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02 abril 2021

Governo, Taxa de Desconto e Custo do Carbono


Um dos desafios da contabilidade ambiental é estimar o valor do impacto ambiental. Por ser algo que irá afetar diversas gerações no futuro, a taxa de desconto tem um papel crucial neste processo, assim como o seu valor (custo, em alguns métodos). Um dos métodos usados para avaliar o impacto da emissão de carbono é através do preço do carbono. O método já foi considerado uma opção importante para a OECD, a entidade que reúne diversos países ricos do mundo ocidental (vide, por exemplo, o documento Adapting Transport Policy to Climate Change, de 2016). 

Além disto, a taxa de desconto deve ser usada pelas empresas nas decisões de investimento. Um taxa de desconto que leva em consideração o custo do carbono, via preço de mercado, pode tornar viável ou inviável certos projetos. 

A Comunidade Europeia resolveu atuar via o preço do carbono no mercado. Veja a notícia do Financial Times de 16 de março (Accounting needs to be stepped up for climate change costs, Alan Livsey)

A UE reduziu a oferta de créditos disponíveis para a indústria e acelerou a taxa necessária de redução de emissões nos 40 anos a 2030 de 40% a 55%. Isto ajudou a empurrar o preço do carbono da UE a $48 por tonelada, um aumento de 83 por cento em um ano. 

Por sinal, o texto do Financial Times lembra que algumas empresas estão dispostas a evidenciar certas informações ambientais, desde que isto não obrigue reconhecer como despesa as consequências para o ambiente. 

20 março 2021

Efeito dotação e mensuração ambiental


O termo "efeito de dotação" foi cunhado por Thaler em seu trabalho de 1980, descrevendo várias anomalias no comportamento do consumidor. Este efeito logo chamou a atenção dos economistas ambientais. 

Os economistas que estudam questões envolvendo a política ambiental frequentemente precisam encontrar um valor para bens que não podem ser comercializados no mercado. Assim, eles podem precisar determinar o valor para os consumidores locais de um novo shopping a fim de determinar se vale a pena os custos ambientais. Aos consumidores em potencial poderia ser solicitada sua disposição de pagar pelo novo shopping. Alternativamente, aqueles que possuem casas muito próximas do local podem perder uma vista espetacular quando o shopping sobe, além de precisar lidar com o tráfego adicional, o ruído e o brilho luzes em todas as horas da noite. A estas pessoas pode ser solicitada sua disposição para aceitar estes inconvenientes. Então o economista poderia determinar se o shopping melhoraria ou diminuiria o bem-estar, examinando se aqueles que querem o shopping poderiam potencialmente pagar aqueles que não o querem para compensá-los. No início, havia sido observado que as respostas de aceitar pareciam estar infladas em relação à vontade de pagar. 

(...) O efeito de doação coloca em questão muitas das técnicas que têm sido utilizadas para determinar o valor de bens ambientais - um campo fértil para a aplicação de comportamentos econômicos nos modelos.

David Just, Behavioral Economics, p. 88

22 dezembro 2020

Crime contra o ambiente


O jornal The Guardian trouxe uma discussão sobre a criação de um tipo de crime contra a humanidade: o crime contra o ambiente. O jornal britânico afirma que o ecocídio corresponde a um crime internacional, assim como crimes contra humanidade, crimes de guerra e genocídio. Parlamentares suecos solicitaram que a Fundação Stop Ecocide elaborasse um projeto sobre o assunto, para coincidir com o 75o. aniversário do julgamento de Nuremberg, em 1945. 

A proposta interessa de perto nações como Vanuatu e Maldivas, que podem desaparecer se ocorrer um aumento no nível do mar em razão do aquecimento global. Segundo o jornal, o Tribunal Internacional, com sede em Haia, teria prometido priorizar os crimes contra o ambiente, a exploração de recursos naturais e a desapropriação ilegal de terras. Em 2016, o ICC já tinha indicado que avaliaria os crimes contra a humanidade em um contexto mais amplo. 

Contabilidade? - Se o ecocídio for criado, as nações devem incorporar na sua legislação. Isto pode criar possibilidades de processar as empresas infratoras em todo o mundo. Uma empresa que promova uma destruição em massa, sistemática ou generalizada poderia ser processada. Isto inclui desmatamento de floresta em grande escala, pesca ilegal ou derramamento de óleo. Além do passivo criado por tais crimes, a condenação por um tribunal internacional pode colocar em risco a sobrevivência de uma empresa. 

21 dezembro 2020

Explorando o espaço


Clive Thompson, autor de Coders: The Making of a New Tribe and the Remaking of the World, faz um interessante artigo sobre a monetização da fronteira espacial. É um texto bem longo, mas que vale uma leitura. 

Sobre contabilidade (afinal este é um blog de contabilidade) destaco o seguinte:

1. Ao relatar a história do espaço, sob a ótica dos Estados Unidos, Thompson destaca que nos primórdios a Nasa, a agência espacial, fazia contratos do tipo "custo mais". Ou seja, a Nasa pagaria todo o custo mais uma margem de lucro. Este tipo de contrato, comum na área militar e de espionagem, é propício para os incentivos perversos. A empresa contratada não tem interesse em ser eficiente e rápida. Na época de ouro, a Nasa chegou a ter 4,4% do orçamento do governo federal ou US$135 bilhões em moeda de hoje. 

2. A opção da Nasa pelo ônibus espacial, nos anos 80, foi uma opção cara e ao mesmo tempo modesta. O ônibus só voava até a órbita baixa da Terra. Os custos elevados e a falta de interesse político reduziu o orçamento da Nasa. 

3. Tudo isto muda com o interesse do setor privado. Até a década de 80 o satélite era um monopólio da Intelsat, um consórcio de governos. Mas em 1988 um empresário, René Anselmo, quebrou esse acordo e lançou um satélite privado. A explosão da Challenger em 1986 mostrou a decadência da Nasa e isto piorou ainda mais com outra explosão, em 2003. Assim, ao mesmo tempo que há um interesse privado pelo espaço, a agência do governo dos Estados Unidos perde sua força. Para resolver o problema de financiamento, o governo dos EUA incentiva a indústria espacial com fins lucrativos. 

4. Alguns empresários usam recursos próprios - caso de Elon Musk - ou conseguem captação de recursos para financiar novas empresas. Musk criou a SpaceX em 2002 e lançou seu primeiro foguete em 2008. Ao mesmo tempo que firmou um contrato com o governo dos EUA para venda de foguetes, a SpaceX fazia progressos tecnológicos: seus engenheiros conseguiram trazer um foguete de volta para Terra. Em outras palavras: redução de custo. Somente em 2019, investidores colocaram 5,8 bilhões de dólares em empresas espaciais. 

5. Enquanto discutimos a questão ambiental na Terra, Thompson alerta que o problema ambiental espacial é preocupante. Um dos planos de Musk é construir uma rede satélites de rápido acesso à Internet em todo o mundo. Em janeiro de 2020, a Space X colocou 60 satélites; em março, 120. Seu plano é ter 12 mil satélites circulando nosso planeta em 2027. Antes da Space X eram 2 mil satélites. Isto significa, também, lixo espacial. 

Tendo destruído o meio ambiente da Terra, a atividade comercial parece prestes a destruir a próxima fronteira: a órbita baixa da Terra.

E isto já está ocorrendo. 

Em 2009, um satélite de propriedade da empresa americana Iridium colidiu com um satélite do governo russo desativado a mais de 42.000 mph. A queda produziu 2.300 pedaços de destroços, espalhando-se em todas as direções. E os destroços são um problema particularmente difícil no espaço, porque quando está viajando a milhares de milhas por hora, até mesmo um pedaço do tamanho de uma bola de gude é como uma bala, capaz de tornar um satélite danificado inoperável e sem direção - o proprietário não pode mais disparar seus propulsores para guiá-lo em uma órbita superior ou inferior. Existem atualmente cerca de 500.000 pedaços do tamanho de mármore lá em cima. Décadas de viagens espaciais feitas por governos deixaram muito lixo, desde peças de propulsores de foguetes até fragmentos perdidos de experimentos científicos.

Isto corresponde ao que ficou conhecido como Síndrome de Kessler. Uma colisão poderia produzir tanto lixo espacial que iria desencadear uma reação em cadeia, com centenas de satélites destruídos e que formaria um anel de destroços que impediria o lançamento de novos satélites. 

30 agosto 2020

Cisne Verde e a questão do clima na contabilidade

 


Um documento oriundo da Austrália chama a atenção para o cisne verde. (Green swans: Why climate change is unlike any other financial risk). Ao contrário do cisne negro de Taleb, que aponta para eventos raros e que só pode ser entendido depois que ocorreu, o cisne verde tem características específicas. 

Sobre isto, o BIS aponta três características relevantes do cisne verde: 1) há uma incerteza contínua sobre a força e eficácia das políticas públicas sobre a questão do clima; 2) as catástrofes climáticas são potencialmente mais graves do que as crises financeiras sistêmicas, pois representam uma ameaça existencial para as economias e a humanidade 3) a complexidade é de uma ordem muito mais elevada. 

16 agosto 2020

Desafio dos Auditores nos Projetos Verdes

 

Do Jornal Econômico, texto de Mariana Bandeira

A importância crescente das finanças “verdes” torna necessário que existam entidades independentes que validem se as organizações cumprem os objetivos de sustentabilidade e as firmas de auditoria de todo o mundo estão a abraçar este desafio. Os processos de auditoria das empresas são por si só considerados critérios ESG (fatores ambientais, sociais ou de governo das sociedades), pois permitem aos investidores, analistas, clientes e supervisores avaliar as práticas de uma organização, a transparência e a forma como é liderada e controlada. E ainda que alguns ESG possam aparecer nas demonstrações financeiras que são auditadas, na sua maioria são indicadores não-financeiros que também precisam de ser mensurados. 

Um dos selos de gestão sustentável mais reputado em Portugal é o do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (BCSD), cuja adesão se faz através de uma carta de princípios destinada a acelerar a integração de uma estratégia social e ambiental nos modelos de negócio. Em maio, mais de 60 empresas nacionais, entre as quais mais de metade das cotadas do PSI-20, assinaram um manifesto deste conselho no qual se comprometeram a contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento baseado em cinco princípios fundamentais: promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo, do crescimento, busca da eficiência, reforço da resiliência e reforço da cidadania corporativa.

Se para as signatárias é uma forma de serem distinguidas como socialmente responsáveis, para os seus auditores significa um desafio extra. Os profissionais acreditam que podem auxiliar os clientes a perceber a regulamentação, fazer benchmarks entre setores, melhorar a qualidade dos dados que recolhem e, assim, facilitar a disponibilização de informação a investidores, credores, seguradoras ou mesmo fornecedores.

“O cenário atual é de uma multiplicidade de práticas destinadas a monitorizar e controlar os riscos climáticos, desde ferramentas microprudenciais e testes de stress a políticas macroprudenciais e monetárias. As entidades centrais encontram-se a facilitar cada vez mais o financiamento ‘verde’, desenvolvendo novos regimes regulatórios e introduzindo práticas de investimento sustentável na sua própria gestão de ativos”, refere Luís Gaspar, managing partner da Mazars em Portugal, ao JE. Para o gestor, as agências de rating podem desempenhar aqui um papel importante.

“A alteração da classificação de risco das agências externas de rating, tendo em consideração fatores climáticos, suportaria o desenvolvimento de metodologias mais holísticas e auxiliaria o setor financeiro a internalizar os riscos climáticos nas suas tomadas de decisão” – Luís Gaspar, Mazars

Para Cláudia Coelho, diretora de Sustainable Business Solutions da PwC, um dos principais desafios é enquadrar um empresa como “verde” relativamente à atividade que desenvolve, até porque a avaliação das práticas ambientais acaba por ficar condicionada à informação dada, muitas vezes voluntariamente, pela própria empresa nos relatórios de sustentabilidade.

E dá um exemplo: “Em Portugal, atualmente é obrigatória a publicação de informação não financeira por parte das entidades de interesse público com mais de 500 colaboradores (conforme Decreto-Lei m.º 89/2017), mas não é especificada a informação ou indicadores a reportar, nem é obrigatória a verificação independente dessa informação”.

Cláudia Coelho considera que a legislação sobre taxonomia que está a ser preparada por Bruxelas pode ser crucial neste processo. “Irá permitir classificar cada atividade relativamente ao seu contributo para seis grandes objetivos ambientais :mitigação das alterações climáticas, adaptação às alterações climáticas, uso e proteção dos recursos marinhos, transição para a economia circular, prevenção dos resíduos e reciclagem, prevenção e controlo da poluição e proteção de ecossistemas saudáveis sustentável”, adianta.

Stephen L. Brown, senior advisor da KPMG, diz que os diretores das empresas devem trabalhar com os conselhos de administração para determinar a função de cada comité de supervisionar os fatores ESG. “Por exemplo, o comité de auditoria pode ajudar a reavaliar se certos processos e controlos vão ao encontro dos relatórios da empresa nessa área”, refere o especialista, numa nota da consultora. “Dada a atenção redobrada dos investidores com as questões ESG, os comités também devem incentivar as suas equipas de gestão a reavaliar o âmbito e a qualidade dos relatórios e divulgações ESG da empresa”, diz.

Já Hugo Salgueiro, CEO de Auditoria do grupo Your, refere que as obrigações de governance, reporte e fiscalização de investimentos ambientais e políticas de sustentabilidade têm de ser encaradas de duas óticas diferentes. “O desafio dos auditores passa obviamente pela obtenção de uma prova suficiente e apropriada quanto à valorização e eventuais indícios de imparidade deste tipo de investimentos. Considerando a especificidade dos mesmos, o suporte de avaliações e estudos independentes efetuados por entidades especializadas, serão certamente um reforço da prova de auditoria necessária”, explicou ao JE. “Noutra vertente, os requisitos de divulgação exigidos atualmente às empresas, quer nos seus relatórios e contas, bem como em relatórios específicos de sustentabilidade quando aplicáveis, permitem não só aos auditores, mas também a outras entidades reguladoras e aos vários stakeholders, atestar ainda com uma segurança razoável ou limitada, as boas práticas ambientais das empresas”, conclui.

28 julho 2020

Energia Verde será secundária por muitos anos

É sempre bom ler um artigo que desafia o pensamento típico com bons argumentos. Este é o caso do artigo de Gail Tverberg, no blog Our Finite World (via aqui). Tverberg argumenta que não é possível um mundo futuro baseado na chamada energia “verde” (hidráulica, solar e eólica). São vários os argumentos, mas gostaria de destacar dois deles.

O primeiro é que estas fontes de energia são intermitentes. Ou seja, está disponível quando o sol estiver brilhando ou o vento soprando. Mas muitas aplicações da indústria a intermitência é um problema. Se você quiser usar um elevador, a energia intermitente pode significar que a máquina pararia de funcionar se não existir vento soprando. Isto é válido para uma série de situações, o que faz com que a energia verde tenha uma limitação de uso. Conforme lembra Tverberg, para ser útil, a eletricidade precisa estar disponível quando existir uma demanda por parte dos usuários. A luz solar pode ser uma boa fonte de energia em dias claros, mas não em períodos nublados ou durante o período noturno. Talvez por este motivo, a energia verde é responsável por uma parcela bem reduzida do abastecimento mundial: aproximadamente 10% tem sua origem nos ventos, no sol ou na força dos rios (gráfico). E isto não deve mudar tão cedo.

O segundo aspecto interessa ao leitor do blog. Refere-se ao custo de produção. Para Tverberg, não sabemos efetivamente quando custa produzir a energia verde, uma vez que em muitos locais do mundo há um forte subsídio para este setor. E parte deste recurso é proveniente do petróleo e derivados. Assim, não é possível comparar a energia verde com as fontes predominantes e afirmar, como pretendem alguns, que os custos estão cada vez mais próximo. Na visão do texto, há ainda um grande futuro para as fontes tradicionais de energia.

20 julho 2020

A relevância da questão ambiental

Mesmo com as dificuldades de mensuração e os questionamentos sobre sua relevância, a mensuração ambiental parece relevante. Um texto do Estado de S.Paulo trata disto:

Passivo ambiental de empresas se torna fator de risco e afasta investidor

Companhias sem agenda de sustentabilidade realista correm risco de receber menos aportes ou de ter de pagar mais caro por financiamento de fundos internacionais

Mônica Scaramuzzo, 18 de julho de 2020 


Assim como nos últimos anos as empresas envolvidas em corrupção e lavagem de dinheiro foram excluídas dos portfólios de grandes investidores globais, em um movimento que tornou imperativa a adoção de práticas de compliance pelas companhias, agora são as empresas com passivo ambiental ou sem agenda de sustentabilidade crível que correm o risco de receber menos aportes ou de ter de pagar mais caro para ter acesso a financiamento.


“Os conselhos de administração de empresas e gestores de grandes fundos estão, cada vez mais, olhando diretamente os temas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) para fazer investimentos”, diz Bruno Fontana, responsável pela área de banco de investimento do Credit Suisse.


Há dois meses, o Norges Bank, fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, com US$ 1 trilhão em ativos, decidiu excluir a Vale e a Eletrobrás de sua carteira de investimentos. A decisão do conselho executivo do fundo levou em conta a percepção do risco de que as companhias contribuam para danos ambientais e violações aos direitos humanos. A exclusão da Eletrobrás foi relacionada especificamente a problemas no desenvolvimento da usina de Belo Monte, e a da Vale aos acidentes de Brumadinho e Mariana.


A Vale já tinha enfrentado a reação de outros investidores pelo mesmo motivo. O britânico Church of England se desfez das ações da empresa após Brumadinho. O megafundo de pensão californiano Calpers, com portfólio de US$ 402 bilhões, vendeu todos os títulos de dívida da companhia e a gestora holandesa Robeco pôs a Vale em uma lista de empresas com restrições de investimento.


A petroquímica Braskem, por sua vez, também encara as dificuldades de estar associada a um problema ambiental. A empresa está tentando fazer uma captação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão no mercado para reduzir sua dívida, mas enfrenta questionamentos de investidores quanto a seu passivo ambiental em Alagoas, onde sua atividade de mineração é relacionada ao afundamento de quatro bairros em Maceió. Mesmo com a grande liquidez no mercado global e as taxas de juros baixas, o custo de captação deverá ser mais alto por causa desse passivo ambiental, segundo fontes que acompanham a operação.


Para Christian Egan, diretor executivo de mercados globais e tesouraria do Itaú BBA, já há países e gestores dizendo não querer comprar ações de empresas brasileiras. “Então, de certa maneira estamos deixando de fora um bolo de investidores muito grande não só para mercado de capitais, mas, principalmente, para projetos de infraestrutura e privatizações. Acho que o problema maior para o Brasil é se um país vai deixar de comprar commodities daqui por conta disso. Se não fizermos nada, chegaremos lá.”


Agenda ambiental
Com a retomada do mercado de capitais, que prevê mais de 40 operações de ofertas iniciais de ações na Bolsa no segundo semestre, a agenda sustentável das companhias que vão a mercado cada vez importa mais, diz Alessandro Zema, presidente do banco Morgan Stanley no Brasil.


Este mês, a empresa de gestão de resíduos Ambipar conseguiu levantar mais de R$ 1 bilhão ao abrir capital na B3. “Foi o primeiro IPO recente beneficiado pela agenda ESG”, diz uma fonte que participou da operação. E, ainda que os próximos IPOs não estejam pautados pelos temas ESG, a crise atual tem servido de alerta para as companhias.


Imagem: aqui

Ambiente e a mensuração do custo da TIC

Um texto do El País (Cuanto contamina enviar un tuit, hacer una búsqueda en Internet o ver un vídeo
de Youtube?, Isabel Rubio e Oivial Bueno, dica de Claudio Santana, grato) chama a atenção para a questão ambiental na tecnologia. O gráfico abaixo mostra o consumo por segundos de uma mensagem do Twitter versus Facebook. O texto apresenta também outros comparativos interessantes. Segundo os dados de um professor de Coimbra, citado no texto, as tecnologias de informação e comunicação (TIC) consomem de 6 a 9% da energia mundial e isto está aumentando. Um comparativo: a aviação é responsável por 3,5% das emissões [aqui o texto parece confundir consumo de energia elétrica com emissão de gases]

Mas... Uma das coisas que a pandemia está ensinando é que podemos economizar nas viagens. A Nature mostra isto através de um evento, o encontro da American Geophysical Union (AGU), que ocorre em Chicago. O gráfico mostra as diversas opções do evento, desde uma situação onde todos os participantes vão para Chicago, passando por uma divisão com duas outras cidades (Paris e Tóquio) até uma conferência totalmente virtual.

postamos que apesar do aumento no uso de TIC, o aumento na emissão não tem sido na mesma proporção. Há uma economia nesta emissão. Além disto, como mostra o cálculo da conferência, é sempre importante fazer uma referência a atividade substituta: a emissão assistindo uma conferência versus a viagem de avião; a emissão da Netflix versus ir ao cinema e assim por diante.

Contabilidade - a questão ambiental é um aspecto importante para a contabilidade atual. A mera estimativa do consumo energético do uso de uma TIC talvez não seja suficiente para uma descrição geral do impacto de uma empresa. É preciso ter uma visão mais abrangente. Entretanto, sem os exageros, que podem tornar a mensuração pouco crível.

22 junho 2020

Desenvolvimento recente em sustentabilidade e relato integrado


Eis uma listagem de recentes desenvolvimentos na área de sustentabilidade e relato integrado.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que tanto os investidores quanto o mercado está ignorando o risco do clima nos relatórios.

O Climate Disclosure Standards Board (CDSB) apresentou um relatório denominado Falling Short? analisando a evidenciação das 50 maiores empresas com ações negociadas na bolsa da Europa, com respeito a questão ambiental. Há melhorias em relação ao ano de 2018. A mesma entidade lançou uma listagem do que fazer para assegurar divulgação adequada.

O Global Reporting Initiative (GRI) emitiu um novo padrão, denominado GRI 306: Waste 2020 sobre resíduos gerados na cadeia de valor. A mesma entidade emitiu Linking the SDGs and the GRI Standards que faz um mapeamento dos documentos do GRI. Também o GRI publicou o relatório Using Corporate Reporting to Strengthen Sustainable Development Goals com recomendações para os governos e outras entidades públicas.

Um documento com as orientações das bolsas de valores sobre a questão da sustentabilidade foi lançado pela United Nations Sustainable Stock Exchanges.

O Comitê de Supervisão Bancária de Basileia  emitiu um relatório sobre riscos financeiros relacionados ao clima.

Já a entidade responsável pelo Relatório Integrado, o International Integrated Reporting Council, publicou um documento denominado Building Consensus Towards a Global System. O documento diz respeito ao ano de 2019. 

O governo alemão, através do Ministério da Justiça, nomeou um Comitê de Normas Contábeis (ASCG) para analisar os relatórios não financeiros.

O ISAR, vinculado as Nações Unidas, promoveu um seminário sobre relatórios de sustentabilidade.

O Japan Exchange Group (JPX) publicou um manual para empresas que pretendem trabalhar com o assunto.

Listagem compilada pela Deloitte

07 agosto 2018

Custo da compra de um produto

O comercial abaixo lembra que quando compramos produtos no supermercado também estamos consumindo recursos naturais. E isto tem um custo.


The Real Cost from Jorch Diaz on Vimeo.

16 junho 2018

Pegada Ecológica

A Pegada Ecológica corresponde a uma medida da determinar a sustentabilidade de uma sociedade diante dos recursos da natureza. Sua mensuração tem sido realizada para verificar se no ritmo atual uma população estava usando mais do que a capacidade do ecossistema.

Portugal, por exemplo, possui uma pegada ecológica de 3,69 hectares, mas a biocapacidade é de 1,27 hectares globais. Se cada pessoa da terra vivesse como os portugueses, seriam necessários 2,19 planetas para sustentar estas atividades.

Isto não parece ser muito bom. A pegada brasileira é de 2,9 hectares, bem próximo da média mundial e muito abaixo da pegada portuguesa. A vantagem brasileira é que a biocapacidade do nosso país é muito elevada, apesar de estar em declínio com o passar do tempo. Em relação a média mundial, a biocapacidade do Brasil é muito elevada, assim como da Rússia (veja gráfico).

02 junho 2017

Exxon e o Ambiente: mensuração na contabilidade da empresa

Um notícia importante do NY Times sobre a questão ambiental nas empresas de petróleo. Mais especificamente sobre a Exxon:

Durante anos a Exxon Mobil insistiu que nas suas decisões de investimento levava em consideração o que a poluição por carbono poderia custar para a empresa.

(...) há evidências que a empresa (...) exagerou o valor dos seus ativos, fraudando os acionistas (...) "a evidência sugere não só que as informações públicas da Exxon sobre suas práticas de gerenciamento de risco eram falsas e enganosas, mas que a Exxon estava no meio de um esquema fraudulento para investidores e o público em geral".


O foco do texto do NYTimes é um relatório que a empresa divulgou em 2014 sobre o risco da empresa com as mudanças climáticas e como isto poderia prejudicar seus negócios. Esta semana os acionistas aprovaram uma medida para que a empresa tenha uma contabilidade mais aberta e detalhada. Um problema são as reservas que a empresa diz que possui. Ao avaliar estas reservas, a Exxon não considera a possibilidade de existir uma grande pressão pública para que estas reservas não sejam exploradas. Isto, naturalmente, poderia reduzir o seu valor na contabilidade da empresa. Além disto, parece que a empresa usa um número interno mais realista para o custo relacionado com o efeito estufa.

11 maio 2017

Quem destrói mais o ambiente?

Em 1970, as pessoas usaram pela primeira vez mais recursos ambientais do que o mundo poderia produzir.

A diferença entre a demanda e a capacidade da natureza para atender a essa demanda tem crescido de forma constante desde então. Todos os anos vivemos um déficit ecológico - tomando mais do que podemos repor - reduzindo as reservas mundiais de recursos naturais. Garantir que não usamos os recursos do mundo é um esforço global, embora alguns países usem mais recursos do que outros.

Queríamos saber quais os países que mais usaram os recursos ambientais e quais os que não o fazem.

(...) Os países da Europa Ocidental, do Leste Asiático e dos países produtores de petróleo normalmente são os maiores déficits por pessoa. Luxemburgo tem um déficit por pessoa 10 vezes superior à média mundial. Os países da América do Sul, com densas florestas, como a Guiana, o Suriname e a Guiana Francesa, têm os maiores excedentes por pessoa.

Vimos que a riqueza de um país é um forte preditor do seu consumo de recursos naturais. Olhando apenas para as 50 maiores economias, o Canadá é o mais ambientalmente responsável e a Coreia do Sul o pior. Destas grandes economias, os Estados Unidos têm o segundo pior cenário ambiental.

A pegada ecológica mede quanta área biologicamente produtiva um país precisa para alimentar seu consumo de recursos e absorver seus resíduos.

(...) Por outro lado, a "biocapacidade" é positiva para o meio ambiente. A biocapacidade mede o quanto a terra e a água de um país podem produzir. (...)

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23 janeiro 2014

Custos Ambientais como Despesas das Empresas


O ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Robert Rubin, defendeu, numa conferência sobre mudança do clima, que as empresas deveriam incluir os custos ambientais que elas impõe ao resto da sociedade como despesas. Segundo Rubin, se as regras contábeis exigissem esta mudança, as pessoas iriam reagir. Para Rubin:

Não é uma questão de preço do carbono, é uma questão de contabilidade: "Eu tenho um negócio. Eu emito. Eu não pago o preço para as emissões. Eu produzo um produto. Eu vendo. Eu não me importo com as emissões, porque não é o meu custo. É o custo da sociedade.


A proposta de Rubin pode parecer interessante para os sonhadores, mas possui sérios problemas. Primeiro, a dificuldade de mensurar estes efeitos. Apesar de toda evolução da área contábil, a mensuração desta externalidade ainda é subjetiva e sujeita a erros.

Segundo lugar, como reconhece a Bloomberg News, isto exigiria uma mudança nas normas, já que os custos ambientais a rigor não são despesas. É bem verdade que isto pode ser resolvido com a alteração da estrutura conceitual.

Terceiro, e ainda conforme a Bloomberg, isto é incoerente com o pensamento de Rubin. Quando estava no Citigroup Rubin apontou a necessidade de retirar algumas despesas da demonstração do resultado da sua entidade. Agora deseja acrescentar.

Quarto, é difícil imaginar que as empresas aceitarão incluir estes custos na DRE.

27 agosto 2013

Relatório de Sustentabilidade

O relatório de sustentabilidade vem sendo duramente criticado tanto por grupos favoráveis às causas social e ambiental quanto por seus oponentes. A mais grave das condenações está relacionada ao objetivo do instrumento: greenwashing. Ou seja, as empresas usam o relatório de sustentabilidade para criar uma imagem “verde”, sem que haja uma melhoria no seu desempenho ambiental. A questão é se o relato de sustentabilidade é um instrumento válido. Todos concordam que as empresas devem informar, com transparência e eficiência, seu impacto socioambiental, positivo e negativo. Há inclusive aqueles que consideram essas informações tão ou mais importantes que as informações financeiras.

Há divergências sobre a necessidade de informar o impacto socioambiental.

A divulgação de informações pelas empresas é a base da saúde dos mercados financeiros modernos. O capital não pode ser alocado de forma sábia e segura em empresas que não informam adequadamente os riscos aos quais está exposta. A razão é simples: menos informação representa menos certeza para investidores.


Entretanto existe o risco de excesso de informação, conforme postagem desta semana neste blog.

Ao fazer o exercício de reunir dados e práticas, a empresa inicia um processo de levantamento e monitoramento desses dados, passo necessário para avançar na gestão empresarial e, consequentemente, no seu melhor desempenho. Até o fim dos anos 1990, o relatório empresarial de sustentabilidade era praticamente desconhecido. Em pouco menos de uma década, tornou-se prática difundida entre as grandes empresas e, hoje, mais de 2/3 das companhias na Fortune 500 publicam relatos de sustentabilidade.

Um grande problema dos relatórios, no entanto, é a falta de contexto, que resulta na incompreensão das informações pelos tomadores de decisão. Hoje, uma companhia encontra dificuldades, por exemplo, para mensurar e divulgar seus esforços para reduzir o consumo de determinado recurso natural. Para o investidor, ainda não é possível perceber o valor agregado que esses esforços trarão para essa empresa. Além disso, com a falta de informação geográfica do consumo desse recurso, o governo não tem insumos para orientar políticas públicas. Os clientes e consumidores, por sua vez, não conseguem comparar o desempenho dessa empresa com os da concorrência. E a corrente de incompreensão vai se estendendo.

Está na hora de virar o jogo e medir o progresso em direção à sustentabilidade. Isso requer a utilização de métricas do mundo real, ou seja, inserir as empresas num contexto maior. Para isso, é preciso considerar métricas como as dos limites do planeta, das metas do milênio e, no futuro próximo, dos objetivos do desenvolvimento sustentável. No futuro, a valoração de uma empresa deverá considerar todas as formas de capital de maneira equilibrada: a econômica, a social e a ambiental. E o relato tem um papel essencial nessa transformação: proporcionar ao mercado e à sociedade um instrumento de tomada de decisão. Deverá ser compreendido tão facilmente quanto um balanço financeiro.

Isto tudo parece um tanto quanto utópico. Será que o investidor quer realmente receber estas informações? Esta preocupação não irá aumentar a superprodução de normas? O mercado e a sociedade tomam decisão baseada nesta informação? Observe também o leitor o termo "balanço financeiro".

Três grandes mudanças ocorridas este ano prometem revolucionar a forma como as empresas entendem e reportam a sustentabilidade. No começo do ano, o Carbon Disclosure Project (CDP) anunciou a criação do maior banco de dados de capital natural do mundo. O CDP, que conta com o apoio de 722 investidores, gerenciando US$ 87 trilhões em ativos — isto é, um terço do capital investido no mundo —, passou a coletar dados de carbono, água e florestas de mais de 5 mil empresas. Com isso, traz para o mercado métricas confiáveis e comparáveis de desempenho passado e estratégia de futuro, buscando a integração da cadeia de fornecedores.

Por alguma razão achei este número (e o anterior, do número de empresas da Fortune) exagerado.

A segunda novidade foi o lançamento para comentários do arcabouço do Relato Integrado (RI), em abril. O objetivo principal é explicitar a criação de valor dos aspectos extrafinanceiros para os investidores. Empresas brasileiras como a CCR, a Natura, a Petrobras, o BNDES, a AES, o Itaú e a Votorantim já aderiram a essa iniciativa com pilotos do programa.

Por último, a nova geração de diretrizes do GRI trouxe maior foco na materialidade e uma mudança simples, mas revolucionária, no escopo dos relatos: as empresas deverão reportar suas métricas sobre os ativos que influenciam, em vez de reportar sobre os que controlam. Nesse contexto, torna-se impossível falar de questões materiais sem incorporar a cadeia produtiva. Quando trazemos fornecedores e consumidores para a discussão, fica difícil não fazer a integração da sustentabilidade não só com o setor financeiro, mas com praticamente todas as áreas da companhia.

Para que reportar sustentabilidade? - Marina Grossi e Tatiana Botelho - Correio Braziliense - 23/08/2013

17 março 2013

BP e a indenização

A British Petroleum (BP) apresentou moção em um tribunal federal nos Estados Unidos nesta sexta-feira para tentar adiar o pagamento de indenizações referentes ao vazamento de petróleo ocorrido em 2010, no Golfo do México. A companhia pede adiamento até que se chegue a uma resolução em sua disputa para revisão da forma de cálculo da indenização a empresas que alegam danos por causa do vazamento.

A BP disse, em seu pedido de liminar, que houve má interpretação de um acordo que rege os pagamentos a milhares de requerentes, muitos deles pescadores, hoteleiros e donos de restaurantes, que dizem que seus negócios foram prejudicados pelo derramamento de petróleo após a plataforma Deepwater Horizon explodir no golfo.

O resultado, diz a BP, são "somas significativas e crescentes de dinheiro para milhares de requerentes com perdas fictícias". "Isso simplesmente não é o que as partes negociaram ou o que este tribunal aprovou", a BP escreveu.

A empresa diz que já gastou mais de US$ 24 bilhões com custos de limpeza e restauração, além de pagamentos a empresas, governos e reclamantes individuais relativos ao acidente que matou 11 pessoas e deu início ao pior vazamento de óleo da história dos EUA.

Na moção, feita à corte distrital de Louisiana (EUA), a BP questiona a forma como foi calculado o prejuízo para os negócios locais em função do vazamento de petróleo. "Dois terços de todas as indenizações acima de US$ 75 mil são baseadas em dados falhos", disse a BP em sua apresentação. A BP afirmou ainda que vai continuar a pagar "a grande maioria" dos outros tipos de reivindicações, mesmo que o tribunal aceite seu pedido.

O administrador de um comitê que reúne os afetados pelo vazamento disse que a BP já tinha concordado em como o comitê calcularia quanto a empresa deveria pagar aos reclamantes e que só agora, quando os números acabaram maiores do que a BP tinha esperado, passou a contestar o cálculo.

"Dito de forma simples, a BP subavaliou o acordo e subestimou o número de pessoas e empresas que se qualificam sob as fórmulas objetivas com as quais a BP concordou", disseram os advogados que representam o comitê, em um comunicado.

Em seu relatório anual, apresentado em março, a BP disse que não poderia mais dar uma estimativa confiável para o custo total do acordo que a empresa fechou, no ano passado, com o comitê dos queixosos, mas afirmou que o valor vai ser significativamente acima de US$ 7,7 bilhões. As informações são da Dow Jones.


BP quer fim de indenização por vazamento no Golfo - Por Fernando Travaglini

01 dezembro 2011

Desmatamento na Amazônia

Fiz a experiência descrita por Fernando Reinach no livro A Longa Marcha dos Grilos Canibais (Cia das Letras, 2010, Desmatamento em Ariquemes). Usando o Google Earth foi possível visualizar a cidade de Ariquemes a 100 km de altura em 1975. A imagem é a seguinte:



A próxima imagem disponível através do satélite é de 1989. A área desmatada aparece claramente no mapa.

Um novo salto no tempo, agora para 2010 e a visão é impressionante: 
Cem quilômetros ao redor de Ariquemes a mata é uma exceção.

21 dezembro 2010

Auditoria do Clima

As nações realizaram uma série de promessas e acordos acerca das mudanças climáticas.São medidas extremamente válidas, no entanto é complicado rastrear o que é cumprido ou não. Não obstante, um projeto do Open Climate Network vai realizar esforço para que, os países cumpram suas promessas e acordos de forma responsável. Iniciado neste mês, na Conferência do Clima em Cancun, o sistema de auditoria irá trabalhar de forma conjunta com os sistemas oficiais de divulgação, de modo a reforçar a divulgação em áreas cruciais (por exemplo : financiamentos para combate das mudanças clímáticas). É a primeira iniciativa internacional, para complementar as avaliaçãoes quantitativas da emissão de gases de efeito estufa e fluxos financeiros, com consistentes avaliações qualitativas de efetividade. Em suma, o sistema visa indentificar o que os países realmente fazem para combater as mudanças climáticas.


Fonte : Aqui (Encaminhado por Pedro Correa, grato)

31 agosto 2010

Créditos de Carbono

Dezenove indústrias chinesas dedicadas à destruição de HFC23, um gás de alto efeito estufa, estão sob investigação da Organização das Nações Unidas (ONU) por suspeitas de terem fraudado o mercado de carbono.

A suposta irregularidade pode reduzir as transações realizadas no mecanismo entre € 30 bilhões a € 40 bilhões até o fim do ano. O golpe levava empresas - grande parte delas, ocidentais - a comprarem créditos das companhias chinesas sem que houvesse a equivalente redução das emissões de gases estufa, causadores do aquecimento global.

A denúncia é o maior indício de fraudes no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), um dos pilares do Protocolo de Kyoto e da política de combate às mudanças climáticas que a ONU tenta implantar.

As primeiras revelações sobre o esquema foram feitas por organizações não governamentais há cerca de seis meses. Uma investigação foi aberta pela Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Mas o caso ganhou impulso nas últimas semanas em razão das estimativas crescentes sobre o impacto financeiro que a suposta fraude estaria causando no mercado de carbono.

Esquema. Segundo o jornal Le Monde, ao menos seis empresas tiveram seus créditos de carbono proibidos de serem vendidos no mercado enquanto a investigação segue. O esquema teria sido montado em torno da suposta superprodução de gás HCF23, um derivado da produção de outro gás, o HCF22, usado na indústria de refrigeração. O HCF23 é 11 mil vez mais perigoso que o CO2 para a atmosfera.

Graças a uma supervisão insuficiente dos fiscais do MDL, empresas chinesas - e, estima-se, indianas - teriam produzido deliberadamente HCF23 para, então, destruí-lo, obtendo créditos de carbono, vendidos no mercado a empresas interessadas em compensar seu grau de poluição.

Por causa da investigação, só em 2010 o número de créditos à venda do mercado de carbono deve cair em até € 40 bilhões. Até 2012, a suspensão do comércio de créditos de HCF23 poderia custar até € 150 bilhões - de um universo de € 900 bilhões negociados no mercado -, segundo cálculos da consultoria francesa Orbeo. “As provas são muito fortes”, afirma Mark Roberts, membro da ONG britânica Agência de Investigação Ambiental. “É o maior escândalo da história do MDL e causa vergonha aos esforços internacionais pela luta contra as mudanças climáticas.”


Fraude de até € 40 bilhões abala mercado de carbono - Andrei Netto - 31 Ago 2010- O Estado de São Paulo