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13 novembro 2021

Consumo e comportamento


Como nosso cérebro pode nos deixar mais pobres (e o que fazer para evitar) Estudos têm mostrado que tomamos decisões irracionais que prejudicam nossa saúde financeira com frequência. Entenda quais são os erros mais comuns e como evitar essas 'armadilhas' mentais.

Por João da Mata, BBC

Você está navegando em uma loja online e fica tentado a comprar um produto.

É um pouco mais caro do que a sua conta bancária permite, mas se torna a coisa mais urgente do mundo naquele momento. E se o preço aumentar e você perder a oportunidade? E se esgotar?

Tomado pelo impulso, você faz as contas de cabeça e decide comprar. Não precisa nem colocar o número de cartão, que já está salvo no navegador. Dias depois, vem o arrependimento. Ou pior, o endividamento.

"A economia tradicional olhou por muito tempo para o indivíduo como alguém racional, frio e objetivo e que vai querer maximizar o seu bem-estar, seu lucro, seu ganho financeiro e interesse próprio", afirma a professora Renata Taveiros, coordenadora do Curso de extensão em neurociência e neuroeconomia na FIA.

As tomadas de decisão inconsistentes, que fogem da racionalidade, eram consideradas anomalias. Ou seja, não viravam objeto de estudos. Mas no final dos anos 70, um grupo de pesquisadores revolucionou a economia ao olhar justamente para essas anomalias.

Surgia o campo da economia comportamental, cujo maior nome é o psicólogo - isso mesmo, um psicólogo - Daniel Kahneman, vencedor do prêmio Nobel em 2002.

"Eles abrem esse espaço de conversa para que a gente possa perceber que tem outras coisas que influenciam a tomada de decisão, e não só a ideia de maximização da utilidade, do bem-estar e do lucro. Que coisas são essas? As emoções", explica Renata.

No final dos anos 1980, outro campo de estudos vai ainda mais fundo.

Unindo as descobertas da economia comportamental e as técnicas da neurociência, a neuroeconomia tenta desvendar o que acontece no cérebro dos indivíduos na hora que ele decide fazer uma compra desnecessária, por exemplo.

"Agora a gente tem a possibilidade de abrir a caixa preta, que é como os economistas se referiam à mente das pessoas. Você consegue de fato olhar e entender o que vai acontecendo no processamento cerebral na hora que o indivíduo vai tomar uma decisão", diz Renata.

"Quando você estuda neuroeconomia, cai por terra a ideia de que podemos controlar o comportamento, a tomada de decisão, tudo o que fazemos. Porque o motivador da tomada de decisão não é o aspecto racional, cortical, lógico e analítico. Ele está muito mais ligado à emocionalidade."

Aprenda a dizer 'não' a si próprio

Antes de tudo, é bom deixar claro que os afetos e emoções não são necessariamente ruins. Pelo contrário, são de suma importância para nossa sobrevivência.

"A seleção natural nos trouxe a combinação do afeto com a razão. E não foi à toa. Isso maximiza nosso acoplamento com o mundo. Quando a gente tira emoção, a gente tira empatia pelo outro. Nossas decisões se tornam mais egoístas, e a sociedade como um todo desfalece", diz o neurocientista Álvaro Machado Dias, da USP.

Mas é fato que emoções também podem nos levar a cometer erros graves, que levam ao sentimento de culpa e ao endividamento. É nesse sentido que os ensinamentos economia comportamental e a neuroeconomia podem nos ser úteis: tornar nossa irracionalidade previsível e evitar decisões ruins.

A primeira dica parece simples, mas na prática é bem difícil. Você deve aprender a dizer não para si mesmo.

"Não faça nada por impulso sem antes avaliar se a culpa não vai estragar a festa. Entenda melhor seu 'eu futuro', com suas agendas e cobranças. Dizer não para si é como dizer não para um filho: é difícil, mas pode ser engrandecedor", aconselha Álvaro. Segundo Renata Taveiros Saboia, um dos motivos que tornam tão difícil essa negação dos próprios impulsos é a facilidade cada vez maior de fazer pagamentos. QR Codes, Pix, cartões de crédito que ficam salvos em sites de compras são alguns exemplos.

Além disso, o neurotransmissor chamado dopamina, que ativa o chamado "sistema de recompensa" do cérebro, também pode atrapalhar.

"Quando a dopamina está trabalhando, ela estimula o comportamento impulsivo. Como funciona? Você tem lá uma expectativa de ganhar algo. Pode ser dinheiro, bem-estar, prazer, uma imagem bacana diante dos outros, etc. E esse comportamento impulsivo te faz querer imediatamente aquela recompensa", explica.

Um exemplo de como esse sistema de recompensa é explorado atualmente é a gamificação do consumo. Ou seja, a transformação do ato de comprar em um jogo.

Aplicativos de supermercados e lojas online prometem recompensas (descontos, produtos grátis, etc.) ao se atingir um determinado número de pontos, por exemplo.

No Brasil, esse tipo de decisão ruim pode ser identificada nos nossos altos níveis de endividamento, diz Renata.

Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), de agosto de 2021, aponta que um em cada quatro brasileiros (25,6%) não conseguia quitar as dívidas no prazo naquele mês.

"A gente tem problemas muito sérios no Brasil, e todo esse estímulo para consumo que estimula o comportamento impulsivo piora ainda mais essas condições", diz a neuroeconomista.

Por isso, uma dica de ouro para evitar esse tipo de decisão impulsiva é sempre "dar uma volta a mais".

"Eu costumo colocar um adesivo no cartão de crédito dos clientes dizendo 'dê mais uma volta, espere mais um pouco, respire'. Quando a pessoa vai fazer outra coisa e volta, a dopamina baixa, já que é uma substância química que tem efeito por um tempo determinado. Logo, a sensação de 'quero, quero' vai passar e ela chegará à conclusão que pode usar esse dinheiro para outra coisa. Mas tem que ser depois, na hora não dá", explica.

Não faça contas de cabeça

Só que essas decisões ruins podem ser evitadas antes mesmo da compra. Renata Taveiros explica que quando você tem a exata noção de como anda a sua vida financeira, é mais difícil ficar endividado.

"É muito importante a pessoa ter coragem e saber que vai ser muito bom se aproximar da vida financeira e olhar as contas. Muitos dizem que é difícil, mas depois que você faz isso, vem uma sensação de alívio. Se você tiver medo de olhar, vai cair em todo tipo de armadilhas mentais.", diz ela.

Uma dessas armadilhas é a "contabilidade mental" - aquela mania de fazer contas de cabeça, na maioria das vezes erradas, sobre a nossa situação financeira.

"A gente faz contas de caixinha. 'Eu ganho 100, então eu posso gastar 50 no supermercado, 20 no barzinho, só 10 no lanche, também posso ter uma parcela mensal de 15...'. Você compara 15 com 100, 10 com 100, mas não soma tudo. Depois, leva um susto e vê que está no vermelho", alerta a neuroeconomista.

Ou seja, coloque seus gastos na ponta do lápis. Some todos os seus ganhos e os seus custos de vida. Só assim você terá a real noção de quanto dinheiro pode gastar.

Cuide do seu 'eu futuro'

Uma das decisões mais importantes que precisamos tomar, pensando no nosso futuro, é a de guardar dinheiro.

É claro que o contexto da economia brasileira - com desemprego, informalidade e inflação em alta - torna isso proibitivo para muita gente.

Mas por que é tão difícil fazer isso mesmo quando há condições?

Um efeito conhecido como "desconto intertemporal" na economia comportamental pode explicar:

"Imagina que você pega um binóculo e vira ao contrário. O que acontece? O que tá lá longe fica pequenino. E o que está perto ganha um valor, um tamanho gigante", explica Renata Taveiros.

"A gente quer a recompensa imediata, agora, já, porque ela aparenta ser muito maior do que uma recompensa que é muito misteriosa, que você não sabe o que vai acontecer, lá no futuro."

Estudos neuroeconômicos mostram que algumas áreas do cérebro acionadas quando você pensa em guardar dinheiro para o seu futuro são as mesmas de quando você pensa em dar dinheiro para um estranho.

O que pode significar que, para o nosso cérebro, guardar dinheiro para o Eu futuro e dar a mesma quantia para outra pessoa é quase a mesma coisa.

Segundo Renata Taveiros de Saboia, uma solução pode ser criar um "nudge", ou seja, um empurrãozinho para que você pense com mais carinho no seu futuro.

"Uma ideia que eu costumo aplicar é usar um desses aplicativos que te deixam mais velho em uma foto. Isso te faz se conectar com aquela imagem. Aí você deve fazer o exercício de pensar o que quer para a vida daquela outra pessoa. Assim, vai criar um circuito neural que conecta o seu eu do futuro com o seu eu de hoje", diz ela.

Aprenda também a dizer 'sim' a si próprio

Mas o neurocientista Álvaro Machado Dias faz um alerta. Ainda que seja importante guardar dinheiro, é necessário também saber se permitir.

"Não assuma que se permitir é sempre ruim e nem caia na falácia de que devemos adiar continuamente o prazer para um dia poder usufruir do mesmo em intensidades maiores. Hoje, o que vemos é um mar de gente sem tesão de viver. Saia deste mar", diz ele.

De acordo com Álvaro, nem todas as decisões que tomamos na vida, sejam elas econômicas ou não, podem ser realizadas de maneira puramente racional - e nem é desejável que isso aconteça.

"Às vezes a gente é tomado por componentes emocionais, e de fato isso pode gerar desfechos ruins, inclusive arrependimento", diz ele. "Mas a entrada em jogo desses componentes que não são formalistas, lógicos, é o que no final das contas torna as nossas decisões melhores para o grupo, espécie e cultura como um tudo", completa.

Por isso, a dica é saber alocar melhor as suas energias e preocupações:

"Não dá tempo - nem faz qualquer sentido - tentar otimizar todas as decisões. Escolha as suas batalhas. Foque nas escolhas que mais importam; são elas que, ao fim e ao cabo, definirão quem você é". 

Fonte: aqui

02 julho 2018

Consumo de energia e jogos da Seleção

 Brasil x Costa Rica
 Brasil x México
 Brasil x Sérvia
Brasil x Suíça

Os gráficos mostram a redução no consumo de energia elétrica durante os jogos do Brasil. Os dados são da ONS, via portal G1. Se você acha que isto é coisa de alienado, em 2010 a redução no consumo de água foi observado no Canadá, durante um jogo de hóquei.

05 março 2014

Dinheiro, Status e Ovulação



(Feb. 26, 2014) -- For approximately one week every month, millions of women change their economic behavior and become more focused on their social standing relative to other women.

According to new research from The University of Texas at San Antonio (UTSA) and the University of Minnesota Carlson School of Management, the ovulatory cycle alters women's behavior by subconsciously motivating them to outdo other women. This research could have important implications for marketers, consumers and researchers.

The researchers conducted three studies, one of which had ovulating and non-ovulating women play the "dictator game." In this popular economic experiment, a person is given a fixed amount of money that she can choose to share with another person.

"We found that ovulating women were much less willing to share when the other person was another woman. They became meaner to other women," said Kristina Durante, assistant professor of marketing in the UTSA College of Business and lead author of the study.




Whereas non-ovulating women shared about 50 percent of the money with another woman, ovulating women shared only half as much, keeping the rest of the cash for themselves.

In another study, women made product choices that could either maximize their individual gains or maximize their relative gains compared to other women. For example, women indicated if they preferred to have a $25,000 car while other women got $40,000 cars (Option A) or have a $20,000 car while other women got $12,000 cars (Option B). The study found that ovulating women preferred Option B, choosing products that would give them higher standing compared to other women.

"What's interesting about this finding is that ovulating women are so concerned about their relative position that they are willing to take less for themselves just so that they could outdo other women," said study co-author Vladas Griskevicius, associate professor of marketing at the University of Minnesota Carlson School of Management.

But, the studies find that ovulation doesn't always make women want more status. When women played against a man rather than a woman in the dictator game, the researchers found an even more surprising result. Whereas ovulating women became meaner to women, they became nicer to men. While non-ovulating women shared about 45 percent of the money with a man, ovulating women gave 60 percent of the money to the man.

"These findings are unlike anything we have ever seen in the dictator game. You just don't see people giving away more than half of their money," noted Durante. "One possibility is that we're seeing ovulating women share more money as a way to flirt with the men."

"Money, Status and the Ovulatory Cycle" was published in the February issue of Journal of Marketing Research and builds on Durante and Griskevicius' previous work that has shown how the ovulatory cycle alters preferences for romantic partners, clothing, food and even politics. Based on studies rooted in theory and research in evolutionary biology and evolutionary consumer behavior, their findings that ovulating women jockey for position over other women is consistent with the literature on animals. For example, studies have shown that female monkeys become more aggressive toward other females when fertile.

Ultimately, Durante and Griskevicius' findings on women's monthly hormonal fluctuations could have important implications for consumers, marketers and researchers. Marketers especially might be able to use this information strategically by emphasizing the superiority of a given product in advertising, promotions and messages to female consumers.

>> Read the complete article about the research.


Abstract:

Each month, millions of women experience an ovulatory cycle that regulates fertility. Previous consumer research has found that this cycle influences women's clothing and food preferences. The authors propose that the ovulatory cycle actually has a much broader effect on women's economic behavior. Drawing on theory in evolutionary psychology, the authors hypothesize that the week-long period near ovulation should boost women's desire for relative status, which should alter their economic decisions. Findings from three studies show that women near ovulation seek positional goods to improve their social standing. Additional findings reveal that ovulation leads women to pursue positional goods when doing so improves relative standing compared with other women but not compared with men. When playing the dictator game, for example, ovulating women gave smaller offers to a female partner but not to a male partner. Overall, women's monthly hormonal fluctuations seem to have a substantial effect on consumer behavior by systematically altering their positional concerns, a finding that has important implications for marketers, consumers, and researchers.

http://journals.ama.org/doi/abs/10.1509/jmr.11.0327

30 outubro 2012

Brasil rico, Brasil pobre


Editorial  Estado de S.Paulo - 28/10



O aumento da renda nos últimos dez anos proporcionou uma notável melhora no padrão de vida da maioria das famílias brasileiras, aproximando-o de indicadores de países desenvolvidos, se o que se leva em conta é a aquisição de bens de consumo. No entanto, como mostrou o jornal Valor (21/10), se o critério for o fornecimento de serviços públicos básicos, pelos quais o Estado é diretamente responsável, uma boa parte desses mesmos cidadãos ainda convive com situações típicas dos países mais pobres do mundo. Ou seja: quando depende da renda das famílias, o avanço dos brasileiros na direção do mundo do conforto é significativo; no entanto, quando há necessidade de investimentos estatais, as demandas mais óbvias de grande parte da população ainda estão muito longe de serem satisfeitas.

O Brasil é hoje o oitavo maior mercado consumidor do mundo, segundo o Fórum Econômico Mundial. Desde 2001, saltou de 85,1% para 96,3% o total de domicílios que dispõem de geladeiras. No caso dos televisores, o índice passou de 89% para 97,2%, e no de máquinas de lavar, de 33,6% para 51,6%. Quase 100% das casas agora têm fogão, e o número de residência com computador ligado à internet quadruplicou, chegando a 37,1%. Para o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esses dados têm relação direta com a redução da desigualdade de renda verificada no período. Houve expansão de 16% do rendimento médio real do trabalho entre 2001 e 2011, e esse crescimento foi mais acentuado entre os 50% mais pobres da população. Estudo da Fundação Getúlio Vargas indica que o ganho nessa faixa foi de 68% acima da inflação. Além disso, o total de trabalhadores com carteira assinada cresceu 48,1% entre 2003 e 2011.

Ao mesmo tempo, a oferta de crédito, capitaneada por bancos oficiais, passou de 25% para 51% do Produto Interno Bruto (PIB) entre 2002 e agosto passado, o que, ao lado do abatimento de impostos para reduzir os preços, também ajuda a explicar o aumento substancial da aquisição de bens duráveis. Com relativa estabilidade de emprego e de ganhos salariais, aliada ao crédito fácil e aos incentivos estatais, os brasileiros foram às compras.

No entanto, muitos desses consumidores da "nova classe média", que passaram a assistir a seus programas favoritos em modernas TVs de tela plana, são os mesmos que topam com lixo na porta de casa, que enfrentam esgoto a céu aberto e que não têm escola com qualidade ao menos razoável para seus filhos.

O IBGE mostra que cerca de 40% das residências brasileiras não dispõem de abastecimento de água e coleta de esgoto. A comparação com os países ricos é dramática: nos Estados Unidos, segundo o Valor, apenas 0,6% das casas não tinham água encanada e vaso sanitário com descarga em 2011. Ainda segundo o IBGE, 11% das casas brasileiras não têm nenhum tipo de saneamento básico e 5% convivem com lixo acumulado. E 40% dos logradouros não têm nenhuma identificação, de modo que seus habitantes não sabem dizer exatamente onde moram. O quadro é igualmente sombrio na educação. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011 mostra que, no ensino médio, a maioria dos alunos não sabe ir além das quatro operações aritméticas nem consegue ler e escrever de modo satisfatório.

Tudo isso se reflete na capacidade do Brasil de competir por mercados. O último ranking do Fórum Econômico Mundial sobre o tema indica que o País, embora tenha subido cinco posições, para o 48.º lugar, ainda marca passo em indicadores-chave. No item "saúde e educação básica", por exemplo, o Brasil figura em 88.º lugar entre 144 países, perdendo 9 posições desde 2009.
Como se observa, lentamente estamos deixando de ser a "Belíndia", à qual se referiu o economista Edmar Bacha, em 1974, para designar a concentração de renda que gerou o abismo entre o minúsculo Brasil rico, isto é, a "Bélgica", e o enorme Brasil pobre, a "Índia". Agora, o País está mais para um "Engana", apelido dado recentemente pelo ex-ministro Delfim Netto para designar esse festejado Brasil que tem renda da Inglaterra (England), mas que ainda dispõe de serviços públicos de Gana.

03 julho 2012

Repressão Financeira

Brasil deve ter foco em investimento e eficiência
Autor: Edward Amadeo
Valor Econômico - 25/06/2012
Edward Amadeo é economista da Gávea Investimentos.



(...)No Brasil, o consumo continua indo bem. O que vai mal são os investimentos, o que parece incrível em um país estável, com bons empresários e rico em recursos escassos. O que pode estar errado?

As crises dos EUA e da Europa contribuem. A apreciação do real também, mas isso só afeta a manufatura, quando a desaceleração é mais disseminada. O último candidato da lista, que não é circunstancial, é o mau estado da infraestrutura, a baixa produtividade do trabalho e os elevados custos de produção.

O governo tem dificuldades para investir em infraestrutura. Faltam recursos devido ao excesso de transferências de renda. Mas há também restrições legais e institucionais, além do vírus da corrupção, contra o qual a presidente tem lutado, mas sem o qual o software do investimento público não roda.

Para lidar com essas restrições o governo insiste na repressão financeira com recursos do Tesouro, do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), subsidiando investimentos via BNDES, a construção civil via Caixa Econômica Federal, e a agricultura via Banco do Brasil. Repressão financeira significa que os poupadores e contribuintes são obrigados a se contentar com uma combinação de retorno e risco determinados pelo governo, que, supostamente sabe onde é melhor investir.

Mas essa opção tem problemas. Primeiro, salvo em casos especiais, é uma forma ineficiente de intermediação financeira e alocação de capital. Segundo, segmenta o mercado de crédito entre os beneficiários do subsídio e a imensa maioria de empresas que se financiam no mercado. Terceiro, atrofia o mercado de capitais. Quarto, afeta a política monetária do Banco Central, elevando a taxa de juros. O resultado prático é que no lugar de incentivar a competição e a inovação com condições isonômicas, o governo privilegia os oligopólios.

Cada vez mais acionados para incentivar o investimento, as desonerações tributárias, a proteção tarifária seletiva e os índices de nacionalização formam um emaranhado de efeitos cruzados que ninguém pode dizer qual o impacto global. O certo é que produzem um sistema de incentivos que faz da eficiência uma meta secundária. Resultado, eles comprometem a eficiência produtiva e elegem beneficiários, ignorando a pluralidade silenciosa de empresas e trabalhadores que pagam o ônus de preços mais elevados e pior qualidade de insumos e equipamentos. Em resumo, os sistemas de financiamento do investimento e de incentivos setoriais são ruins para a distribuição de renda e péssimos para a eficiência e o crescimento econômico.

A fadiga da economia também aparece na combinação de atividade fraca, mercado de trabalho forte e a produtividade em desaceleração, senão caindo. Enquanto o desemprego era alto e havia excedente de recursos humanos, a produção aumentava com a sua absorção. Isso acabou, o desemprego não pode continuar a cair ao ritmo dos últimos anos sob risco de produzir aceleração da inflação ou esmagamento dos lucros.

Produtividade em baixa e salários em alta põem pressão nos custos das empresas. No setor de serviços, protegido da concorrência internacional, o aumento de custos se transmite para os preços. No setor manufatureiro, exposto à competição, não há como repassar os custos, e quem sofre são as margens de lucros. Tanto a inflação quanto o esmagamento de lucros são ruins para o investimento e o crescimento.

Enfim, cristalizou-se entre nós uma forma de induzir o investimento que talvez não esteja dando certo. Há muito para se discutir sobre o sistema de financiamento de longo prazo, as políticas tributárias e tarifárias setoriais, o modelo de investimento em infraestrutura, e os elevados custos de produção.

No final das contas, a pergunta é se iremos revisitar esses temas para desenvolver um modelo que induza os investimentos e a produtividade, ou se iremos simplesmente dobrar a aposta do crédito e do consumo.

20 junho 2012

Você faz o que gosta?

Um vídeo que nos faz refletir, inspira e diverte. PERFEITO! Indicado por uma grande amigo, Luiz Fernando Lemos a quem agradeço e envio um abraço imenso.

All work and all play



Escrito e dirigido por : Lena Maciel, Lucas Liedke e Rony Rodrigues
Agradecimento especial : Zeppelin Filmes
Montagem: Fernanda Krumel
Finalização: Bebop Studio

11 maio 2010

Ser o primeiro

Por que alguém se apressaria para comprar um produto novo sabendo muito bem que ele estará mais barato, e provavelmente melhor, alguns meses depois?

Centenas de milhares de compradores do iPad agiram assim no mês passado. Steve Jobs, presidente da Apple, se gabou dizendo que, em apenas 28 dias após o lançamento, a Apple vendeu um milhão de aparelhos. Os compradores correram às lojas duas vezes mais rápido do que no caso do iPhone.

Uma dura lição sobre essa mania de querer ser o primeiro a comprar novidades tecnológicas foi aprendida pelos pioneiros do iPhone, em 2007. Eles pagaram US$ 600 pelo aparelho nos Estados Unidos. Dois meses depois, a Apple reduziu o preço para US$ 400. E depois, em junho de 2009, a empresa lançou uma nova versão do telefone, com o dobro da capacidade de armazenamento de dados, por um terço do preço original.

Mas como é que esses compradores afoitos justificam suas ações? Com frequência, eles dizem que conseguiram fazer um bom negócio.

Naturalmente, não é fácil para um consumidor saber o real valor de um produto. Alguns dias depois do lançamento do iPad ? que, na sua versão mais básica, custa US$ 500 nos Estados Unidos ?, os analistas da empresa de pesquisa de mercado iSuppli desmontaram o aparelho e calcularam o valor de suas peças em US$ 260. Essa é uma base para o preço. Ninguém espera que a Apple venda seu lançamento por um valor tão baixo ? ainda.

O primeiro comprador está em busca de uma espécie de limite do preço, e foi o que a Apple ofereceu. Quando anunciou a iminente venda da primeira série de iPads, a companhia disse que uma segunda leva seria lançada em breve ao custo de US$ 130. Mas a versão mais cara dessa nova série, que tem 64 gigabytes de memória e está conectada à rede de celular da AT&T, custa US$ 830. Isso dá ao consumidor uma referência, o que as empresas chamam de "âncora de preço". A estratégia ajuda a convencer as pessoas de que elas vão "economizar" comprando alguma coisa por menos de US$ 830.

Professores de Economia podem dizer que esse comportamento é irracional, mas isso não significa que trata-se de algo inútil. Aquelas pessoas que fazem fila para comprar novidades são responsáveis por passar informações importantes sobre o produto recém-lançado para outros consumidores, diz Jonah Berger, professor assistente de Marketing na Wharton School da Universidade da Pensilvânia.

Dam Ariely, professor de teoria econômica comportamental na Duke University e autor do livro The Upside of Irrationality (O Ápice da Irracionalidade), fez um estudo sobre as razões que levam os consumidores loucos por novidades a agir desse modo. "Não tem a ver com a análise de custo-benefício", diz ele. Está mais relacionado com a expressão da identidade dos consumidores.

Embora as pessoas ávidas para serem as primeiras não façam exatamente essa conta ? "pagaria US$ 100 pelo meu ego" ? elas estão pagando pela exibição de seus produtos novíssimos ou pela imagem de vanguardista.

Para Ariely, o reconhecimento público é importante. Alguns consumidores aceitam pagar mais caro por um carro Prius, cujos benefícios ecológicos podem ser discutíveis. Mas essas mesmas pessoas podem ser bem mais cautelosas na hora de comprar um novo sistema de isolamento térmico para a casa, reconhecidamente um dos melhores meios para economizar energia.

A lógica é mais ou menos essa: seus amigos vão vê-lo desfilando por aí num Prius. Mas ninguém vai ver as duas polegadas extras de R-38 no seu sótão.

A ansiedade de ser o primeiro - Por que milhares de consumidores se acotovelam em filas para comprar produtos recém-lançados que vão ficar mais baratos em poucos meses - THE NEW YORK TIMES 

Estado de São Paulo – 10 de maio de 2010 - / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

10 março 2010

Consumo de água

O gráfico abaixo é muito interessante. Mostra o consumo de água em dois dias distintos (27, linha verde, e 28 de fevereiro de 2010, linha azul) na cidade de Edmonton, Canadá, no período de 12 às 18 horas local. No dia 28 ocorria a disputa da medalha de ouro do hóquei nas olimpíadas de Vancouver. O hóquei é o esporte nacional do Canadá.

Em lugar do consumo estável ocorrido no dia 27, o consumo de água no dia 28 está ligado aos acontecimentos esportivos. Assim, ao final do primeiro tempo, o consumo aumentou substancialmente. O mesmo ocorreu no final do segundo e terceiro tempo, assim como no final da transmissão.

Fonte: What If Everybody in Canada Flushed At Once?



29 junho 2007

O assunto do momento

Diante do lançamento próximo do iphone, com filas enormes de consumidores ansiosos pelo produto, o gráfico mostra que o interesse pelo produto na internet cresceu muito. 0,65% das postagens de blogs (de todas as postagens!) comentam sobre o assunto. Inclusive esta.

07 fevereiro 2007

Uma figura interessante



Essa figura é interessante. Mostra o consumo de energia comparando os estados "republicanos" e "democratas" (segundo a última eleição nos Estados Unidos) e a Califórnia (que tem um governador republicano, mas possui uma população muito comprometida com as questões ambientais).

Fonte: The Economist via Captain Capitalism