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12 outubro 2025

Nobel da Paz e o mercado de previsões

Nos últimos dias acompanhei o anúncio do Prêmio Nobel. Além do site oficial, também observei a dinâmica dos favoritos pelo Polymarket. É verdade que a plataforma trabalhou apenas com apostas para dois prêmios: o da Paz e o de Literatura. No segundo caso, listava Mircea Cărtărescu, Adonis, Can Xue, Murakami e László Krasznahorkai. O mais cotado não chegava a 20% das apostas, que variavam bastante ao longo do tempo. No fim, venceu o húngaro László.


Também acompanhei os favoritos ao Nobel da Paz. Durante muitos dias, o grande favorito — que chegou a mais de 30% das apostas — era uma organização que atuava no Sudão. Despontavam ainda Yulia Navalnaya, russa e opositora de Putin, Donald Trump, Médicos Sem Fronteiras e outros nomes. A vencedora, María Corina Machado, aparecia com apenas 3,75%, mas poucas horas antes do anúncio muitas apostas foram feitas em seu nome e o percentual subiu para 73%.

O aumento nas apostas imediatamente antes do anúncio sugere fortemente que houve um vazamento do resultado. O Comitê do Prêmio afirmou que irá investigar.

Sim, o favorito para vencer o brasileirão desse ano é o Palmeiras (55%). E a Espanha para ganhar a Copa do Mundo (18%, somente).  

(A fonte do vazamento é o jornal O Estado de S. Paulo, 11 de outubro de 2025)

IA ajudando em tarefas chatas: cancelamento de assinaturas


Uma das coisas mais chatas do mundo moderno agora pode ser feita pela Inteligência Artificial: cancelar assinaturas de serviços online. Quem já passou por essa experiência sabe como é difícil encontrar o local correto para realizar o cancelamento e, depois de enfrentar inúmeras etapas, conquistar a vitória de não pagar mais por serviços que não utiliza.

Recentemente, cancelei meu número de telefone e adquiri um novo número de uma pequena startup, atraído pela promessa de um atendimento descomplicado. No entanto, até hoje recebo cobranças da antiga operadora, informando que, por não ter atingido o limite de consumo, estou isento da conta do número anterior.

Agora, com o modo Agente do ChatGPT Plus, é possível inserir o comando “cancelar minha assinatura”, juntamente com nome e senha do serviço. O chat opera sozinho e, em poucos minutos, o cancelamento é realizado, garante Fowler.

Vale lembrar que algumas assinaturas não podem ser canceladas dessa forma. Isso ocorre porque empresas que já possuem tecnologia própria de IA podem estruturar seus sites para dificultar o cancelamento automático pelos usuários.

10 outubro 2025

IA e o sistema financeiro


As principais autoridades financeiras do mundo, por meio do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), divulgaram um relatório sobre a Inteligência Artificial e o sistema financeiro. Não é o primeiro documento sobre o tema, mas o fato de, apenas um ano após o relatório de 2024 sobre as Implicações da Inteligência Artificial para a Estabilidade Financeira, o assunto voltar à pauta pode ser um sinal de que ainda gera preocupação.

O novo relatório aponta que o monitoramento do uso da IA e de suas implicações no mercado financeiro permanece em estágio inicial. Nesse contexto, as instituições financeiras dependem de terceiros para desenvolver e implementar aplicações de IA. Observa-se também que há um número muito reduzido de soluções em IA generativa, o que envolve não apenas software, mas também hardware, como a infraestrutura de nuvem. Essa concentração, segundo o FSB, pode criar vulnerabilidades.

Esse é um ponto de atenção que deveria constar, inclusive, dos relatórios de auditoria, destacando o risco potencial associado ao uso de IA no sistema financeiro.

Imagem aqui 

O Twitter e a indenização


Quando Elon Musk adquiriu o Twitter em 2022, promoveu uma ampla demissão de funcionários. Parte deles contestou os termos de desligamento e ingressou na Justiça.

No início deste mês, foi anunciado um acordo entre a empresa e alguns ex-executivos, incluindo o ex-CEO, que põe fim a um dos processos judiciais mediante o pagamento de indenizações milionárias.

Originalmente, Musk havia acertado a compra do Twitter por 44 bilhões de dólares. Entretanto, diante da queda do valor das ações antes da conclusão do negócio, tentou desistir da operação. A empresa, porém, acionou a Justiça e conseguiu obrigá-lo a manter o contrato pelo preço inicial.

Além desse caso, ainda tramitam outras ações contra a companhia, inclusive relacionadas diretamente à aquisição.

Do ponto de vista contábil, esses episódios evidenciam a relevância dos contratos, das provisões e do reconhecimento de contingências. Questões como indenizações trabalhistas, benefícios rescisórios e disputas judiciais afetam diretamente a mensuração de passivos,

Papel da imigração na construção da ciência

Da newsletter da Nature 

 Dos 202 laureados que receberam prêmios Nobel em física, química e medicina neste século, cerca de 30% nasceram em um país diferente daquele em que foram premiados. Os Estados Unidos foram os que mais se beneficiaram desse movimento: por exemplo, um dos vencedores de química deste ano, Omar Yaghi — o primeiro laureado jordaniano em ciência — mudou-se para os EUA ainda adolescente. “A mobilidade beneficia a todos. Cada recém-chegado traz ideias frescas, novas técnicas e diferentes formas de olhar para problemas antigos”, afirma o vencedor do Nobel de física, Andre Geim, nascido na Rússia e atualmente baseado no Reino Unido. “Os países que acolhem essa mistura se mantêm afiados.”

Isso também ocorre/ocorreu na contabilidade. Há grandes nomes da nossa área que nasceram em um lugar e produziram muita ciência em outro país. Eis alguns deles: Dicksinson, Ijiri e Mattessich. 

08 outubro 2025

Estádio, passivo, reconhecimento e outros temas contábeis para o mesmo evento


No início do milênio, a torcida e os dirigentes do Corinthians estavam incomodados com o fato de o clube disputar seus jogos principalmente no Pacaembu. Sendo um estádio do município, e alguns dos adversários do clube tendo seu estádio, parecia que incomodava. Afinal, o Corinthians tinha a maior torcida da maior cidade do Brasil e não tinha um local próprio onde pudesse realizar suas partidas.

Entre 2007 e 2009, começam as discussões para a construção de um estádio próprio. O assunto foi impulsionado pelo fato de o presidente da época ser um confesso torcedor do clube. Além disso, existia a perspectiva da Copa do Mundo. Juntando tudo isso — uma grande torcida, mais o apoio político, mais o orgulho do dirigente —, em 2010 há o anúncio da construção do estádio próprio. A construção começa no ano seguinte, sob a responsabilidade da construtora Odebrecht. É feito um acordo que envolvia o clube, a construtora e o governo, por meio da Caixa Econômica Federal e do BNDES. Assim, havia dinheiro e motivação política. O estádio fica pronto em 2014, sendo usado na Copa do Mundo, deixando um custo de quase 1 bilhão de reais, tudo sob a forma de financiamento. Na estrutura de financiamento da obra, existia a previsão de que a dívida seria paga com receita de bilheteria e uso da arena. Como a receita ficou abaixo do previsto, foi insuficiente para cobrir as parcelas da dívida.

Em 2019, diante da clara impossibilidade de pagar o estádio com a geração de receita, o Conselho Deliberativo do Corinthians cria uma comissão para avaliar os custos da obra. A comissão aponta R$ 1,03 bilhão em dívidas com a Odebrecht. O clube contesta a legitimidade de parte da dívida e busca alternativas. Para os representantes do clube, não parecia razoável nem correto que a construtora mantivesse em seu balanço os créditos nesse valor, já que não havia perspectiva de quitação — a única fonte de recursos eram as receitas da arena, muito abaixo do esperado. Na Odebrecht, pela prudência contábil, não havia certeza do recebimento e, por esse motivo, não registrava passivo no Corinthians.

Mesmo um acordo de venda do nome, com validade de vinte anos, não foi suficiente para mudar a viabilidade do estádio. Há uma negociação, entre 2021 e 2022, com a Caixa.

Uma campanha de arrecadação entre a torcida conseguiu levantar, inicialmente, um valor razoável, mas ainda bem distante da dívida com o banco federal. Mesmo com a volta ao poder do presidente torcedor, que agora parece menos interessado nas coisas do futebol, a dívida permanece. O estádio é um ativo do clube e seu principal patrimônio. Mas o passivo é grande, e a desorganização administrativa do clube, com denúncias, não ajuda. Regularmente, surge a possibilidade de suspender os pagamentos para pressionar uma renegociação com termos mais favoráveis.

O caso mostra uma situação interessante sobre ativar ou não um determinado recurso econômico - no caso do time de futebol. E também sobre o reconhecimento, por parte do financiador, da dívida e como, ao eventualmente não lançar no balanço, o fato pode dar margem para um eventual calote da parte do time.  

Rir é o melhor remédio

 

Economia de tempo