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08 janeiro 2009

Custo

O texto a seguir mostra a questão do efeito da economia de escala no custo de produção. Em geral, uma produção de maior quantidade tende a reduzir o custo unitário. Uma das razões é o fato de que parte do custo é fixo.

Genérico antiaids produzido no País custa até 7 vezes mais que importado
Entre os motivos para a diferença estão menor escala de produção e dificuldades na política industrial farmacêutica
Lígia Formenti
Remédios genéricos anti-retrovirais produzidos no Brasil chegam a custar até sete vezes mais do que aqueles fabricados em outros países. A diferença, reconhecida pelo Ministério da Saúde, é fruto da produção em menor escala, da maior dificuldade em comprar matéria-prima e da falta histórica de uma política industrial farmacêutica.

Mas o preço alto também é atribuído, em parte, a uma espécie de "comodismo" dos laboratórios oficiais. "O setor sabe que é estratégico e, diante da segurança que essa situação lhe dá, nem sempre toma as medidas necessárias para se tornar mais competitivo", afirma a pesquisadora de economia em saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro Lia Hasenclever.

A organização Médicos Sem-Fronteiras há alguns anos informa preços de medicamentos usados por pacientes com aids. Comparando os valores apresentados pela organização com os do Programa Nacional de DST-Aids, nota-se uma variação significativa (mais informações nesta pág.). Essa desproporção já havia sido destacada antes em duas pesquisas, uma delas divulgada em dezembro de 2007. Questionado na época, o governo havia afirmado que os preços seriam reduzidos em 20% neste ano. A previsão foi cumprida, mas, mesmo assim, a desigualdade de valores continua.

A diferença entre os preços dos genéricos antiaids nacionais e indianos tornou-se significativa a partir de 2005. Um estudo feito por Alexandre Grangeiro, pela economista Luciana Teixeira e pelo pesquisador Francisco Bastos sobre a trajetória dos gastos com anti-retrovirais entre 1988 e 2005 mostrou que, neste último ano, preços dos remédios brasileiros destoavam da tendência internacional. Enquanto aqui os preços subiam, no exterior era registrada uma redução de até 53% nos valores. "A produção nacional é extremamente importante. Mas temos de perseguir preços mais baixos, vantajosos em todas as áreas, seja no mercado externo, seja no interno", diz Luciana, que também é consultora da Câmara dos Deputados.

Os laboratórios nacionais produzem 9 dos 17 remédios usados no coquetel para tratamento de pacientes com aids. A partir de 2009, mais um produto será acrescentado à lista, o Efavirenz, anti-retroviral produzido pela Merck que, em 2007, teve a licença compulsória decretada.

Os produtos feitos no Brasil representam pequena parcela do que é gasto com medicamento no Programa Nacional de DST-Aids. A maior fatia da verba, 72%, é consumida com remédios protegidos por patentes. "Essa é uma das razões que acabam desviando a atenção sobre o quanto custa o remédio produzido no País. Como a fatia é menor, a discussão sobre os preços acaba ficando em segundo plano", afirma Luciana. Mas há outra razão para que a discussão não seja enfrentada: a convicção de especialistas de que é preciso incentivar a produção nacional e o receio de que, ao apontar falhas na área, haja pressões para que a compra passe a ser feita com outros fornecedores.

OUTRO CAMINHO

"O fato de o preço de alguns produtos ser maior é um problema que precisa ser enfrentado, mas nem de longe deve se pensar em substituir a produção nacional por produtos mais baratos. O caminho a seguir é outro", diz Eloan dos Santos Pinheiro, ex-diretora de Farmanguinhos.

Grangeiro, que já foi coordenador do Programa Nacional de DST-Aids, tem avaliação semelhante. Ao fortalecer a indústria nacional, diz, o País ganha de várias maneiras: afasta o risco da dependência do mercado externo na área de medicamentos, fortalece a economia e garante bons argumentos para negociar preços dos antiaids protegidos por patentes. "Mas isso não exclui a necessidade de buscarmos uma indústria com preços mais competitivos." No seu estudo, Grangeiro aponta evidências do enfraquecimento da indústria nacional produtora de genéricos nos últimos anos. Uma das demonstrações desse processo, afirma, é justamente o aumento de preços desses medicamentos e também as falhas de distribuição, constatadas no período.

A coordenadora do Programa Nacional de DST-Aids, Mariângela Simão, atribui a diferença da tendência de preços a dois fatores - a produção dos genéricos indianos tem escala muito maior do que a brasileira e, naquele país, os encargos sociais são menores. "Tudo isso acaba refletindo no preço final", completa. Eloan destaca outro fator: quando a indústria indiana de genéricos começou a crescer, foi formado uma espécie de consórcio entre produtores de toda a cadeia, desde a matéria-prima até o produto final. "Há um ajuste do quanto deve ser produzido, há uma isenção de impostos em todo o processo, algo que não ocorre no Brasil."

CERTA CONDESCENDÊNCIA?

Eloan afirma que pode ter ocorrido, no passado, uma certa condescendência com laboratórios oficiais brasileiros que não baixaram os preços no momento que deveriam. "Não sabemos ao certo o que ocorreu. Mas o fato é que não há como transformar os preços competitivos de um momento para o outro." Ela avalia que, o ideal, seria estabelecer um cronograma para redução dos preços. A providência, ressalta, deveria ser acompanhada de uma série de outras iniciativas: sistema de compras, tributações, incentivos. "É preciso pensar na produção vertical. Matéria-prima, produtos intermediários, até chegar ao remédio final", diz. Coisa que hoje não ocorre.

Lia Hasenclever acredita que não adianta exigir mudança drástica. Ela ressalta, no entanto, que não há como mudar o tratamento de uma hora para outra. "É preciso dosar, caso contrário, o que pode ocorrer é um enfraquecimento ainda maior dos laboratórios." Como exemplo, cita a mudança, em 2006, no sistema de compras públicas. A partir daquele ano, drogas que antes eram compradas pelo ministério passaram a ser adquiridas por Estados e municípios. "O estabelecimento da concorrência de um momento para o outro acabou abalando as contas de muitos laboratórios." Uma medida, que, para Lia, foi perigosa. "Muitos laboratórios oficiais se queixam que estavam totalmente adaptados para determinada produção e, de repente, esse quantitativo foi alterado, para menos."

(Clique na imagem para visualizar melhor)

Burocracia

Veja e compare

Na primeira foto, o contrato entre o sindicato e a Ford, com 2.215 páginas.



Na segunda foto, o contrato de 1941, com 24 páginas.



Fonte: Aqui

As melhores profissões

Um estudo analisou 200 profissões para determinar a melhor e a pior em termos de critérios relacionados ao trabalho (ambiente, lucro, demanda física, stress)
Os melhores, na ordem: matemáticos, atuários, estatísticos, biológos, engenheiro de software, analista de computadores, historiadores, sociologistas, desenho industrial e contadores. Na seqüência, economista, filosófo, físico. Entre os piores, motorista de táxi, trabalhador da construção civil, mecânico.
Veja aqui

07 janeiro 2009

Rir é o melhor remédio


Links

O bilionário alemão Adolf Merckle cometeu suicídio, atirou-se contra um trem, em razão das suas decisões de investimento. Ele tinha 74 anos e estava ranqueado em 94o. lugar dos mais ricos do mundo, segundo a Forbes. Entre os investimentos do bilionário, montadoras, indústria de cimento e medicamentos. As perdas foram em decorrência da aposta que fez na Volkswagen.

A SEC solicitou a simplificação da contabilidade para imparidade de instrumentos financeiros, evidenciação do efeito do valor justo e questões relativas a iliquidez do mercado.

Venda de carros nos Estados Unidos em 2008

Uma razão para não comer carne (Estadão)

Por que os professores de contabilidade não Blogam?

Esta pergunta foi feita por David Albrecht (Why Accounting Professors Don´t Blog) e a discussão pode ser extendida para o Brasil. Com efeito, existem pouquíssimos blogs de contabilidade no Brasil (do Alexandre Alcântara, do Marcos César, do Lino Martins, entre outros). Para uma profissão com mais de 500 mil profissionais registrados é muito pouco.

Enquanto nos Estados Unidos existem mais de 50 blogs em medicina, 100 em direito e uma grande quantidade em economia, o número em contabilidade é muito reduzido. Albrecht considera que os professores dos Estados Unidos não blogam pelas seguintes razões:

a) A atividade de blogar não conta na carreira acadêmica, ao contrário de publicar artigos em periódicos ou mesmo “dar aula”
b) Ênfase, por parte da elite acadêmica, na “accountics”. Este modelo de pesquisa e publicação na contabilidade deixa de lado o juízo de valor e a opinião, valores que são enfatizados na atividade de ter um blog
c) A natureza dos professores de contabilidade, que são conservadores e tradicionais, resistindo às mudanças.

Analisando os argumentos de Albrecht podemos dizer que são válidos também para o Brasil. Ter um blog não conta na Capes ou numa carreira acadêmica (sequer é considerado relevante. Veja, a título de exemplo, a página do meu departamento , da Universidade de Brasília, que não tem um vínculo para este blog.)

O segundo argumento também é válido. Hoje os professores pesquisadores estão mais preocupados em baixar dados da Economática, fazer testes estatísticos e, a partir daí, tentar propor uma teoria.

O terceiro aspecto também é válido. O conhecimento de internet é escasso e alguns sequer sabem que construir um blog é muito simples nos dias de hoje. Alguns sequer conhecem os instrumentos de agregação de notícias, como o Google Reader (se o leitor não conhece, vale a pena conhecer. Entre na página do Google, cadastre usando um e-mail e faça um link para seus endereços preferidos, incluindo este, obviamente. Toda vez que tiver uma alteração no seu endereço você pode ter acesso através do Reader. Para vocês terem uma idéia, no meu Reader eu recebo em torno de 800 a 1000 alterações por dia, alterações que me ajudam a fazer atualizações diárias no Contabilidade Financeira.).

Acrescento um quarto elemento à lista de Albrecht. Ter um blog requer muito trabalho e dedicação. Temos que ter uma rotina diária, que muitas vezes consome um bom tempo.

O resultado da Crise

Apesar da subestimação do efeito da crise no Brasil, por parte dos políticos, o efeito é visível.

Valor das empresas na bolsa recua R$ 871 bilhões no ano
Ter, 30 Dez, 01h13
As empresas brasileiras listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) perderam R$ 871 bilhões em valor de mercado neste ano, o que significa uma perda de 41,5% em relação ao valor de dezembro do ano passado, segundo estudo da consultoria Economática. No dia 31 de dezembro de 2007, as 323 empresas analisadas pela Economática valiam R$ 2,097 trilhões. Quase um ano depois, no dia 26 de dezembro, o valor dessa mesma carteira era de R$ 1,225 trilhão.

(...) Em valores absolutos, as maiores perdas foram as da Petrobrás (de R$ 430 bilhões para R$ 220 bilhões) e da Vale (de R$ 270 bilhões para R$ 136 bilhões). "As duas, somadas, representam 40% de toda a queda de valor das empresas neste ano", diz Rivero.

Analisando-se, no entanto, a queda do valor de cada empresa, aquelas em pior situação são a Construtora Rossi - cujo valor no Ibovespa no fim de 2007 era de R$ 3,55 bilhões e na semana passada era de R$ 690 milhões (perda de 80,6% de valor de mercado) - e Aracruz. Há um ano, a empresa de papel e celulose valia R$ 14,7 bilhões e atualmente vale R$ 3,1 bilhões (perda de 78,9%).

"O setor de construção civil, representado por 29 empresas na nossa análise, foi o mais afetado ao longo de 2008. Teve uma queda de 72,4%, ou R$ 38,4 bilhões", diz Rivero. "Havia muitas empresas novas na bolsa, com valor acima do real. Um ajuste natural de mercado, seguido da crise econômica, e o preço das ações despencou."

(...) Apenas sete empresas apresentaram desempenho positivo este ano, segundo o levantamento: Nossa Caixa (alta de 188,2%), Brasil Telecom (33,2%), Ultrapar (33,2%), CTEEP (15,3%), Natura (12,8%), Eletrobrás (8,2%) e JBS-Friboi (4,6%).

Para Agostini, da Austin Rating, essas empresas - com exceção da Nossa Caixa - estão dentro de um grupo menos afetado pela crise. O economista acredita que os setores de energia e alimentos serão os que primeiro apresentarão melhora. [A Nossa Caixa foi objeto de aquisição este ano, e isto explica este desempenho]