Translate

10 março 2026

Desafiantes do Campeão Gukesh


No dia 29 de março terá início o torneio que irá definir o desafiante ao atual campeão, o indiano Gukesh. Novamente não teremos a presença do maior jogador de todos os tempos, o norueguês Magnus Carlsen (rating de 2840). Carlsen lidera o rating, que mede a força de um jogador, há bastante tempo e parece que cansou de fazer uma longa e cansativa preparação para disputar um título que certamente ele ganharia.

A casa de apostas Kashi aponta Caruana (2793) e Nakamura (2810) como favoritos. O descendente de família italiana Caruana já chegou a disputar o título com Carlsen, mas perdeu. O popular nas redes sociais Nakamura tem hoje o segundo maior rating, atrás de Carlsen, e é muito bom no jogo mais rápido, usado em caso de empate e útil quando está em apuro de tempo. Estão bem no ranking, mas no passado isso não foi decisivo para levar à disputa do título. Em torneios como esse, o preparo mental pode ser muito mais importante.

O próximo melhor classificado no rating é Wei Yi, com 2754, na oitava posição. São mais de 50 pontos abaixo de Nakamura e muito distante de Carlsen. No mercado de apostas, suas chances são de 7% hoje. As chances de Caruana e Nakamura são de 33% e 30%. Pensando nas apostas, logo após os americanos temos o jovem indiano Praggnanandhaa (2741), com 17%, e Sindarov (2745), com 15%. Poucos apostam no holandês Giri (2753), no russo Esipenko (2698) e no alemão Bluebaum (2698), com chances de 9%, 5% e 5%, nessa ordem. Olhando os números, os dois americanos parecem realmente bem favoritos a conquistar o direito de desafiar o campeão, como acredita o mercado.

Continuidade do GPA


Dias atrás, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) incluiu nas notas explicativas do balanço do ano passado um alerta sobre a incerteza quanto à continuidade operacional da empresa. Em situações como essa, há dúvidas se a empresa conseguirá sobreviver no futuro próximo.

A empresa tem hoje baixa liquidez, elevado endividamento e caixa reduzido. Diante disso, o GPA anunciou um pedido de recuperação extrajudicial, tentando renegociar suas dívidas. É uma medida para permitir que o GPA respire por alguns dias, mas será necessário mudar algo na estrutura para sobreviver.

O tradicional Pão de Açúcar conseguirá sobreviver? 

Frase

 É o velho paradoxo. Quando você adiciona grãos de açúcar ao café. Cada grão extra é aceitável, ou pode até deixar o café com um gosto melhor, mas em algum momento você simplesmente colocou açúcar demais. É assim que acontece com as mudanças.

(Tyler Cowen, sobre a revolução da IA) Cowen sugere que cada pequena inovação parece aceitável isoladamente, mas o acúmulo de mudanças produz transformações profundas que as pessoas não antecipam. 

Meta compra Moltbook


Já comentamos sobre a Moltbook, uma rede social para agentes de IA (aqui e aqui). É parecido com os fóruns do Reddit, mas permitindo que os bots publiquem, comentem e votem. A Moltbook viralizou por, supostamente, mostrar comportamentos sociais da IA. 

A notícia de hoje é que a Meta, empresa proprietária do Instagram, comprou a rede social. Segundo o anúncio, é uma tentativa de reforçar a estratégia em investir em sistemas de superinteligência. Um potencial uso é garantir acesso a talentos e tecnologias emergentes. 

O valor da aquisição não foi divulgado até o momento.  

Rir é o melhor remédio

 

Nomes de crianças que foram banidos no México. Cesarea está na lista. 

Investindo em capital natural


O resumo: 

A degradação dos ecossistemas impulsionada pelas atividades humanas ameaça tanto a biodiversidade global quanto os meios de subsistência das comunidades que dependem dos sistemas naturais para produção e geração de renda. No entanto, as evidências empíricas sobre os retornos econômicos da restauração da natureza ainda são escassas. Examinamos se intervenções voltadas ao fortalecimento da natureza podem gerar melhorias mensuráveis na riqueza das famílias, além dos benefícios ambientais. Estudamos uma intervenção agroecológica em larga escala implementada pela organização Trees for the Future (TREES) em propriedades agrícolas na África Subsaariana, combinando pesquisas domiciliares detalhadas com imagens de satélite de alta resolução. Mostramos que aumentos quase exógenos no capital natural levam a ganhos substanciais na riqueza das famílias — medida pela posse de gado — de cerca de 75% até o terceiro ano de intervenção. Cada dólar investido no programa retorna aproximadamente $2.28 em benefícios diretos de riqueza para os agricultores participantes, antes mesmo de considerar impactos positivos na saúde e a captura de carbono. Também documentamos aumentos expressivos na cobertura arbórea e na diversidade de culturas agrícolas, melhorias significativas na segurança alimentar e na diversidade da dieta, além de avanços detectáveis em índices de vegetação medidos por satélite. Em conjunto, esses resultados demonstram que a restauração do capital natural gera retornos ecológicos e econômicos, oferecendo um caminho escalável para um desenvolvimento positivo para a natureza em economias rurais onde a biodiversidade permanece um ativo produtivo fundamental.
 

Restoring Nature, Creating Wealth: Evidence from Rural Households in Africa -- by Geoffrey Heal, Claudio Rizzi, Simon Xu, NBER.  

Há uma corrente que defende que o problema da sustentabilidade poderá ser resolvido dentro do sistema capitalista. De certa forma, é a filosofia do ISSB e dos economistas liberais (por exemplo, Deirdre Mccloskey). 

Especificamente o TREES busca restaurar a natureza para gerar retornos econômicos para populações rurais. Representa um investimento em capital natural. O programa também tem atuação na América Latina

09 março 2026

Iceland versus Iceland


Em português conhecemos o país como Islândia. Na língua inglesa seria Iceland, ou terra do gelo. Durante dez anos, o simpático país europeu batalhou contra empresas que usavam seu nome. Assim, na guerra Iceland versus Iceland, Iceland saiu vitoriosa.

O caso mais emblemático envolveu uma rede de supermercados do Reino Unido, muito conhecida, chamada Iceland Foods. Essa rede obteve a marca Iceland, em 2016, na Comunidade Europeia e passou a tentar impor seu direito perante outras empresas.

Mas o erro foi entrar em conflito com os vikings islandeses: a Iceland Foods tentou se opor à tentativa do país de registrar a marca Inspired by Iceland. A empresa recorreu, perdeu; recorreu novamente, perdeu de novo; e, no terceiro recurso, perdeu outra vez. Há ainda uma instância superior, o Tribunal de Justiça, mas a empresa, em meados do ano passado, afirmou que desistiria da disputa.

Para os executivos da empresa, o cálculo envolveu a pequena chance de vitória diante de três derrotas seguidas e os custos com advogados. Falou mais alto o bom senso e o valor esperado negativo. A rendição ocorreu somente agora, em 2026.

Parece algo absurdo, mas a empresa existe desde 1970 e só registrou a marca Iceland em toda a Europa em 2005. A nação existe desde 874, sendo estranho imaginar que uma rede de supermercados tenha o registro do nome de um país.