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Mostrando postagens com marcador desempenho. Mostrar todas as postagens
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26 agosto 2020

Executivo que afundou a empresa ganha bônus de desempenho


A lei dos Estados Unidos restringe o pagamento de bônus para os executivos de empresas que declararam falência. O que está ocorrendo agora? Um pouco antes de decretar a falência, a empresa efetua uma boa remuneração para estes executivos, alegando que isto é importante para "reter" um bom executivo. O mesmo que não impediu o problema da empresa. Parece sem sentido, e é mesmo. Na verdade é malandragem. Eis um texto sobre o assunto do Financial Times (Companhias pagam bônus antes de falência, Valor, 24 de agosto, Joe Rennison e James Khan):

Empresas em todos os Estados Unidos têm dado bônus de “retenção” multimilionários a altos executivos pouco antes de declararem falência, o que enfurece credores, que classificam esses pagamentos de recompensa por fracassos.

A prática se tornou comum entre empresas em dificuldades e levadas ao extremo pela pandemia do coronavírus. A lista inclui quebras de grande visibilidade, como as de JC Penney, Hertz e Neiman Marcus; empresas pressionadas pela recessão no setor de energia, como a Whiting Petroleum; e grupos menores cujas receitas foram prejudicadas pela crise de saúde pública, como a centenária fabricante de motores para cortadores de grama Briggs & Stratton. 

(...) Mas os credores têm revidado, especialmente contra empresas que premiaram gestores que presidiram o afundamento de seus negócios. É frequente que pagamentos de retenção sejam concedidos semanas ou dias antes de que os grupos demitam trabalhadores e se recusem a pagar empréstimos.

(...) Brad Holly, executivo-chefe da Whiting, recebeu US$ 6,4 milhões em março, dentro de um novo programa de compensação aprovado pela diretoria, que ele preside, menos de uma semana antes de a empresa entrar com pedido de falência. A Whiting, que espera sair do Capítulo 11 da Lei de Falências no mês que vem, informou que Holly deixaria o cargo de executivo-chefe quando isso acontecer e receberia US$ 2,53 milhões adicionais como indenização rescisória.

Prêmios de retenção concedidos às vésperas de declarações de falência tornaram-se mais comuns nos últimos anos, na esteira de uma lei de 2005 que restringiu o pagamento de bônus após a empresa entrar em processo de falência. Os críticos dizem que eles burlam a lei, cujo objetivo era limitar indenizações para executivos com a empresa está em dificuldades.

Imagem: aqui

24 agosto 2018

Efeito do cartão vermelho no futebol

Um estudo analisou mais de dois mil jogos de futebol da UEFA para verificar se "jogar com dez é melhor". Há um mito que quando um time tem um jogador expulso, os outros jogadores fazem um esforço substancial para suprir a ausência do colega, trazendo um resultado melhor.

Descobrimos que quando as equipes da casa recebem um cartão vermelho, isso prejudica suas probabilidades de gol e de vitória. Por outro lado, um cartão vermelho para as equipes visitantes pode ter um efeito positivo, negativo ou neutro, dependendo do tempo da expulsão do jogador.


O que eu achei interessante é que a pesquisa possui um modelo econométrico, uma boa análise dos dados e está postada em um lugar de boa reputação (o IZA). São três autores de uma das maiores universidades belgas (Ghent University)

O trabalho tem uma introdução, uma seção de método, os resultados e a conclusão. Não há uma discussão sobre a teoria que poderia justificar os resultados da pesquisa. Fica a pergunta: há um problema aqui ou esta é a forma de pesquisa do futuro.

(Esta postagem é uma grande provocação aos pesquisadores que gostam de uma teoria)

27 abril 2018

Smartphone e desempenho escolar

Um estudo mostrou existir uma relação de causa-efeito entre o uso de telefone celular e desempenho escolar. 

(...) Um aumento de um desvio padrão no uso diário do smartphone produz uma diminuição nas pontuações médias do exame de cerca de um ponto.

O estudo foi realizado em duas universidades belgas.  Vide aqui

07 fevereiro 2018

Narcisismo de estudantes

Um artigo publicado recentemente na RCO analisa a relação entre narcisismo de estudantes e seu desempenho. Um assunto muito importante:

O objetivo dessa pesquisa foi identificar se traços não patológicos de personalidade narcisista em estudantes de graduação de um curso de Ciências Contábeis estariam relacionados com o desempenho desses alunos. Estudantes que superestimam seu desempenho, uma característica de indivíduos narcisistas, vivem uma expectativa não realista que irão ter melhor desempenho que outros em diferentes atividades. Esse comportamento pode ser prejudicial no longo prazo, além de resultar em um constante esforço para que esta expectativa se torne realidade. Os dados foram coletados de uma amostra de 106 alunos de graduação em contabilidade que responderam um questionário contendo questões sobre traços de personalidade narcisista. Os resultados sugerem que quanto maior a presença desses traços narcisitas maiores as chances do desempenho atribuído pelo próprio estudante ser maior. Ao mesmo tempo, o nascisismo não influencia o desempenho real do aluno, o que sugere que esses traços de personalidade incluenciam apenas as expectativas, mas não o processo de aprendizado.

O Texto, uma co-autoria de Gerlando Lima, Bruna Camargos Avelino e Jacqueline Veneroso Alves da Cunha (Universidade de Illinois e UFMG) traz as implicação práticas:

A personalidade narcisista pode superestimar o desempenho acadêmico percebido, e está presente em diferentes níveis na graduação em contabilidade. Conhecer esses traços daria aos estudantes a capacidade de gerenciar suas próprias expectativas de desempenho acadêmico. Futuramente os mesmos traços podem levar a falsas expectativas profissionais, e por vezes violar limites éticos.

19 dezembro 2017

Medindo a eficiência do setor público

Um artigo mostrando como a avaliação de empresas pode ser usada para analisar a eficiência do setor público.

Esta pesquisa tem como propósito demonstrar como a ferramenta de avaliação de empresas, pelo método do fluxo de caixa descontado, pode ser utilizada com a finalidade de avaliar a qualidade dos gastos públicos realizados sob a forma de investimentos em empresas estatais. A pesquisa consistiu em um estudo de caso de uma empresa brasileira do setor de energia elétrica, a CEB Distribuição S.A., subsidiária integral de uma sociedade de economia mista. O valor da empresa foi calculado com base em premissas determinadas a partir da análise do desempenho histórico da entidade e projeções macroeconômicas obtidas de outras fontes. Ressalta-se que foram utilizadas somente informações disponíveis ao público. O valor obtido como resultado indica que a entidade analisada não está gerando o retorno financeiro desejável em vista dos recursos públicos nela investidos e permite inferir que o valor recuperável do investimento da controladora nessa empresa é menor do que o valor contábil reconhecido. Essa conclusão pode servir como guia de ação na área pública, pois demonstra a necessidade de melhoria da qualidade dos gastos públicos realizados na empresa analisada, situação que pode se estender a outras empresas estatais brasileiras. Desta forma, sugere-se que sejam realizadas pesquisas utilizando esta metodologia para analisar outras empresas estatais do país.

Leia o artigo aqui

AVALIAÇÃO DE EMPRESAS ESTATAIS E A EVIDENCIAÇÃO DA QUALIDADE DOS GASTOS PÚBLICOS: O caso da CEB Distribuição S.A. Amanda Guimarães Teixeira Silva Schmidt, César Augusto Tibúrcio Silva

30 setembro 2017

Remuneração dos executivos de empresas brasileiras

Valores médios numa amostra de 243 empresas.

Usando os dados de 30 empresas, disponibilizados no site G1, é possível tentar fazer uma breve análise entre a remuneração e o desempenho de cada empresa. Num primeiro momento, calculei esta relação usando todas as variáveis disponíveis: remuneração média, mínima e máxima, além de uma constante. Somente a maior remuneração apresentou significância. Assim, há uma relação entre a maior remuneração de cada empresa e o resultado líquido obtido no período. Usando a maior remuneração, o coeficiente angular foi de 87,915: o resultado da empresa corresponde ao maior salário multiplicado por 88.

Uma razão para o valor da remuneração média não ter sido significado é o fato de cada empresa ter um número diferente de diretorias, que pode ter afetado o resultado.

14 fevereiro 2017

Desempenho público e privado

O setor privado faz um grande trabalho de produzir eficientemente uma variedade de produtos e serviços. Mas os métodos das empresas com fins lucrativos não são adequados a todas as tarefas, incluindo muitas das empreendidas atualmente pelo governo. O governo Trump tem muito mais indivíduos com backgrounds de negócios dispostos a assumir papéis de liderança, do que qualquer presidente na história, e há uma inclinação para o setor privado. Ter sido bem sucedido nos negócios não é certamente um impedimento automático para o governo eficaz. Pessoas tão diferentes quanto Michael Bloomberg e Dick Cheney têm, sem dúvida, navegado com sucesso ambos os mundos. É importante que os empresários que ocupam posições de destaque na atual administração [Trump] compreendam a diferença entre os objetivos e as estratégias do setor privado e das empresas governamentais. A aplicação de práticas de negócios no governo pode levar ao excesso de terceirização de funções governamentais. Também pode levar ao uso de critérios de desempenho que não captem completamente os objetivos das agências governamentais. É muito cedo para saber quais as políticas que os executivos da Administração Trump irão realmente implementar, mas há motivos para se preocupar com as declarações feitas por alguns dos nomeados do presidente. Betsy DeVos, a nova Secretária de Educação, declarou em resposta ao questionamento da senadora Pat Murphy, que ela não viu nenhuma razão para esperar que as escolas sem fins lucrativos, ou com fins lucrativos, se comportassem de forma diferente uma da outra. Mas a evidência sugere o contrário.

Fonte: aqui

Isto também se reflete na contabilidade pública, conforme destacamos no capítulo 13 do Teoria da Contabilidade.

21 janeiro 2017

Presente Amargo

O ano de 2016 encerrou de maneira amarga para as pessoas que trabalham na área de contabilidade. Se o ano de 2015 mostrou que aquelas palavras sobre a empregabilidade da área eram balelas, um ano depois temos uma realidade muito dura. Segundo os levantamentos realizados pelo blog, a partir dos dados de empregos formais, para contadores e auditores, técnicos em contabilidade e escriturários de contabilidade, foram quase 92 mil admitidos, mas 115 mil demitidos.

A diferença entre admissão e demissão é o que chamamos de criação ou destruição de vagas. Desde 2014 esta diferença foi de 31.789 vagas; ou seja, foram demitidas 358 mil pessoas num período de 36 meses e foram contratados 326 mil. É normal a rotatividade no mercado de trabalho, mas os números de demissões são surpreendentes para uma área que se acreditava imune as crises. Para se ter uma ideia, o salário total dos demitidos desde 2014 é de 852 milhões. Retirando o salário dos demitidos, isto significa dizer que se deixou de receber, mensalmente, 196 milhões de reais com estas 31.789 vagas a menos.

Perfil - Quem foi contratado geralmente recebeu um salário médio menor. Em dezembro de 2016, por exemplo, os admitidos tinham um salário mensal de R$2.281, enquanto os demitidos deixaram de receber R$2.763, uma diferença de 21%. Nestes três anos, esta diferença geralmente esteve na casa dos dois dígitos, em torno dos 18%. Os demitidos tinham em torno de 30 meses, mas este número sempre esteve acima de 33 meses desde maio de 2016; isto é um sinal de que as demissões, que inicialmente estavam focadas nos funcionários mais novos, passaram a incluir os mais experientes. Outro fato observado pelo levantamento deste blog é que a idade média dos admitidos era menor que dos demitidos; em dezembro esta medida era de 30,37 anos para os admitidos e 32,54 anos para os demitidos.

Uma análise dos números revela que as movimentações têm prejudicado as mulheres (mais de 60% das movimentações líquidas), que possui o curso médio completo e os escriturários (55%). Um ponto relevante na análise é que mais de 75% das demissões são sem justa causa; em dezembro este percentual foi menor, de 70%.

Professor – A análise do mercado formal de trabalho dos professores de contabilidade mostra que a crise também afetou os docentes. Esta análise é feita de maneira acumulada, já que o número de movimentações é reduzido, e uma análise mensal poderia trazer uma ideia errônea do mercado de trabalho. Desde 2013 ocorreu a criação de 137 novos postos para professores. Entretanto, observa-se que desde novembro de 2015 o mercado está piorando substancialmente: naquele mês o número de admitidos superava os demitidos, em termos acumulados desde 2013, em 434 vagas. Em dezembro de 2016 este valor era bem menor. Outro aspecto revelado pelos números é o tempo médio de emprego aumentou de 29 meses, em janeiro de 2014, para 47 meses, em dezembro de 2016; ou seja, os professores com maior experiência estão sendo demitidos.

Perspectiva – Baseado nos três últimos anos é possível imaginar que o desempenho de janeiro geralmente é melhor que os outros. Entretanto, é preciso destacar que em janeiro de 2016 ocorreu uma redução no número de vagas. Apesar disto, em tendo por base os números da série histórica, ousamos a afirmar que o ritmo de demissões irá reduzir. Se dezembro foi o segundo pior mês de 2016, somente atrás de fevereiro, isto pode ser um sinal de que neste mês de janeiro o mercado formal de trabalho da contabilidade irá melhorar. É interessante lembrar que dezembro foi o pior mês de 2014 e 2015. Nestes anos, janeiro foi o melhor.

15 setembro 2016

Desempenho das Empresas e Economia

É algo óbvio que o desempenho de uma empresa depende do que está ocorrendo na economia. Quando existe crescimento econômico, espera-se que as receitas cresçam e os lucros aumentam.

Esta semana o Valor Econômico divulgou os resultados anuais de mil empresas brasileiras. Entre as informações, a principal medida de desempenho de uma entidade: o resultado líquido. Neste quesito, o resultado de 2015 indica um prejuízo somado de 81,6 bilhões de reais. Deste total, a Petrobras responde por 43% ou R$35,2 bilhões. Somando com o resultado da Vale tem-se um subtotal de prejuízo de 80 bilhões. Antes de concluir que o prejuízo somado das mil empresas se deve a estas duas empresas é preciso notar que o Valor não considerou o resultado da empresa Sete Brasil, por alguma razão não explicada pelo jornal. O prejuízo desta empresa, quando somado, elevaria o prejuízo acumulado em 117 bilhões de reais!

Para verificar esta relação, tomei os dados de resultado líquido de 1999 até 2015, segundo apurado pelo Valor Econômico. A evolução encontra-se no gráfico abaixo, na linha azul (valores em R$ bilhões):
Com estas informações, calculei uma regressão com os dados do ano e a variação do PIB (Produto Interno Bruto, a informação mais relevante sobre a economia de um país). O resultado foi que a regressão tinha um r-quadrado de 0,59 e as variáveis mostraram um valor adequado. Se a regressão for calculada somente com a variação do PIB, o r-quadrado aumenta para 0,70; ou seja, ficou melhor ainda. Com os dados da primeira regressão, calculei o lucro “previsto” (na verdade calculado) para os anos de 1999 a 2015. O resultado está no gráfico na linha vermelha. Para a segunda regressão tivemos o segundo gráfico, apresentado a seguir:

Em ambos os gráficos é possível notar que o ano de 2009 destoa. Mas que a previsão para 2015 é melhor: 89 bilhões de prejuízo no modelo versus 82 bilhões apurado pelo Valor.

02 setembro 2016

Conexões políticas

As conexões políticas podem ser caracterizadas como relações entre empresas e políticos, em que as empresas procuram obter vantagens e os políticos geralmente buscam financiamento de campanha. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo geral analisar a relação entre as conexões políticas das maiores empresas listadas na BM&FBovespa e seus respectivos desempenhos. Para tanto, foram analisados os dados de 132 companhias, utilizando-se estatística descritiva, teste de diferença entre médias, Análise de Correspondência (Anacor) e Análise de Correspondência Múltipla (ACM). A conexão política de cada empresa foi representada pelo valor de sua doação para campanhas eleitorais de 2014, sendo o desempenho medido pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE). Os resultados indicam que a maior parte dos recursos doados para a campanha eleitoral de 2014 foi destinada à disputa pela Presidência da República e o Partido dos Trabalhadores foi a agremiação política que mais recebeu doações de campanha das empresas. A empresa JBS doou mais de 65% do total das contribuições efetuadas pelas empresas da amostra. O Ceará foi o estado que mais recebeu doações de empresas para as eleições de 2014. Amapá, Amazonas e Roraima foram os únicos estados em que os candidatos não receberam recursos para financiamento de campanhas eleitorais das empresas investigadas. A partir dos testes realizados, verificou-se não haver diferença de desempenho na comparação das empresas com conexões políticas com aquelas sem qualquer conexão política. Constatou-se uma associação entre altas conexões políticas e expressivo tamanho das empresas.

CONEXÕES POLÍTICAS NAS MAIORES COMPANHIAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA - Bruno Goes Pinheiro, Márcia Márcia Martins Mendes De Luca, Alessandra Carvalho de Vasconcelos - READ, v. 22, n. 2 (2016)

19 junho 2014

Transparência e desempenho

A transparência afeta (ou é afetada) pelo desempenho? É uma questão interessante. O gráfico acima mostra a percentagem dos projetos completados a tempo nas cidades brasileiras que são sedes da Copa. Brasília, Natal e São Paulo terão mais de 90% completados na Copa. E a outra variável é o nível de transparência das contas do governo. Cuiabá, Salvador e Manaus possuem pouca transparência nos gastos; mas são também cidades com um percentual de finalização dos seus projetos reduzido.

19 março 2014

Notas e desempenho

Notas melhores na escola são seguidas por maior remuneração no mercado de trabalho. Essa hipótese acaba de ser testada no Brasil e se mostrou verdadeira. Um estudo da Fundação Itaú Social, que será divulgado hoje, revela que alunos com nota 10% maior em português no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) têm remuneração 5% superior no início da carreira. Para pontuações 10% mais altas em matemática, o incremento de renda é de 4,6%. (Continue lendo aqui)

10 fevereiro 2014

Valor de um clube de futebol e desempenho

O Manchester United é um clube de futebol da Inglaterra que possui ações negociadas na bolsa de valores. Assim, é interessante comparar o comportamento do preço da ação com o desempenho nos campos. Recentemente o antigo treinador, o escocês Ferguson, deixou o clube depois de décadas com um desempenho notável. Nos anos de Ferguson o clube sempre esteve entre os quatro primeiros colocados no campeonato inglês.

Com o novo treinador, o também escocês Moyes, o desempenho do clube já não é o mesmo. Ao longo do campeonato inglês já chegou estar em 12o. lugar. O gráfico abaixo mostra o comportamento do preço da ação (de azul) e o desempenho no campeonato inglês (de preto, em termos das posições ocupadas).
As ações não foram afetadas pela perda de posição na tabela. Mas no final de dezembro, as ações do clube sofreram uma redução. Neste período o clube fez uma grande contratação: o espanhol Mata, do Chelsea, por 61 milhões de dólares. A contratação poderia ajudar o clube a melhorar seu desempenho na tabela. Atualmente é o 7o. colocado. 

Entretanto, uma grande estrela significa aumento nas despesas operacionais. E menor lucro. Mas desempenho ruim pode fazer com que o clube não se classifique para a Champions League, o campeonato europeu de clubes, extremamente lucrativo. O Manchester participa desta competição desde 1995 e a não classificação representa uma perda de receita de 15 milhões de libras. 

Este é um dilema interessante: melhorar o desempenho esportivo para um clube pode significar mais custos e consequentemente menos lucro. Mostramos, recentemente, que maiores salários possui uma relação com desempenho em campeonatos, mas que existem exceções, como é o caso do Arsenal, que gasta pouco e tem um desempenho razoável. 

22 janeiro 2014

Dinheiro e Futebol

Szymanski e Kuper mostram em Soccernomics que o desempenho de um clube está associado a quantidade de dinheiro em salários. Mas a dispersão salarial pode reduzir a chance de vencer uma partida.

Entretanto, a figura (adaptada daqui) mostra um alento para aqueles que gostariam que prevalece no futebol o mais eficiente, não o mais rico. Três grandes clubes ingleses e a evolução histórica dos gastos menos arrecadação ao longo dos anos. Na temporada de 2008/9 o Manchester City gastou 115,1 milhões de libras esterlinas a mais do que arrecadou com a venda de jogadores. Já o Arsenal gastou 12,6 milhões a mais do que arrecadou. Ao longo de seis temporadas, o gasto do Arsenal superou sua arrecadação em 11,1 milhões. Isto é muito pouco quando comparado com os 328,7 milhões do Chelsea e dos 509,6 milhões do City.


É bem verdade que nas cinco temporadas, Chelsea e City foram campeãs (uma vez cada). Mas o Arsenal, em todas elas, ou ficou em terceiro ou em quarto lugar (City teve um décimo e um quinto; Chelsea um sexto). No atual campeonato a classificação é Arsenal, City e Chelsea, nesta ordem.

13 dezembro 2013

Os piores executivos

Geralmente só temos livros e reportagens sobre os melhores executivos. Eles são como heróis: nunca falham e parecem sábios todo o tempo. Mas eis uma lista que leva em conta o outro lado: os piores executivos

O empresário Eike Batista foi apontado como o pior presidente-executivo de 2013 em lista formulada por Sydney Finkelstein, professor de estratégia e liderança da Escola de Administração Tuck da Faculdade de Dartmouth (EUA).

O acadêmico é autor do livro "Por que executivos inteligentes falham" e elabora desde 2010 um ranking com os piores desempenhos do ano. Na lista, ele leva em conta critérios financeiros como preço das ações, valor de mercado da empresa e outros índices.

Finkelstein avalia depois se o executivo teve responsabilidade sobre a mudança de cenário.

Entre os nomes presentes no ranking estão também Thorsten Heins, da Blackberry, e Steve Ballmer, da Microsoft.

Pela primeira vez, o acadêmico elaborou também uma lista com os melhores desempenhos do ano. A classificação é liderada por Jeff Bezos, da Amazon, seguido por Akio Toyoda, da Toyota.

24 junho 2013

Angela Lee Duckworth: A chave para o sucesso? A determinação.

Deixando um cargo de alto nível na área de consultoria, Angela Lee Duckworth tornou-se professora de matemática de alunos do sétimo ano, em escolas públicas da cidade de Nova Iorque. Ela imediatamente percebeu que o Q.I. não era a única coisa que separava alunos bem sucedidos de alunos com dificuldades. Aqui, ela explica sua teoria da "determinação" como indicador de sucesso.

Mais um excelente vídeo. O mais importante é a determinação a longo prazo, resistência, viver a vida como uma maratona, não como uma breve corrida.

17 abril 2013

Mudar o comandante resolve?

Quando o desempenho de uma empresa não está adequado, os acionistas forçam a saída do principal administrador. Um problema numa empresa é que as medidas de desempenho possuem uma periodicidade muito longa: trimestral, para as empresas de capital aberto no Brasil ou anual para as empresas de capital fechado. Mas será que trocar o gestor resolve a situação?

Se a troca do administrador numa empresa promover a sua recuperação, isto é um sintoma de que a medida teve um efeito positivo. Mas se o desempenho continuar ruim, a troca não deve ser uma medida que produza benefícios.

A questão que dificulta os pesquisadores em avaliar a eficiência da troca de administradores é decorrente da longa periodicidade das medidas de desempenho, que impede a verificação do seu efeito. Quando os cientistas não conseguem fazer uma pesquisa numa área, uma opção é buscar um atalho para obter a resposta desejada. Neste caso, encontrar uma área onde o desempenho pode ser mensurado com uma periodicidade menor.

E existe este setor. São os clubes esportivos, onde o desempenho é medido não por seu lucro, mas pelos confrontos com seus adversários. Se um clube não consegue bons resultados, o seu técnico pode sofrer as consequências. Dois pesquisadores italianos, usando os dados do futebol do campeonato italiano entre 1997/8 a 2008/9, conseguiram medir a influencia da mudança do gestor, o técnico, nos resultados. Usando mais de quatro mil jogos que ocorreram naquele campeonato, os pesquisadores observaram que 37% dos times mudaram de técnico durante o torneio. O gráfico abaixo mostra o comportamento da equipe de futebol antes da troca de técnicos e depois.



Mas o gráfico não revela toda a história. Quando se faz uma comparação antes e depois da troca é necessário levar em consideração a qualidade dos adversários. Quando o técnico que foi demitido enfrentou adversários fortes, é natural que, em média, ganhe poucos pontos. Se o novo técnico ganha pontos de adversários fracos, o mérito talvez não seja do seu trabalho.

Apesar do primeiro resultado da pesquisa mostrar uma pequena melhoria no desempenho com a mudança do técnico de futebol – como pode ser visualizado no gráfico – ao levar em consideração a qualidade dos adversários esta melhoria desaparece. Ou seja, controlando os efeitos dos adversários, a mera troca do técnico – o gestor do clube de futebol – não é uma medida que melhora o desempenho do clube – a empresa da pesquisa.

Mas provavelmente temos aqui um componente comportamental. Pesquisas já mostraram que a melhor postura do goleiro durante a cobrança do pênalti é ficar no meio do gol. Mas os goleiros insistem em “escolher” um canto, muito para dar uma “satisfação” para torcida. O mesmo pode ocorrer com a troca de técnicos. Os dirigentes talvez saibam que mudar o técnico não resolve, mas mantê-lo é dizer, para torcida, que eles não estão fazendo nada.



Para ler mais: DE PAOLA, Maria; SCOPPA, Vincenzo. The Effects of Managerial Turnover: Evidence from Coach Dismissals in Italian Soccer Teams. Jornal of Sports Economics. Vol. 12, n. 2, p. 152-168, 2012.

12 dezembro 2012

Estrogênio melhora o desempenho mental

Estudos afirmam que o hormônio estrogênio pode aguçar o desempenho mental. Agora, os cientistas acreditam saber o por que. O estrogênio pode aumentar o número de conexões entre as células cerebrais, melhorando a comunicação no cérebro. A pesquisa foi apresentada no dia 17 de novembro no encontro Society for Neuroscience.

Copiar os efeitos do estrogênio no cérebro pode ajudar os tratamentos para o mal de Alzheimer e para a esquizofrenia, segundo os pesquisadores.

Trabalhos anteriores mostraram que o estrogênio poderia melhorar a memória e aumentar a precisão de pessoas e animais em provas e testes. Nesse novo trabalho, os pesquisadores da Northwestern University Feinberg School of Medicine trataram células cerebrais de ratos desenvolvidas em laboratório com um composto similar ao estrogênio. O composto ativou os receptores de estrogênio das células, desencadeando uma série de reações químicas, o que, por sua vez, causou um aumento no número de espinhas dendríticas (saliências semelhantes a pêlos na superfície das células que permitem a comunicação entre elas). Segundo os pesquisadores, essa ativação do receptor de estrogênio pode potencialmente aumentar a quantidade de informação que vai de uma célula para a outra.

Porém, o uso a longo prazo do estrogênio como terapia já se mostrou problemático. Em 2002, um estudo concluiu que mulheres que tomaram estrogênio para aliviar sintomas da menopausa tiveram um risco aumentado de câncer de mama, derrame e ataque cardíaco.

Por causa destes riscos, os pesquisadores têm procurado uma maneira de ativar os receptores de estrógeno sem o uso de estrogênio em si. Isso permitiria que os pacientes obtivessem os benefícios do estrogênio sem os efeitos colaterais. O composto do estudo é uma maneira de imitar os efeitos do estrogênio. Os pesquisadores ainda não sabem se há efeito colateral já que o estud foi realizado apenas com ratos. Assim, são necessários mais estudos para determinar se o mesmo efeito – o aumento de comunicação entre as células – ocorreria no cérebro dos seres humanos.

Fonte: LiveScience