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05 setembro 2025

Ativos Culturais repugnantes são ativos?


O turismo sombrio parece existir na Alemanha. Uma notícia (via blog de Al Roth) informa que algumas pessoas que visitam Berlim procuram o local onde ficava o bunker de Hitler. Hoje, o local é somente um estacionamento, mas mesmo assim não desestimula os turistas. O governo sempre resistiu em transformar o local em atração turística, mas, em 2006, uma placa informativa foi colocada no espaço. Dez anos depois, um museu de história de Berlim construiu uma réplica completa do bunker. 

O Nobel Al Roth propôs o conceito de mercados repugnantes. Mesmo que a sociedade tenha aversão a certos tipos de atividades, podendo proibir ou reprimir sua existência, o mesmo existe. A prostituição, a venda de órgãos humanos, o mercado de ingressos para eventos, o aumento de preços após um desastre são exemplos. O turismo sombrio também seria um exemplo. Mesmo com todo esforço de reprimir a demanda, sempre haverá pessoas interessadas em consumir o produto. 

Aqui uma dificuldade para o contador: seria o local um ativo cultural? Creio que a resposta envolve uma discussão sobre ética do reconhecimento. 

Multa de 3 bilhões de euros para o Google


A União Europeia impôs à Google uma multa recorde de € 2,95 bilhões (aproximadamente US$ 3,5 bilhões) por práticas anticompetitivas na área de tecnologia de publicidade (ad tech), incluindo o favorecimento de seus próprios serviços, um comportamento conhecido como “self-preferencing”. Essa penalidade representa o quarto grande processo antitruste contra a empresa no mercado europeu nos últimos anos. A Comissão Europeia determinou que a Google deve cessar tais práticas em até 60 dias, sob risco de enfrentar ações mais rigorosas, incluindo a obrigatoriedade de vender parte do seu negócio de ad tech, segundo notícia do Financial Times (via aqui).

Google anunciou que irá apelar.

A força da Wikipedia


No Pluralistic leio que a razão pela qual  a Wikipédia funciona tão bem na prática, mesmo que, em teoria, pareça caótica: em vez de verificar os editores, passou a verificar as fontes. Ou seja, o critério de confiabilidade repousa nas referências citadas, e não na identidade ou qualificação dos editores. 

A Nupedia, que antecedeu a Wikipédia, exigia que os autores fossem especialistas e demorava a produzir conteúdo (apenas 20 artigos no primeiro ano). O mesmo ocorria com a Britânica - isto é uma afirmação minha, não do Pluralistic. 

Assim, uma página pode afirmar algo não porque seja um fato incontestável, mas porque uma fonte confiável publicou essa informação e isso pode ser verificado por qualquer pessoa. Essa estrutura fundamentada em fontes verificáveis sustenta a credibilidade da Wikipédia, mesmo com milhares de colaboradores anônimos ou pseudônimos empenhados na criação coletiva de conhecimento. 

04 setembro 2025

Método científico é relevante?


As conclusões são impactantes:

Usando dados sobre todas as principais descobertas científicas — incluindo tanto as que receberam o Prêmio Nobel quanto outras grandes descobertas — podemos abordar a questão do quanto o “método científico” é de fato aplicado na realização das pesquisas mais inovadoras e se precisamos ampliar esse conceito central da ciência. Este estudo revela que 25% de todas as descobertas desde 1900 não aplicaram o método científico comum (com seus três elementos). Especificamente, 6% das descobertas não usaram observação, 23% não usaram experimentação e 17% não testaram uma hipótese. Assim, as evidências empíricas desafiam a visão tradicional do método científico.

O texto original pode ser obtido aqui  . Imagem aqui

Pilares de Esperança

“Pilares da Esperança” é um nome irônico dado às barras de aço de arranque — também chamadas de vergalhões de espera ou extensões de armadura — que ficam projetadas dos telhados das casas após a construção. Deixar essas barras expostas é uma solução prática, pois economiza tempo e dinheiro na hora de acrescentar um novo andar: a estrutura já está parcialmente preparada para a expansão. A “esperança” no nome reflete a expectativa e o otimismo de ampliar a casa no futuro, seja pelo crescimento da família ou pela melhora da situação financeira.

Crescendo no Reino Unido, nunca me deparei com a prática de deixar vergalhões expostos em casas. No entanto, ao viajar pela América Central e pela Ásia, fiquei surpreso ao ver essas hastes em muitas cidades e vilarejos. No começo, não entendia por que tantos prédios pareciam inacabados, deixando o horizonte um tanto desordenado. Só quando alguém me explicou sua finalidade tudo fez sentido.

As barras de aço no concreto combinam a resistência à tração do aço com a resistência à compressão do concreto, criando um método de construção extremamente eficaz e amplamente utilizado. Os vergalhões embutidos e projetados da estrutura existente fornecem uma conexão forte e estável entre a nova adição e o edifício já construído. Eles transferem as cargas e ancoram os dois juntos.

Os Pilares da Esperança são um exemplo evidente de futureproofing (preparação para o futuro). Outros exemplos em construções são instalações elétricas ou hidráulicas, em que se deixam canos tampados ou pontos de conexão elétrica previstos para trabalhos futuros. Laptops e desktops com slots de expansão vazios também seguem essa lógica, assim como a primeira edição de um software que já inclui um gerenciador de atualizações.

No desenvolvimento de software e na metodologia ágil, gosto da ideia do livro Rework: “Um meio-produto incrível é melhor do que um produto inteiro malfeito.” Não tenha partes do seu produto visivelmente inacabadas ou “em construção” para os usuários. Não deixe vergalhões aparentes em seu software. E evite resolver problemas que ainda não existem. Embora possa parecer útil acrescentar algo agora para facilitar uma função futura, o equilíbrio é delicado. Muitas vezes, opta-se por outro caminho e ficam pelo código alguns pilares da esperança — dívida técnica que poderá ter de ser paga mais tarde.

Se, à primeira vista, aquelas barras de aço aleatoriamente expostas nos telhados me pareceram caóticas e desordenadas, hoje, ao pensá-las como Pilares da Esperança, vejo nelas uma certa beleza — um horizonte que esboça as aspirações e o futuro desenvolvimento de famílias, casas e da própria cidade. 


Edit: Várias pessoas me disseram que deixar os vergalhões expostos no telhado faz com que o prédio seja considerado “inacabado” e, assim, não sujeito a impostos sobre a obra. Embora isso seja repetido em muitos lugares, não tenho 100% de certeza sobre a veracidade. Se você tiver experiência com isso, entre em contato! 

Fonte: aqui 

Dinheiro em extinção

O uso de dinheiro em transações está em rápido declínio global, substituído por cartões e carteiras digitais como Apple Pay, Paytm e Alipay. Dados mostram que a participação do dinheiro no valor das transações caiu significativamente entre 2019 e 2023, e deve encolher ainda mais até 2027. Países que antes dependiam quase exclusivamente de dinheiro já apresentam mudanças expressivas: na Nigéria, por exemplo, o uso caiu de mais de 90% em 2019 para 55% em 2023.

Apesar disso, o dinheiro ainda é o principal meio de pagamento em várias nações da África, América do Sul e Ásia, como México, Filipinas, Peru e Japão. Em contraste, países como Canadá, Nova Zelândia, Austrália e os nórdicos já quase não utilizam cédulas. Até 2027, França, Singapura, Coreia do Sul, Reino Unido e EUA devem registrar menos de 10% das transações em dinheiro, consolidando a “morte do cash”.

O gráfico mostra que a tendência acontece também no Brasil.  

É interesse este dado (divulgado há de um ano e recuperado nos arquivos do Feedly), pois estou no processo de atualização de um livro didático. E como usávamos, no passado, a conta "Caixa". 

Imigração e criminalidade

Existiria uma associação entre crime e imigração? Tenho visto muito isto em algumas redes sociais, com exemplos. Mas será que são "casos" ou realmente há uma relação? Veja o resumo deuma pesquisa sobre o tema:

A associação entre imigração e criminalidade tem sido objeto de debate há muito tempo, e apenas recentemente começamos a dispor de evidências empíricas sistemáticas sobre o tema. Os dados mostram que imigrantes — frequentemente mais jovens, homens e com menor escolaridade em comparação aos nativos — estão desproporcionalmente representados entre os infratores em diversos países de acolhimento. No entanto, pesquisas existentes, incluindo nossa análise de novos dados internacionais, indicam de forma consistente que a imigração não impacta de maneira significativa as taxas locais de criminalidade nesses países. Além disso, estudos recentes ressaltam que a obtenção de status legal reduz o envolvimento de imigrantes em atividades criminosas. Por fim, discutimos possíveis explicações para a aparente incongruência entre a sobrerrepresentação de imigrantes entre infratores e o efeito nulo da imigração sobre as taxas de criminalidade.

É interessante como o processo de imigração foi importante para contabilidade. Recentemente, o blog postou uma série sobre grandes nomes da contabilidade mundial. Há vários deles que eram imigrantes e de cabeça lembro de Ijiri e Mattessich, mas certamente há outros. No Brasil tivemos o caso de Stanislaw Kruzynski, professor de Carlos de Carvalho.