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17 janeiro 2026

Escrita, contabilidade e números


Quanto mais estudamos o passado, mais nos deparamos com grandes incertezas. Sendo este um blog de contabilidade, estar atento às “novidades” oriundas das descobertas arqueológicas pode ser algo relevante.

Um dos temas mais interessantes nessa área de pesquisa é a investigação sobre os primórdios dos sistemas numéricos. Estamos falando de milhares de anos, e tudo indica que o controle do patrimônio e a arrecadação de tributos sobre a riqueza tenham desempenhado um papel central. Até mesmo o fato de a numeração ter precedido a escrita — algo que hoje nos parece razoável — é um indício de que tarefas contábeis podem ter contribuído para a forma como as principais civilizações passaram a se comunicar.

Uma descoberta recente lança uma questão ainda mais intrigante: talvez a noção de números seja muito mais antiga do que se imaginava. Uma cerâmica datada de cerca de 8 mil anos apresenta flores organizadas em uma sequência geométrica no que se refere ao número de pétalas. Em outras palavras, talvez os números não estivessem representados por uma notação formal, mas o conhecimento matemático já estivesse presente no desenho.

Pesquisadores de Jerusalém publicaram suas conclusões em um periódico de pré-história, argumentando que alguns desenhos em cerâmicas da Mesopotâmia, com motivos florais, indicam que o ser humano já possuía certo domínio matemático. Os padrões geométricos mostram flores com quatro, oito, dezesseis, trinta e dois ou sessenta e quatro pétalas — algo que um aluno do ensino médio reconheceria como uma progressão geométrica.

Isso leva os pesquisadores a sugerirem que os halafianos já possuíam um entendimento desenvolvido para dividir a terra ou seus frutos em partes iguais. Trata-se de um conhecimento que antecede a matemática de base 60, adotada apenas mais de 1.500 anos depois. 

Y. Garfinkel and S. Krulwich. The earliest vegetal motifs in prehistoric art: painted Halafian pottery of Mesopotamia and prehistoric mathematical thinking. Journal of World Prehistory. Published online December 5, 2025. doi: 10.1007/s10963-025-09200-9

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16 janeiro 2026

Wikipedia faz acordo ... 2

Depois de postar sobre o acordo da Wikipedia com as empresas de tecnologia, encontrei o gráfico a seguir, na newsletter do Chartr. No caso, o texto comenta sobre os 25 anos da enciclopédia, completados no dia 15 de janeiro. 

Nos últimos meses há uma redução no uso da enciclopédia, apesar do uso intenso por parte das empresas de IA. O que está ocorrendo com a Wikipedia também ocorre com Stack Overflow. 
 

Rir é o melhor remédio

Da comunidade LinuxBrasil Reddit

Propaganda ou ...


O resumo: 

 Analisamos mais de 27.000 transmissões ao vivo em redes sociais realizadas por fundos mútuos chineses para investigar se elas atingem o objetivo dos reguladores de melhorar as decisões de investimento dos investidores de varejo. Nossos resultados indicam que as transmissões geram entradas significativas de recursos, muitas vezes poucos minutos após o início. No entanto, em vez de educar os investidores, essas transmissões intensificam o comportamento de perseguição a retornos e antecipam quedas acentuadas no desempenho dos fundos. Investidores que compram em resposta às transmissões obteriam retornos mais elevados ao investir em fundos de índice ou mesmo ao manter recursos em caixa. Análises adicionais, utilizando algoritmos de aprendizado profundo, revelam que as transmissões são mais persuasivas quando os apresentadores são fisicamente mais atraentes, usam linguagem mais positiva e demonstram maior entusiasmo. Concluímos que as transmissões ao vivo funcionam principalmente como publicidade persuasiva e que os reguladores devem ser cautelosos em relação a iniciativas educacionais conduzidas por vendedores de produtos financeiros ao consumidor. Concluímos também que evidências anteriores sobre os benefícios do uso de redes sociais por empresas em mercados de ações não se estendem aos mercados de produtos financeiros nesse contexto.

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Wikipedia faz acordo com empresas de IA


A enciclopédia Wikipedia assinou acordos com diversas empresas que estão por trás de ferramentas de inteligência artificial, como Amazon, Microsoft, Meta e Perplexity. A enciclopédia possui mais de 65 milhões de artigos, e as empresas de desenvolvimento de IA terão acesso direto a essa coleção.

A enciclopédia é importante para essas empresas e para essa tecnologia, que dependem das informações do conteúdo da Wikipedia para operar. Para a Wikipedia, o cenário era o seguinte: houve uma redução no acesso ao seu conteúdo por usuários humanos desde o surgimento da IA, mas seus computadores passaram a trabalhar mais devido ao acesso intensivo dos modelos de IA.

Em termos contábeis, a parcela de custos aumentou sem que isso tivesse sido acompanhado por um aumento na receita da Wikipedia, que depende do interesse dos usuários em realizar doações. As empresas de tecnologia perceberam, então, que era muito importante manter a enciclopédia funcionando.

O acordo também é justo com os pequenos doadores. Segundo palavras de Wales, que está à frente da Wikipedia, eles não doam para subsidiar grandes companhias de IA. Recentemente, a enciclopédia cogitou usar IA para desenvolver conteúdo, mas a iniciativa enfrentou resistência de editores e escritores.

Fonte das informações: Frank Landymore, Futurism, 15 de jan de 2026

IA, pesquisa e interesse

Não é bem uma surpresa, mas, dos 10 artigos mais baixados do SSRN na área de finanças todos são de Inteligência Artificial. 

O curioso é a listagem de instituições que mais fizeram downloads em cada artigo. Veja o exemplo a seguir, do artigo número 1 da lista:

Como se trata de uma pesquisa da Cornell a presença da universidade não é estranha. No entanto, as outras quatro instituições são instituições financeiras ou derivadas. O mercado está bastante atento ao que vem sendo produzido nas pesquisas acadêmicas sobre o tema.

Parece também óbvia a predominância de países desenvolvidos. E isso se repete nos demais artigos que figuram entre os mais baixados. 
 

15 janeiro 2026

Oracle processada


A Oracle é uma empresa multinacional de tecnologia, fundada em 1977 por Larry Ellison. É hoje uma das maiores empresas de software do mundo em termos de capitalização de mercado. Vende softwares de banco de dados, aplicativos de computação em nuvem e diversos outros produtos voltados ao segmento empresarial.

Tentando não perder espaço na área de inteligência artificial, a empresa assinou um contrato de cinco anos com a OpenAI. Para isso, emitiu títulos de dívida no valor de 18 bilhões de dólares. Algumas semanas depois, porém, voltou ao mercado para uma nova captação, de 38 bilhões de dólares, destinada à construção de dois data centers que seriam utilizados no acordo com a OpenAI.

Os compradores da primeira emissão não reagiram bem ao segundo empréstimo e alegam ter sofrido perdas em razão da falta de transparência quanto à situação financeira da empresa. Decidiram, então, processá-la por não ter divulgado que necessitaria de novos recursos. A omissão teria comprometido a adequada avaliação do risco dos títulos.