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15 janeiro 2026

Irã e Contabilidade pública


Desde o final do ano, uma onda de protestos surgiu no Irã, com uma resposta violenta do governo. A questão econômica parece ter um papel importante na instabilidade. Um artigo na The National Interest chama a atenção para a crise hídrica do país, fruto de um problema ambiental. 

Atualmente, o Irã atravessa uma das piores secas, com racionamento de água. Parece que parte da culpa é a construção de barragens e políticas agrícolas inadequadas. Em resposta, o governo acusa vizinhos e inimigos pelo problema, inclusive de manipular o clima. Mesmo sendo um país produtor de petróleo, a questão da água tem levado a apagões de energia. 

Para contribuir, as sanções dos Estados Unidos forçou o Irã a buscar geração de receita, o que afetou o orçamento público. Em termos práticos, o governo tem usado o escambo para apoiar políticas de segurança, por exemplo. Explicando melhor, em lugar de transferir riais, a moeda local, para a defesa, o governo transfere barris de petróleo. Os recursos para armas só chegam depois de vender, de forma independente, esse petróleo.  

A inflação tem aumentado, o que impacta no custo dos alimentos, no valor das pensões, nos salários e na instabilidade econômica. 

Um notícia do Wall Street Journal acrescenta que uma instituição financeira, o Ayandeh Bank, apresentou US$5 bilhões de prejuízos com uma carteira de empréstimos. A quebra fez com que o governo incorporasse a instituição e imprimisse dinheiro para encobrir o rombo. 

A newsletter de Noah Smith de 14 janeiro é uma boa fonte dessa discussão. Não posso deixar de citar a importância da qualidade contábil nas nações do mundo, conforme a análise de Jacob Soll, que já citamos aqui

Um boa notícia: uma nova bolsa no Brasil


O fundo soberano Mubadala Capital, de Abu Dhabi, está lançando uma bolsa de valores no Brasil. A previsão de lançamento é para o final deste ano ou início de 2027. A Base Exchange poderá trazer, finalmente, concorrência ao mercado brasileiro. A sede será no Rio de Janeiro e as operações dependem das aprovações finais da CVM e do Banco Central.

A notícia é bem-vinda quando analisamos os dados do mercado acionário, especialmente o baixo número de empresas de capital aberto. Esse volume é reduzido e incomoda o fato de a "única" bolsa ser também uma empresa que depende de taxas elevadas para compor seu resultado. Essa estrutura sempre pareceu incoerente; o mercado de capitais poderia evoluir muito mais se houvesse concorrência para atrair empresas com custos menores de administração e transação.

Uma inspiração para todos


Um texto publicado no Estado de São Paulo lembra a trajetória de Eufrásia Teixeira Leite (1850-1930). Natural de Vassouras (RJ), Eufrásia é considerada a primeira mulher a investir no mercado financeiro brasileiro, tendo uma trajetória invejável. Sua origem inclui a herança de uma família ligada ao ciclo do café. Além do dinheiro, Eufrásia recebeu educação financeira, algo raro para uma mulher no Brasil do século XIX. Depois de perder os pais, com 22 anos, partiu para Europa e iniciou uma expansão de seus investimentos.


Isso inclui aplicações em títulos públicos, ações e moedas. Seus ativos estavam distribuídos em diversos países, o que indica diversificação. 

Quando faleceu, sua fortuna foi destinada a causas sociais e educacionais em Vassouras. Mais do que isso, sua trajetória é uma inspiração para todos. 

Além do texto do Estadão, você pode encontrar um bom verbete na Wikipedia.  

Rir é o melhor remédio

 


14 janeiro 2026

Religião e Governo


Uma maneira diferente de olhar a relação. Eis o resumo:

As políticas podem moldar valores e crenças pessoais? Para examinar, exploramos a introdução escalonada de iniciativas baseadas na fé em todos os estados dos EUA. Nossa análise de diferenças em diferenças revela que as iniciativas fortaleceram a religiosidade e as visões sociais conservadora-religiosas, como atitudes contra homossexuais. A evidência aponta para efeitos causais; não encontramos diferenças sistemáticas antes da implementação, os resultados são robustos para restringir a comparação com condados contíguos e para a realização de estimativas de três diferenças explorando a heterogeneidade do tratamento. Uma explicação fundamental, em linha com modelos padrão de religião e apoiada por dados sobre organizações sem fins lucrativos, é que as iniciativas facilitaram o estabelecimento de organizações baseadas na fé. 

Fonte: Divine Policy: The Impact of Religion in Government
Jeanet Sinding Bentzen, Alessandro Pizzigolotto & Lena Lindbjerg Sperling
American Economic Journal: Applied Economics, January 2026, Pages 195-247 

Imagem: verbete fé 

Quem adota IA?

O gráfico é da Microsoft, o que significa que não é fruto de uma pesquisa acadêmica. Mas mostra a adoção de Inteligência Artificial no mundo. Emirados Árabes Unidos e Cingapura lideram a adoção, com 64% da população usando algum tipo de ferramenta de IA. Por outro lado, África (9,38% de média), parte da Ásia (14,76) e parte da América do Sul (15,5% na média) tem uma taxa de adoção baixa. No Brasil somente 17,1% da população usa uma ferramenta de IA. 

Quanto mais desenvolvido o país, maior a adoção? Parece que sim.  

Um remédio para o estresse da mudança tributária de 2026


(...) estudos mostram de forma consistente que mascar chiclete aumenta o estado de alerta e a atenção sustentada em cerca de 10% e reduz o estresse em ambientes de laboratório. Pessoas que mascaram chiclete antes de fazer uma apresentação de cinco minutos e um teste de matemática apresentaram níveis mais baixos de estresse. Mulheres que mascaram chiclete antes de cirurgias eletivas tiveram menor ansiedade. Ainda assim, os cientistas não conseguem explicar o mecanismo. “Como se passa da tensão muscular para a estimulação nervosa e, depois, para as mudanças que ocorrem no cérebro?”, questionou um pesquisador. “Isso ainda não foi esclarecido.”

Fonte: aqui