Translate

03 março 2026

Uma questão de perspectiva?

Como você está? Bem, espero, apesar de tudo. E, se estiver, então você é como todos os amigos e colegas que me enviaram mensagens no Natal, todos afirmando que também estavam muito bem, também apesar de tudo.

(...) Pode ser que meus amigos sejam todos pessoas afortunadas, protegidas das misérias da realidade, e pode ser que estejam mantendo uma aparência corajosa diante de um sofrimento secreto. Mas pode ser também que exista um curioso descompasso entre nossa satisfação com a própria vida e nosso desespero em relação à vida dos outros.

Seria útil ter dados mais sistemáticos sobre esse descompasso e, uma década atrás, os pesquisadores do Ipsos MORI reuniram alguns. Eles perguntaram a pessoas em 40 países quantos de seus concidadãos diriam estar “razoavelmente felizes” ou “muito felizes”, e depois compararam esses palpites com a realidade medida pela World Values Survey.

A diferença foi marcante. A maioria das pessoas disse ao Ipsos MORI que estava preocupada com o bem-estar de seus compatriotas, e, no entanto, a maioria das pessoas que respondeu à World Values Survey mostrou-se bastante otimista em relação à própria felicidade.

(...) Para além da questão do crime, inevitavelmente obtemos informações sobre a nação e o mundo em geral por meio de algum tipo de mídia, que sempre prioriza o dramático e o controverso. Já as informações sobre nossa própria vida são, em grande parte, não mediadas.

Há também a questão do controle. O economista Johannes Spinnewijn certa vez estudou as crenças e o comportamento de pessoas em busca de emprego e constatou que, em geral, elas eram otimistas demais quanto às suas perspectivas e pessimistas demais quanto à própria capacidade de mudar essas perspectivas. (...)

Nossas vidas digitais nos empurram na direção oposta. A destruição do jornalismo local e a ascensão das redes sociais significam que nosso consumo de notícias está cada vez mais concentrado em eventos nacionais e globais — precisamente as esferas da vida em que somos mais pessimistas. Isso é corrosivo. Passe 16 horas rolando o feed em busca de desgraças e você pode facilmente concluir que o fim dos tempos chegou; passe 16 horas vivendo sua própria vida e talvez as coisas não pareçam tão ruins.

De Tim Harford.  Como esperar uma contabilidade baseada no julgamento e crença do preparador, como deseja os reguladores, se a perspectiva pode ser tão enviesada? Há solução para esse dilema? Talvez deixar para o usuário as conclusões, pode ser um mantra. Ou evitar tantas informações? 

Rir é o melhor remédio


 Deixa para depois

02 março 2026

Pizza e índice de ataque

Há um monitoramento da atividade de pedidos de pizza na redondeza do Pentágono. Quanto mais pedidos, maior a chance que os Estados Unidos estejam preparando alguma decisão geopolítica.  Novamente, no final de semana, o índice não falhou: elevado consumo, ataque ao Irã. 

Gráfico da newsletter da Bloomberg 

PwC e uma IA que pode compreender e raciocinar em planilhas


A PwC desenvolveu um agente de IA avançado capaz de compreender e raciocinar em planilhas complexas de nível empresarial, algo em que modelos de IA convencionais têm dificuldade. Esses arquivos, com milhões de células, múltiplas abas, fórmulas e dados multimodais, são centrais para decisões corporativas, mas historicamente inacessíveis à IA. O novo agente foi projetado para mapear a estrutura das planilhas, extrair dados relevantes, validar consistência e oferecer insights que antes exigiam semanas de trabalho manual, reduzindo tarefas de auditoria, análise financeira e controle de dados de dias para horas. A iniciativa representa um avanço prático em IA aplicada ao núcleo das operações empresariais. 

Competências digital


Eis o resumo:

Objetivo: Propor um instrumento para mensurar a competência digital de profissionais de contabilidade gerencial e identificar os fatores individuais e organizacionais mais relevantes associados a essa competência.
Método: Realizou-se um levantamento com 109 profissionais de contabilidade gerencial para desenvolver e validar uma escala de competência digital composta por 10 itens, seguindo as etapas metodológicas de desenvolvimento de escalas (elaboração de itens, construção da escala e avaliação da dimensionalidade, confiabilidade e validade), bem como análises fatoriais exploratória e confirmatória. Também foram examinadas variáveis individuais (cargo, experiência, idade, gênero, escolaridade) e organizacionais (departamento de análise de dados, afinidade tecnológica, porte da empresa, transformação digital).
Resultados: Os resultados indicam que fatores individuais estão significativamente associados à competência digital dos profissionais de contabilidade gerencial. Especificamente, a competência digital declina com a idade, mas é mais elevada entre os profissionais que ocupam cargos de controladoria e aqueles com maior interesse em tecnologia. Além disso, a competência digital está negativamente associada à presença de um departamento de análise de dados independente na organização.
Contribuições: Este estudo apresenta várias contribuições. Primeiramente, representa um avanço na literatura sobre digitalização na contabilidade gerencial, evidenciando que características individuais desempenham um papel central no aprimoramento da competência digital na área contábil e financeira. Em segundo lugar, traz uma contribuição metodológica, ao introduzir uma nova escala para mensurar a competência digital de contadores de contabilidade gerencial. Por fim, oferece implicações práticas, ao sugerir que departamentos de análise de dados independentes podem, inadvertidamente, dificultar o desenvolvimento da competência digital desses profissionais.
 

Imagem: Gemini 

IA e a guerra


Diante do clima bélico do governo dos Estados Unidos, um movimento recente chamou a atenção de funcionários que trabalham com inteligência artificial nas empresas Google, OpenAI e Anthropic: o possível uso da IA pelo governo em operações militares.

A pressão, por enquanto, está sobre a empresa responsável pelo Claude, que pode ser excluída de contratos com o Departamento de Defesa caso não conceda permissão para vigilância em massa ou para o uso da tecnologia com fins letais sem supervisão humana. Ao mesmo tempo, há negociações em curso para que algo semelhante seja feito com Google e OpenAI.

Ceder pode ser positivo para os lucros. Mas será que a sociedade teria uma visão favorável da empresa após isso?

 

Brasil subestimado


Diversos países do Oriente Médio estão sendo arrastados para o conflito atual e têm recebido ataques de mísseis do Irã. Acredito que a atualização bayesiana adequada é que o Brasil está subestimado.

O país tem muita água e grande capacidade de produzir seu próprio alimento. É uma potência agrícola. Está desenvolvendo cada vez mais seus combustíveis fósseis. Nenhum vizinho — nem mesmo vizinho próximo — ousa ameaçá-lo. Não se consegue imaginar conquistá-lo, porque nem mesmo o governo do Brasil conquistou plenamente o próprio país.

É grande o suficiente para que até mesmo os Estados Unidos só consigam pressioná-lo de forma limitada.

As taxas de criminalidade são altas, mas, pelo lado positivo, isso confere ao país certa resiliência. As pessoas estão acostumadas a eventos adversos, e a sociedade está estruturada de acordo com isso. Não é possível escrever sobre “o Brasil caindo em distopia” sem provocar risos.

Se a imigração o incomoda (não é a minha posição), o Brasil e a cultura brasileira não serão submersos por pessoas vindas de outros lugares. Para o bem ou para o mal.

O Brasil “continuou sendo Brasil” tanto sob a democracia quanto sob a autocracia.

Fonte: aqui