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04 abril 2022

Compensação de despesa e a demissão no Deutsche Bank

 

Eis uma história interessante. Executivos seniores do Deutsche Bank foram demitidos por tentar ter um desembolso de US$1 mil durante uma viagem que fizeram à Nova Iorque. Em alguns bancos, a política para situações como esta é realmente "tolerância zero". Assume que se um empregado é capaz de buscar um desembolso falso ou inadequado, ele também será capaz de cometer outras infrações.

Para os funcionários do Deutsche Bank, a demissão representou uma perda estimada de 6 milhões de compensações diferidas. Ao longo do tempo, os funcionários de um banco recebem bônus pelo seu desempenho. O bônus não é pago imediato, mas postergado para prender o empregado à instituição. Mas caso o funcionário cometa algum deslize e seja demitido, o banco não paga o valor devido.

(Isto tem um aspecto contábil interessante. Quando da compensação obtida, tem-se um passivo. Mas caso exista algum problema, como foi o caso dos funcionários, a obrigação futura deixa de existir. Imagina-se que a chance do problema seja reduzida, assim o passivo inicialmente deve ser reconhecido, até como uma forma de prudência contábil. Há algumas discussões interessantes aqui).

A situação fica mais apimentada quando se descobre que o recibo de mil dólares, que provocou a perda de 6 milhões para os ex-funcionários, é que o mesmo é de um estabelecimento chamado Sapphire New York, um clube de strip da cidade. Mas como o clube opera um restaurante, talvez se possível imaginar que os ex-funcionários estivessem ali para almoçar. Só que o restaurante opera o estilo "sushi corporal", onde os clientes podem comer peixe cru a partir do corpo de uma stripper. O caso só foi adiante quando um funcionário subalterno, que acompanhava os três funcionários superiores, confessou que a despesa ocorreu no clube de stip, não no restaurante. O subalterno não foi demitido, por enquanto.

Segundo o banco, "o Deutsche Bank investiga minuciosamente as alegações de possível má conduta de maneira abrangente e sem viés. Não toleramos violações de nosso Código de Conduta ou Política da Empresa e tomamos medidas corretivas conforme apropriado, com base na gravidade das circunstâncias. O Banco se recusa a comentar mais sobre as circunstâncias desse assunto em particular."

09 janeiro 2021

Deutsche Bank continua sendo notícia


O grande banco alemão tem sido notícia negativa há anos (por exemplo aqui, aqui e aqui). Agora, a instituição alemã fechou um acordo com a justiça dos Estados Unidos: corrupção na Arábia Saudita. Veja a notícia:

O Deutsche Bank vai pagar multas e penalizações várias num total de 130 milhões de dólares (106 milhões de euros), para encerrar um processo-crime em Nova Iorque, sobre recurso a corrupção para conseguir negócios na Arábia Saudita.

Os advogados do banco, que tem uma relação antiga com Donald Trump, renunciaram ao seu direito de enfrentar as acusações de conspiração, durante uma teleconferência, realizada na sexta-feira, com um juiz federal em Nova Iorque.

Pela documentação do tribunal, o Deutsche Bank corrompeu intermediários para conseguir negócios na Arábia Saudita entre 2009 e 2016.

Uma vez, em 2012, o banco pagou 1.087.538 dólares e "registou-os nos seus livros, registos e contabilidade de forma falsa".

Outros intermediários exigiram financiamentos para comprarem um iate e uma casa em França, como compensação, detalhou-se na informação judicial.

A penalização do Deutsche Bank inclui uma multa por crime de 85.186.206 dólares e um pagamento de 43.329.622 à entidade reguladora da bolsa (SEC, na sigla em Inglês), adiantaram os procuradores nova-iorquinos.

Um porta-voz do Deutsche Bank, Dan Hunter, declinou fazer qualquer comentário. Contudo, disse que o acordo com a acusação mostra que o banco está a assumir responsabilidades pelas suas ações e que a sua cooperação com as autoridades federais "reflete a transparência e determinação (do banco) de colocar esses assuntos firmemente no passado".

A resolução do processo ocorre nos últimos dias do governo de Donald Trump, que tem uma antiga relação de negócios com o banco, a qual tem estado sob escrutínio desde há anos.

O Deutsche Bank, um dos poucos bancos dispostos a emprestar a Trump depois de uma série de falências empresariais, que começaram no início dos anos 1990, foi central nas investigações dirigidas pelo procurador do Distrito de Manhattan, Cyrus R. Vance, e pela procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James.

Estas investigações são consideradas uma potencial ameaça legal para Trump, depois de sair da Casa Branca este mês.

Vance e James, ambos Democratas, têm intimado o banco a entregar documentação relacionados com Trump. Este tem dito que a investigação é politicamente motivada.

Nas há indicação de que o esquema de corrupção com a Arábia Saudita esteja relacionado com os negócios de Trump com o banco.

Em processos anteriores, este banco alemão, sedeado em Frankfurt, já pagou à SEC uma multa de 16 milhões de dólares no seguimento de acusações de corrupção em negócios na Federação Russa e na China.

O Deutsche também já pagou ao Estado de Nova Iorque 150 milhões de dólares no seguimento de acusações de ter violado obrigações legais em negócios que envolveram o agressor sexual Jeffrey Epstein. Este rico financeiro suicidou-se em Agosto último, em uma prisão federal em Manhattan, enquanto aguardava julgamento, acusado de tráfico sexual.

Há ainda notícias do ano passado que indicam que o Deutsche deu prendas caras a dirigentes chineses de topo e outros para se estabelecer como um dos principais operadores financeiros na China.

03 dezembro 2019

Gastando salário com ações da empresa

Um notícia de setembro, mas que é interessante: O CEO do Deutsche vai gastar parte do seu salário para comprar ações do próprio banco.

Segundo o Financial Times (via Valor), Christian Sewing está comprando ações do próprio banco. O Deutsche Bank tem passado por uma série de problemas, que inclui denúncias de corrupção e reestruturação com fechamento de postos de trabalho. O executivo anunciou que irá comprar ações no equivalente a 15% do salário líquido, até o final de 2022. Isto corresponde a 850 mil euros. Além dele, o presidente do conselho de administração investiu 1 milhão de euros.

Por um lado, isto pode demonstrar uma sinalização para os investidores, em um momento que as ações estão em um patamar mínimo. No momento do anúncio, a ação tinha um valor de 8,33, sendo o máximo - nos últimos cinco anos - de 35 US$ no passado distante:

05 julho 2019

Bancos Europeus

Na internet, dois gráficos sobre a cotação das ações. O primeiro é o índice Stoxx 600 Banks:
A partir de 2015 o índice das instituições financeiras começaram a cair. O nível mais baixo ocorreu quando tivemos o Brexit ou a saída do Reino Unido da Comunidade Europeia. Em 2018, a crise com o Deutsche Bank não deixou o índice ter uma recuperação.

Entretanto, uma análise histórica do preço da ação da instituição alemã mostra que o problema é muito anterior:
Na crise financeira a ações do Deutsche caíram de um teto de 120 Euros para 20 Euros. Atualmente está um pouco abaixo dos 7 euros. Mesmo com a volta do lucro, as investigações sobre fraude fiscal e os problemas de controle interno não ajudam.

02 fevereiro 2019

Deutsche volta a ter lucro

Com problemas de controle interno e acusações diversas, o Deustche Bank, o maior banco da Alemanha, divulgou ontem o primeiro lucro anual desde 2014. Assim como ocorreu na GE, não foi um grande lucro: 341 milhões de euros de lucro líquido. Mas em 2017 foi um prejuízo de 735 milhões.

O Deustche reduziu o número de funcionários (menos 6 mil), reduziu a receita e existe uma especulação de que o governo alemão estaria preparando uma fusão com o Commerzbank, desmentida pelos executivos. No mesmo dia que divulgava os novos números, especulava-se que o Deustche poderia ser processado por conluio na venda de títulos.

04 janeiro 2019

Deutsche e a fraude fiscal de 5,6 bilhões de euros

O Deutsche Bank é um dos maiores bancos do mundo e o maior banco da Alemanha. Com sede em Frankfurt, o Deutsche tem presença em 58 países do mundo e inspira respeitabilidade.

Recentemente, no entanto, os controles internos do Deutsche foram questionados. No ano passado, uma transferência errônea de 28 bilhões de euros foi realizada pelo banco, exemplificando estes problemas. Em 2015 um erro de digitação fez o banco pagar 6 bilhões de dólares em uma mesa de câmbio. Em 2017, pagou uma multa de quase meio bilhão de dólar por conta da de um esquema de lavagem de dinheiro.

Agora a Reuters informa que teve acesso a documentos onde uma investigação conduzida por uma empresa de advocacia indica a existência de um esquema que pode ser a maior fraude fiscal da Alemanha desde o final da segunda guerra mundial.

O Deutsche Bank, juntamente com outras empresas, montou um esquema que permitia a dedução do imposto de renda, via negociação de ação e concessão de empréstimos. A estimativa inicial é de uma perda de 5,6 bilhões de euros em tributos. A investigação da empresa de advocacia Freshfields ocorreu entre 2013 a 2015 sobre fatos que ocorreram entre 2006 a 2011. Em maio de 2017 os documentos foram entregues aos promotores alemães. A fraude foi cometida por uma área específica do banco e chegou-se a discutir os potenciais riscos de reputação do esquema para o banco. A discussão considerou que o risco era aceitável, segundo a investigação da Freshfields.

O esquema foi divulgado graças a organização sem fins lucrativos Correctiv. Fonte da charge: aqui

03 agosto 2018

Controles internos do Deutsche

O Deutsche Bank foi recentemente multado, em quase 700 milhões de dólares, por problemas nos sistemas de controle interno, que permitiam que clientes usassem a instituição para lavar dinheiro. Agora, documento internos revelados pela Reuters (via El País) mostram que a instituição sabia de algumas fraquezas:

“Tenemos que mejorar nuestros procesos internos. Los documentos muestran que estos aún son demasiado complicados. No se trata de la efectividad, sino de la eficiencia de nuestros procesos”, reconoció Deutsche Bank a Reuters. Los reguladores y supervisores de todo el mundo exigen a los bancos que investiguen a sus clientes. Es un proceso obligatorio —KYC, en sus siglas en inglés— para cumplir con las rutinas formales de identificar y controlar el origen del patrimonio de sus clientes. De esta forma tratan de evitar que los delincuentes oculten su identidad a través de una telaraña de sociedades, la mayoría de las veces fantasmas.

En el documento interno de Deutsche del 5 de junio el banco admite que ha tenido problemas para determinar de dónde proviene el dinero de sus clientes. Reconoce que no pudo hacer seguimiento correcto en países como Rusia, Irlanda, España y Sudáfrica, tras examinar cómo fueron procesados los archivos de los clientes de estas jurisdicciones.

20 abril 2018

Um erro de 28 bilhões de euros

Um erro de 28 bilhões de euros foi cometido por um banco alemão:

Deutsche Bank, o maior da Alemanha, realizou por erro, em uma operação financeira de rotina, uma transferência de 28 bilhões de euros (o equivalente a R$ 117 bilhões), uma quantidade que supera o valor total atual da entidade na Bolsa de Valores, confirmou nesta sexta-feira (29) à Agência Efe um porta-voz do banco.

(...) O dinheiro foi para uma conta do próprio banco na câmara de compensação alemã Eurex, o principal mercado de derivados da Europa, à qual devia ter sido transferida uma quantidade muito menor, que a entidade não detalha.


Apesar de não ter ocorrido nenhum prejuízo, já que a falha foi corrigida rapidamente, é interessante notar que não existe nenhuma trava no sistema para bloquear uma transferência como esta.

16 fevereiro 2017

Duvidas? Chame um auditor

É interessante como a auditoria possui um conceito elevado perante a sociedade. Na dúvida sobre qualquer coisa, contrate um auditor externo. Eis uma situação:

A conta do presidente norte-americano Donald Trump no Deutsche Bank foi alvo de uma investigação interna para apurar se há ou não alguma ligação entre os recentes empréstimos ao multimilionário, conseguidos “em circunstâncias incomuns”, e o Governo russo. Segundo dados preliminares, o banco alemão não terá encontrado nenhuma evidência de que o líder dos Estados Unidos tenha sido apoiado por garantias financeiras de Moscovo, mas membros do Senado têm dúvidas em relação a esta investigação e exigem a nomeação de um auditor externo e independente para as contas de Donald Trump.