um aprofundamento das investigações.
É sintomático que as quatro vezes que a palavra Lava Jato é citada nas demonstrações, duas tenham origem no texto do auditor, que o termo “corrupção” não conste das informações e que “propina” seja citada uma vez. Além disto, a empresa não fez nenhum impairment em razão da corrupção, ao contrário do que ocorreu com a Petrobras.

Impairment - O impairment realizado pela empresa é o principal ponto das demonstrações contábeis. A perda de recuperabilidade de 34 bilhões é muito expressiva. E alguns detalhes aparecem na nota explicativa 12a. Neste ponto a empresa usa de jargões e não fornece informações relevantes para o usuário.

Segundo a empresa, a perda na recuperabilidade significa que a Administração reconhece não ser possível assegurar a continuidade das unidades. Fala em “dificuldades de financiabilidade (sic) do projeto” como “principal motivador para reestruturar o plano de investimentos”. Não seria melhor falar em paralisação das operações?

Para fazer o teste, a Sete Brasil contratou um “consultoria independente de reconhecimento internacional”. A Sete Brasil revela que está usando o serviço da Alvarez & Marsal, especializada em recuperação de empresas, mas não informa o nome da consultoria que fez a avaliação do imobilizado, responsável pela amortização da empresa. Qual a razão? Pelo que foi informado pela empresa a abordagem usada é no mínimo simplória: dados históricos dos preços pagos de vendas de ativos similares, com ajustes e estimativa do custo de reconstruir a unidade inteira de forma “idêntica”, que a empresa chama de “princípio da substituição” quando conhecemos como custo de reposição (que é um pouco diferente do custo corrente). O problema é que o mercado de sondas, o principal produto da Sete Brasil, não é algo como a produção de pregos, computadores ou sapatos. São produtos específicos, onde a obtenção de dados históricos é muito difícil. E isto está claro no item “referências de operações recentes de ativos similares” (observe que o termo é similar, não idêntico) são citados dois casos somente.

A partir daí, analisou-se a evolução física das ondas em construção pela empresa. Assim, sondas que tiveram uma evolução física menor que 5% foram considerados como tendo um valor justo de zero.

Vamos fazer um breve exercício numérico nesta postagem. As duas operações de venda de sondas citadas pela Sete Brasil tiveram um custo de 860 milhões de dólares e 700 milhões de dólares, sendo a primeira vendida por 24,4% deste valor e a segunda por 9,3%. A empresa informa que existem duas sondas já quase concluídas da empresa tiveram um custo de 2,5 bilhões cada, que corresponde a 750 milhões de dólares no câmbio atual. Considerando 9,3% sobre duas sondas cujo cronograma físico está mais avançado, temos um valor aproximado de R$476 milhões, que corresponde a quase o mesmo valor existente no imobilizado no final de 2015. Aplicando o mesmo critério em todas as sondas da empresa o valor seria de R$3,2 bilhões. Bem acima do montante encontrado pela empresa. Mas o critério para avaliar as ondas pela empresa contratada não seria os dados históricos pagos em vendas similares e a estimativa de custo para reconstruir? Outra informação que reforça que o valor da recuperabilidade seja muito pessimista é o fato de que das 29 sondas o valor médio da baixa foi de 99,13%. Ou seja, somente foi considerado em média 0,87% do valor contábil. Este valor é um pouco menor que a relação entre o valor após a recuperabilidade e antes do teste: 1,4%. Mas independente da medida, o valor obtido é reduzido.

Um argumento a favor do laudo da consultoria é que no valor de custo estão inclusos ineficiências e pagamentos da corrupção. Mas o valor encontrado parece que as sondas foram avaliadas muito mais como sucatas do que como ativos.

Motivos - São possíveis várias explicações para o excesso de perda que consideramos anteriormente. Primeiro, em situações onde a empresa pretende fazer uma grande redução no valor do ativo, é usual que as empresas façam em valores excessivos para evitar novas baixas no futuro. Nestas situações, os gestores preferem pecar por excesso. Uma segunda razão pode ser a insegurança da empresa contratada com respeito ao laudo. E esta incerteza pode ter sua origem na possível descontinuidade, o que levaria a liquidação forçada, aos desdobramentos da investigação de corrupção, aos problemas do mercado do petroleo entre outros. Esta incerteza pode ser a mesma que levou a empresa de auditoria a não expressar nenhuma opinião no laudo de avaliação. Outra possível explicação é a estratégia da gestão de crise da empresa, onde reduzir ao máximo o valor do ativo pode conduzir a melhores termos na negociação futura com os credores.

Conclusão - se nas demonstrações de 2014 os valores estavam em excesso, aparentemente o resultado do teste de recuperabilidade pode estar reduzindo em excesso o ativo.

PL 257

[...]

o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257 surge também como uma volta ao básico. Embora tenha sido alçado ao conhecimento público como o projeto que perdoa a dívida dos Estados com a União, ele vai muito além.

Os entes subnacionais entraram em colapso, informação que deixou de ser novidade depois que as mazelas de Estados emblemáticos como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul ficaram conhecidas em rede nacional. Dentre as medidas de socorro surgiu um acordo entre União e Estados, em que a renegociação das dívidas ganhou relevância, mas o que de fato importa, que é a necessidade de um ajuste estrutural nas contas dos Estados, passou quase que despercebido. Afinal, todos se concentraram em criticar (mais ou menos acertadamente) a irresponsabilidade fiscal dos governos estaduais, sem se aprofundar no que o projeto tem de mais relevante, que são as contrapartidas de ajuste e as correções no conceito de pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Parte-se da constatação de que o problema dos Estados não é de endividamento, e sim do atual patamar de gastos correntes. Estes crescem historicamente acima da inflação e, mais grave, acima da taxa de crescimento das receitas. A conta é simples: se os gastos – em particular os de pessoal – aumentam acima do crescimento das receitas e se, adicionalmente, as receitas param de crescer, é natural que, mais cedo ou mais tarde, as despesas superem as receitas. Estamos no mais tarde, isso já aconteceu há muito na maioria dos Estados brasileiros e ficou mais evidente a partir da frustração de receitas extraordinárias e ordinárias que passamos a enfrentar desde o início de 2015.

Voltemos, então, aos conceitos. Os Estados sofreram colapso semelhante na década de 1990, quando então se partiu para a renegociação das dívidas com a União, culminando na Lei de Responsabilidade Fiscal, editada em 2000. Um dos objetivos da LRF era evitar uma nova crise fiscal dos entes subnacionais e para isso um dos pilares foi a definição de um teto para o comprometimento da receita com despesas de pessoal. A ideia é simples: há que limitar os gastos com pessoal para que sobrem recursos para investimentos e custeio da máquina pública.

Afinal, de que servem médicos se não há remédios ou hospitais minimamente equipados? Ou policiais sem viaturas ou equipamentos de segurança e armas? Ou professores sem escolas, ou dando aulas para alunos sem merenda, ou sem alunos por falta de transporte?

Não foi, portanto, por arbitrariedade do legislador, ou pura e simples maldade ou malquerença em relação aos servidores públicos – e menos ainda para evitar o desenvolvimento de instituições fundamentais como o Judiciário, o Ministério Público ou a Defensoria Pública – que se definiu um teto para as despesas de pessoal. Ao contrário, foi para que se exigisse uma gestão eficiente de recursos que são escassos (sim, os recursos públicos também o são!). Esse teto foi então estipulado em 60% para o caso dos Estados e distribuído entre os diversos Poderes de forma a que cada um tenha de atender a seu limite máximo.

Ao longo do tempo, contudo, o que se observa é que os Estados, legitimados pelos Tribunais de Contas, têm driblado esse teto ao criar despesas de pessoal fora dos conceitos da LRF. Auxílios de toda sorte, verbas indenizatórias e até mesmo despesas com pensionistas e o Imposto de Renda sobre a folha de pessoal têm sido considerados como “outras despesas”, sendo excluídas dos limites da LRF.

O que o PLP 257 faz é aprimorar o conceito e incluir essas despesas dentro dos limites, dando aos Estados – e a todos os Poderes – o prazo de dez anos para se reenquadrarem nos limites originais. Adicionalmente, esse projeto estabelece um controle para o aumento das despesas correntes, a exemplo do que faz a proposta de emenda constitucional (PEC) dos gastos. O objetivo é garantir que, passados os 24 meses de carência, os Estados consigam arcar com o serviço das dívidas – e não tenham consumido esse espaço com novas despesas obrigatórias, o que invariavelmente nos levará novamente à mesa de negociação em 2018.

Logo, é descabido o argumento de que haverá um desmonte da Lava Jato ou demissões em massa nos Poderes autônomos como consequência da aprovação do PLP 257. Há que voltar ao básico e levantar a questão da forma certa – com base nos números corretos: se estamos gastando, 75%, 80%, 85% das nossas receitas com despesas de pessoal e não têm sobrado recursos para garantir condições de trabalho aos milhares de servidores públicos, tampouco para investimentos básicos, é preciso refazer o debate.

E esse debate passa pela definição de prioridades e por exigir eficiência na gestão dos recursos públicos, inclusive no que se refere a recursos humanos. Essa é a única forma de garantir a sustentabilidade dos direitos adquiridos pelos servidores e a solidez institucional dos diversos Poderes. Há aí uma agenda que precisa ser aberta. Mas não será escamoteando os números e fingindo que o problema não existe que conseguiremos reverter o desequilíbrio atual e fazer o debate necessário.


Fardo do setor público e o crescimento medíocre

Não consigo (nem tento) disfarçar meu pessimismo sobre o futuro do país, em que pese a perspectiva de alguma recuperação à frente.

Não me interprete mal. Acredito que estamos melhores agora do que há alguns meses e muito mais do que estaríamos caso o governo anterior não tivesse sido afastado.

[...]

Da mesma forma, não é possível vender como vitória da equipe econômica a meta de deficit de R$ 139 bilhões para o ano que vem, apesar de tentativas em contrário. Para que esse valor se materialize, será necessário obter R$ 55 bilhões de receitas ainda não especificadas que certamente não se repetirão em outros anos, ou seja, o valor recorrente do deficit, que balizará a meta para 2018, será de R$ 194 bilhões.

Acrescentando à lista, agora o governo federal cedeu mais uma vez aos Estados, ao permitir que não contabilizem certos gastos no limite de sua folha de pagamento.

[...]

Quem acompanha o tema há de ter notado a situação dos Estados brasileiros, esmagados pelo peso de seus gastos com pessoal. Oficialmente, 17 deles estouram o limite prudencial, mas uma especialista como Ana Carla Abrão Costa, secretária da Fazenda de Goiás, estima que gastos com o funcionalismo podem ter ultrapassado 80% da receita líquida, comprometendo qualquer possibilidade de gestão.

Não há como escapar à conclusão: o setor público brasileiro se tornou, há muito, refém de interesses especiais.

Nesse contexto, a chance de se concretizar um ajuste fiscal da magnitude do requerido para estabilizar a dívida relativamente ao PIB é mínima, para colocar de forma delicada.

Assim, muito embora possamos imaginar que a economia comece a se recobrar já na segunda metade deste ano, não há como sonhar com uma recuperação vigorosa como na saída de outras recessões, pelo contrário: o fardo do setor público há de garantir crescimento medíocre ainda por muitos anos.

Rir é o melhor remédio

02 agosto 2016

Nunca use o filtro Hodrick-Prescott

Resumo:

Here’s why. (1) The HP filter produces series with spurious dynamic relations that have no basis in the underlying data-generating process. (2) A one-sided version of the filter reduces but does not eliminate spurious predictability and moreover produces series that do not have the properties sought by most potential users of the HP filter. (3) A statistical formalization of the problem typically produces values for the smoothing parameter vastly at odds with common practice, e.g., a value for λ far below 1600 for quarterly data. (4) There’s a better alternative. A regression of the variable at date t+h on the four most recent values as of date t offers a robust approach to detrending that achieves all the objectives sought by users of the HP filter with none of its drawbacks
Fonte: Why You Should Never Use the Hodrick-Prescott Filter∗ James D. Hamilton- Working Paper - 30 de julho 2016

Rir é o melhor remédio


01 agosto 2016

Links


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Stiglitz chama Apple de "fraude" por usar Irlanda para evitar impostos

Como alguns países financiaram as guerras no século XX (PDF) (inclui Portugal)

Músico de blues morre do coração, de jazz de câncer e rap e hip-hop de homicídio

Quanto dinheiro tinha Escobar?

Zelotes e Bradesco

Vincula-se o Banco Bradesco a problemas sob investigação da Polícia Federal no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Alguns participantes deste Conselho estavam cobrando comissão para facilitar o trâmite de processos. O Bradesco tem processos de interesse no valor de bilhões de reais no Carf e teria pago esta comissão.

A investigação recebeu a denominação de Operação Zelotes. O banco, ao divulgar seus resultados do segundo trimestre, fez a seguinte observação no relatório de administração:

Em 31 de maio de 2016, o Bradesco tomou conhecimento do indiciamento de três membros de sua Diretoria Executiva, pela Polícia Federal, no âmbito da chamada “Operação Zelotes”. Em razão disso, a Administração conduziu criteriosa avaliação interna nos registros e documentos relacionados ao assunto (1) e constatou que nenhuma ilegalidade (2) foi praticada pelos seus representantes. Os fatos e as evidências que demonstram a inocência dos executivos do Bradesco serão apresentados às autoridades competentes, quando por elas demandado.

Em decorrência destas notícias veiculadas na mídia, referentes à “Operação Zelotes”, uma ação coletiva (Class Action) foi ajuizada contra o Bradesco na Corte Distrital Americana para o Distrito Sul de Nova York (United States District Court for the Southern District of New York) em 3 de junho de 2016, sobre a qual o Bradesco não foi ainda citado. De acordo com a demanda, investidores que adquiriram American Depository Shares (“ADS”) do Bradesco entre 30 de abril de 2012 e 31 de maio de 2016 teriam sofrido perdas provocadas pelo Bradesco em virtude de alegada violação à lei de mercado de capitais norteamericana. Está em curso o prazo para que investidores manifestem o interesse em aderir à Class Action como “requerente principal” (Lead Plaintiff), até o dia 2 de agosto de 2016.

Como a Class Action está ainda em uma fase preliminar de cabimento, não é possível fazer uma estimativa do valor de risco e/ou da probabilidade de perda.


Algumas observações interessantes:

(1) a investigação não tem nenhum valor e já pode ser questionada: afinal a própria Administração, incluindo seu presidente, está sendo investigada pela Polícia Federal. Uma "avaliação interna" não pode ser objeto de nota explicativa.
(2) Entre a data do indiciamento (31 de maio) e a divulgação do balanço foram sessenta dias. E a "avaliação interna" já apresenta sua conclusão. A seguir já se fala da inocência dos executivos.

Rir é o melhor remédio


31 julho 2016

Quem dera...

Fonte: RYPL, Francisco Sávio. É por isso que o Brasil não vai, 2016.

Apesar de todos os progressos realizados pela contabilidade, ainda permanece a visão de que a contabilidade é exata. O que justificaria isto? O fechamento mecanizado dos balanços que ensinamos na graduação?

Valor Justo e Ativos Biológicos

Os resultados apontam que o valor justo é relevante para mensuração dos ativos biológicos, em contraposição à utilização do custo histórico. Constatou-se também que o valor justo é mais relevante para os ativos sem mercado ativo (eucalipto) do que para os ativos que possuem mercado líquido (boi). Assim, os resultados desta pesquisa estão aderentes as orientações das normas internacionais de contabilidade que adotam o valor justo como metodologia de mensuração para esses ativos, embora ainda há certa preocupação com a confiabilidade do método de mensuração.

Fonte: Aqui

Por que estudar?

Motivação para estudar (especialmente para o The Uniform Certified Public Accountant Examination). Acho que vale para quem estuda para concursos também!




"Não saia de casa"
"Quanto mais miserável você estiver, mais chances você tem de passar"

O que não se deve falar no ambiente de trabalho


Se dar bem com colegas de trabalho é algo maravilhoso. Pode tornar o seu trabalho menos lúgubre, te ajudar a se concentrar melhor e te tornar mais produtivo. Mas, de acordo com Rosalinda Oropeza Randall, uma especialista em etiqueta e civilidade e autora de “Don’t Burp in the Boardroom”, seu relacionamento íntimo com o colega de trabalho pode se tornar problemático quando você não mantém o clima profissional.

Há várias coisas que você não deveria dizer que poderia tornar terrível uma relação de trabalho ou até te fazer ser despedido. Observações não profissionais, estranhas ou mal-educadas, até mesmo comentários que incomodam devem ser evitadas.

Em uma conversa, use um pouco de senso comum e discrição, especialmente se houver outras pessoas presentes. A regra geral é: se você não diria na frente do seu chefe, não diga.

Além do óbvio – como insultos e mentiras- veja aqui algumas palavras e frases, adaptadas do Business Insider, que você nãodeveria dizer aos seus colegas.

Quanto você ganha?
Essa questão não é apenas não profissional, como também é desajeitada. Por que você quer saber? Você vai reclamar com o seu chefe se você considerar a resposta injusta? Você irá falar com o seu chefe em nome dos seus colegas, insistindo que todos ganhem um aumento?

Honestamente
Barbara Pachter, uma especialista em etiqueta e autora do livro “The Essencials of Business Etiquette” diz que chamar a atenção para a sua honestidade naquele momento faz as pessoas questionarem se você não é sempre sincero.

Gosto de como essa calça te serve
Um comentário não vai contra a lei, mas seja seletivo sobre o que fala. Comentar sobre a aparência de um colega de trabalho não é um comportamento profissional e pode ser considerado assédio.

Você está grávida?
Essa pergunta raramente traz bons resultados. Se a sua colega não está grávida, você a insultou. Se ela está grávida, ela provavelmente ainda não está pronta para discutir o assunto. Mantenha observações assim para si.

Desculpa incomodar
Por que você está dizendo que é um incomodo? E se você realmente deseja se desculpar por algo que ainda não fez, porque seguir em frente e fazer mesmo assim? “
Licença. Você tem um minuto? Funciona bem melhor.

Estou procurando por outro emprego – você conhece alguém que está contratando?
Compartilhar isso com os seus colegas pode fazer com que eles instintivamente se afastem, sabendo que você não mais fará parte do time. Eles também podem vazar a informação para o seu supervisor, que pode interpretar o fato como uma insatisfação sua que justifica as ausências e baixo rendimento. Consequentemente você não receberá a melhor das referências.


Rir é o melhor remédio

Uma foto publicada por Blog Contabilidade Financeira (@contabilidadefinanceira) em

por César Tibúrcio

30 julho 2016

Fato da Semana: Controles Internos

Fato: Controles Internos nas Empresas

Data: Final de julho de 2016

Fonte: Diversos

Precedentes : Diversas empresas com atuação no Brasil divulgaram notícias relacionadas a problemas de controle interno. A Cnova informou a mensuração das perdas com a falta de controle interno nos estoques. Na Telefônica os problemas estão relacionados com pagamentos indevidos a funcionários e parentes na área de marketing. Na Latam a questão é o suborno de funcionário na Argentina. Isto sem falar na Petrobras na Oi, na ...

Notícia boa para contabilidade?
Como na maioria dos casos o problema está relacionado com o descuido das empresas com os controles internos, podemos considerar que seja um boa notícia. Este tipo de notícia tende a valorizar os instrumentos de controle interno.

Desdobramentos
Os problemas relatados sempre existiram. As empresas que sofreram com o fato devem melhorar seus controles. As demais, provavelmente, somente considerarão relevante estes controles quando sofrerem com sua ausência.

Mas a semana só teve isto?
Não. Foi tão interessante que reunimos aqui vários "fatos". Além disto, a notícia sobre a relevância da contabilidade, os problemas estruturais na questão do desemprego e os efeitos da crise no balanço poderiam ser destaques.

Uma contadora nas Olimpíadas



Saiu no Business Insider um texto falando sobre os 50 melhores atletas atuantes.

Uma delas é Gwen Jorgensen, uma ex contadora da EY e hoje a melhor triatleta feminina do mundo, na distância olímpica. Ela ganhou 13 das 14 últimas competições que participou e foi medalhista de ouro nos dois últimos mundiais.

Nas Olimpíadas de 2012 o pneu da bicicleta dela furou e ela terminou a competição em 38º. Ela é a favorita para ganhar ouro nas Olimpíadas do Rio.

Pós-graduação: Quem quer entrar?


by César Tibúrcio :)

Rir é o melhor remédio


29 julho 2016

Dominância Fiscal e dinâmica da dívida pública

Durante a elaboração da Constituição Federal de 1988, os legisladores brasileiros estabeleceram uma série de gastos obrigatórios e uma série de direitos que iriam gerar mais e mais gastos do governo. Eles esqueceram de considerar a dinâmica da dívida pública. Um pais mais endividado, fica cada vez mais frágil. Depois de anos de crescimento real dos gastos financiados com aumento de carga tributária parece que a conta chegou e a farra acabou.

Alguns analistas econômicos discutem a possibilidade do país entrar numa situação de dominância fiscal, em que a política fiscal domina a política monetária. Ou seja, o fluxo de receitas futuras do governo é inferior ao fluxo de gastos futuros. Com mais déficit orçamentário, o governo é obrigado a elevar os juros para controlar a inflação. Como a politica monetária não tem mais efeito, há um aumento da inflação e do déficit nominal devido à elevação do custo da dívida.

Segundo esta análise otimista: 

Neste contexto, vale trazer novamente à discussão as simulações de trajetória a de dívida. No caso em que: aprovadas as PECs (do teto e da idade mínima), não há mais reajuste real do salário mínimo (para sempre), zeramos os gastos que não sejam de Previdência, Assistência, Saúde, Educação e Funcionalismo até 2024, com o PIB crescendo 2% em termos reais ao ano, já a partir de 2017, e taxa Selic convergindo para 10% ao ano de 2018 em diante com uma inflação na meta, temos a seguinte dinâmica de dívida:


Uma explicação bem mais simples para essa explosão da dívida pública no Brasil pode ser dado da seguinte forma. O custo (ou dano) da dívida reage de maneira não-linear ao aumento da dívida. É uma relação assimétrica, em que, a partir de um certo ponto, a dívida e seus efeitos perversos escondidos crescem de maneira desordenada (explosiva): mais dívida, mais despesas com juros, juros mais elevados, economia mais frágil, menos crescimento. O gráfico (bem tosco) abaixo mostra a situação:


Para o país sair dessa situação será necessário um crescimento econômico vigoroso. Para isso é preciso implemnetar uma série de reformas estruturais, que há muito tempo são debatidas, mas não foram implementadas. 

Privatizar é ótimo

A economista Ana Carla Abrão Costa entrou neste ano na maior briga de sua vida. Como secretária de Fazenda de Goiás desde janeiro, ela é uma das faces públicas da venda da Celg, distribuidora de energia no Estado, marcada para agosto, e de uma iniciativa que poderá resultar em outras privatizações e parcerias com o setor privado. Trata-se de um programa para avaliar todos os ativos do governo goiano, a ser anunciado na segunda-feira, dia 4. “Não haverá nenhuma vaca sagrada, nenhum ativo estatal que não esteja sujeito a transferência para a iniciativa privada”, diz Ana Carla. Privatizar, no Brasil, é uma ideia sob ataque da direita velha, da esquerda velha, de populistas em geral e de funcionários públicos apegados a comodidades do cargo – uma turba poderosa. Ana Carla, doutora pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), mergulhou no debate. E explica, com lógica impecável, por que privatizar beneficia o cidadão.


ÉPOCA – O governo federal vem incentivando os Estados a privatizar. Críticos da ideia dizem ser ruim tentar vender estatais agora. Por que vender, mesmo na crise?

Ana Carla Abrão Costa – Eu vim da iniciativa privada, entrei no setor público em janeiro. Então, de um ponto de vista não ideológico, e sim conceitual e baseado na experiência, faço uma constatação: o Estado é mau empresário. Quanto maior, mais oportunidade ele abre para a ineficiência. Isso sem mencionar a corrupção, cujos efeitos vêm emergindo nos últimos tempos. Um dos grandes problemas dos Estados brasileiros é a máquina administrativa estar crescendo de forma inexorável. Então, privatização entra agora (no debate) porque os governos estão maiores do que as receitas. Precisamos enxugar, precisamos ter governos menores. Um Estado menor é a única forma de ter um Estado mais eficiente. O modelo atual de governo é fadado ao inchaço. Só há incentivo a contratar mais. A estabilidade do emprego no setor público se tornou uma blindagem contra mudanças. Entendo a estabilidade para carreiras de Estado – auditor fiscal, delegado de polícia. Mas não entendo por que a assistente tem estabilidade, o motorista tem estabilidade. Hoje, é praticamente impossível demitir um funcionário público. O incentivo para ele trabalhar e ser mais produtivo é baixo. Então, se você precisa fazer algo, tem de contratar mais gente. Isso faz com que a máquina pública só cresça, de forma completamente descolada da eficiência, da produtividade, do bom serviço. Por isso vejo privatização, em primeiro lugar, como forma de resolver problemas de um modelo fadado à ineficiência.

ÉPOCA – E a questão de ser um momento ruim?

Ana Carla – Ok, do ponto de vista econômico, vender agora é pior do que vender num momento em que o país está florescendo, em que o investidor estrangeiro olha para o Brasil como uma grande oportunidade, como há alguns anos. Sim, tivemos momentos melhores que o atual. Mas também tivemos momentos piores. Hoje, já há alguns sinais um pouco melhores na situação, de alguma estabilização, após a deterioração econômica que vivemos nos últimos 18 meses. Pode não ser o melhor momento, mas qual é a alternativa? Continuar com o Estado inchado e esperar esse melhor momento chegar? Talvez esse momento não chegue enquanto não virarmos a página, não nos tornarmos mais eficientes, não sairmos da crise. E para sair da crise temos de diminuir o tamanho do Estado, reduzir o gasto público. Não é o momento ideal, mas nunca chegaremos ao momento ideal se não destravarmos isso. Temos de quebrar esse ciclo, e a agenda de privatizações é a ferramenta.

ÉPOCA – Fala-se há tempos em privatizar a Celg. Isso vai mesmo ocorrer em agosto?
Ana Carla – O governo goiano é minoritário na companhia, o controle é da Eletrobras. Passamos um ano e meio insistindo na privatização. Mas ali havia uma questão ideológica, definitivamente. Mesmo que a presidente da República tivesse tomado a decisão de privatizar a empresa, a estrutura (no governo federal) trabalhava contra. Foram sendo colocadas dificuldades ao longo de 18 meses, num processo que não andava, que foi empurrado.


ÉPOCA – O que a senhora quer dizer com “estrutura”? Quais órgãos do governo federal?
Ana Carla – Todos. O processo de privatização de uma empresa importante como a Celg, com controle do governo federal, tem de passar por Tribunal de Contas da União, Ministério de Minas e Energia, Eletrobras, Casa Civil, Ministério da Fazenda... Se há nessas estruturas uma posição ideológica contrária à privatização, você tem mais dificuldade do que numa situação como a que estamos hoje, em que a privatização é agenda do governo federal. O presidente interino Michel Temer assumiu isso no discurso dele no primeiro dia, ao usar a palavra “privatização”. O governo (de Dilma Rousseff)tinha constrangimento de usar a palavra. A Celg acabou não sendo privatizada porque, no apagar das luzes (quando se aproximava o dia da votação do afastamento de Dilma), o governo federal segurou a publicação do edital. Havia pressão de movimentos sociais, pressão política. A presidente provavelmente olhou e pensou: “Não é a hora de eu abrir mão dos poucos apoios que ainda tenho”. Uma privatização tem de andar em vários órgãos para acontecer. No caso do presidente Temer, o processo está andando muito rapidamente, porque há uma decisão de que esse é o caminho para sair da crise. Temos um ativo bom, atraente e pronto para ser privatizado. Destravamos o processo todo.

[...]

Ana Carla Abrão Costa, secretária de Fazenda de Goiás (Foto: Cristiano Borges/ÉPOCA)


Fonte: aqui

Securtização da dívida e o cálculo da meta fiscal

Brasília, 25/07/2016 – O governo faz pressão para o Banco Central (BC) rever a forma de cálculo usada na política fiscal que impede que o dinheiro obtido com a venda de dívida parcelada pelos contribuintes, a chamada securitização, seja usado para o cumprimento da meta fiscal.

A venda desses créditos a receber pela União, Estados e municípios é uma das grandes apostas do governo Michel Temer para reforçar o caixa do Tesouro Nacional e dos Estados em 2017 e diminuir o rombo das contas públicas.

Até agora, o entendimento do BC era o de que a arrecadação desses recebíveis é uma receita financeira, que não pode ser considerada no cálculo da meta. Se o BC não mudar de avaliação, a estratégia de aumentar a arrecadação com essas operações ficará frustrada.

Projeto em tramitação no Congresso Nacional autoriza essas operações e dá mais segurança jurídica, procurando garantir que não se trata de operação de crédito, já que não há compromisso futuro dos governos em honrar a dívida que não for paga pelo contribuinte.

É com esse argumento que os defensores da proposta estão buscando convencer o BC a mudar o seu entendimento. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, é um dos que buscam aplacar as resistências técnicas do BC.

Como informou o Estado na edição de domingo, a aprovação da lei vai dar mais segurança jurídica para as operações de securitização que já foram feitas por alguns municípios e Estados, entre eles, São Paulo. Essas operações também foram questionadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que em pareceres recentes considerou a securitização como operação de crédito.

O TCU também está sendo procurado pelo governo para mudar sua avaliação. Segundo fonte da área econômica, o TCU já deu sinais de que pode mudar a avaliação com a aprovação do projeto pelo Congresso.


[...]

Fonte: BC SOFRE PRESSÃO PARA GARANTIR QUE SECURITIZAÇÃO ENTRE NO CÁLCULO DA META FISCAL

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28 julho 2016

Expansão da adoção das IFRS

A Fundação IFRS informou que fez uma pesquisa entre 48 mil empresas de 85 bolsas de valores. O resultado mostrou que metade estão adotando as normas internacionais do Iasb. A Fundação IFRS tem sede em Londres e supervisiona o trabalho do IASB.

A Fundação também acredita que o número de empresas que adotam as normas internacionais está crescendo. Alguns países estão optando pela adoção, como é o caso da Arábia Saudita, que as IFRS para as empresas com ações na bolsa a partir de 2017.

Rir é o melhor remédio

Eu transformo café em restituição de imposto.

Fonte: Aqui

27 julho 2016

Continua a crise na Contabilidade

Os dados divulgados hoje pelo governo sobre a movimentação da mão-de-obra no Brasil indicam que a crise de emprego continua no setor de contabilidade. Tendo por base somente o emprego formal, durante o mês de junho foram admitidos 8006 contadores, auditores, escriturários de contabilidade e técnico em contabilidade. Mas, por outro lado, foram demitidos 9.422 trabalhadores, indicando uma redução no número de vagas de 1.416. De janeiro de 2014 até junho foram reduzidas 22.666 vagas.
A exemplo dos meses anteriores, o salário médio dos admitidos é R$2.125 e dos demitidos é de R$2.695. Aqui um recorde negativo: é a maior diferença desde que este blog começou a tabular estes dados: 27% ou R$571. De janeiro de 2014 até junho de 2016 isto equivale a uma redução nominal da massa salarial de R$153 milhões. Os números deste parágrafo parecem indicar que as empresas estão demitindo os funcionários com maior salário e contratando funcionários com um salário menor.

Os trabalhadores demitidos tinham, em média, 35,4 meses de emprego. No mês passado este número era de 33,6 e em maio de 2016 era de 29,4 meses. O desemprego está afetando cada vez mais os trabalhadores mais antigos. Também a exemplo dos dois meses anteriores, o desemprego foi maior entre as mulheres: menos 823 vagas.

Em termos de formação, as pessoas demitidas geralmente tinham o curso médio completo (3309 demitidos) ou superior completo (3774).

Resenha: Superprevisões

O livro Superprevisões (Tetlock e Gardner, Objetiva, 2016) tem como subtítulo "a arte e a ciência de antecipar o futuro". Talvez o título mais adequado, mas menos vendável, fosse Superprevisores. O livro trata de um projeto conduzido por Tetlock há anos denominado Good Judment Project que tenta descobrir os mistérios da previsão. (Este blogueiro chegou a participar durante alguns meses deste projeto)

O livro é um apanhado didático do que já se conhece hoje sobre os mecanismos da previsão. É uma obra bastante crítica dos gurus, como Tom Friedman, afirmando que estes especialistas não são propositalmente claros nas suas projeções. Quando o são, erram muito. Lançando desafios de previsão objetivos e bem específicos, o Good Judment Project conseguiu descobrir que algumas pessoas acertam mais do que a média nas previsões. São pessoas inteligentes, que gostam de descobrir novidades, que ajustam suas previsões constantemente, cautelosos, humildes, probabilísticos, de mente aberta, reflexivos, matematicamente dotados, pragmáticos e determinados. As características do bom previsor está nas páginas 185 e 186 (não no final do livro).

Por ter sido escrito em conjunto com Gardner, um jornalista, a obra é profunda, mas bastante acessível. As citações acadêmicas foram levadas para o rodapé da obra, o que facilita a leitura.

Na discussão sobre preditores, os autores comentam sobre equipes, lideranças, diagnósticos e erros. O livro difunde uma forma bem interessante de medir o erro de previsão, o índice de Brier. Mas sobretudo enfatizam a grande dificuldade de fazer previsões: mesmo o superprevisor erra muito.

Vale a pena? - para quem gosta de fazer previsões e deseja melhorar seus acertos, para aqueles que acreditam nas obras que falam do futuro e aos que defendem o uso de previsão na contabilidade, esta obra deveria ser objeto de leitura obrigatória. O livro é didático, sem deixar de ser preciso. Como um bom livro de divulgação científica.

Cnova

A empresa Cnova conclui recentemente a apuração dos efeitos dos problemas da falta de controle nos seus estoques. A empresa informou que os prejuízos totais nos estoques foram de 42 milhões de reais. Somado aos problemas com outras contas (vendas, contas a receber, contas a pagar, ativos intangíveis e despesas operacionais) o efeito chega a R$400 milhões.

A empresa informou a SEC os efeitos da apuração conduzida. Um aspecto interessante é que ao contrário da Petrobras, que não distribuiu os efeitos ao longo do tempo – alegando ser isto impossível, a Cnova determinou o impacto em cada ano.

Links

HBR: Valor do Acionista (por Mauboussin e Rappaport)

A beleza de uma fórmula matemática (lendo o cérebro de matemáticos)

Menos pagamento e mais desempenho: remuneração dos executivos (figura ao lado)

Pesquisa: assassino em massa é contagioso

Jornalista jogava Pokémon Go na coletiva na Casa Branca

O último vídeo-cassete irá ser produzido neste mês

Exercícios físicos ajudam a memorizar melhor a matéria estudada

O curso "Aprendendo a Aprender"  do Coursera me deixou ótimas impressões. Um dos aspectos que eles destacam é a importância da atividade física. Dormir e se exercitar são processos importantes para a criação de novos neurônios.

Li hoje no Brasil Post uma reportagem sobre um estudo que concluiu que o melhor momento para se exercitar é 4h após o fim dos seus estudos. A diferença não é gritante, há uma melhora de cerca de 10% da sua capacidade. Todavia, dependendo dos seus propósitos, ter 10% de vantagem sobre o concorrente é valioso. Difícil é colocar a sugestão em prática, especialmente para quem estuda à noite.

[...] Para produzir os efeitos de melhora da memória, provavelmente é preciso fazer exercício físico de alta intensidade. [...] serão necessários mais estudos para definir o tempo melhor de espera em humanos (entre o estudo e a prática do exercício físico).
Em outras palavras, é possível que quatro horas não seja o tempo de espera ideal. Pesquisas futuras podem nos ajudar a obter uma resposta mais precisa.”

Ainda:
O efeito positivo sobre a memória foi modesto, mas a descoberta traz evidências iniciais de que o exercício físico, feito no prazo correto, pode melhorar a retenção de memórias, dizem os pesquisadores. [...]
As informações recentemente aprendidas geram traços de memória no cérebro; esses traços podem se deteriorar ou podem ser consolidados com a memória de longo prazo.
Estudos recentes mostram que o exercício físico gera um aumento grande na liberação de determinados neurotransmissores, como dopamina e noradrenalina, que provavelmente são cruciais para a consolidação das memórias. 
Os pesquisadores especulam que talvez seja essa razão por que malhar ajudou os participantes do estudo a reter informações. 
“Essas proteínas ajudam a estabilizar os novos traços de memória, que, de outro modo, seriam perdidos”, disse ao Huffington Post em e-mail o Dr. Guillen Fernandez, professor de neurociência cognitiva no Centro Médico da Universidade Radboud.
“O exercício físico está no início desta sequência, porque é acompanhado pela liberação de dopamina e norepinefrina.”

Hipótese da Renda Permanente está errada

A hipótese da renda permanente de Milton Friedman é uma das principais bases da teoria macroeconômica e de finanças. Essa hipótese considera que o consumo das pessoas depende da renda esperada ao longo da vida. Assim, as pessoas suavizam o consumo. Ou seja, diante de flutuações  em torno da renda esperada, os indíviduos poupam ou tomam dinheiro emprestado para manter o consumo estável. Se a hipótese for verdadeira, um aumento de gastos do governo (política fiscal expansionista) não implica em aumento de gastos das famílias, pois a renda extra será poupada. Essa hipótese de Friedman também influencia a fixação de juros pela autoridade monetária. No entanto, uma série de estudos empíricos estão mostrando que ela não tem muita validade empírica. Assim, muitos dos modelos econômicos estão baseados numa hipótese errônea criada por um dos economistas mais influentes da história. É mais um exemplo de que a teoria econômica está errada.






Contador-chefe da SEC cai de bike

James Schnurr, the chief accountant in the Securities and Exchange Commission’s Office of the Chief Accountant, has been seriously injured in a bicycling accident, and the SEC named deputy chief accountant Wesley R. Bricker as interim chief accountant while Schnurr recuperates.

[...]

Schnurr floated a proposal last year for the SEC to allow companies to use some supplemental information from International Financial Reporting Standards in their financial statements in addition to their U.S. GAAP filings, which the SEC is still considering (see SEC Considering Support for Supplemental use of IFRS). He also encouraged FASB to set up a Transition Resource Group for the recently issued accounting standard on credit losses for financial instruments (see SEC Sets Up Transition Group for Credit Loss Standard).

Fonte: aqui

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26 julho 2016

Problemas de controle interno na Telefônica

Realmente as empresas de telefonia estão vinculadas aos escândalos. Com respeito a Vivo um blog postou o seguinte (via aqui)

Em 13 de junho foi demitida da Vivo a toda poderosa diretora de marketing Cris Duclos [foto]. Agora começa a ficar claro que o motivo foi um rombo de R$ 27 milhões. A diretora usava três das agências de publicidade que atendiam a Vivo (hoje são DPZ, Africa, DM9DDB e Young & Rubicam) para superfaturar produções de filmes publicitários e repassar propina de volta para ela. Mais: ela fez uma acordo com a agência Africa (de Nizan Guanaes) para contratar seu marido, Ricardo Chester, que também recebia propina na forma de um salário milionário, muito acima da média da equipe.


Mas o blog afirma que tanto a Folha/UOL assim como o Valor iriam publicar sobre o assunto, mas foram pressionados para nada comentar. Entretanto, o Valor publicou sobre o assunto.

Links

Corte considerou que Bitcoin não era dinheiro real

Executivos bem pagos são medianos e podem ter desempenhos ruins

LATAM reconhece que pagou propina na Argentina e paga multa

CVM promove palestras (mas para somente quem mora no Rio)

Como as fotografias de férias mudaram no tempo (vídeo)

O papel de um neurônio chamado Jennifer Aniston (é sério) 

Polêmica na Recuperação Judicial da Oi

Na semana passada a justiça do Rio de Janeiro designou a PwC e o escritório de advocacia Wald para administrar judicialmente a empresa Oi. Duas polêmicas surgiram nesta semana. Primeiro, a empresa PwC é credora da Oi; assim, teria interesses na questão e poderia ser beneficiada em relação a outros interessados na questão. A segunda polêmica é o fato do escritório de advocacia não constar na lista originalmente sugerida pela Anatel.

É preciso entender que a recuperação da empresa Oi será acompanhada de perto por diversos interessados, nem sempre com objetivos coincidentes. Tanto as escolhas da PwC quanto do escritório de advocacia são defensáveis. Certamente isto não influenciará na qualidade do trabalho. Mas que o desgaste poderia ter sido evitado, isto poderia.

SEC pune contador por não identificar fraude

The Securities and Exchange Commission has suspended EFP Rotenberg LLP and an accountant at the firm for failing to detect fraud in the audit of a public company client, ContinuityX Solutions.

As part of the settlement, the firm agreed to pay a $100,000 penalty, while the accountant, Nicholas Bottini, agreed to pay a $25,000 penalty, the SEC said Friday. Bottini has been permanently suspended from appearing and practicing before the SEC as an accountant, barring him from participating in financial reporting and audits of publicly traded companies. The New York-based firm has been suspended for one year and can only resume public company audits next year if an independent consultant certifies it has fixed the causes behind its failure to detect to the fraud.

The failed audit involved ContinuityX Solutions, a public company based in Metamora, Ill., which claimed to sell Internet services to businesses. The SEC has since charged ContinuityX’s executives alleging it engineered a scheme to inflate the company’s revenue through fraudulent sales.

The SEC said EFP Rotenberg and Bottini failed to perform enough audit procedures to uncover the fraud in ContinuityX’s financial statements. The firm and the accountant also didn’t get enough evidence about revenue recognition and accounts receivable to support its audits, according to the SEC, nor did it identify related-party transactions, investigate claims from company management that contradicted evidence found during the audit, perform procedures to resolve and document those inconsistencies, or exercise due professional care.

“Auditors are supposed to act as gatekeepers to protect the integrity of our markets, but EFP Rotenberg and Bottini failed to live up to their professional obligations,” said David Glockner, director of the SEC’s Chicago Regional Office, in a statement.

[...]


Fonte: aqui

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25 julho 2016

Farra nos gastos com pessoal dos Estados

Apesar de serem obrigados, por lei, a conter despesas com pessoal, vários Estados estouraram seus limites e essa conta cresceu em pelo menos R$ 100 bilhões de 2008 para cá – período em que o governo federal afrouxou o monitoramento das finanças estaduais. A alta é espantosa porque representa um crescimento real, acima da inflação, de 40%, e é quase o dobro dos R$ 58 bilhões de aumento de 2000 a 2007, quando se aplicou com mais rigor a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Mesmo sendo gigantesco, a avaliação é que esse número pode ser ainda maior. Gastos com auxílio-paletó, auxílio-combustível, auxílio-moradia, precatórios com alimentação, terceirizados, prestadores de serviços por meio de contrato com organização social e até pensões e aposentadorias – enfim, uma série de despesas decorrentes de pessoal – podem não estar incluídas nessa cifra. “Não dá para saber”, diz Gustavo Morelli, diretor da consultoria Macroplan, que coordenou esse levantamento. Morelli explica que, ao longo dos anos, foram feitas diferentes “interpretações da lei” sobre o que entra ou não na conta, dificultando a análise da saúde financeira dos Estados.

Os especialistas em finanças não gostam de dizer que isso configura “maquiagem” ou que as interpretações criaram uma “caixa preta”. As secretarias de Fazenda conhecem os dados e fazem a prestação de contas dentro da lei. É fato que muitos critérios contrariam o manual do Tesouro Nacional, responsável por monitorar a aplicação da lei. Mas eles foram aprovados pelos Tribunais de Contas dos Estados ou conquistados em disputas na Justiça. Ainda assim, a maioria admite que houve uma “criatividade coletiva” na apresentação dos gastos.

“O que temos nos Estados é a pior das contabilidades criativas – a contabilidade criativa legal, pois interpretações da Lei de Responsabilidade Fiscal foram autorizadas pelos Tribunais de Contas dos Estados, pela Justiça e, em alguns casos, até pelo Tesouro”, diz Raul Velloso, especialista em contas públicas.


Gastos públicos



Índice. Para medir o peso do pessoal sobre o caixa dos Estados, a lei manda fazer uma conta elementar: dividir os gastos com a folha pela receita líquida corrente. O resultado é um indicador que não pode ser superior a 60%. As manobras consistem em contabilizar a menos as despesas e a mais as receitas, por meio das tais interpretações, para que o resultado da conta fique abaixo de 60%.

Para a economista Sol Garson, ex-subsecretária de Finanças do Rio e hoje responsável pela área fiscal da Macroplan, o Rio de Janeiro tem uma das interpretações mais criativas do País. Em 2015, para fechar a conta com a Previdência, usou cerca de R$ 3,6 bilhões de royalties de petróleo. A receita é instável e incerta, não tem relação com o esforço fiscal do Tesouro, mas o Estado e o Tribunal de Contas entendem que vale.

Há outra manobra comum, mas mais requintada. Estados e municípios recebem repasses do SUS destinados exclusivamente a pagamentos de serviços da rede privada. O dinheiro mal passa pelo caixa público e segue para o setor privado. “Mas a maioria dos Estados e municípios contabiliza como se o dinheiro fosse deles, eleva a receita corrente líquida, o que melhora o indicador”, diz Sol.

Durante muito tempo, os Estados preferiram defender seus critérios, ainda que duvidosos. Uma nova geração de secretários de Fazenda, porém, defende que é preciso rever a posição.

Quem puxa a fila é Ana Carla Abrão Costa, secretária de Fazenda de Goiás. Egressa do setor privado, ao assumir, mandou recalcular o indicador incluindo absolutamente todos os gastos com pessoal. Pelas regras da contabilidade oficialmente adotadas em Goiás, o indicador hoje está em cerca de 50%. Mas o cálculo sugerido por Ana Carla diz que é 80%. Ela reforça que a situação dos Estados é gravíssima (ler mais abaixo).

Os gastos com pessoal crescem de 5% a 6%, ao ano, mesmo que não se contrate ninguém e não se dê um centavo de aumento. “Teremos vários Rios de Janeiro em três anos se nada for feito e estou convencida de que apenas com informações transparentes – e o debate pela sociedade – é que teremos condições de avançar nas correções”, diz Ana Carla. O governo tem uma nova proposta de cálculo, mais rigoroso, que poderia dar uma visão mais clara sobre os gastos.


Fonte: aqui