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07 fevereiro 2026

Vestibular UnB 2026: maioria masculina

Saiu o resultado do vestibular da UnB 2026 para o campus Darcy Ribeiro. Entre os aprovados em Ciências Contábeis, 39,7% são mulheres e 60,3% homens.

O dado chama atenção quando comparado a análises que fizemos em anos anteriores: em 2012, as mulheres eram 54% dos aprovados; no primeiro vestibular de 2013, 58%; e no segundo, 42%. O resultado atual sugere uma redução da participação feminina entre os ingressantes do curso, pelo menos neste processo seletivo.

Entre os nomes, há também um retrato da turma: Gabriel (7 ocorrências) e Maria (6) foram os mais frequentes, seguidos por João (6) e Ana (5), um pequeno “censo nominal” da nova geração de estudantes de Contábeis da UnB.



06 fevereiro 2026

IPSASB SRS 1 Divulgações relacionadas ao clima

Já falamos diversas vezes (ex. aqui, aqui, aqui) sobre as normas International Public Sector Accounting Standards (IPSAS), emanadas pelo International Public Sector Accounting Standards Board (IPSASB), responsável pela adaptação das normas IFRS para o setor público no mundo. 

A primeira norma sobre divulgações relacionadas ao clima, a IPSASB SRS 1, acaba de ser publicada. O objetivo é orientar as entidades do setor público na divulgação de informações úteis sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima. 

Um conceito central da norma é a sustentabilidade fiscal de longo prazo (long-term fiscal sustainability), tida como a capacidade de uma entidade cumprir seus compromissos de prestação de serviços e financeiros, tanto agora quanto no futuro. 

A estratégia da norma é permitir aos usuários primários dos relatórios de propósitos gerais entender as estratégias das entidades para administrar riscos e oportunidades relacionados ao clima. O debate climático sai do campo exclusivamente ambiental e passa a abranger o núcleo da responsabilidade governamental e da accountability pública.

Assimetria da recompensa


Harford depois de analisar o esqueleto de Piltdown (uma farsa), o experimento de Robbers Cave State Park (idem), a prisão de Philip Zimbardo (também) e o livro de Oliver Sacks, O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu, conclui:

Há lições a tirar desse catálogo de distorções e exageros? Existe o velho alerta contra histórias boas demais para serem verdade — e ele se aplica aqui. Mas há também um problema estrutural: as recompensas por “descobrir” um achado científico espetacular são grandes; as recompensas por desmascarar fraudes ou refrear alegações exageradas são pequenas, quando não inexistentes. Se essas são as regras do jogo, não deveríamos nos surpreender com a forma como ele é jogado. 

O executivo que anuncia lucros ilusórios, como o gestor da Enron, e a denunciante, que alerta para o problema, mostra que isso ocorre na contabilidade. O ex-executivo da Enron recebeu muito dinheiro para palestrar em um congresso de Contabilidade, pago com a anuidade dos profissionais. A denunciante, ninguém lembra o nome e nunca mereceu um convite. (Eu sugeri convidá-la para um congresso nacional científico, quando me pediram sugestões de nomes. Por alguma razão, não foi possível fechar a vinda da contadora.)

Poder da palavra

Uma mesma ação pode ser vista de forma diferente conforme as palavras usadas para descrevê-las. Parece bem atual, mas descubro agora que no início do século XIX essa noção já existia.  

Eis o texto: 

Em 1817, o filósofo Jeremy Bentham criou uma tabela mostrando como o mesmo impulso humano poderia ser descrito de maneiras radicalmente diferentes dependendo da perspectiva adotada. Em uma coluna, ele escrevia “gula” — dura e condenatória. Na coluna seguinte, “amor pelos prazeres da mesa social” — de repente soa bastante civilizado, não é?


Bertrand Russell, ao comentar isso em 1929, observou como “espírito público” na coluna do elogio se alinhava com “maldade” na coluna da censura. O mesmo comportamento, interpretado de formas completamente distintas dependendo de quem o pratica ou o observa.

O conselho de Russell? “Recomendo a qualquer pessoa que deseje pensar com clareza sobre qualquer questão ética que imite Bentham nesse aspecto e, depois de se acostumar com o fato de que quase toda palavra que expressa censura tem um sinônimo que expressa elogio, desenvolva o hábito de usar palavras que não transmitam nem elogio nem condenação.”

Bentham entendia que a linguagem molda a realidade de maneiras sutis. Como ele colocou: “Por hábito, sempre que um homem vê um nome, é levado a imaginar um objeto correspondente, cuja realidade ele aceita, por assim dizer, como se o próprio nome funcionasse como um certificado.”

Essa percepção de dois séculos atrás parece dolorosamente atual. Todo argumento político, todo debate nas redes sociais, toda discussão em um jantar de família frequentemente se resume às mesmas ações, apenas vestidas com diferentes roupagens linguísticas.

Imagem aqui 

A Contabilidade? Também funciona. Fale em redução ao valor recuperável parece algo corriqueiro, mas perda pelo valor do valor contábil estar a menor que o valor de uso tem uma conotação mais negativa. Bancos conta credora é algo razoável, mas saldo negativo na conta bancária parece mais crítico. Relatório de auditoria com ressalva tem uma conotação mais corriqueira e positiva do que relatório  de auditoria sem aprovação integral dos valores. 

Três meses depois, o acordo Netflix Warner parece que não agrada ao mercado.

O gráfico mostra a reação do mercado antes e depois do anúncio da aquisição da Warner Bros pela Netflix. A fusão de 83 bilhões de dólares parece que não agradou aos acionistas da Netflix. Ainda há dúvidas se o acordo irá permanecer, mas a regra geral permanece válida: processos desse tipo geralmente favorece a empresa adquirida, em detrimento da empresa que está comprando. Ou seja, desconfie do preço da operação, pois deve estar elevado demais. 

Transferência pública de dinheiro é um perigo?


Os programas de auxílio do governo podem gerar consequências indiretas, geralmente não levadas em consideração, pelas autoridades. Há uma desconfiança que os beneficiários não usam os recursos de maneira responsável. Por isso, as pesquisas sobre o assunto são relevantes para as finanças públicas. Um estudo ajuda a entender um pouco mais sobre o assunto:

Transferências diretas de renda estão se tornando uma ferramenta cada vez mais comum para aliviar a pobreza, mas críticos argumentam que os beneficiários podem usar esse dinheiro de forma irresponsável e potencialmente perigosa. Para investigar o impacto de pagamentos em dinheiro sobre lesões traumáticas e mortes, analisamos o programa estadual de transferência de renda de longa data do Alasca, o Permanent Fund Dividend. Quase todos os residentes do Alasca recebem uma quantia substancial (em média US$ 1.500 por pessoa) em um único dia no outono de cada ano. Utilizando análises de séries temporais interrompidas combinadas com dados de 2009 a 2019 sobre todas as lesões traumáticas (N = 36.556) atendidas em hospitais do Alasca a partir do registro estadual de trauma, bem como todos os óbitos (N = 43.170) registrados em estatísticas vitais, examinamos se o pagamento causa um aumento de lesões traumáticas e mortalidade nos dias subsequentes à distribuição. Apesar dos temores amplamente difundidos, não encontramos evidências de tais aumentos em nossos dados, independentemente das diferentes especificações utilizadas. Esses resultados não fornecem evidências de que transferências diretas de renda aumentem o risco de lesões ou mortes.

Cash Transfers Do Not Increase Traumatic Injury and Mortality: Evidence from Alaska - Ruby Steedle et al.
American Journal of Epidemiology, forthcoming 

Rir é o melhor remédio


Fonte aqui