Neste final de semana, o MTE disponibilizou as informações sobre o mercado de trabalho formal de outubro no Brasil. Usando estes dados, o blog coletou a informação sobre o que ocorreu com os escriturários, os técnicos em contabilidade, os contadores e os auditores. Em outubro, foram contratados 9.145 profissionais e demitidos 9.439. Isto significa uma redução na quantidade de vagas de 294. Em termos acumulados, no ano foram criados 2.109 novas vagas, por conta do desempenho de janeiro, março e julho. Nos demais meses, o número de demitidos foram superiores aos de admitidos. Considerando janeiro de 2014 como base, o número de demitidos superou em 40.574 o de admitidos.
O gráfico acima compara o histórico recente do emprego na economia como um todo (dividido por cem) e do setor contábil. É nítido a crise econômica até 2017; a partir daí, o mercado formal de empregos no Brasil começou a recuperar, gerando 537 mil novas vagas. É a linha vermelha do gráfico. Mas parece que a crise continuou no setor contábil, a linha azul do gráfico, já que no mesmo período foram 8.785 vagas destruídas.
Em outubro, as demissões foram maiores entre as mulheres, quem tinha o curso médio e escriturários. Somente entre aqueles com curso superior o saldo de movimentação foi positivo: 261. Por sinal, desde janeiro de 2017, o saldo para aqueles com melhor educação (curso superior completo) foi 3.196 positivo.
25 novembro 2018
24 novembro 2018
E a abertura de capital da Aramco?
Há meses fizemos diversas postagens sobre a possibilidade de venda de parte do capital da Aramco. Para quem não sabe, a Aramco é a empresa de petróleo estatal da Arábia Saudita, totalmente controlada pelo seu governo. O governo do país anunciou a intenção de vender 5% das ações da empresa com dois objetivos: garantir recursos para financiar projetos de desenvolvimento do país no futuro e, talvez, modernizar a empresa.
A venda das ações enfrenta vários desafios. A necessidade de informar aos investidores sobre o desempenho da empresa. Atualmente a contabilidade desta empresa não está disponível e a evidenciação é necessária para que os analistas possam estudar quanto vale a parcela que será vendida. Como consequência, a empresa deve escolher a base de mensuração, se o US GAAP ou IFRS. Na realidade esta escolha dependerá em que bolsa as ações serão comercializadas. Outro ponto importante é resolver a questão fiscal: atualmente a carga tributária da empresa é muito alta e o governo deve alterar as normas tributárias.
Mas nos últimos meses, parece ter reduzido a possibilidade de abertura do capital da empresa. Alguns fatores podem explicar isto:
a) O preço do petróleo aumentou, o que reduz a necessidade de captar recursos por parte do governo saudita
b) A morte do jornalista saudita na Turquia, provavelmente a mando de bin Salman, fez aumentar a percepção do país e do herdeiro, principal incentivador da abertura do capital
c) O fato de que os analistas parecem não concordar com a avaliação de 2 trilhões da empresa, o que significa que o volume a ser captado será menor que o imaginado pelo regime saudita
d) Talvez dificuldades internas, normais em uma empresa estatal.
A Bloomberg publicou recentemente um texto sobre as dificuldades da oferta de ações. WolStreet comentou, anteriormente, sobre o assunto, dizendo que a IPO está destinada ao fracasso.
Leia também: quanto vale a Aramco, confusões sobre a IPO, governança e valor de mercado, o perigo da evidenciação, a IPO será cancelada?
A venda das ações enfrenta vários desafios. A necessidade de informar aos investidores sobre o desempenho da empresa. Atualmente a contabilidade desta empresa não está disponível e a evidenciação é necessária para que os analistas possam estudar quanto vale a parcela que será vendida. Como consequência, a empresa deve escolher a base de mensuração, se o US GAAP ou IFRS. Na realidade esta escolha dependerá em que bolsa as ações serão comercializadas. Outro ponto importante é resolver a questão fiscal: atualmente a carga tributária da empresa é muito alta e o governo deve alterar as normas tributárias.
Mas nos últimos meses, parece ter reduzido a possibilidade de abertura do capital da empresa. Alguns fatores podem explicar isto:
a) O preço do petróleo aumentou, o que reduz a necessidade de captar recursos por parte do governo saudita
b) A morte do jornalista saudita na Turquia, provavelmente a mando de bin Salman, fez aumentar a percepção do país e do herdeiro, principal incentivador da abertura do capital
c) O fato de que os analistas parecem não concordar com a avaliação de 2 trilhões da empresa, o que significa que o volume a ser captado será menor que o imaginado pelo regime saudita
d) Talvez dificuldades internas, normais em uma empresa estatal.
A Bloomberg publicou recentemente um texto sobre as dificuldades da oferta de ações. WolStreet comentou, anteriormente, sobre o assunto, dizendo que a IPO está destinada ao fracasso.
Leia também: quanto vale a Aramco, confusões sobre a IPO, governança e valor de mercado, o perigo da evidenciação, a IPO será cancelada?
23 novembro 2018
Concentração no mercado de auditoria
Os gráficos mostram a participação das grandes empresas de auditoria nos principais mercados de valores da Europa.Em quase todos eles a participação é acima de 70%. E este percentual tem se alterado muito pouco nos últimos anos. Veja o caso do mercado escandinavo, onde mais de 80% das empresas são auditadas pelas Big Four.
A França parece ser uma exceção, já que a participação das Big Four é de 50% e parece estar diminuindo. Pelo menos duas outras grandes empresas são atuantes neste mercado: Mazar e Grant. Isto pode ser em razão de uma questão cultural, mas as regras de atuação no setor também ajudam.
A seguir o mercado italiano, alemão e londrino.
A França parece ser uma exceção, já que a participação das Big Four é de 50% e parece estar diminuindo. Pelo menos duas outras grandes empresas são atuantes neste mercado: Mazar e Grant. Isto pode ser em razão de uma questão cultural, mas as regras de atuação no setor também ajudam.
A seguir o mercado italiano, alemão e londrino.
22 novembro 2018
Debate em uma era de radicalismo
Uma coluna do Stumbling and Mumbling discute o risco de fazer certos debates nos dias de hoje. Pode ser uma reflexão sobre acontecimentos recentes. Um dos riscos é o chamado efeito de exposição: ao debater uma ideia absurda, "corremos o risco de tornar esta ideia respeitável. (...) É por isto que Richard Dawkins não debatia com os criacionistas."
Outro problema é que as pessoas não são todas racionais. O site chama a atenção para uma pesquisa de 1979 onde três pesquisadores mostraram às pessoas os efeitos da pena de morte. Aqueles que eram favoráveis, fortaleceram o seu apoio; os contrários, ficaram mais dogmáticos. Ou seja, o efeito de um debate não é igual entre as pessoas. Em outras palavras, aquele radicalzinho do grupo do Wpp, diante de um debate com prós e contras de ideias, ficará mais radical.
Sim, algumas pessoas podem ser persuadidas por debates individuais. Mas estes tendem a ser aqueles que têm a mente aberta para começar, ao invés de partidários.
Outro problema é que as pessoas não são todas racionais. O site chama a atenção para uma pesquisa de 1979 onde três pesquisadores mostraram às pessoas os efeitos da pena de morte. Aqueles que eram favoráveis, fortaleceram o seu apoio; os contrários, ficaram mais dogmáticos. Ou seja, o efeito de um debate não é igual entre as pessoas. Em outras palavras, aquele radicalzinho do grupo do Wpp, diante de um debate com prós e contras de ideias, ficará mais radical.
Sim, algumas pessoas podem ser persuadidas por debates individuais. Mas estes tendem a ser aqueles que têm a mente aberta para começar, ao invés de partidários.
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