Nomes de crianças que foram banidos no México. Cesarea está na lista.
10 março 2026
Investindo em capital natural
O resumo:
A degradação dos ecossistemas impulsionada pelas atividades humanas ameaça tanto a biodiversidade global quanto os meios de subsistência das comunidades que dependem dos sistemas naturais para produção e geração de renda. No entanto, as evidências empíricas sobre os retornos econômicos da restauração da natureza ainda são escassas. Examinamos se intervenções voltadas ao fortalecimento da natureza podem gerar melhorias mensuráveis na riqueza das famílias, além dos benefícios ambientais. Estudamos uma intervenção agroecológica em larga escala implementada pela organização Trees for the Future (TREES) em propriedades agrícolas na África Subsaariana, combinando pesquisas domiciliares detalhadas com imagens de satélite de alta resolução. Mostramos que aumentos quase exógenos no capital natural levam a ganhos substanciais na riqueza das famílias — medida pela posse de gado — de cerca de 75% até o terceiro ano de intervenção. Cada dólar investido no programa retorna aproximadamente $2.28 em benefícios diretos de riqueza para os agricultores participantes, antes mesmo de considerar impactos positivos na saúde e a captura de carbono. Também documentamos aumentos expressivos na cobertura arbórea e na diversidade de culturas agrícolas, melhorias significativas na segurança alimentar e na diversidade da dieta, além de avanços detectáveis em índices de vegetação medidos por satélite. Em conjunto, esses resultados demonstram que a restauração do capital natural gera retornos ecológicos e econômicos, oferecendo um caminho escalável para um desenvolvimento positivo para a natureza em economias rurais onde a biodiversidade permanece um ativo produtivo fundamental.
Restoring Nature, Creating Wealth: Evidence from Rural Households in Africa -- by Geoffrey Heal, Claudio Rizzi, Simon Xu, NBER.
Há uma corrente que defende que o problema da sustentabilidade poderá ser resolvido dentro do sistema capitalista. De certa forma, é a filosofia do ISSB e dos economistas liberais (por exemplo, Deirdre Mccloskey).
Especificamente o TREES busca restaurar a natureza para gerar retornos econômicos para populações rurais. Representa um investimento em capital natural. O programa também tem atuação na América Latina
09 março 2026
Iceland versus Iceland
Em português conhecemos o país como Islândia. Na língua inglesa seria Iceland, ou terra do gelo. Durante dez anos, o simpático país europeu batalhou contra empresas que usavam seu nome. Assim, na guerra Iceland versus Iceland, Iceland saiu vitoriosa.
O caso mais emblemático envolveu uma rede de supermercados do Reino Unido, muito conhecida, chamada Iceland Foods. Essa rede obteve a marca Iceland, em 2016, na Comunidade Europeia e passou a tentar impor seu direito perante outras empresas.
Mas o erro foi entrar em conflito com os vikings islandeses: a Iceland Foods tentou se opor à tentativa do país de registrar a marca Inspired by Iceland. A empresa recorreu, perdeu; recorreu novamente, perdeu de novo; e, no terceiro recurso, perdeu outra vez. Há ainda uma instância superior, o Tribunal de Justiça, mas a empresa, em meados do ano passado, afirmou que desistiria da disputa.
Para os executivos da empresa, o cálculo envolveu a pequena chance de vitória diante de três derrotas seguidas e os custos com advogados. Falou mais alto o bom senso e o valor esperado negativo. A rendição ocorreu somente agora, em 2026.
Parece algo absurdo, mas a empresa existe desde 1970 e só registrou a marca Iceland em toda a Europa em 2005. A nação existe desde 874, sendo estranho imaginar que uma rede de supermercados tenha o registro do nome de um país.
Gráfico importante e interessante
Os animais mais perigosos do mundo. Os dados são do OurWorldinData e há imprecisão nos valores, como alerta a fonte, mas apresentam uma ideia do que coloca a vida do ser humano em risco.
A maioria das mortes é causada por humanos (600 mil) e mosquitos (760 mil), sendo que 80% é resultante da malária. Em terceiro, bem distante, as cobras, com 100 mil mortes. O site alerta que o número é uma estimativa, já que os ataques ocorrem na zona rural, onde os registros são ruins.
Chamo a atenção para o quarto colocado: os cães, com 40 mil mortes. As pessoas tendem a tratar esses animais como domésticos, franqueando o acesso a aviões, shoppings e outros locais de contato. A estatística mostra que parte do número decorre da raiva, transmitida por esses animais.
A identificação do risco é importante para decisões na contabilidade. Ao revelar dados precisos, o gráfico mostra a importância dos dados para essa tarefa.
Fraude e cuidados médicos desnecessários
A visão de que o burocrata e auditor pode colocar em risco a vida de pessoas, ao desejar um controle nas despesas, pode estar errada:
O uso das leis federais antifraude para lidar com cuidados médicos desnecessários é controverso. Os prestadores de serviços de saúde que são alvo dessas ações frequentemente argumentam que, em seu julgamento clínico, o tratamento em questão era apropriado. Examinamos os efeitos de litígios antifraude contra hospitais por admitirem pacientes em excesso provenientes do departamento de emergência, utilizando 100% das solicitações de reembolso do Medicare entre 2005 e 2019 e um desenho empírico baseado na implementação escalonada desses processos judiciais. Encontramos que as ações antifraude reduziram as taxas de admissão em 3,6 pontos percentuais, sem aumentar as taxas de mortalidade. Estimamos uma economia de $1300000000 para o Medicare em cinco anos. Nossos resultados sugerem que a aplicação das leis antifraude pode ser eficaz na redução de cuidados médicos custosos e desnecessários.
Fonte: Reducing Waste through Anti-Fraud Enforcement: Evidence from Hospital Admission Cases - David H. Howard & Jetson Leder-Luis - Working Paper 34938 - DOI 10.3386/w34938 - Issue Date March 2026
Imagem The Doctor por Sir Luke Fildes (1891)
Há um aspecto importante: o custo de oportunidade da economia gerada.
Principal leitor dos artigos acadêmicos
A constatação não é empírica, mas baseada no bom senso e na observação. Mas parece válida. Segundo Alexander Kustov, muitos artigos científicos não são lidos mais por humanos, mas pela Inteligência Artificial. A principal audiência, que cresce cada vez mais, são as LLMs.
Os pesquisadores deveriam se preocupar com os seus leitores. Pois bem, parece que devemos ter a preocupação de ser lidos por máquinas.
Tenho três observações sobre o assunto. Primeiro, isso aconteceu de dois anos para cá, o que é uma mudança muito rápida no processo. Segundo, acredito que por uma questão computacional, quando um pesquisador pede um resumo de uma pesquisa, provavelmente a IA busca as informações no resumo. Ou seja, devemos gastar muito tempo na escrita do resumo, o que geralmente não fazemos. E os revisores e editores devem mudar seu foco para privilegiar cada vez mais o resumo.
Terceiro, o mesmo deve estar ocorrendo com as demonstrações contábeis. Se alguém vai analisar uma informação contábil, a máquina irá fazer boa parte do trabalho. Os preparadores devem preocupar-se, cada vez mais, com como a IA estará lendo sua demonstração. Isso dá tema de tese, eis uma sugestão aqui. Assim como os reguladores, que devem fazer suas regras e se preocupar com a leitura da IA.
08 março 2026
OpenAI processada por exercício de advocacia
A OpenAI está com uma complicação estranha: um processo aberto contra a empresa do ChatGPT onde a acusa de exercer advocacia sem licença e ajudar uma pessoa a violar um acordo. No início de 2025, uma demandante teve seu pedido de reabertura de um caso de invalidez negado por um juiz. A pessoa consultou o ChatGPT e solicitou sua ajuda para analisar o caso. Isso aconteceu quando a pessoa carregou o e-mail do seu então advogado na ferramenta, que validou as preocupações com respeito ao desempenho do profissional. Então, a pessoa despediu o advogado e reabriu o caso usando a ferramenta.
A empresa de seguro, Nippon Life Insurance Company of America, afirma que a OpenAI prestou assistência jurídica indevidamente, mesmo não tendo autorização para isso. A Nippon está solicitando 10 milhões de dólares de indenização por danos punitivos (além de 300 mil dólares por danos compensatórios).
Honestamente, a impressão que tenho é que se a pessoa tivesse usado livros de uma biblioteca, os autores deveriam ser processados. Ou se alguém foi prejudicado em cálculos indenizatórios e usou uma planilha para verificar os cálculos, a empresa deveria ser punida por estar ajudando no caso, sendo acusada de prática de contabilidade forense.






