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19 agosto 2016

Mudança no Iasb

A IFRS Foundation Monitoring Board, que responde pela supervisão da Fundação IFRS, decidiu nomear como membro o ministro das finanças da China. A aprovação contou com a abstenção da SEC dos Estados Unidos.

Em fevereiro de 2012 um relatório sugeriu a expansão do comitê de monitoramento, com a inclusão de quatro membros, com ênfase nos mercados emergentes. Atualmente este comitê é composto pela CVM do Brasil, entidades do Japão, Coréia, Estados Unidos (SEC), bolsa de valores (IOSCO) e comitê da Basiléia, como observador.

Novos Cursos

No DOU de hoje a criação de novos cursos de pós-graduação:

=> Controladoria e Finanças, mestrado profissional, Fipecafi, nota 3, São Paulo
=> Ciências Contábeis e Administração, mestrado, Unochapecó, nota 3, Santa Catarina.

Parabéns aos docentes e gestores.

Rir é o melhor remédio


18 agosto 2016

Sobrepreço na Petrobras mostra que a empresa foi conservadora

Ao análise as contas da construção das unidades de destilação atmosférica (UDA) e das unidades de hidrotratamento (UHDT) da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), no Estado de Pernambuco, o TCU chegou a conclusão que ocorreu superfaturamento. Conforme nota do TCU

Em auditorias anteriores foi apurado dano potencial ao erário no montante de R$ 2,1 bilhões, em valores atualizados. Esse valor foi obtido com a análise do superfaturamento decorrente de preços excessivos verificados nos contratos originalmente firmados. Não foram analisados, ainda, quantitativos decorrentes de aditivos contratuais nas duas obras.

O objetivo do processo atual foi apurar o valor exato do prejuízo e imputá-lo aos responsáveis envolvidos. Na avaliação, o tribunal constatou que o montante do prejuízo superou o valor dos pagamentos indevidos aos agentes da Petrobras. Isso porque tais pagamentos ilícitos afetaram a lisura das licitações, permitindo a cartelização e a prática de preços acima dos de mercado pelas empresas contratadas.

O dano constatado foi dividido em duas parcelas, a primeira é referente à diferença entre os preços contratados e o valor da estimativa de custo da Petrobrás. A outra parte do superfaturamento é oriunda da diferença entre o orçamento estimativo da Petrobrás e os valores de referência utilizados pelo TCU.

Os percentuais dos sobrepreços apropriados nos contratos da UDA e UHDT são da ordem de 69% e 88%, respectivamente. Além disso, foram verificados o recebimento de vantagens indevidas sobre o valor total dos contratos e a prática de diversos atos que direcionaram as licitações. Entre eles estão a divulgação de informações sigilosas da Petrobras, a não-inclusão de novos concorrentes após o cancelamento de um procedimento licitatório por preços excessivos e a omissão para evitar que o cartel de empresas obtivesse contratos com o valor próximo ao limite máximo permitido pela Petrobras.


Isto reforça a tese deste blog que o valor estimado pela empresa Petrobras para fazer a amortização referente a corrupção foi baixo.

O fim da contabilidade tradicional e um novo caminho para investidores e gestores

Baruch Lev, Israel-born accounting professor at NYU’s Stern School of Business, has long been a skeptic of traditional corporate accounting.

His contention is that generally accepted accounting principles, or GAAP, have lost their relevance over the last 40 years. The industrial economy, he says, with its emphasis on physical assets of property, plant and equipment, and inventory levels has been supplanted by a new economy in which intangible assets like research and development, information technology, unique business franchises, and powerful brands rule the roost.

The problem, according to the 77-year- old Lev, is that GAAP hasn’t evolved sufficiently to capture this new reality despite the fact that academic studies show that companies since the 1990s spend more on intangible assets and harder-to-quantify strategic assets—brand development, advertising and marketing, unique personal talents, and the like—than on Rust Belt–like hard assets.

[...]

Fonte: aqui


Resenha do livro:

Flaws in generally accepted accounting principles (GAAP) severely limit the usefulness of financial reporting to security analysts. The following are examples:


-Under GAAP, a company that laid out huge sums for brand creation shows zero value for those investments on its balance sheet. In contrast, billions of dollars of assets may appear on the balance sheet of a competitor after it acquires a company that made similar outlays. This inconsistent accounting treatment confounds investors who seek to compare companies for valuation purposes.


-GAAP requires expensing of R&D (research and development) costs as incurred, yet studies show that investors regard these expenditures as assets that add to a company’s value. Mandatory expensing probably also depresses R&D spending.


-GAAP violates the traditional concept of matching revenues and expenses. For example, wireless telecommunications companies must match single-year revenues with customer-acquisition expenditures that are expected to produce benefits for three to four years. Their true economic profits are consequently understated.

In view of such serious shortcomings, should it surprise anyone that the earnings derived through traditional accounting are a second-rate influence on stock prices? The End of Accounting and the Path Forward for Investors and Managers shows that equity investors can earn far higher investment returns by correctly forecasting cash flows than by correctly forecasting GAAP earnings. Furthermore, cash flows are easier to predict than earnings, which increasingly consist of dubious GAAP-mandated accounting estimates.

The connection between GAAP and equity valuations is not only loose but loosening. During the past 60-plus years, a sharp and steady decline has occurred in the correlation between stock prices and such key accounting outputs as earnings, book value, sales, cost of sales, assets, and liabilities. Baruch Lev, professor of accounting and finance at the Stern School of Business at New York University, and Feng Gu, associate professor and chair of the Department of Accounting and Law at the University at Buffalo, attribute this decline to the transition from a primarily industrial economy to the information age.

“The major value drivers shifted from property, plant, machinery, and inventories, to patents, brands, information technology, and human resources,” write the authors. GAAP, failing to adapt to this change, continued to treat the latter four value creators as ordinary expenses. That accounting, say Lev and Gu, distorted both the balance sheets and the income statements of intellectually based companies, rendering reported financial information increasingly irrelevant.

To fix this problem, the authors audaciously propose a radical overhaul of the accounting system. Their new model addresses the fact that, by the authors’ estimate, today’s financial reporting supplies a mere 5% of the information used by investors. Lev and Gu seek to complement traditional financial statements with a “Strategic Resources & Consequences Report” focused on the items that create a sustained economic advantage. This report would present details on such things as patents, oil reserves, and information technology—all in a standardized form, rather than the haphazard disclosures already made by some public companies—to facilitate comparison of issuers within an industry.

Lev and Gu seek, above all, to improve on GAAP’s measurement of value creation by focusing the proposed report on cash flows. In their system, companies would not only capitalize R&D but would also provide a breakdown separating research (i.e., the systematic pursuit of new knowledge) and development (i.e., the use of research to develop new products or processes). Additionally, a charge for the cost of equity capital would be deducted from cash flows. Where feasible, changes in values of major strategic assets, such as the present value of cash flows from proven oil and gas reserves, would be taken into account.

The authors recognize and deal effectively with objections to their innovations. These objections include an increased reporting burden (which they suggest might be partly offset by dispensing with quarterly reporting in favor of semiannual statements) and companies’ predictable complaint that they would be forced to divulge proprietary information to competitors. Lev and Gu prefer to have their reforms come about through demand from investors rather than by government fiat, although they would welcome the US SEC’s support of their project.

Lev and Gu differentiate their remedies from others that have been proposed, such as “key performance indicators” and the “triple bottom line,” which tracks management’s impact on people and the planet as well as on profits. Their reconstruction of financial statements does, however, bear some similarity to economic value added (EVA).1 Both approaches take into account the cost of equity capital, although Lev and Gu’s starting point is cash flows whereas EVA’s is earnings.

The End of Accounting makes a powerful case for redirecting security analysis away from GAAP accounting. Already, the authors note, between 2003 and 2013, the proportion of public companies reporting non-GAAP (“pro forma”) earnings doubled from 20% to 40%. How can this phenomenon be explained, they ask, other than as a function of company managers’ awareness of the rapidly diminishing usefulness of financial information to investors? Actually, there is an alternative narrative—namely, that corporate executives benefit when their bonuses are calculated on the basis of non-GAAP rather than (lower) GAAP earnings
[...]
Outra reportagem pode ser vista neste link.

Rir é o melhor remédio


17 agosto 2016

Links

Cobertura dos jogos olímpicos e machismo

Os mapas mentem (vídeo)

Homens são mais propensos a fazerem citação dos seus trabalhos em pesquisas científicas

Razões para os adultos terem dificuldades em aprender uma segunda língua

Como corrigir o problema de reversão a média 

Slate: Ele rouba, mas faz - analisando a trajetória de Maluf

Links

Cobertura dos jogos olímpicos e machismo

Os mapas mentem (vídeo)

Homens são mais propensos a fazerem citação dos seus trabalhos em pesquisas científicas

Razões para os adultos terem dificuldades em aprender uma segunda língua

Como corrigir o problema de reversão a média 

Slate: Ele rouba, mas faz - analisando a trajetória de Maluf

Prejuízo e dividendo

A empresa de mineração BHP anunciou o pior prejuízo anual de sua história: 6,4 bilhões de dólares (Hoyle, Rhiannon. BHP tem perda histórica devido a preços e baixa contábil. Valor Econômico, 17 ago 2016). Entre os motivos que justificam o desempenho: redução no preço das matérias-primas, demissão de funcionários e fechamento de minas (que justificam as amortizações contábeis de 7,7 bilhões), desastres ambientais (Mariana e Samarco, com reflexo de 2,2 bilhões de dólares), problemas com a divisão de petróleo (4,9 bilhões de efeito no resultado), entre outros aspectos.

A empresa "afirmou que a oferta abundante de petróleo e de metais como o cobre deve persistir". E que a economia da China vai estabilizar, mas não se recuperar. Além disto, não deverá fazer investimentos em novos projetos ou reduzir o ritmo.

Apesar de todo este cenário, inclusive de prejuízo, a empresa manteve o pagamento dos dividendos. Contraditório, mas duas possíveis explicações: o otimismo administrativo ou a sinalização de que a situação da empresa não é tão ruim.

Rir é o melhor remédio

16 agosto 2016

Eletrobras e RBSE

Diante dos prejuízos bilionários de diversas empresas brasileiras nos últimos anos, a Eletrobras divulgou hoje que teve um lucro de 13 bilhões de reais. No mesmo período do ano anterior o resultado era de um prejuízo.

No período, a holding estatal de energia elétrica informa reconhecimento contábil referente à RBSE com impacto líquido de R$ 17,035 bilhões - o dado se refere a indenização por ativos não amortizados anteriores a 2000.

Perplexidade: “que diabo é RBSE”. Depois de uma busca no site da empresa encontrei as demonstrações contábeis. Basicamente o RBSE é resultante de uma portaria do Ministro que determinou a correção de valores que estavam a custo histórico desde o início do milênio. Isto será incorporado a Base de Remuneração Regulatória a partir de 2017.

Apesar da explicação constante na Portaria que deu origem ao palavrão e das explicações constantes nas demonstrações contábeis, confesso que não fiquei convencido. Tenho dúvidas sobre a pertinência desta correção e sua finalidade. Preciso estudar melhor o assunto. (Socorro, Isabel. Nossa especialista no setor !!)

Links

Spy vs Spy: como nasceu dois personagens famosos da Mad

Em 13 anos, 8 bilhões de prejuízos: as empresas estatais criadas depois de 2002

Atletas virtuais ganham mais que os olímpicos

Uma das maiores invenções do século XX, a mais poderosa métrica da história

Rir é o melhor remédio


15 agosto 2016

Impacto econômico das universidades

Estudando 78 países e 15 mil universidades, Anna Valero e John Van Reenen estimaram os efeitos econômicos, do século XI até os dias de hoje. O número de universidades está associado a taxa futura de crescimento da economia:

We estimate fixed effects models at the sub-national level between 1950 and 2010 and find that increases in the number of universities are positively associated with future growth of GDP per capita (and this relationship is robust to controlling for a host of observables, as well as unobserved regional trends). Our estimates imply that doubling the number of universities per capita is associated with 4% higher future GDP per capita. Furthermore, there appear to be positive spillover effects from universities to geographically close neighboring regions. We show that the relationship between growth and universities is not simply driven by the direct expenditures of the university, its staff and students. Part of the effect of universities on growth is mediated through an increased supply of human capital and greater innovation (although the magnitudes are not large). We find that within countries, higher historical university presence is associated with stronger pro-democratic attitudes.

Auditorias da CGU reduzem corrupção em 8%

Esta é a conclusão deste working paper:

Resumo:

Political corruption is considered a major impediment to economic development, and yet it remains pervasive throughout the world. This paper examines the extent to which government audits of public resources can reduce corruption by enhancing political and judiciary accountability. We do so in the context of Brazil’s anti-corruption program, which randomly audits municipalities for their use of federal funds. We find that being audited in the past reduces future corruption by 8 percent, while also increasing the likelihood of experiencing a subsequent legal action by 20 percent. We interpret these reduced-form findings through a political agency model, which we structurally estimate. Based on our estimated model, the reduction in corruption comes mostly from the audits increasing the perceived threat of the non-electoral costs of engaging in corruption.

 Keywords: Corruption, Audits, Political Selection, Political Accountability, Judicial accountability

Do Government Audits Reduce Corruption? Estimating the Impacts of Exposing Corrupt PoliticiansEric Avis, Claudio Ferraz, and Frederico Finan - July 2016


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Dica daqui

14 agosto 2016

Estácio revisa balanço

Após acordo com a Kroton, a empresa Estácio, da área de educação, revisou os três últimos exercícios sociais, reduzindo a menor o lucro:

"Foram identificados e mensurados erros que afetaram tanto o resultado do segundo trimestre de 2016, quanto o resultado de exercícios anteriores", disse a empresa. A nova administração, que começou a mudar em abril deste ano, disse ter identificado "transações consideradas não compatíveis com os padrões e políticas da companhia".

Entre os ajustes anunciados para os resultados de exercícios anteriores, o principal impacto veio de revisão no provisionamento de recebíveis de alunos, cujos contratos foram considerados em situação inadequada. Há ainda efeitos de despesas de publicidade e propaganda e créditos tributários expirados de empresas adquiridas.

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Fonte: Aqui

13 agosto 2016

Fato da Semana: O balanço da Petrobras

Fato: Balanço da Petrobras

Data: 11 agosto de 2016

Precedentes
2014 - A operação lava-jato revela que foi construído na empresa um grande esquema de corrupção.
abr/15 -A empresa divulga os resultados do terceiro trimestre e do final do ano de 2014, com um prejuízo enorme
2015 - Os balanços do ano apresentam uma empresa com menor capacidade de geração de lucro.
mar/16 - Divulga o balanço de 2015, ainda com os efeitos da corrupção.
ago/16 - No balanço do primeiro semestre de 2016 ainda estão presentes os efeitos da corrupção na empresa.

Notícia boa para contabilidade?
Apesar do esforço da empresa em divulgar o Ebitda, o comportamento das vendas, a evolução da dívida e o fluxo de caixa, o que as pessoas estão lendo é o lucro contábil. A razão é simples: é neste item que percebemos claramente os efeitos da gestão criminosa ocorrida na empresa durante a presidência Gabrielli e Foster. Em agosto perguntamos no fato da semana se a empresa tinha chegado ao fundo do poço. O balanço responde que não: agora as amortizações da Comperj estão afetando o resultado.

Desdobramentos - O resultado do semestre mostra que a empresa teve sorte com a questão cambial, que ajudou substancialmente na redução da dívida em dólar. Mas sorte não basta e a queima do caixa preocupa.

Mas a semana só teve isto? O balanço do BTG também foi destaque. E o estudo de Oxford, mostrando que os custos do Rio 2016 não foram tão elevados assim.

Links

Uma análise dos logos olímpicos

A meia da sorte faz sentido em termos psicológicos

Gardner e como reconhecer falsos cientistas (inclui homeopatia, disco voador etc)

Plano de recuperação da Sete Brasil prevê investimento de 5 bilhões

Postar fitness no Facebook pode revelar problemas psicológicos 

Deficits da Previdência continuam a aumentar

Deficits da Previdência continuam a aumentar
O Estado de S. Paulo, 09.08.16

As despesas do Brasil com a Previdência estão muito acima do que seria o esperado a partir da idade da população brasileira, aponta estudo obtido pela reportagem. De uma lista de 86 países, o Brasil está em 13º com maior gasto com aposentadorias e pensões em relação às riquezas do País. Ao mesmo tempo figura na 56ª posição entre os que têm a população mais idosa, com 60 anos ou mais.

Considerada a estrutura demográfica brasileira, o gasto previdenciário deveria se encontrar em torno de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) – a projeção do governo federal é de que as despesas com o pagamento dos benefícios pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alcancem 7,9% do PIB neste ano.

Segundo o estudo feito pela equipe técnica do governo, o atual patamar de gastos do Brasil com Previdência só seria compatível se 25% da população fossem idosos. No entanto, segundo o IBGE, apenas 10,8% dos brasileiros têm 60 anos ou mais. Isso mostra uma distorção dos gastos previdenciários que já comprometem as contas públicas. Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o rombo da Previdência – que fechou em R$ 86 bilhões em 2015 – deve alcançar R$ 180 bilhões em 2017 e, em breve, não caberá no Orçamento Geral da União (OGU).

“São poucos os países que adotam um conjunto de regras tão relaxadas como o Brasil”, diz um dos autores do estudo, Luis Henrique Paiva, do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Segundo o pesquisador, a tendência é que países com mais idosos também sejam aqueles que apresentem maior despesa previdenciária. O Brasil, porém, é um ponto fora da curva, com gastos muito acima do esperado para um país com perfil relativamente jovem. Paiva diz que as aposentadorias precoces e as pensões explicam boa parte dessa situação.

As despesas com o pagamento do INSS deram um salto entre 1995 e 2014, de 4% para 7% do PIB. “Isso garantiu que quase 90% dos idosos tivessem acesso a algum tipo de benefício”, afirma. “Essa é a faceta positiva do aumento de gastos: expandiu a cobertura. Em muitas cidades, os benefícios são uma das principais fontes de renda.”

Atualmente, no Brasil, é possível aposentar por idade ou por tempo de contribuição. Na prática, os trabalhadores mais pobres e com pior inserção no mercado de trabalho se aposentam por idade. A regra diz que é possível se aposentar com 65/60 anos (homens/mulheres) se o trabalhador tiver 15 anos de contribuição. Na aposentadoria por tempo de contribuição, não há fixação de idade mínima, uma concessão que é raridade no mundo

A regra diz que é preciso ter 35/30 anos de contribuição. As idades médias de aposentadoria, neste caso, são de 55/52 anos. Para os pesquisadores, essas regras favorecem trabalhadores com maiores níveis de renda, com uma trajetória de empregos com carteira assinada, mais estável.

Entre 177 países, o Brasil faz parte de um grupo pequeno de 13 nações que oferecem a opção pela aposentadoria por tempo de contribuição. Desses, cinco exigem que o aposentado abandone o mercado de trabalho ou impõem outras restrições ao acúmulo de rendimentos trabalhistas e previdenciários – o que não ocorre no País.

O caso brasileiro destoa até mesmo de países com situação socioeconômica e demográfica semelhante. O Equador é o único país da América Latina a oferecer a aposentadoria por tempo de contribuição, mas trata como um caso excepcional e exige tempo de 40 anos para homens e mulheres para que não haja redução no valor do benefício. Nos países da América Latina, as diferenças nos critérios para a aposentadoria de homens e mulheres são menores do que as existentes no Brasil e a reforma da Previdência deve aproximar as exigências. Cerca de 90% dos países da região impõem alguma restrição para aposentadorias antecipadas.

O patamar da participação das pessoas de 60 anos ou mais na população brasileira que era de apenas 3% no começo do século 20, deverá atingir um terço da população em 2060 de acordo com as projeções do IBGE e da ONU. Hoje, portanto, um em cada dez brasileiros tem 60 anos ou mais de idade. Em 2060, os idosos serão um em cada três brasileiros.

O envelhecimento populacional e a queda da fecundidade farão com que haja um menor número de pessoas em idade ativa para cada idoso. Em 2010, havia 10 pessoas de 15 a 64 anos para sustentar cada idoso de 65 anos ou mais de idade. Em 2060, haverá entre 2,2 e 2,3 pessoas em idade ativa para cada idoso.

Para o pesquisador do Ipea, o governo está diante de um desafio para convencer as pessoas a aceitar regras mais duras para se aposentar. “A Previdência é um pacto de gerações e se dá dentro da casa de cada um”, afirma. “Ou mantemos isso na cabeça ou a próxima geração vai ter que pagar as distorções com mais impostos”, diz. E dá um exemplo pessoal: “Meu pai se aposentou com condições muito mais favoráveis do que as que eu vou ter que seguir para garantir que o meu filho também consiga se aposentar”.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Muitas pesquisas estão erradas

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11 agosto 2016

Petrobras

A empresa estatal de petróleo brasileira Petrobras divulgou hoje os resultados do segundo trimestre de 2016. A análise mostra alguns bons números e outros nem tanto.

O grande destaque positivo da empresa foi a redução do endividamento. E este é uma informação importante, já que a Petrobras tinha na excessiva alavancagem o seu principal problema. Como tentar reverter a situação de crise com financiamentos de mais de 580 bilhões existentes no final de 2015 para um ativo de 900 bilhões? Seis meses depois a dívida onerosa era de 400 bilhões, uma redução de 180 bilhões de reais. Mas esta boa notícia deve ser considerada com ressalvas. A diminuição não foi resultado de operações de troca de dívidas ou de pagamento de financiamentos (somente 40 bilhões dos 180). A empresa contou com um comportamento da taxa de câmbio favorável, já que uma grande parte dos financiamentos foram captados em dólar. Mas o acaso também faz parte de uma gestão.

O fato positivo encontra-se na linha de baixo da demonstração do resultado. Enquanto os analistas esperavam um resultado acima de 2 bilhões de reais, conforme pesquisa realizada pelo jornal Estado de S Paulo, o lucro líquido foi de 900 milhões. É bem verdade que este valor é melhor que o prejuízo do primeiro trimestre e ficou muito próximo do valor do segundo trimestre do ano passado. Mas depois de tantas amortizações, esperava-se que o resultado começasse a expressar a boa diferença entre o preço de compra do petróleo no mercado internacional e o preço cobrado internamente. Além disto, redução de passivo deveria significar melhor resultado financeiro. Isto não ocorreu.

Outro ponto negativo foi a queima do caixa da empresa. No final de 2015 a empresa tinha quase 100 bilhões de caixa e equivalente. Em seis meses a reserva de caixa reduziu em 35 bilhões de reais. Neste ritmo, em menos de um ano o volume de caixa irá zerar. É bem verdade que a empresa continua gerando caixa das operações, como tem feito ao longo dos últimos anos. Este talvez seja o parâmetro mais consistente da empresa. No trimestre gerou-se 22 bilhões de caixa das operações, acima dos 17 do trimestre anterior. Mas comparando os dados do semestre, o valor do caixa das operações foi praticamente o mesmo: 39 bilhões.

Em resumo, a questão do endividamento melhorou na empresa, mas graças a um fator externo. O lucro reduzido pode ser revertido, já que durante os últimos anos a Petrobras tem conseguido gerar caixa das operações. A crise ainda não passou, mas talvez a empresa esteja começando a sair da UTI.

Anna Kendrick e o contador

Tweet bem descontraído da atriz Anna Kendrick anunciando um novo trailer para o filme "O Contador".

- Minha mãe é uma contadora. Eu acredito que esse seja um dia típico de trabalho para ela também. (Anna Kendrick)






Custo do Rio 2016

Um estudo da Oxford University (Flyvbjerg, Bent et al. The Oxford Olympics Study 2016: Cost and Cost Overrun at the Games) mostra que o custo real para se fazer as olimpiadas é de 5,2 bilhões de dólares em média. O custo para os jogos de inverno é de 3,1 bilhões em média. O estudo mostrou que os jogos mais caros foram Londres (15 bilhões, em 2012) e Sochi (21,9 bilhões, em 2014). A série analisada pelos pesquisadores compreende o período entre 1960 a 2016 e abrange somente os custos relacionados ao desporto. Assim, este custo médio é maior na prática. Um segundo aspecto do estudo é a análise do cost overrun. Conforme já comentamos aqui, o conceito de cost overrun refere-se ao incremento do custo em relação ao orçamento. Isto já foi observado na Comperj, Boeing e olimpíadas, entre outras situações. A estimativa dos autores é que em metade dos casos o valor orçado ultrapassou ao dobro do valor original. Em Montreal, por exemplo, o valor gasto foi de 720 por cento acima do valor orçado; em Barcelona foi de 266%. O percentual de cost overrun do Rio foi de 51% (Londres igual a 76%)

Agora atenção:

the Rio 2016 Games, at a cost of USD 4.6 billion, appear to be on track to reverse the high expenditures of London 2012 and Sochi 2014 and deliver a Summer Games at the median cost for such Games. The cost overrun for Rio – at 51 percent in real terms, or USD 1.6 billion – is the same as the median cost overrun for other Games since 1999.

O custo dos jogos do Rio estão estimados em 4,6 bilhões de dólares, bem inferior a Londres (15 bilhões), Pequim (6,8 bilhões), mas superior a Atenas (2,9 bilhões) e Atlanta (4,1). Quando se compara o custo por atleta temos 0,4 para o Rio, 1,4, 0,6 e 0,5 para Londres, Pequim e Sidnei.

Eis uma tabela comparativa:

Custo do aumento do salário mínimo

O custo fiscal da política de valorização do salário mínimo foi de R$ 47,5 bilhões em 2014, segundo estimativa do Tesouro Nacional, tornada pública pela primeira vez. O valor correspondeu a 0,92% do Produto Interno Bruto (PIB). Em termos de comparação, o gasto do governo federal com o programa Bolsa Família naquele ano foi equivalente a 0,47% do PIB.

Fonte: aqui



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O presidente francês (foto) gasta $11 mil dólares por mês para cortar seu cabelo

Seis graus de separação musical

Economia da atenção e o uso da internet

Paradoxo do quant: quanto maior o sucesso menor o ganho

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Nosso café é tão bom que é uma substância banida nos jogos olímpicos de 2016.

10 agosto 2016

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Como são feitas as bolas de tênis?

Vida romântica e a pornografia

A verdadeira ciência da felicidade

Colaboração acadêmica é um nova forma de colonização?

Achou que era palavras-cruzadas, mas era uma obra de arte

Teoria dos Jogos é inútil

Esssa é a opinião de um dos melhores e mais importantes economistas da atualidade: Ariel Rubistein. É muito raro encontrar um acadêmico que tenha uma visão tão realista e crítica da academia e tem a coragem de dizer o que pensa sobre a (in)utilidade de sua pesquisa.

"I have devoted most of my life to economic theory and game theory. I believe that I would like to do some good for humankind and, in particular, for the people in Israel, the country where I was born and where I make my home. I would like to make an impact and redress injustices. Ostensibly, all this should motivate me to utilize my professional knowledge in order to bring some relief to the world. But, the thing is, that is not how I feel. [...]

The heart of game theory is not empirical science. It does not study how people actually behave in strategic situations. It is doubtful whether it is even possible to generalize about the way people will behave in a situation like the Hide and Seek Game. After all, people are diverse. [...]

Game theory is written in a mathematical language. [...] Personally, the nearly magical connection between the symbols and the words in game theory is what captivated me. But there are also disadvantages: The formal language greatly limits the audience that really understands it; the abstraction blurs factors that natural thought takes into account and the formality creates an illusion that the theory is scientific.

Game theory fascinates me. It addresses the roots of human thought in strategic situations. However, the use of concepts from natural language, together with the use of ostensibly “scientific” tools, tempt people to turn to game theory for answers to questions such as: How should a system of justice be built? Should a state maintain a system of nuclear deterrence? Which coalition should be formed in a parliamentary regime? Nearly every book on game theory begins with the sentence: “Game theory is relevant to …” and is followed by an endless list of fields, such as nuclear strategy, financial markets, the world of butterflies and flowers, and intimate situations between men and women. Articles citing game theory as a source for resolving the world’s problems are frequently published in the daily press. But after nearly forty years of engaging in this field, I have yet to find even a single application of game theory in my daily life. [...]

In my view, game theory is a collection of fables and proverbs. Implementing a model from game theory is just as likely as implementing a fable. A good fable enables us to see a situation in life from a new angle and perhaps influence our action or judgment one day. But it would be absurd to say that “The Emperor’s New Clothes” predicts the path of Berlusconi [...]

The search for the practical meaning of game theory derives from the perception that academic teaching and research directly benefit society. This is not my worldview. Research universities, particularly in the fields of the humanities and social sciences, are part of a cultural fabric. Culture is gauged by how interesting and challenging it is, and not by the benefit it brings. I believe that game theory is part of the culture that ponders the way we think. This is an ideal that can be achieved in many ways – literature, art, brain research and yes, game theory too. If someone also finds a practical use for game theory, that would be great. But in my view, universities are supposed to be “God’s little acre,” where society fosters what is interesting, intriguing, aesthetic and intellectually challenging, and not necessarily what is directly beneficial.
Fonte: aqui
 

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Fonte: Aqui

09 agosto 2016

Punição

Usando dados do Cadastro de Expulsões da Administração Federal, Portulhak e Barilli verificaram a punição de contabilistas do setor público federal:

(...)a investigação verificou quais motivos levaram contabilistas à expulsão do serviço público federal brasileiro. Dados secundários foram obtidos por meio do Portal da Transparência do Governo Federal, compreendendo as punições ocorridas entre janeiro de 2003 e fevereiro de 2016, entre os quais foram destacados o fundamento legal que embasou a expulsão, UF e região de lotação, cargo efetivo, eventual cargo ou função de confiança, ano de publicação da portaria de punição, tipo de punição e gênero. Os resultados revelaram que as principais motivações para a expulsão de contabilistas do serviço público federal brasileiro, especialmente por meio de demissões, envolvem práticas de valimento, improbidade administrativa e lesão aos cofres públicos, englobando, principalmente, técnicos em contabilidade, profissionais lotados na região Norte e no Distrito Federal, servidores do sexo masculino e sem cargo ou função de confiança, verificando-se um aumento nas expulsões a partir de 2011. Espera-se que tais resultados subsidiem ações de órgãos representativos a fim de conscientizar os contabilistas presentes no setor público com o intuito de mitigar a ocorrência de atos ilícitos provocados por estes no exercício de sua função.

Leia mais aqui

07 agosto 2016

Links

Previsão de medalhas do Brasil

Toquio-zação das cidades do mundo 


Escritórios abertos e a produtividade

Quanto custa uma postagem de Selena Gomez nas redes sociais

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Fonte: Aqui

Olimpíadas: Futebol feminino

Futebol feminino: 06/08/2016

Fonte: Aqui

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Fonte: Aqui

Manuais de Contabilidade Pública

Segue os links dos principais Manuais de Contabilidade Pública do governo brasileiro:


Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP)


Manual SIAFI

SIAFI Gerencial: Itens e Grupos de Informação Recomendados

Fonte: Tesouro Nacional

Rir é o melhor remédio


06 agosto 2016

Fato da Semana: Olimpíadas


Fato: Olimpíadas do Rio

Data: 5 de agosto de 2016

Precedentes
13/set/07 = Sete cidades postulam sediar os jogos olímpicos de 2016: Chicago, RJ, Doha, Tóquio, Baku, Madri e Praga
02/out/09 = A cidade do Rio de Janeiro é escolhida para sediar os jogos olímpicos de 2016
22/12/2009 = Cria-se o comitê organizador dos jogos

Notícia boa para contabilidade?
Não. As pesquisas avaliando os custos e benefícios de sediar os Jogos Olímpicos parecem indicar que apesar da divulgação gratuita do nome da cidade, os custos são muito maiores. Alguns autores chegam a afirmar que os principais benefícios são em termos da felicidade do país. Estamos precisando. Mesmo assim, em 2007 a euforia e a insensatez dos governantes conduziu ao pleito de sediar os jogos. Apesar da promessa de não colocar recursos públicos nos jogos, o governo (federal, estadual e municipal) tiveram que investir muito. Onde estavam/estão os estudiosos da contabilidade pública?

Desdobramentos - Nossos órgãos de controle reagem muito lentamente aos fatos que ocorrem na área pública. Em alguns meses começaram a surgir os primeiros relatórios com as falhas na gestão dos recursos públicos. Muitos anos depois teremos uma conclusão da investigação.

Mas a semana só teve isto? A divulgação do balanço da Sete Brasil, analisado em detalhe pelo blog, foi um fato relevante.

Links Olímpicos

As razões para a escolha de Vanderlei Cordeiro para acender a tocha olímpica

Mitos da olimpíadas (incluindo a invenção da tocha olímpica pelos nazistas)

A experiência da cerimônia nas fotos dos atletas

Os melhores momentos da abertura dos jogos

Taufatofua, do Tonga, é um dos destaques da abertura  (e do Irã também)

A ordem do desfile

Cerimônia e o orgulho de ser brasileiro

Comentários no Twitter sobre a abertura

O longo discurso de Temer

Nadal e Phelps na abertura

Análise da abertura (criatividade, ambiente e empatia)

O uniforme improvisado da Palestina e o entusiasmo de Kiribati 

El País: un éxito para Brasil 

Rir é o melhor remédio






Telefone de laringe, surf motorizado, espingarda torta, para fumar mais de um cigarro, pneu iluminado e sauna portátil. Mais aqui

Desmistificando o resultado fiscal de 2016

Há ainda uma certa confusão por parte de alguns analistas sobre o resultado primário do governo central projetado para este ano: um déficit primário de até R$ 170,5 bilhões (2,7% do PIB). Para muitos, este valor assusta porque, em 2015, o governo central teve que pagar R$ 70,45 bilhões (1,2% do PIB) do déficit primário de R$ 114 bilhões (1,9% do PIB), referente a subsídios e dívida acumulada do Tesouro Nacional junto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS): as pedaladas fiscais.


Assim, a expectativa de muitos era que o déficit primário do governo central este ano fosse menor ou igual ao do ano passado. Por que isso não acontecerá? Por que o déficit primário projetado para 2016 será superior ao de 2015, apesar da quitação das pedaladas fiscais no ano passado?


Primeiro, nem toda a conta de subsídios paga no ano passado e transferências do Tesouro ao FGTS desaparecerá. Muito dos empréstimos de bancos públicos que deram origem aos subsídios foram concedidos por um prazo longo e, assim, essa conta continuará elevada até o vencimento desses contratos. Desafio é resolver o problema estrutural do aumento de gastos e aprovar PEC do teto e a reforma da previdência Em 2016, o pagamento de subsídios (R$ 30,3 bilhões) somado às transferências do Tesouro ao FGTS (R$ 5,3 bilhões) será de R$ 35,6 bilhões, praticamente a metade do valor pago no ano passado. Apesar da forte redução dessas duas despesas, ela será muito inferior à queda de R$ 55 bilhões esperada por vários analistas.


Segundo, parte da economia acima será perdida porque, em 2015, o governo anterior mudou o cronograma de pagamento do abono salarial. Em geral, o abono salarial era pago de julho a outubro do mesmo ano. No ano passado, esse prazo foi ampliado de julho para março do ano subsequente. O efeito prático desta mudança foi a transferência de uma conta extra de abono salarial de quase R$ 10 bilhões para o orçamento deste ano.


Terceiro, a inflação de 10,7% (IPCA) do ano passado terá um forte efeito no crescimento das despesas obrigatórias de 2016. Diversas despesas sociais como abono salarial, seguro desemprego, benefício mensal de prestação continuada (BPC/Loas) e os benefícios pagos pelo INSS são todos indexados à inflação.


Assim, inflação alta de dois dígitos se transforma, automaticamente, em forte aumento da despesa primária do ano seguinte. Neste ano, a despesa do INSS e do BPC/Loas crescerão juntas R$ 78 bilhões.


Quarto, a administração atual, corretamente, resolveu pagar várias despesas atrasadas herdadas do governo anterior. Essas despesas extras incluem R$ 2,6 bilhões de tarifas bancárias, R$ 9 bilhões com despesas de investimento já executados e não pagos, e uma despesa não planejada de R$ 2,9 bilhões para garantir a segurança das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Essas contas extras somam R$ 14,2 bilhões.


Adicionalmente, a despesa com pessoal ativo e inativo do governo federal mais as transferências ao Fundo Constitucional do DF para pagamento de salários crescerão este ano R$ 15,5 bilhões, crescimento nominal de 6,3%, inferior à inflação esperada para 2016 e próximo à média dos anos anteriores.


A soma de todas as despesas detalhadas acima - redução de R$ 35 bilhões com a quitação das pedaladas fiscais, crescimento de R$ 10 bilhões da despesa com abono salarial, crescimento de R$ 78 bilhões com INSS+BPC/Loas, crescimento de R$ 14 bilhões com pagamento de despesas atrasadas mais socorro ao Rio de Janeiro, e crescimento de R$ 15,5 bilhões da folha salarial (inclusive transferências ao DF) - apontam para um crescimento da despesa primária do governo central de R$ 82 bilhões, crescimento nominal de 7%, ou crescimento real "zero", ante 2015.


Do lado da receita, mais um ano de queda do PIB levará a uma expansão nominal projetada da receita líquida do governo central de apenas R$ 26 bilhões (queda real próxima a 5%). Assim, o crescimento da despesa primária (R$ 82 bilhões) acima do crescimento nominal da receita (R$ 26 bilhões) levará a um crescimento do déficit primário de R$ 56 bilhões, ou seja, o déficit primário do governo central passará de R$ 114 bilhões (1,95% do PIB), em 2015, para o valor projetado de até R$ 170 bilhões (2,7% do PIB) este ano.


Em resumo, a despesa não financeira do governo central crescerá em 2016, principalmente para pagar contas atrasadas, subsídios de políticas de estímulos do governo anterior e o efeito da inflação de dois dígitos nas despesas obrigatórias (previdência e assistência social). A receita administrada ainda sofre os efeitos da queda no PIB na arrecadação e o crescimento do desemprego afeta fortemente a massa salarial e, logo, a receita da previdência. Nada disso resultou de ações da administração atual.

A combinação de erros sucessivos de política econômica do governo anterior se somaram ao já conhecido problema estrutural do crescimento da despesa pública para explicar o grave desequilíbrio fiscal atual. O desafio é mudar essa realidade de forma permanente por meio da aprovação da Proposta de Emenda Constitucional do teto para o crescimento do gasto público do governo central em conjunto com a aprovação da reforma da previdência.

Fonte: Desmistificando o resultado fiscal de 2016- Mansueto Almeida –Valor Econômico – 02/08/2016