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29 dezembro 2025

Lembrando Kanitz

O ano de 2025 foi marcado pela perda de Stephen Kanitz. Quando esse blogueiro foi realizar seu doutorado na Universidade de São Paulo, percebi que Kanitz era o professor mais original e genial de todos — e olhe que tive a oportunidade de conviver com Eliseu Martins, Sérgio de Iudícibus, Ari e outros grandes nomes da área.

No meio de uma aula, Kanitz lançava uma ideia que, à primeira vista, parecia não fazer sentido, mas que escondia uma lógica rigorosa e profunda. Quem leu seus textos publicados na revista Veja sabe bem do que estou falando. Ao trazer o modelo de Altman para o Brasil, em pleno regime inflacionário, o nome de Kanitz passou a ser associado à insolvência e, por muito tempo, esse foi o trabalho de contabilidade mais conhecido na área acadêmica. Lembro-me também de suas críticas à proposta de simplificação do sistema tributário por meio do imposto único — um modismo no passado — e de seu argumento de que, quanto maior o número de impostos, melhor. Sim, soa contraintuitivo, mas assim eram suas ideias. Após alguma reflexão, o leitor perceberá que faziam, de fato, muito sentido.

O professor esteve envolvido em diversas polêmicas, algumas das quais podem ser encontradas no blog (aqui e aqui, por exemplo).

Nota: Este ano registramos o maior número de postagens desde a pandemia — mais de 1300. Ainda assim, o blog passou por alguns momentos de instabilidade, como em novembro, quando publicamos apenas 40 textos. Infelizmente, foi nesse período que deixamos de registrar aqui a notícia da perda de Stephen Kanitz, uma ausência que simboliza, de certa forma, a falta que sua originalidade e inquietação intelectual continuam a nos fazer.


Rir é o melhor remédio

 

A melhor parte de ler dois livros ao mesmo tempo é que você não precisa de marcador. 

Aqui 

28 dezembro 2025

2025 e o avanço da IA

É difícil chegar a um consenso sobre uma forma consistente de avaliar o desempenho dos grandes modelos de linguagem (LLMs). A organização de pesquisa sem fins lucrativos Model Evaluation & Threat Research (METR) propôs uma métrica intuitiva: acompanhar quanto tempo um ser humano levaria para realizar as tarefas que a IA consegue executar. De acordo com essa métrica, as capacidades dos LLMs estão dobrando a cada sete meses. Se essa tendência continuar, até 2030 os modelos mais avançados poderão lidar rapidamente com tarefas que hoje exigem um mês inteiro de trabalho humano.

No entanto, por enquanto, a IA nem sempre realiza um bom trabalho: para as tarefas mais longas e desafiadoras, a probabilidade de que o resultado esteja correto é de cerca de 50%. A questão que se coloca, então, é: quão útil é um funcionário rápido e barato que produz lixo em cerca de metade das vezes?

Fonte: aqui 

2025 e o repúdio à IA


Um artigo no Futurism afirma que 2025 foi o ano do repúdio à inteligência artificial. Isso representa uma virada cultural em relação à tecnologia. A recepção pública passou de entusiasmo inicial para ceticismo e desconfiança, com muitos usuários criticando a invasão da IA em produtos cotidianos e redes sociais, e vários exemplos de aplicações gerativas sendo recebidas com zombaria ou rejeição. Uma pesquisa recente mostra que parte substancial da população passou a ver a IA como uma ameaça à criatividade e às relações humanas. 

O sentido do autor parece ser confirmado na obra Imperfect Oracle, de Cass Sunstein. Para quem não se lembra, Sunstein é coautor de Nudge (com Richard Thaler) e Noise (com Daniel Kahneman e Olivier Sibony). No livro, Sunstein trabalha os limites da IA, mas de forma curiosa usa a ferramenta para "responder" algumas questões.  

 

Variação sazona no fluxo de caixa e apropriações

Eis o resumo traduzido: 


Este artigo examina a função dos accruals (apropriações contábeis) na mensuração do desempenho trimestral das empresas. Demonstramos que os accruals operacionais desempenham um papel pronunciado na compensação das flutuações trimestrais dos fluxos de caixa e que esse papel de timing é significativamente mais forte do que o apontado na literatura recente baseada em medidas anuais. Um fator fundamental desse papel de timing dos accruals é a expressiva variação sazonal dos fluxos de caixa operacionais, determinada pela interação entre a sazonalidade das vendas e as políticas de capital de giro. Além disso, constatamos que tanto a sazonalidade dos fluxos de caixa quanto o papel compensatório dos accruals vêm diminuindo ao longo do tempo. Relacionamos essa tendência à diversificação internacional, às mudanças na importância e na sazonalidade das vendas no varejo, à presença de empresas com estoque zero, ao aumento do poder de mercado e à expansão do financiamento da cadeia de suprimentos.

Foto: aqui 

Mídia Social e Concorrência Desleal na Itália


Um texto da Itália discute como avaliações falsas, reviews comprados e vídeos sugestivos nas redes sociais estão se tornando uma forma de concorrência desleal no mercado digital. Plataformas como Facebook, Instagram e TikTok são usadas por negócios e influenciadores para divulgar produtos e serviços com comentários e conteúdos que não refletem experiências reais dos consumidores, distorcendo a percepção pública e prejudicando concorrentes que atuam de forma legítima. A prática complica a confiança dos usuários nas avaliações online, influenciando decisões de compra e violando princípios de transparência e honestidade comercial. Reguladores, empresas e plataformas estão sob pressão para adotar medidas mais rígidas de verificação de autenticidade e penalizar condutas enganosas, equilibrando liberdade de expressão com proteção do consumidor e equidade competitiva no ambiente digital.

Político da Malásia é condenado por desvio de 4,5 bilhões de dólares

Do 1440 


O Tribunal Superior da Malásia condenou ontem (sexta) o ex-primeiro-ministro Najib Razak (foto), que já está preso, a 15 anos de prisão e determinou cerca de $3.3 bilhões em multas e confisco de ativos pelo uso indevido de um fundo governamental multibilionário.

O tribunal considerou Najib, de 72 anos, culpado por abuso de poder e lavagem de dinheiro envolvendo o 1MDB, um fundo soberano criado por ele após assumir o cargo em 2009. As autoridades alegam que Najib e seus associados desviaram mais de $4.5 bilhões do 1MDB entre 2009 e 2014, transferindo recursos por países como Estados Unidos, Singapura e Suíça. Parte do dinheiro teria sido usada para financiar filmes de Hollywood, incluindo o indicado ao Oscar “O Lobo de Wall Street”, e o Goldman Sachs enfrentou bilhões em multas por seu envolvimento com o 1MDB. Najib, que governou a Malásia até 2018, está preso desde 2022 por acusações relacionadas. A nova pena de 15 anos começará a valer após o término da atual, em 2028.

Najib afirma que foi enganado pelo empresário malaio Low Taek Jho, que permanece foragido.

Imagem aqui