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22 dezembro 2025

Postagens de 2025 mais lidas



Estas são as postagens publicadas em 2025 e mais lidas:

1. Falha no Exame de Suficiência: prova fácil e, ainda assim, com um desastroso número de reprovações. Não houve manifestação formal do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), apenas da banca que aplicou a prova.

2. Disputa judicial entre Ordem dos Contabilistas de Portugal e DigitalSign: O Departamento de Investigação e Ação Penal de Portugal abriu um inquérito-crime contra a Ordem dos Contabilistas Certificados de Portugal (algo como o CFC de lá) após queixas da certificadora DigitalSign. A empresa alega desvio de clientela e práticas ilegais relacionadas ao software de contabilidade online TOConline.

3. A IFRS 18 será adotada no Brasil? Parece que sim: em junho postamos sobre a 223ª reunião do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que discutiu a convergência da IFRS 18 para o CPC 51 – Demonstrações Financeiras Primárias.
Atualização: a consulta pública SNC 02/25, que trata das alterações decorrentes do CPC 51, teve seu prazo encerrado em 29/09/2025 e encontra-se atualmente em fase de análise.

4. Decadência da Rússia no Xadrez: a 4ª postagem de 2025 mais lida trouxe uma reflexão histórica e geopolítica sobre o xadrez mundial. Se em 1971, quando a lista dos melhores jogadores começou a ser publicada, a União Soviética sempre apareceu com um representante, hoje é possível observar não apenas a sua ausência, como também uma diversidade de nacionalidades e a ascensão da Índia.

5. Grandes nomes da história mundial da contabilidade: Schmalenbach: dentre as postagens sobre grandes nomes da história mundial da contabilidade, a de Eugen Schmalenbach se destacou dentre as mais lidas. O texto destacou um dos grandes influenciadores da contabilidade e da administração acadêmicas na Alemanha e na Europa Continental no início do século XX.

6. PCAOB multa Big Four na Holanda por fraude em exames: a PCAOB (Public Company Accounting Oversight Board) multou as filiadas da Holanda da Deloitte e PwC em US$ 3 milhões cada, e da EY em US$ 2,5 milhões – totalizando US$ 8,5 milhões – por fraude massiva em exames internos, incluindo testes de ética, entre 2018 e 2022.

7. Ainda blogando (e sonhando) depois de trinta mil: a 7ª postagem mais lida é a 30.000ª postagem do blog, em que relembramos parte da nossa caminhada e compartilhamos planos e sonhos para o futuro. Que satisfação esta postagem ser do fim do ano (outubro) e ainda assim figurar aqui!

8. Perdemos Gileno Fernandes Marcelino: esta postagem de agosto registrou o recebimento da notícia dessa grande perda, o professor Gileno Fernandes Marcelino, figura marcante da Universidade de Brasília. A postagem relembra um pouco de sua atuação como primeiro diretor da FACE/UnB, sua trajetória no serviço público (incluindo passagem pelo DASP e pela ENAP) e sua contribuição acadêmica contínua, mesmo após a aposentadoria. O que se eterniza: sua gentileza e os trocadilhos inesquecíveis, como o célebre “quanta contabilidade”.

9: Grandes civilizações e contabilidade: Grécia: dentre as postagens sobre grandes civilizações e contabilidade, a da Grécia se destacou dentre as mais lidas. Interessante lembrar como o conceito de valor de uso e valor de troca já era conhecido pelos gregos.

10: Mestre em contabilidade é o novo Controlador-Geral de SP (e nosso amigo!!!): a 10ª postagem mais lida teve tom celebratório ao registrar a nomeação de um mestre em Contabilidade para o cargo de Controlador-Geral do Estado de São Paulo. Naquele momento destacamos não apenas a relevância institucional do cargo e o simbolismo de um controlador-geral com sólida formação em Contabilidade, mas também a trajetória acadêmica, profissional e humana de Rodrigo Fontenelle, marcada por competência técnica, ética, bom humor e vínculos de amizade com os autores do blog.

Quando o algoritmo é um ativo valioso


O algoritmo do TikTok é considerado "joia da coroa" da tecnologia moderna. Sua suposta superioridade em uma mudança de paradigma: a transição do gráfico social para o gráfico de interesse. Ao contrário de redes tradicionais que priorizam conexões entre amigos, o sistema da empresa ByteDance foca exclusivamente na relevância do conteúdo. Essa mudança permite que a plataforma identifique em milissegundos o que o usuário gosta, mas também preveja novos interesses.

A eficácia do sistema é tanta que ele se tornou um ativo, não somente para a empresa, mas para a China. O governo chinês proibiu a exportação do código-fonte original. Se o TikTok está sendo vendido nos Estados Unidos, isso não irá significar a venda do algoritmo, mas somente da base de clientes, os funcionários e a operação naquele país. 

Um estudo, publicado por pesquisadores dos EUA e da Alemanha no ano passado, descobriu que o algoritmo do TikTok “explora os interesses do usuário em 30% a 50% dos vídeos de recomendação”, depois de examinar dados de 347 usuários do TikTok e cinco bots automatizados. 

Listas subjetivas impactanto as finanças públicas


A lista dos 30 lugares mais perigosos do mundo apresenta curiosidades, mas também pontos questionáveis. Entre os locais citados estão Chernobyl (foto), na Ucrânia, e Oymyakon, na Rússia — conhecido por registrar uma das temperaturas mais baixas do planeta.

No entanto, a inclusão da Ilha das Cobras, no Brasil, parece incoerente, dado que o acesso ao local é estritamente restrito. Sem dados oficiais sobre o número de visitantes ou incidentes, classificá-la como um dos lugares mais perigosos do mundo carece de base estatística. Outro ponto controverso é a inclusão de Natal. Embora o texto mencione suas belezas naturais, ele alerta os viajantes devido ao índice de 75 homicídios por 100 mil habitantes — cidade que, inclusive, sediará o Congresso da Anpcont no próximo ano. O argumento soa exagerado, já que Natal não figura como a cidade mais violenta do mundo, nem lidera esse ranking no Brasil atualmente.

Apesar de o texto não se basear em métricas objetivas, uma reputação ruim, mesmo que imprecisa, pode ter consequências econômicas diretas sobre o fluxo de turistas e, por consequência, sobre as finanças públicas. 

As Empresas de Capital Aberto Devem Mudar para Relatórios Semestrais?

Do CPA Journal:


Em 15 de setembro de 2025, o Presidente Trump propôs que as empresas de capital aberto arquivem relatórios financeiros semestralmente, em vez de trimestralmente (N. Andrews e C. Driebusch, “Trump Calls for Ending Quarterly Earnings Reports,” Wall Street Journal, 15 de set. de 2025). Em 2018, Jamie Dimon e Warren Buffett opinaram que as pressões para atingir estimativas de lucros de curto prazo levaram a um menor número de ofertas de empresas públicas nos EUA nas últimas duas décadas (“Short-Termism is Harming the U.S. Economy,” 6 de jun. de 2018). A SEC solicitou comentários sobre o assunto na época, mas, devido à resistência dos investidores, decidiu não fazer alterações nos requisitos atuais. Com a relevância do tema voltando a subir, este é um momento oportuno para discutir as implicações potenciais da transição dos relatórios trimestrais para os semestrais. 

Considerando os Prós e Contras

Existem pontos positivos potenciais que poderiam ser alcançados com o relatório semestral:

  • Foco no Longo Prazo: O relatório semestral pode incentivar a gestão corporativa a focar em uma perspectiva de prazo mais longo. A Business Roundtable apoia divulgações de resultados menos frequentes, uma vez que as projeções de lucros muitas vezes levam a um foco doentio em lucros de curto prazo em detrimento da estratégia, crescimento e sustentabilidade de longo prazo.

  • Alinhamento Internacional: O relatório semestral alinharia melhor os Estados Unidos aos padrões de relatórios do Reino Unido e da União Europeia.

  • Redução da Volatilidade: Atingir ou não as expectativas trimestrais dos analistas financeiros frequentemente causa grandes oscilações nas ações para cima ou para baixo. O relatório semestral poderia reduzir essa volatilidade.

  • Redução de Custos: Divulgações públicas menos frequentes poderiam reduzir as taxas de auditoria.

Por outro lado, também existem pontos negativos:

  • Menor Transparência: Alguns acreditam que divulgações menos frequentes equivalem a menos transparência, pois até seis meses poderiam se passar antes que as empresas tivessem que relatar resultados financeiros negativos e relevantes.

  • Risco de Fraude: Uma fiscalização menos frequente poderia permitir que gestões antiéticas cometessem atividades fraudulentas.

  • Aumento da Volatilidade por Incerteza: Menos relatórios de lucros poderiam, na verdade, aumentar a volatilidade do mercado devido à falta de dados reportados.

  • Pressão Persistente: Mesmo sem a obrigatoriedade de relatórios trimestrais, muitas empresas dos EUA ainda podem enfrentar pressões significativas por desempenho de curto prazo.

O que dizem as pesquisas

Uma análise superficial das pesquisas sobre esta questão levanta outros pontos a serem considerados:

  • Busca por fontes alternativas: Kang descobriu que os usuários das demonstrações financeiras de empresas abertas dependem de canais de comunicação privados para complementar os relatórios financeiros disponíveis publicamente (“Financial Reporting Around Private Firms’ Securities Offerings,” Journal of Accounting Research, 2025). Isso implica que relatórios financeiros menos frequentes levariam os usuários a buscar outras fontes de informação.

  • Prejuízo ao investidor comum: Brannon e Jennings descobriram que relatórios de lucros frequentes beneficiam investidores experientes em detrimento de investidores menos sofisticados, devido ao excesso de ruído nos dados (“Too Much Information?”, Regulation, 2020). “Eventos isolados que afetam significativamente os lucros em um trimestre podem causar uma reação exagerada dos investidores”, criando mudanças manipuladas ou de curto prazo que reduzem os lucros de longo prazo para suavizar tais flutuações.

  • Impacto nulo em investimentos: Nallareddy, Pozen e Rajgopal descobriram que, quando o Reino Unido alterou a frequência exigida de relatórios públicos para empresas abertas, isso praticamente não afetou as decisões de investimento interno das empresas (“Consequences of More Frequent Reporting: The UK Experience,” Journal of Law, Finance, and Accounting, 2021).

    Uma Ruptura com a Tradição

    Agora que o relatório semestral para empresas de capital aberto está na pauta de discussões, os líderes de pensamento em gestão financeira e contabilidade devem se perguntar: o que aconteceria se algumas empresas continuassem a publicar voluntariamente resultados trimestrais, e como os investidores reagiriam a frequências de relatórios diferentes e incompatíveis?

    Alterar a prática atual, que vigora desde 1970, exigiria a aprovação da SEC — tradicionalmente um processo longo e burocrático. Consta que a SEC irá “priorizar” a proposta de Trump (NPR), mas qualquer mudança presumivelmente ainda exigirá muita consulta e debate. Sendo assim, uma mudança formal nas regras pode não se concretizar tão cedo.

    Alan Reinstein, DBA, CPA, CGMA, é Professor Aposentado de Contabilidade George R. Husband na Wayne State University, Detroit, Michigan. Natalie Tatiana Churyk, PhD, CPA, é Professora de Contabilidade PwC na Northern Illinois University, DeKalb, Illinois.

    Imagem aqui 

Suicídio global

 Uma boa notícia (via aqui): o número de suicídio por habitante tem reduzido em todas as regiões do mundo:

(isso parece uma surpresa, dado a acusação que se faz a mídia social e a saúde mental)
 

Pentagono e a auditoria


Eis um resumo da notícia:

O Pentágono falhou em sua auditoria financeira pelo oitavo ano consecutivo em 2025, permanecendo como a única grande agência federal dos EUA que nunca conseguiu um parecer favorável. Com ativos e passivos estimados em cerca de US$ 4,7 trilhões cada, os auditores identificaram 26 "fraquezas materiais" nos controles internos.

Um dos problemas críticos envolveu o programa F-35 Joint Strike Fighter, onde o Departamento de Defesa não conseguiu rastrear adequadamente o estoque de peças sobressalentes. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o departamento está comprometido com a transparência, mantendo a meta de alcançar uma auditoria limpa até 2028, apesar dos desafios sistêmicos acumulados por décadas.

 

Valor público

Eis o resumo: 

O valor público é um conceito bem estabelecido, utilizado em várias disciplinas,
incluindo na gestão pública, administração pública e políticas públicas. No contexto
da contabilidade, a investigação sobre a contabilidade do valor público tem-se
concentrado principalmente nos seus aspetos instrumentais – especificamente,
como medir, controlar, relatar e gerir o valor público. No entanto, tem havido
relativamente poucos esforços para avançar os fundamentos teóricos da contabilidade do valor público ou para explorar de que forma a adoção de uma perspetiva de valor público pode reconfigurar a conceptualização e a prática da contabilidade no setor público. O objetivo deste artigo é propor um quadro conceptual para compreender a contabilidade e a prestação de contas do setor público através da lente do valor público. Ao fazê-lo, procura fornecer uma base tanto para futuras investigações académicas como para aplicações práticas. O estudo adota uma abordagem de investigação abdutiva. Primeiro, conceptualiza os elementos centrais da contabilidade do valor público, com base na literatura relevante sobre contabilidade, gestão pública e administração pública. Em segundo lugar, aplica a estrutura proposta por meio de uma análise documental do Ministério da Universidade e Investigação de Itália. Este artigo procura contribuir para o desenvolvimento teórico da contabilidade do valor público nos serviços públicos, com o objetivo de estimular novas pesquisas e informar a prática neste campo em evolução.

O artigo é de autoria de Eugenio Bracci (Public sector accounting and accountability: a public value(s) perspective). Ao final, um agradecimento para o Congresso da UnB de 2024:

The paper is based on a key-note speech held at the University of Brasilia (Brazil),
Department of Accounting, during the 10th UnB Conference on Accounting and
Governance, September, 25th to 27th, 2024. A special thank to the Conference
organizers and the participants for inviting me and giving me the opportunity to
develop this topic.