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06 março 2016

Listas: As melhores empresas aéreas

As melhores empresas aéreas:

Qatar Airways – Catar
KLM-Royal Dutch Airlines – Holanda
Air Baltic Corporation – Letônia
Air France – França
Lufthansa German Airlines – Alemanha
Air Canada – Canadá
Emirates – Emirados Árabes Unidos
Croatia Airlines – Croacia: 7.9
British Airways – Grã-Bretanha
Finnair – Finlândia

Fonte: Aqui







05 março 2016

Fato da semana

Fato: Corrupção

Data: 3 de março de 2016

Fonte: Isto É, Estado de S Paulo, The Accounting Review

Precedentes

Março - O periódico científico The Accounting Review divulga um estudo sobre corrupção. O resumo do estudo é: o crime não compensa.
03/mar/16 - O Estado de S Paulo divulga um estudo da PwC sobre a redução nas fraudes nas empresas brasileiras.
03/mar/16 - A revista Isto É divulga trechos da delação premiada do senador Delcídio. O senador revela podres do poder, incluindo o esquema que desviou bilhões da empresa Petrobras.
04/mar/16 - A Polícia Federal traz o ex-presidente da república para um depoimento. Partidários e opositores se enfrentam (inclusive fisicamente). A bolsa de valores sobe e o dólar cai.

Notícia boa para contabilidade?
A redução das fraudes e a pesquisa que indica que a corrupção não vale a pena são boas notícias. A investigação da relação entre empresas e governo com desvio de dinheiro público é importante para o contribuinte. Independente do partido do leitor.

Desdobramentos

Não somos inocentes em acreditar que a corrupção e fraude irão acabar. Mas podemos ter nos próximos anos pesquisas acadêmicas sobre este tema. Inclusive na área contábil.

Queda na fraude

As fraudes nas empresas brasileiras despencaram nos últimos 24 meses. A fatia de companhias que se declararam vítimas de crimes econômicos caiu para menos da metade: era de 27% em 2014 e recuou para 12% em 2016, aponta a 8ª edição da pesquisa bianual sobre crimes econômicos da consultoria PwC.

(...) Segundo a pesquisa, a parcela de empresas afetadas por crimes econômicos no Brasil é uma das mais baixas entre os 115 países pesquisados e representa apenas um terço da média global obtida em 2016 (36%). Também está muito abaixo da média dos Brics, grupo de países formado por África do Sul, Brasil, China, Índia e Rússia (39%). A ocorrência de fraudes nas empresas brasileiras seguiu a tendência global de queda, porém de forma abrupta. A média das empresas que se declararam vítimas de crimes econômicos no mundo caiu, de 2014 para 2016, apenas um ponto porcentual. Na América Latina, a redução foi de sete pontos porcentuais e, no País, de 15.

(...) O estudo aponta três motivos para o recuo. O primeiro é o maior investimento das companhias em controles de prevenção de fraudes, especialmente depois da entrada em vigor da Lei Anticorrupção, em janeiro de 2014. (...) A segunda razão seria a insuficiência de controles para detectá-los. “É possível que a detecção tenha piorado, pois o crime se sofisticou”, diz Whitehead.(...) Por último, a onda de escândalos econômicos que afeta o País pode ter inibido temporariamente a ação dos fraudadores. (...)

“No Brasil, há um grande problema de valor”, afirma o sócio da PwC, Leonardo Lopes. Ele explica que as cifras são maiores aqui comparadas à média global, pois estão relacionadas com o perfil do fraudador. No Brasil, 87% dos fraudadores ocupam cargos de alta e média gerência, ante 51% da média global. (...)

Fonte: Estado de S Paulo

Ser corruptor vale a pena?

Um dos lados de um esquema de corrupção é saber se o corruptor realmente obtém benefício com o ato. Tudo leva a crer que a resposta seria positiva: afinal, o corruptor paga para obter uma vantagem sobre seus concorrentes. Se numa disputa por uma obra pública ou para ser o fornecedor preferencial de uma empresa, o corruptor efetua pagamentos para quem toma a decisão, os benefícios que consegue obter posteriormente devem compensar seu ato. Talvez seja por isto que muitos corruptores arriscam sua reputação e uma punição futura: o benefício compensa o custo.

Uma pesquisa publicada no último número da Accounting Review (vide aqui também) parece sugerir que a corrupção não traz tantos benefícios assim. O artigo ”An Analysis of Firms' Self-Reported Anticorruption Efforts”, de Paul M. Healy e George Serafeim utilizou dados da Transparência Internacional e comparou o desempenho das empresas que se esforçam para combater a corrupção e aquelas que não o fazem. Os autores descobriram que as empresas mais propensas a atos ilícitos de corrupção geralmente conseguem obter maiores vendas nos mercados altamente corruptos. Aparentemente isto seria um claro benefício da corrupção, como já era de esperar. Entretanto, quando Healy e Serafeim analisaram o desempenho global encontraram nenhuma diferença na rentabilidade.

Aparentemente o ganho advindo com a corrupção com os preços maiores e o ganho de escala não cobre os custos da corrupção.

É importante salientar, obviamente, que isto não significa que o “o crime não compensa”. Como toda pesquisa científica é necessário ter cuidado para não extrapolar as conclusões. Somente com mais evidências podemos realmente concluir que uma empresa corruptora não tem muito a ganhar com esta atitude.

03 março 2016

Links

Na educação infantil, o triunfo da escola sem wi-fi (inclusive no Silicon Valley)

Descoberto o gene dos cabelos brancos

Três coisas a fazer agora com o novo padrão de Leasing (Fasb)

Dicionário do Arquitetês (desenho de Ruas)

Rir é o melhor remédio

Fotografias feitas sob encomenda

Carreira pública ou privada? Uma análise com opções reais

Resumo:

A escolha da carreira é uma decisão importante e em geral é feita em um ambiente repleto de incertezas por pessoas relativamente jovens e inexperientes. Neste estudo, buscou-se analisar a decisão de escolha entre uma carreira em uma empresa privada e outra em um órgão público, considerando que existe flexibilidade para migrar do setor privado para o público por meio de concurso. Para tanto, utilizou-se a metodologia das opções reais para modelar essa opção
de troca, assumindo-se que os ganhos futuros no setor privado são incertos. Os resultados sugerem que a opção de ingressar na carreira pública pode ter valor significativo em relação à privada.

Palavras-chave: escolha de carreira, concurso público, opções reais, árvore binomial.

Alguns trechos do artigo:

[...]
Os resultados indicam um valor significativo da opção de ingressar na carreira pública em relação à carreira privada, o que aumenta a atratividade da carreira privada devido à possibilidade de troca futura para a carreira pública. Sendo assim, do ponto de vista do graduado é mais interessante ingressar primeiramente na carreira privada. Caso não se alcance o salário almejado, haveria a possibilidade de exercer a opção de abandono e iniciar a carreira pública

[...]

Essa maior atratividade do setor privado sugere ao setor público uma reformulação dos salários e benefícios pagos, nas carreiras estudadas, visando aumentar sua atratividade e assim captar os melhores profissionais. Caso contrário, o setor privado tenderá a reter os profissionais mais capacitados.


Fonte: aqui

Volume: 50 - Número: 2 - Data: abril / maio / junho 2015
Título: Decisão de escolha de carreira no Brasil: uma abordagem por opções reais
Autor: Matheus Silveira Catauli dos Santos, Luiz Eduardo Teixeira Brandão e Vinicius Mothé Maia

02 março 2016

Nome de Santo

Lugares da Europa com nome de Santo. Norte de Portugal e parte da Espanha são locais com homenagens religiosas. Escandinávia praticamente não possui locais (ou pontos no mapa).Fonte: Aqui via Marginal Revolution

Devolução ao erário


A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) negou Mandado de Segurança (MS 29599) impetrado pela Construtora Andrade Gutierrez S.A. com o objetivo de anular ato do Tribunal de Contas da União, o qual condenou a construtora a devolver valores ao erário em razão de superfaturamento de preços. A prática teria sido constatada em aditamentos contratuais celebrados com o Departamento de Estradas e Rodagem de Mato Grosso (DER/MT) para a realização de obras na Rodovia BR 163/MT, que liga o norte do Estado do Mato Grosso à divisa com o Estado do Pará.
A empresa alegava ter participado de regular processo licitatório, tendo cumprido todas as especificações do edital, inclusive com relação ao preço dos serviços a serem executados. Afirmou não haver nenhuma ilegalidade em sua conduta e que o TCU não possui competência constitucional para promover alteração retroativa e unilateral dos preços, modificando cláusulas econômico-financeiras do contrato.

Em maio de 2013, quando o julgamento do MS teve início, o ministro Dias Toffoli (relator) votou no sentido de negar o pedido, cassando a liminar concedida por ele em dezembro de 2010 e julgando prejudicado o agravo regimental interposto pela União. À época, o ministro explicou que, ao contrário do que afirma a construtora, ela não foi condenada a restituir os valores recebidos em razão da execução do contrato, mas a restituição aos cofres públicos da diferença dos valores em que se identificou o sobrepreço na forma calculada pelo TCU.

“Legítima, portanto, entendo eu, a condenação da impetrante ao ressarcimento do dano causado ao erário, bem como a sua consequente inscrição no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), no caso de inadimplemento”, disse o relator. Naquela mesma ocasião, o ministro Luiz Fux seguiu o relator, e o ministro Marco Aurélio abriu divergência, votando pela concessão do pedido. Na sessão de hoje (1º), a ministra Rosa Weber apresentou voto-vista no sentido de negar o mandado de segurança, tal como o relator. Do mesmo modo votou o ministro Luís Roberto Barroso.


Fonte: Aqui

Rir é o melhor remédio

Moiserable Men é um endereço do Instagram com fotografias de homens esperando em lojas. Eis uma amostra:

01 março 2016

CVM Condena Directa

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) julgou e condenou a Directa Auditores e seu sócio Antonio Carlos Bonini Santos Pinto. O julgamento decorreu da auditoria realizada na Mundial S;A em 2010 (e só agora foi julgado) relacionado ao "reconhecimento de provisão para perdas relativas a crédito a receber da sociedade coligada Hercules S.A."

O parecer da Directa foi sem ressalva.

Risco e exposição à violência

Três pesquisadores da Universidad EAFIT investigaram se a exposição à violência afeta a preferência ao risco financeiro. Os autores procuraram saber se as pessoas que crescem em áreas violentas da Colômbia são afetadas pelo risco. A Colômbia é uma boa escolha para a pesquisa já que é um país marcado pela violência. O resultado é que as pessoas que cresceram em áreas violentas são mais aversão ao risco.

A History Of Violence: The Impact Of Early Violence Exposure On Financial Risk Preferences. Por James Byder; Diego Agudelo e Mateo Uribe Castro (via aqui)

Arsenal

Uma interessante análise dos números do Arsenal, clube de futebol inglês, pode ser encontrado aqui. O texto destaca (1) a excelente liquidez, com 228 milhões de libras (versus 156 do Manchester United e a melhor posição da Premier League. Vide gráfico abaixo); (2) o fato de ter uma dívida reduzida (232 milhões para caixa de 228 milhões; o United tem uma dívida de 444 milhões); e (3) a elevada receita do dia do jogo (Match Day), a maior entre os grandes clubes europeus.

Apesar de estar prestes a ser eliminado da Champions, o Arsenal é o campeão em termos financeiros.

Rir é o melhor remédio

Fonte: Aqui

29 fevereiro 2016

Links

Neurociência como profissão

Ganhou uma camisa autografada do Messi depois de aparecer na fotografia com um saco plástico pintado pelo irmão

Deficit das universidades federais supera 400 milhões

Citibank é investigado na corrupção da Fifa

Missão

Lucy Kellaway (Meu Trabalho não é mudar o mundo, e nem é o seu, Valor Econômico, 29/2/2016, para assinantes) discorre sobre as grandes missões de uma empresa. Entre o exemplos, uma empresa de contabilidade:

Ainda assim, a companhia que mais vem perseguindo um propósito maior é a KPMG. Ela pagou uma agência de propaganda para criar cartazes que perguntam: "O que você faz na KPMG?", juntamente com respostas que incluem "Nós lutamos pela democracia" e "Eu combato o terrorismo". A única resposta que ninguém parece ter dado é "Eu examino a contabilidade de empresas e sistemas de controle financeiro". 

(Foto: Aqui)

Adiamento

A Gerdau adiou a divulgação do balanço de 2015 para 15 de março, antes previsto para amanhã, dia 1º. "A postergação é importante para que a companhia analise os autos que envolveram a Gerdau, na recente fase da Operação Zelotes", afirma o vice-presidente executivo e Diretor de Relações com Investidores, Harley Lorentz Scardoelli, em fato relevante divulga há instantes.

Fonte: Estadão

Falência

Este artigo realiza uma revisão abrangente dos principais estudos publicados no Brasil e no mundo abordando os indicadores financeiros, amostra, métodos e eficiência preditiva dos modelos de previsão de falências a partir de 1930 até 2015. O levantamento selecionou, no total, 227 artigos sobre a temática, sendo 48 artigos nacionais e 179 internacionais. Após a seleção, esses trabalhos foram agrupados em cinco fases de acordo com suas características metodológicas e de escolha de indicadores financeiros. Dessa forma, este trabalho contribui com a organização dos principais modelos e indicadores de previsão de falências utilizados na literatura desde 1930. Sugere-se, para pesquisas futuras, que os autores foquem na utilização de modelos já existentes, e não no desenvolvimento de novos modelos, bem como na utilização de mais indicadores não contábeis aos seus modelos.

Para ler o artigo, clique aqui. Muito bom levantamento bibliográfico. Além disto, o estudo faz um levantamento dos índices mais usados; o detestável lucro líquido sobre ativo foi o mais usado.

Dívida pública continua subindo

Com o descontrole das contas públicas, o governo Dilma provocou uma explosão da dívida. Um dos indicadores usados para medir a saúde fiscal de um país, o endividamento bruto escalou desde o início do primeiro mandato e chegou a 66,2% do PIB no final do ano passado. Em dezembro de 2010, antes de Dilma, a taxa estava em 51,8%, alta de 14,4 pontos percentuais no período.

Apenas em 2015, a dívida bruta subiu 9 pontos. Com o agravante de que o Brasil paga uma das maiores taxas de juros do planeta. A conta paga pelos contribuintes ficou mais salgada. No ano, os juros nominais acumularam R$ 501,8 bi.




Fonte aqui


Em poucos meses a dívida vai bater em 80% em relação ao PIB.

Rir é o melhor remédio


28 fevereiro 2016

Fraude na fusão JBS e Bertin

A operação que uniu os dois maiores frigoríficos do País, o Bertin e o JBS, dono da marca Friboi, está sendo questionada pela Receita Federal. Para o Fisco, a estrutura societária do negócio, que ajudou a criar a maior empresa de proteína animal do mundo, em 2009, foi “fraudulenta”.

O caso está destrinchado em um procedimento fiscal feito em uma das empresas do grupo Bertin, que foi autuado em 3 bilhões de reais, em impostos e multas.

Apesar de a Receita se preocupar em cobrar tributos, ela aponta outras irregularidades. Houve a transferência, a “preço vil”, de participações para um investidor desconhecido. Os acionistas minoritários também foram prejudicados.

Fundo. As irregularidades, avalia a Receita, foram possíveis graças a uma estratégia particular. Apesar de sempre se falar em fusão, o JBS comprou o Bertin, diz a Receita. A aquisição ocorreu com uma troca de ações, sendo que os Bertin entregaram as suas para a holding da JBS – mas de maneira indireta. No negócio, o Bertin foi representado por um fundo de investimento, o FIP Bertin.

Ao ser criado, o patrimônio do fundo tinha ações do Bertin e era controlado pela família Bertin, que detinha 100\% das cotas. O Fisco apurou que, cinco dias antes do negócio, um novo cotista entrou no fundo: a Blessed, empresa de Delaware, um paraíso fiscal nos Estados Unidos, cujos sócios estão em Porto Rico e nas Ilhas Caymann.

A Blessed ficou com 67\% das cotas, que valiam cerca de 3 bilhões de reais, por 10 mil dólares. Ou seja: na largada, os Bertin aceitaram ser minoritários em seu próprio fundo por uma “bagatela”, diz o Fisco. Menos de um ano depois, houve nova cessão de cotas, por 17 mil reais. A Blessed hoje tem 86\% do fundo, e ainda faz parte do grupo JBS com o nome de Pinheiros.

O gestor até 2012 era o Citibank, que por ter participado “bovinamente” das operações, diz o Fisco, é solidário na multa. O Citi entrou na Justiça para tentar reverter as transferências das cotas e aliená-las, no caso de ter de assumir a multa. Procurado, não se manifestou.

Berkshire Hathaway

A Berkshire Hathaway informou o retorno anual desde 1965:

A empresa de investimento do bilionário Buffett teve um retorno médio de 20% ao ano. O ano passado não foi muito bom para a empresa: -12,5% contra quase 1% da SP500

GAAP e Pro forma

Estes é um daqueles gráficos (via aqui) que dizem muito. De cor escura, o lucro por ação segundo as normas de contabilidade geralmente aceitas. Em 2015 temos uma redução no LPA em relação dos dois anos anteriores. Da cor mais clara, o lucro por ação segundo a informação considerada pela gestão como mais adequada, que recebe o nome de pro forma.

História da Contabilidade: O papel da contabilidade pública segundo o Ministro da Fazenda

A história da contabilidade pública no Brasil é bastante rica e merece, por si só, um longo debate. De certa forma podemos dizer que a contabilidade pública é o reflexo da forma como os políticos e o povo enxerga o bem público. Se existe um zelo pelo bem público certamente a contabilidade pública será valorizada e respeitada. Isto é válido para a história como um todo, conforme demonstra Jacob Soll no livro The Reckoning (1).

Depois de várias postagens históricas sobre este assunto podemos concluir que a contabilidade pública no Brasil adotou, tardiamente, o método das partidas dobradas de maneira corriqueira e sistemática somente no século XX (2). Isto é espantoso e demonstra que de uma maneira geral a contabilidade pública reflete a falta de zelo com o bem público no nosso país.

Nas pesquisas realizadas tenho encontrado muitas normatizações. Mas a sensação geral é que existiu, na história brasileira, um grande descasamento entre a lei e a prática contábil na área pública. O exemplo mais claro disto foi citado anteriormente: a adoção das partidas dobradas. Embora a maioria das citações insiste em destacar a norma de 1808, com a chegada da família real no Brasil, que obrigava a adoção das partidas dobradas, no início do século XX isto ainda não era uma realidade. Isto enfatiza a necessidade de estudarmos a contabilidade pública não sob a ótica das normas, mas da prática existente.

Como consequência, tenho sido cético nas minhas pesquisas quando encontrou uma norma ou um discurso sobre este assunto. Minha preferência tem sido na contabilidade das entidades privadas, justamente aquelas onde a documentação é menor.

Mas tive a grata surpresa de encontrar um discurso, proferido pelo Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da Fazenda e publicado no O Brasil (3). Depois de expor a mazelas da situação contábil da administração, o ministro afirma:
A contabilidade é indispensável para as finanças públicas. Simples e tão atual.

(1) Voltaremos a falar sobre esta obra num futuro breve.
(2) Já mostramos como isto ocorre em postagens anteriores.
(3) O Brasil, 17 de janeiro de 1859, vol. Xii, n. 1563, p. 2. Provavelmente trata-se de Joaquim José Rodrigues Torres ou Visconde de Itaboraí. É interessante notar que Torres formou-se em matemática em Portugal; naquela época, a relação entre contabilidade e a matemática era muito próxima.

Rir é o melhor remédio


27 fevereiro 2016

Fato da semana

Fato da Semana: Prejuízo da Vale

Data: 25 de Fevereiro de 2016

Fonte: Vale

Precedentes:
1997 - A empresa Vale do Rio Doce é privatizada durante o governo do FHC. Nos anos seguintes a empresa teve uma forte expansão, adquirindo empresas e conquistando mercados.
2002 a 2013 - A Vale cresce, adquirindo empresas, como Inco, e conquistando mercados.
2015 - A redução da atividade econômica na China ajuda a derrubar o preço do minério. Ao mesmo tempo, uma subsidiária da empresa é responsável pelo maior desastre ambiental do Brasil.

Notícia boa para contabilidade? Apesar do elevado prejuízo, nós somos otimistas. A empresa divulgou um resultado que reflete sua realidade (ao contrário do controverso resultado da Petrobrás do ano passado). A contabilidade fez a sua parte em mostrar o que estava ocorrendo na empresa. Outro aspecto é que a empresa ainda é viável.

Desdobramentos - A situação ainda será difícil para a empresa em 2016. A empresa poderá desfazer de alguns negócios para enfrentar os desafios futuros.



Capitalização da Petrobrás seria a solução

Jorge Simino escreve um texto para o Valor onde defende a capitalização em dinheiro da Petrobrás:

Os argumentos a favor são óbvios: tira a empresa de uma situação absolutamente sufocante; reduz a percepção de risco da empresa (o CDS de dez anos da Petrobrás é negociado a quase 1.100 pontos-base); deve reduzir também a percepção de risco país, dado que o Tesouro Nacional tem (direta ou indiretamente) 60% do capital votante da empresa; permite que a empresa não pressione seus fornecedores além do limite razoável ...

(Cartoon: Korean Times)

Dívida entre emergentes

A tabela, publicado no Valor Econômico, mostra a evolução da dívida bruta de cinco países em relação ao tamanho da economia. A exceção da Índia, todos demais apresentaram um índice de endividamento abaixo de 50%. E a Índia já fez o ajuste, o que não ocorreu com o Brasil.

Links

Diferença de salário em Hollywood prejudica as mulheres

O risco de conectar em redes abertas sem proteção

Produtos que não deram certo (vídeo em português)

Robôs agregam funções ao WhatsApp

Está difícil ler os balanços dos bancos (para assinantes) 

CBF terá que evidenciar suas contas

Chances de ser um milionário nos EUA depende da raça

Aplicativos de paquera

Uma consequência interessante do uso maior de aplicativos de paquera é

É possível que os aplicativos de paquera fortaleçam a tendência ao “acasalamento dirigido”, em que as pessoas optam por ter relacionamentos amorosos com indivíduos de renda e qualificação similares às suas. Estima-se que a tendência seja responsável por cerca de 18% do aumento na desigualdade de renda observado nos EUA entre 1960 e 2005. Estudo recente realizado na Coreia do Sul mostra que a paquera algorítmica estimula a formação de casais com mesmo nível de escolaridade.


(Cartoon: aqui)

Desemprego

Como temos feito regularmente, este blog acompanha os dados de desemprego formal do TEM (Ministério do Trabalho e Emprego), mais especificamente de Contadores e Auditores (Classificação do Código Brasileiro de Ocupação). Desde janeiro de 2016 o número de desligados supera o número de admitidos. Isto significa um aumento nos desempregados do setor. Se em dezembro a redução dos postos de trabalho foi de 1.016, um recorde negativo no setor, em janeiro isto diminuiu substancialmente: o número de admitidos foi somente 44 postos menor que o número de demitidos. O gráfico mostra a evolução no quadro de emprego do setor:

Boa notícia? Infelizmente não. Janeiro é um mês tipicamente de contratação. Nos anos anteriores o número deste mês era sempre positivo, conforme o gráfico a seguir. No ano passado, por exemplo, o único mês positivo em termos de mercado de trabalho foi exatamente janeiro.

O gráfico a seguir é mais alarmante. Mostra a evolução acumulada do emprego/desemprego de contadores e auditores. Iniciando em 2014, o número tornou-se negativo em abril de 2014 e não para de cair. São quase sete mil vagas no setor que foram reduzidas.

Rir é o melhor remédio

Serão estes os 43 gifs mais engraçados de todos os tempos?

26 fevereiro 2016

Casino

O grupo francês Casino, que atua no Brasil no mercado de varejo, descobriu que funcionários desviavam mercadorias dos centros de distribuição. A estimativa é um prejuízo de R$177 milhões. A figura a seguir mostra que o desvio tinha como consequência uma estimativa a maior da receita. Além disto, a mercadoria com defeito era revendida, a um preço menor.

Privatização nos estados

Segundo informação do Valor Econômico (Estados poderão ter ganho imediato com venda de estatais para União, Leandra Peres e Assis Moreira, 25 de fevereiro de 2016), a União está estudando uma proposta de privatização das empresas dos estados. O processo ocorrerá da seguinte forma:
Na primeira etapa, o Estado repassa para União o controle ou a participação acionária na empresa. O valor é estimado na avaliação do mercado. Este valor será usado para abater a dívida do Estado com a União. Após a venda das ações, o valor a maior ou a menor é acertado na diferença.

Alguns aspectos relevantes desta operação precisam ser levados em consideração. Uma hipótese básica do modelo em estudo é que a União teria condições de fazer a privatização de maneira mais rápida e eficiente. Em outras palavras, o governo federal teria maior possibilidade de fazer a privatização. Obviamente que as considerações políticas sobre o tema ficam sob a responsabilidade do governo federal.

Sobre a operação de privatização é importante considerar o valor do dinheiro no tempo. Como provavelmente as fases não ocorreram simultaneamente, o processo deverá prever a “atualização” da avaliação. Por exemplo, admita que um Estado repasse a empresa ABC por $1 milhão; dez meses depois é feita a privatização, num valor de R$1,1 milhão. Em razão do valor do dinheiro no tempo, é necessário trazer o valor de R$1 milhão para a data da venda efetiva (ou do pagamento).

Como os momentos de tempo são distintos, o governador que fizer a transferência poderá ter fortes incentivos para tomar a decisão de passar a empresa para a União ou não. Se estiver em término de mandato e concorrendo a reeleição, esta decisão poderá tirar mais votos; é um fator importante para não tomar a decisão. Isto é um fato que o governo deve considerar: aumentar os incentivos políticos para uma decisão positiva.

Finalmente, ao assumir a empresa a União tem um compromisso de efetuar a venda. E se isto não ocorrer? O ônus aqui será do governo federal, que deverá explicar qual a razão de ter feito uma promessa de privatização e não ter levado adiante.

Em linhas gerais: aparentemente o plano proposto pelo Tesouro tem mais contras que prós.

Concentração de Informação

O Valor Econômico de hoje traz 264 páginas. A grande maioria de demonstrações contábeis. Obviamente que a grande concentração de informação produz mudança na forma como o usuário recebe a demonstração. Existe um ramo de estudo especialmente dedicado a isto denominado Economia da Atenção (por sinal, muito importante nos dias de hoje, em razão do grande número de informações/dados/imagens que recebemos). Recentemente Almeida e Silva divulgaram uma pesquisa sobre o tema na contabilidade:

A amostra é composta pela coleta diária no período de 10 anos (2003-2012) das ITR’s, IAN’s e DFP’s das empresas brasileiras e ITR’s e DFP’s das empresas chilenas no decênio. Após essa robusta coleta, foram coletadas as séries temporais dos índices pontos e volumes da Bolsa de Valores de São Paulo (Brasil) e da Bolsa de Comércio de Santiago (Chile) no decênio considerado. Para analisar os dados utilizou-se a estatística descritiva, o teste de Levene e o teste de médias. Os achados da pesquisa revelam que há uma concentração da evidenciação contábil, em determinadas datas, tanto no Brasil quanto no Chile. Os resultados evidenciam também que a concentração da evidenciação contábil brasileira tende a não impactar o retorno, o volume de negociação e a volatilidade do mercado do Brasil. No entanto, quando se analisa o impacto da concentração da evidenciação contábil no Chile, nos dias de grande divulgação, constata-se que este fenômeno tende a impactar a volatilidade desse mercado.

Rir é o melhor remédio

Publicado no Estado de 25 fev 2016

25 fevereiro 2016

Pior prejuízo da história

Notícia do Estadão

O prejuízo da Vale em 2015, de R$ 44,2 bilhões, é o maior prejuízo já registrado por uma empresa de capital aberto desde 1986, segundo levantamento da consultoria Economatica, que só tem dados a partir daquele ano. Os dados foram ajustados pela inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até dezembro de 2015.

Reação do Mercado

O mercado reagiu a duas importantes notícias de duas grandes empresas brasileiras. A Gerdau está sendo investigada pela Polícia Federal por sonegação de impostos (primeiro gráfico) e a Vale anunciou um prejuízo elevado (segundo gráfico). O resultado foi uma queda, segundo Valor Data, de -5,31% e -4,53%

Prejuízo de 12 bilhões na Vale

A Vale acaba de divulgar seu resultado de 2015. Destaque para o prejuízo de 12,1 bilhões, sendo que 7,5 bilhões são originários de variações monetárias e cambiais, 8,9 bilhões de impairment. Como o lucro bruto caiu de 12,5 bilhões, em 2014, para 5,1 bilhões, em 2015, os efeitos das variações e do impairment foram decisivos para o prejuízo da empresa. O resultado só não foi pior em razão do crédito do imposto diferido, de 5,5 bilhões.

Em 2014 a receita da empresa foi de 38,2 bilhões; no ano de 2015 uma queda 32%, em especial a venda de minérios de ferro, o principal negócio da empresa. A empresa vendeu menos para China (3,5 bilhões) e no mercado interno (2,2 bilhões). Mas a principal explicação da redução da receita foi o recuo no preço do minério: queda de 41% no preço de referência.

Apesar do prejuízo, o fluxo das atividades operacionais foi positivo: 4,5 bilhões (versus 13 bilhões em 2014). A diferença entre o prejuízo e o FCO é explicada pelo fato de que os efeitos do impairment não entram no FCO.

P.S. (valores em US$)