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24 julho 2026

Apostas em mercado de previsão

A cada dia enfrentamos questões éticas no nosso trabalho. E a evolução tecnológica atualiza alguns desses dilemas. Eis um caso interessante que está surgindo agora – e que felizmente não afeta as empresas brasileiras (ironia): os empregados devem ter permissão dos patrões para fazerem apostas no mercado de previsão?

Quando o funcionário não lida com informações estratégicas, talvez isso nem tenha passado pela discussão dos gestores de recursos humanos das empresas. Mas se o funcionário trabalha com informações sensíveis? Parece que grandes empresas estão dizendo que sim. E isso inclui instituições financeiras, como o Goldman Sachs, que já impôs limites para seus funcionários apostarem no mercado de previsão, informaram o NY Times e a Bloomberg. A exceção são as apostas em esportes e entretenimento. E o problema tem se estendido para outras empresas.

Recentemente, um funcionário do Google e um soldado do exército utilizaram informação sigilosa para fazerem apostas sobre a operação de captura de Maduro na Venezuela. É também interessante que algumas empresas de investimento estão usando o mercado de previsão para operações financeiras, como hedge.

A ironia no primeiro parágrafo é que o mercado de previsão no Brasil é ilegal. Já comentamos isso antes. Mas fazendo uma adaptação da reflexão para o nosso país, uma empresa poderia exigir que os empregados solicitassem permissão para apostar em uma bet?

Se uma empresa já proíbe que um funcionário negocie ações com base em informação privilegiada, por que não proibiria que ele apostasse, num mercado de previsão, sobre o resultado de uma reunião do Copom, o desfecho de uma negociação sigilosa ou até um evento geopolítico do qual tenha conhecimento antecipado por sua função? A governança corporativa talvez precise, em breve, tratar o mercado de previsão como mais uma fronteira

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