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Mostrando postagens com marcador aposentadoria. Mostrar todas as postagens
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27 setembro 2022

Aposentadoria no mundo

Um relatório com alguns dos principais países do mundo indicou onde é mais interessante "ser aposentado".  O relatório pode ser obtido aqui e, ao contrário de muitos documentos deste tipo, há uma preocupação com a descrição metodológica. O resumo, em forma de gráfico, está abaixo:

O Brasil não está muito bem na listagem, mas é importante destacar que o número de países onde foi realizada a análise é reduzido. Os países escandinavos novamente se destacam. 

A metodologia empregada considera vários quesitos, mas está baseada em quatro "pilares": saúde, finanças, qualidade de vida e bem estar material. O nosso destaque é em Finanças. Mas o bem estar material do nosso país teve um parâmetro de 4% (versus 71% no tópico Finanças)


05 julho 2017

Contabilidade de Pensões

Os fundos de pensão podem ser no futuro um grande problema para o Canadá. É o que afirma Al Rosen, um contador daquele país. Grande parte da dívida pública daquele país, de 4 trilhões de dólares, está, de certa forma, vinculada ao problema da aposentadoria. E 75% das dívidas não estão computadas nas demonstrações contábeis do setor público (figura ao lado). Segundo Rosen:

Os investidores estão sendo roubados sistematicamente em grandes quantias da poupança da sua aposentadoria

Rosen afirma que os problemas contábeis resultantes do gerenciamento do resultado, que inclui a capacidade proporcionada pelos padrões internacionais de inflar lucros. Com efeito, nos últimos anos, o Canadá conviveu com escândalos da Valeant, Nortel e Sino-forest. No caso das pensões, os pressupostos assumidos como expectativas de vida, taxas de descontos e de retornos, permitem que a gestão possa manipular os resultados.

20 julho 2015

Finanças Pessoais: Não cometa estes erros

Enquanto procurávamos um novo assunto para hoje, encontramos algumas fontes apontando erros que não devem ser cometidos ao se tratar de finanças pessoais. Achamos válido listá-los para que fortifiquemos a nossa educação financeira. Quando decidimos colocar as nossas finanças no lugar, organizar os gastos, cortar supérfluos, podemos ficar um pouco desnorteados. O que fazer? Por onde começar? Será isso suficiente? Conseguirei seguir com essas alterações no meu estilo de vida?

Se você leva a sério e quer tomar controle das suas finanças e alterar seus hábitos financeiros ruins, então é necessário lidar com algumas questões e ir voltando ao trilho.

Vamos a alguns pontos fundamentais:
1) Pagar apenas o mínimo das suas dívidas: Nunca pague apenas o mínimo exigido nas cobranças e ajude as pesssoas que você conhece a também não cometer esse erro. Junto com o cheque especial, pagar o mínimo da fatura do cartão de crédito entra como rasgar dinheiro. O filme Shopaholic (Os Delírios de Consumo de Becky Bloom) é bem engraçado, mas nunca façam nada semelhante, especialmente no Brasil (i. e. ignorar faturas, fugir de cobradores, gastar muito mais do que ganha e se convender de que é um investimento). Não entre em negação e vire as costas para as suas dívidas, não pague apenas o mínimo para resolver depois. Os juros são absurdos e não compensam. Seja proativo, pague as suas dívidas. Se livrar disso te trará paz e te fornecerá um bom ponto de partida financeiro para o resto de sua vida.

Esse pode ser um dos passos mais difíceis de serem tomados, mas a partir do momento em que você se compromete a se livrar das dívidas, tudo é possível.

2) Não guardar o suficiente para a aposentadoria: vários jovens de vinte e poucos anos nem pensam em poupar para a aposentadoria porque concluem que há toda uma carreira a sua frente. Esse é um erro financeiro gigantesco. A melhor coisa de poupar quando se é jovem é que você terá os juros compostos a seu favor. A partir do momento em que você conseguir seu primeiro emprego, comece a separar 10% da sua folha de pagamento para a sua aposentadoria.

Você vai achar que é impossível abrir mão de tanto, mas a verdade é que, quanto mais velho você ficar, mais despesas terá. É simplesmente cada vez mais complicado se separar do seu suado dinheiro.

3) Não possuir um fundo emergencial: se você não possui um fundo para emergências significa que está a uma emergência de um desastre financeiro. O que acontecera se você tiver uma crise de saúde, se for preciso investir dinheiro em um advogado, ajudar alguém que você quer muito bem. O que acontecerá se você não puder trabalhar? Falaremos especificamente sobre fundos de emergência em outra postagem, mas comece a separar algum dinheiro especificamente para isso.

4) Gastar tudo o que você ganha: acho que quase todo mundo sabe que não se deve gastar tudo o que ganha, não é mesmo? Mas e você? Está separando poupando algum dinheiro? Além do seu fundo para emergências, você precisa poupar para objetivos específicos. Independente de o seu foco ser comprar um carro ou viajar... há diversas metas que estabelecemos e que custam muito e precisamos poupar para isso. Comece a alcançar esses objetivos separando algum dinheiro durante o ano.

5) Ostentação: com o advento do Facebook, Instagram e n outras mídias sociais, pode ser uma armadilha tentar acompanhar algumas tendências ou personalidades. Toda vez que você vê a foto de alguém em uma viagem, com um carro novo, com maquiagens novas, em um evento badalado e caro, você se pergunta por que não pode ter essas coisas já que você também as merece, não é mesmo? Mas se afaste disso, se mantenha longe da tentação encontrando dentro de você a confiança no seu estilo de vida, sabendo o que você realmente pode (e quer) comprar. A grama do vizinho pode parecer mais verde, mas você não está vendo as cobranças, dívidas, empréstimo, que vem com tudo isso.

E você? Já cometeu algum desses erros? Pode nos ajudar com alguns outros pontos?

14 outubro 2014

Taxa de Desconto e Fundo de Pensão


Alex Tabarrok lembra que a Holanda utiliza um método rigoroso para determinação do valor presente das aposentadorias. Considerando que os pagamentos de pensão não deveriam comportar risco, utiliza-se a menor taxa de desconto possível. Isto faz com que os pagamentos sejam mais elevados hoje. Usar uma taxa de desconto maior significaria atingir as gerações jovens.

Para Tabarrok isto está correto uma vez que os pagamentos são certos. Esta discussão deveria ser aproveitada pelos brasileiros. Mas parece que a geração atual é egoísta, já que defende o fim do fator previdenciário, aceita a aposentadoria de pessoas que pouco contribuí para a sua aposentadoria (juízes classistas, uma praga que existiu no passado, que trabalhavam quatro anos e tinha aposentadoria completa) e cria benefícios malucos de longo prazo (filhas de militares, desde que solteiras, por exemplo, recebem a pensão do pai).

16 janeiro 2014

Listas: As maiores aposentadorias do Brasil

Fonte: Folha de S Paulo

Importante: Existem algumas distorções nesta lista (falta dos juízes classistas, o fato de considerar somente o legislativo federal etc).

28 novembro 2013

Pensão para o Executivo da Peugeuot-Citroen

O atual comandante da Peugeot-Citroen, Philippe Varin, deverá receber a módica quantia de 21 milhões de euros (ou 66 milhões de reais) de pensão, caso decida aposentar-se. O valor faz parte de um contrato secreto, mas a empresa passa por dificuldades financeiras e decidiu congelar os salários dos trabalhadores.

01 outubro 2012

Contrarreforma na Previdência (II)


FABIO GIAMBIAGI É ECONOMISTA E AUTOR DE REFORMA DA PREVIDÊNCIA ED. CAMPUS) - O Estado de S.Paulo
Dou continuidade, com o texto de hoje, ao artigo da semana passada, no qual abordei o desafio previdenciário. Naquele quis mostrar as tendências com que o País se defronta e apontar para o desleixo com que se tem abordado o fenômeno. O relato da incúria nacional, porém, não acaba nas questões já tratadas.
Sabia-se há tempos que no Brasil as famílias têm cada vez menos filhos e que a sociedade está envelhecendo. Com base nessas premissas, a revisão populacional do IBGE de 2008 projetou a população até 2050, ano a ano, incluindo a previsão para 2010. Pouco depois foi possível cotejar previsão e realidade, à luz dos dados do Censo de 2010. E a realidade acabou confirmando aquele cenário, mas em escala mais intensa: o Censo informou-nos que as famílias estão tendo menos filhos - porém foi além e disse que estão tendo ainda menos filhos do que se imaginava. E ele nos informou que as pessoas estão vivendo mais - porém também neste caso foi além e disse que estão vivendo mais do que se supunha.
A comparação dos resultados observados em 2010 do Censo daquele ano com o cenário populacional para 2010 previsto na revisão de 2008 indica que a população total se revelou muito próxima da prevista - apenas 1% inferior à projeção - e o grupo de 15 a 59 anos foi praticamente o mesmo que na projeção. O mais importante, contudo, foi o que aconteceu com os grupos etários extremos. No grupo de crianças e adolescentes, a população efetivamente observada no Censo de 2010 entre zero e 14 anos revelou-se 7% inferior à prevista na projeção feita em 2008 para aquele ano. Já a população com 60 anos e mais no Censo de 2010 foi 7% maior do que a projeção. Os efeitos de longo prazo, se o País não se preparar para essa realidade, serão dramáticos: haverá poucas crianças e poucos jovens - menos ainda do que imaginávamos; e haverá muitos idosos - que viverão mais do que se pensava. Trata-se de um desafio maiúsculo.
Por um lado, isso é ótimo. Quem não gosta de poder viver mais? Por outro, mais idosos com menos indivíduos trabalhando representarão uma combinação pesada para a geração que vier a sustentar as nossas aposentadorias. Que as pessoas envelheçam e as sociedades tenham de se adaptar a isso é parte da vida. Que os nossos filhos tenham de pagar mais para financiar uma legião de aposentados que teremos nos aposentando precocemente, todavia, é um ato de egoísmo para com as gerações seguintes.
Nada disso é novidade - mas todos fingem que o problema não existe. O governo federal optou anos a fio por surfar na popularidade fácil, em vez de arregaçar as mangas e se dedicar à arte do convencimento, mostrando a importância de aprovar uma reforma previdenciária. O mercado tapou os olhos para aqueles números a fim de ganhar rios de dinheiro nos anos de euforia. E os diversos grupos sociais curtiram o período na base do "vou muito bem, obrigado", desde os mais pobres, que ganharam Bolsa-Família, até os mais afortunados, que aproveitamos os anos de dólar barato para frequentar com assiduidade o exterior.
À luz dessa situação, o virtual fim do fator previdenciário, de que o governo estaria cogitando para depois das eleições, tem um conflito insanável com a lógica. De fato, a uma situação já complexa por questões demográficas o fim do fator previdenciário adicionará um problema maior ainda: a cada aposentado que vier a falecer, nós o estaremos substituindo no sistema por outro que, em média, vai ter um plus de remuneração de 25%. A conta a ser paga pelos nossos filhos vai aumentar. O argumento de que "50 anos depois o sistema vai estar ajustado" passa por cima do fato de que a despesa do INSS em 2020 ou 2030 tende a ser maior do que com as regras atuais. Isto é, não se trata de uma reforma, mas de uma contrarreforma.
Quando na Argentina mudaram as regras de aposentadoria nos anos 1990, o então ministro da Economia, Domingo Cavallo, também dizia que 50 anos depois as contas melhorariam. Mas quando veio a crise a única coisa que interessava ao mercado era o resultado primário mês e mês - e esse, no Brasil, com a proposta do governo, e tudo o mais constante, deve piorar.
Há fatos na vida de uma nação cuja dimensão é óbvia - dez anos depois. Hoje sabemos todos que a Lei de Informática foi um desastre para o desenvolvimento do País, mas nos anos 80 era extremamente popular. Com a proposta em discussão pode acabar acontecendo a mesma coisa: o fim do fator previdenciário poderá até ser aprovado por unanimidade, mas no futuro vamo-nos arrepender amargamente.
A ideia de combinar idade de aposentadoria e tempo de contribuição, definindo uma soma mínima, é engenhosa e evitaria valores muito baixos com o fator previdenciário. Ela merece ser explorada (na direção de avançar para uma regra mais dura, como 95/100), mas não há uma única razão técnica para que a proposta tenha de ser vinculada ao que, na prática, seria a eliminação do fator.
De fato, a nova regra poderia conviver perfeitamente com o fator previdenciário, como uma exigência complementar à do tempo contributivo. A racionalidade da exigência de que a soma do tempo contributivo e da idade de aposentadoria obedeça a um valor mínimo não combina com o populismo do fim do fator. Se o problema é o baixo valor com sua aplicação quando as pessoas se aposentam cedo, o correto é fazê-las trabalhar por mais tempo. Na prática, o que o fim do fator vai fazer é promover um aumento das futuras aposentadorias, agravando o problema que temos em perspectiva em razão do envelhecimento da população.
Foi por causa desse tipo de atitudes que a Grécia se converteu no que é hoje. Se daqui a dez ou 20 anos o resto do mundo julgar que o Brasil agiu como um país irresponsável, não poderemos reclamar.

24 setembro 2012

Contrarreforma na Previdência I


FABIO GIAMBIAGI -ECONOMISTA; AUTOR DE REFORMA DA PREVIDÊNCIA, (ED. CAMPUS) - O Estado de S.Paulo

Em minhas palestras gosto de perguntar à plateia qual foi a notícia de 2008 com maior impacto para a vida futura de nossos filhos. Invariavelmente, a resposta é: "A crise financeira". Porém, no dia em que os historiadores, daqui a 50 anos, se debruçarem sobre o período, talvez a crise de 2008 seja no Brasil apenas uma nota de rodapé. Ao mesmo tempo, o fato que - disparado - foi a novidade mais importante de 2008 para os brasileiros foi solenemente ignorado por todos: imprensa, governo, opinião pública e o (frequentemente míope) mercado. Refiro-me à revisão da projeção populacional feita pelo IBGE naquele ano.

Nas palestras costumo chocar a plateia com um slide em que está escrito "o dia em que desapareceram 45 milhões de brasileiros", seguido de outro que diz "e ninguém falou uma palavra". Nada no Brasil terá sido mais relevante para definir o contexto em que nossos filhos vão viver nas próximas quatro décadas do que as informações que o IBGE nos trouxe naquela ocasião.

A instituição, que a cada quatro ou cinco anos tem feito revisões da projeção populacional até o ano de 2050 - antecedidas pelas revisões de 2000 e 2004 -, informou que:
A população brasileira, que na revisão de 2004 se imaginava que aumentaria até 2050, passaria a diminuir a partir de 2040;a população total estimada para 2050, que em 2004 tinha sido prevista em 260 milhões de pessoas, alcançaria naquela data, pela revisão de 2008, na verdade, 45 milhões de pessoas a menos;e a população de 15 a 59 anos, que na revisão de 2004 se supunha que cresceria até 2040 para cair depois, a rigor, pela nova revisão, começaria a declinar já em 2028.

Vamos recapitular o quadro em perspectiva um dia antes que o IBGE apresentasse sua revisão no ano de 2008. Até então o IBGE, em função da revisão de 2004, informava que:
A proporção de pessoas com 60 anos e mais de idade, prevista para 10% do total em 2010, aumentaria até 25% do total em 2050;e a população com idades de 15 a 59 anos aumentaria anualmente 0,5% entre 2010 e 2050.Tal quadro já era preocupante. Pois bem, não bastasse isso, o IBGE, em 2008 informou que, na verdade:

A proporção de pessoas com 60 anos e mais de idade aumentaria não até 25%, e sim até 30% do total em 2050;e a população com idades de 15 a 59 anos não aumentaria 0,5 % ao ano, mas, ao contrário, encolheria em termos absolutos entre 2010 e 2050.

A mudança ocorrida entre 2004 e 2008 dava sequência a um fenômeno já observado na passagem da revisão de 2000 para a de 2004: a mudança progressiva do quadro de envelhecimento da população - a proporção crescente de idosos em perspectiva era maior na revisão de 2004 que na de 2000 e foi novamente maior para cada ano na revisão de 2008 que na de 2004.

O número de pessoas com 60 anos e mais para cada 100 pessoas no grupo etário de 15 a 59 anos, previsto para 2050, passou de 38, na revisão de 2000, para 43, na revisão de 2008 e, finalmente, para 52, na revisão de 2008.

Na revisão de 2008 o IBGE nos informou, então, que a população total do Brasil alcançaria um máximo de 219 milhões de pessoas em 2039, passando a declinar posteriormente; e que a população de 15 a 59 anos atingiria um máximo em 2027, caindo depois.

A maioria dos países, defrontados com uma realidade em perspectiva tão desafiadora como essa, teria acionado todos os sinais de alerta, começando a enfrentar a difícil tarefa de explicar à população que as regras de aposentadoria estabelecidas para uma realidade que estava ficando para trás teriam de ser revistas, não apenas porque a realidade estava mudando, mas também porque essa mudança se estava processando num ritmo mais intenso do que o originalmente previsto.

Já o Brasil, porém, preferiu exercitar o seu "lado grego", lembrando o velho tango argentino que diz que vos interpretás las cosas al revés. Não só manteve as regras de aposentadoria intactas, perpetuando o regime surrealista que permite, por exemplo, que as mulheres se aposentem por tempo de contribuição pelo INSS com 30 anos de serviço, em média, aos 52 anos de idade, quando têm a expectativa de viver mais 30 anos, como também aumentou o valor médio da aposentadoria, incrementando o valor real de duas em cada três aposentadorias a uma média de 5% ao ano entre 2008 e 2012.

Defrontada com a crise, recentemente a Grécia fez o impensável: reduziu o valor das aposentadorias - algo cuja brutalidade salta aos olhos. Exatamente para evitarem ter de chegar a essa situação dramática, os países, tendo de encarar o fenômeno do envelhecimento populacional, procuraram adotar mecanismos mitigadores do desequilíbrio futuro do sistema, postergando o momento da aposentadoria. O Brasil do contexto de fantasia dos anos recentes fez exatamente o oposto: não só conservou as mesmas regras esdrúxulas de aposentadoria e pensão no âmbito do INSS - regras que permitem, no limite, que uma moça de 20 anos se case com um idoso de 80 anos que morra um mês depois, deixando para a viúva pensão integral pelas seis ou sete décadas seguintes, sem ter contribuído com um centavo -, como, ainda por cima, aumentou a remuneração real de dois terços dos aposentados.

Diante dessa realidade, o que tem sido publicado na imprensa, que o governo vai anunciar após as eleições - o fim do fator previdenciário -, é uma verdadeira contrarreforma. Num país onde a população de 15 a 59 anos em 2050 será inferior à de 2010 e que se defronta com o imenso desafio de ter de elevar a sua competitividade num contexto em que a Previdência custa cada vez mais, iríamos aumentar o valor das futuras aposentadorias. É simplesmente espantoso.

Voltaremos a tratar do assunto daqui a uma semana.

27 maio 2010

Azar do futuro

A França anunciou ontem o aumento da idade mínima de aposentadoria, que era 60 anos. A Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha, que são países ricos, estão elevando a idade mínima. O Brasil não tem esse piso; aqui aposenta-se contando o tempo de serviço. E na prática estará reduzindo a idade se não for vetado o fim do fator previdenciário.

Em apenas quatro anos a previsão do IBGE sobre os idosos de 2050 aumentou 20%. Parece longe 2050, mas em previdência é assim que se trabalha. Essa mudança da projeção mostra como é dinâmica a demografia brasileira. O Brasil está mudando mais rápido do que os especialistas previam. Isso torna a questão previdenciária mais aguda e urgente. (...)

Na Inglaterra, o Partido Conservador ganhou a eleição dizendo que elevaria a idade de aposentadoria e cortaria gastos. Mas o Brasil em plena temporada da demagogia prefere aprovar o fim do único instrumento que reduziu o ritmo de crescimento das despesas, poupando os cofres públicos de R$40 bilhões de gastos nos anos da vigência do fator previdenciário. E os políticos fazem isso pensando em capturar votos. Devem pensar assim: azar do futuro.


Azar do futuro - Miriam Leitão - O Globo (via Diário de Pernambuco) - 27/5/2010

24 fevereiro 2010

Aposentadoria


O gráfico, da revista The Economist (Golden years, 23/fev/2010), mostra, em diversos países, três informações: (a) na esquerda, a idade da aposentadoria, em anos; (b) de azul, o número de anos que o aposentado vive após esta idade, no período de 1965-70; (c) de laranja, o mesmo número, agora no período de 2002 a 2007.

Uma comparação entre as barras da direita mostra que o número de anos que um aposentado vive aumentou. Na França, por exemplo, o aposentado vivia 10 anos depois da aposentadoria; agora vive quase 25 anos, representando um aumento de 15 anos. Este aumento decorre da melhoria das condições de vida dos idosos, que inclui a melhoria na medicina.

Uma conseqüência é o peso dos aposentados nas contas públicas e a contabilidade pública. A estimativa dos aposentados passa ser relevante nos modelos atuariais da contabilidade pública.

Efeito colateral recai sobre os sistemas de custos. Estes sistemas na área pública geralmente não levam em conta o custo da aposentadoria (para isto, veja o livro Custos no Setor Público, da Editora da UnB). Faz-se necessário uma discussão sobre o assunto.

21 dezembro 2009

Aposentadoria nas estatais

Indenizações inflam gastos do governo
Edna Simão
O Estado de São Paulo - 21/12/2009

A liberação de incentivos financeiros para estimular principalmente a saída dos aposentados das estatais está aumentando os gastos do governo federal com pagamento de indenizações trabalhistas. De janeiro a novembro, somente nas estatais, esse desembolso passou de R$ 67,094 milhões no acumulado de 2008 para R$ 126,798 milhões em 2009. Se somarmos os gastos do governo, o total pula para R$ 155,565 milhões. E a perspectiva é que continuem crescendo.

Isso porque as estatais encontraram nos Programas de Demissão Voluntária (PDV) a solução para renovar seus quadros sem ter de arcar com o desgaste político de uma onda de demissões de aposentados. Mas a ação impacta diretamente no aumento dos gastos do governo com pessoal.

A possibilidade de o trabalhador se aposentar por tempo de contribuição no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e manter o vínculo empregatício preocupa o governo porque, além de impedir a troca de funcionários, contribui para o aumento do déficit previdenciário.

Nas empresas públicas, muitos dos cargos com salários mais saltos - por causa da incorporação de gratificações - estão nas mãos dos aposentados, que só saem da empresa com incentivos financeiros. Esse quadro vem se deteriorando desde 2006, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a concessão de aposentadoria espontânea não rompe os vínculos empregatícios. De lá para cá, 76.225 pessoas se aposentaram e mantiveram o vínculo empregatício nas principais empresas do País.

Na avaliação do ministro da Previdência Social, José Pimentel, em algum momento, a sociedade terá de debater o custo da decisão do STF para os cofres públicos. “Na Previdência, esse impacto não é tão significativo. Após 30 anos de contribuição da mulher e 35 anos do homem, eles têm o direito de solicitar aposentadoria, o que está sendo cumprido. A consequência maior é a renovação desses empregos, que são os melhores do Brasil”, afirmou o ministro.(...)

05 novembro 2009

Melhor lugar para Aposentado

O sítio Free Money fez um levantamento do melhor lugar para um aposentado viver. Para isto levou em consideração fatores como imóvel (15% do peso), diversão, recreação e cultura (10%), custo de vida (20%), estabilidade e segurança (5%), médicos (20%), clima (5%), benefícios especiais (20%) e infra-estrutura (5%). O resultado final foi o seguinte:

Equador
México
Panamá
Uruguai
Itália
França
Brasil
Argentina
Costa Rica
Austrália

24 fevereiro 2009

Aprendendo com a História

No inicio dos anos 70, Detroit concordou que seus trabalhadores aposentassem com pensão e benefícios completos depois de 30 anos de trabalho, independente da idade. Na prática isto significava que um trabalhador poderia começar com a idade de 18 e aposentar com 48, e gastar muito mais anos com a pensão e o plano de saúde que ele ou ela realmente gastaram. (...) O programa de 30 anos persiste – uma parte que inflou a estrutura de custos que tornou não lucrativo para Detroit fazer pequenos carros nos EUA. Outro exemplo: cada fábrica de Detroit possui ainda dezenas de comitês de sindicatos (...) que realmente são pagos pelas empresas de automóveis.
Paul Ingrassia no Wall Street Journal via MJ Perry (Start at 18, Retire at 48, Spend More Yrs. Getting Pension, Free Health Care Than Yrs. Working)


Isto lembra alguma coisa? Será que não estamos cometendo o mesmo erro com nossa previdência pública?

26 janeiro 2009

Esperteza

Algumas empresas estão aumentando o valor dos planos de aposentadoria para os executivos, usando uma fórmula generosa para converter a pensão num único pagamento.

A prática, desconhecida até a mudança na exigência de evidenciação, pode aumentar o valor da pensão de um CEO de 10 a 40%, aumentando em milhões de dólares o valor. Os montantes adicionais nem sempre estão refletidos na contabilidade, devido a complexidade das regras.

A lista inclui executivos da Dun & Bradstreet, Hartford Financial, McKesson, PPG Industries, United Technologies, Texas Instruments e U.S. Steel, conforme exame dos relatórios financeiros pelo Wall Street Journal.

Pensões normalmente são pagas em parcelas, ao longo da vida de um funcionário aposentado. Mas muitos executivos preferem obter as suas pensões de uma só vez, em parte para evitar o risco de perder o benefício se a empresa falir depois. (...)

How Some Firms Boost the Boss's Pension, Mark Maremont, 23 January 2009, The Wall Street Journal, A1