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14 maio 2026

Impacto da IA no texto


Eis o resumo:

Tem-se receio de que a proliferação de textos gerados e assistidos por IA na internet contribua para a degradação da diversidade semântica e estilística, da precisão factual e para outros desenvolvimentos negativos. Constatamos que, em meados de 2025, aproximadamente 35% dos websites recém-publicados foram classificados como gerados ou assistidos por IA, um aumento significativo em relação a zero antes do lançamento do ChatGPT no final de 2022. Também encontramos evidências que sugerem que o aumento de textos gerados por IA na internet acarreta uma diminuição da diversidade semântica e um aumento do sentimento positivo. Contudo, não encontramos evidências estatisticamente significativas que apoiem a hipótese de que uma maior taxa de textos gerados por IA na internet diminua a precisão factual ou a diversidade estilística. Notavelmente, nossas descobertas divergem da percepção pública sobre o impacto da IA ​​na internet.

Via aqui. Imagem aqui

IA irá acabar com artigos científicos?

Imagine pegar um artigo de macroeconomia e adicionar um pequeno botão no final: "Pressione este botão para atualizar este artigo com os dados macroeconômicos mais recentes".


De repente, você se depara com vários artigos em vez de um, e nenhuma versão canônica única. São as versões posteriores, não criadas diretamente pelos autores, que as pessoas irão consultar.

Imagine adicionar mais um botão, seja para artigos micro ou macro, com a seguinte mensagem: "Por favor, execute novamente estes resultados usando o que a IA considera serem cinco outras especificações diferentes, porém ainda plausíveis."

Então você ainda tem mais trabalhos pela frente.

Em última análise, por que não construir um "metaartigo", usando IA, para responder a qualquer pergunta possível sobre o tema em questão? Esse metaartigo permitiria ao leitor, utilizando IA, fazer diversos tipos de modificações e acréscimos ao trabalho original. O metaartigo também permitiria ao leitor adicionar novos dados, realizar verificações de robustez adicionais e fazer qualquer outra coisa que se possa imaginar. Mais uma vez, a versão canônica do artigo se transforma.

Um pesquisador poderia dedicar uma parte significativa de sua carreira à construção de um meta-artigo desse tipo. Imagine um meta-artigo, ou como às vezes o chamo, uma "caixa", dedicado a responder perguntas sobre política fiscal, aumentos do salário mínimo ou talvez a Revolução Industrial. Os pesquisadores do Fed passariam suas carreiras inteiras não escrevendo artigos, mas aprimorando a "caixa" do Fed que responde a perguntas sobre política monetária e também sobre supervisão prudencial.

Quem será bom em fazer essas coisas? Serão as pessoas de hoje que se tornam os principais economistas, ou não? Será um empreendimento altamente descentralizado ou, dadas as exigências de computação e trabalho em equipe, altamente centralizado?

A economia vai mudar muito, assim como muitas outras ciências.

É engraçado e trágico ver como alguns de vocês ainda estão obcecados em escrever e publicar "artigos".

Traduzido daqui pelo Chrome. 

Acho que a pesquisa existente em um artigo não se resume a um conjunto de dados ou de técnicas analisadas. O autor do artigo sabem quais as modificações e acréscimos ao trabalho original que seriam adequadas, pois ele tratou dos dados brutos. Talvez o caminho futuro tenha algo da análise de Cowen, mas não integralmente. 

Em um dos comentários encontrei:

O papel das revistas acadêmicas não é a disseminação, mas sim a certificação. Essa parte é muito complexa e, em grande parte, independente das possibilidades tecnológicas. Talvez as pessoas passem a incluir recursos interativos em seus artigos acadêmicos por vontade própria, mas eu não apostaria no desaparecimento das revistas em um futuro próximo.

IA está sendo usada pelo usuário de relatórios contábeis governamentais, mas não pelos preparadores


Sobre inteligência artificial, Black [presidente do GASB — Governmental Accounting Standards Board] observa que o impacto ainda é maior do lado dos usuários da informação do que dos preparadores. Governos ainda não parecem usar IA de modo significativo na preparação dos relatórios financeiros, mas usuários já podem empregar IA para consumir e extrair dados desses documentos. Por isso, o GASB trabalha em uma estrutura voluntária de reporte financeiro digital, uma espécie de taxonomia que ajude sistemas automatizados ou agentes de IA a entenderem o contexto dos números — por exemplo, se um valor está em milhares ou milhões, ou se foi produzido em base orçamentária, competência modificada ou competência plena.

Fonte. aqui

Wikipedia e Reddit como fontes do GPT

Essa pesquisa é interessante para os usuários de Inteligência Artificial: tendo por base do ChatGPT, nos Estados Unidos, referente ao primeiro trimestre de 2026. Há um domínio estrutural da Wikipedia, esperado creio eu, e o Reddit, surpresa, já que não consideraria efetivamente uma fonte de informação. Ambos dominam 25% das citações do Chat, superando as mídias tradicionais. 

WSJ, NYT, Bloomberg e Financial Times são pouco usadas, sendo superadas pela Forbes e Reuters, além é claro da Wikipedia e Reddit. Mas fora esses dois últimos, nenhum domínio ultrapassa a 3% das citações, o que indica uma cauda longa nas fontes. 

12 maio 2026

Mercado de apostas e sabedoria das multidões

Quando os mercados de apostas, como Kalshi e Polymarket, apareceram, parecia uma oportunidade de implantar a sabedoria das multidões para centenas de decisões de interesse comum. Quero saber quem deve ganhar o título de xadrez? É só olhar as apostas. O favorito para as próximas eleições? Basta digitar para ter a informação.

Em razão disso, uma recente medida tomada pelo governo de proibir esses mercados no Brasil parece uma censura sem razão. Se hoje você digitar Kalshi.com, aparece:

  

Enquanto isso, o regulador é permissivo com sites de apostas e outras coisas. Mas voltamos para a sabedoria das multidões. Talvez a primeira noção do conceito tenha surgido nos primórdios da estatística, com a descoberta de que o melhor palpite, quando você não tem muita informação, é o valor médio. Em uma feira agropecuária onde é solicitado aos participantes tentar adivinhar o peso de um boi, a melhor estimativa é o valor médio dos chutes.

A lição foi destacada em um livro de James Surowiecki, A Sabedoria das Multidões. Mas, como o autor destaca, para que isso funcione — ou seja, para que o mercado de apostas seja um bom preditor de eventos futuros —, são necessárias algumas condições. Uma delas é que as pessoas possam apostar sem medo de represália. Outra, que os apostadores não influenciem as decisões de outros, garantindo a liberdade de expressão do pensamento.

Um dos problemas dos mercados atuais de apostas parece ser o mesmo que ocorre na bolsa de valores: alguns poucos apostadores, qualificados e bem informados, dominam o mercado. Um estudo da London Business School e de Yale (via aqui) chegou à conclusão de que 3,14% dos usuários são os ganhadores do mercado de previsão. Como a Polymarket tem 700 mil apostadores ativos, isso representa 21 mil ganhadores informados.

O número acima foi obtido investigando bilhões de dólares em apostas, e somente esse percentual apresentou um resultado superior à aleatoriedade. Ou seja, são gurus da previsão ou possuem informações privilegiadas.

Uma pesquisa como essa pode questionar os sites de apostas como um local de encontro da sabedoria das multidões. Mas é importante lembrar que mesmo aqueles que possuem informação privilegiada, quando apostam, tornam pública, de alguma forma, essa informação. Não é um motivo para proibir os sites ou não aceitar as informações transmitidas ali.

11 maio 2026

O perigo do anotador de reunião de IA

Sarah Kessler, do DealBook (New York Times), alerta para os riscos do uso de assistentes de inteligência artificial para realizar tarefas de secretaria em reuniões virtuais. A premissa é que o anotador de IA aumentaria a produtividade ao registrar as conversas para uso posterior, funcionando como uma secretária executiva. 

O ponto central destacado pelo texto é o risco jurídico. Por ser extremamente eficiente, a IA registra todo tipo de informação, incluindo comentários casuais, frases ditas sem o filtro adequado, piadas e observações fora de contexto. Em um processo judicial, cada uma dessas anotações pode estar sujeita a diferentes interpretações. No caso de uma relação entre consultor e empresa, tais registros podem, inclusive, romper o sigilo profissional. 

O artigo de Kessler foca especialmente na esfera jurídica e na atuação do advogado, mencionando que entidades da classe já emitiram documentos formais recomendando cautela. Somam-se a isso as chances de transcrições errôneas, em que a IA confere uma redação inadequada ao que foi dito. Na linguagem falada, a fronteira entre o "é" e o "não é" é muito tênue, o que frequentemente confunde a ferramenta. 

Outro problema relevante é a possibilidade de vazamento de conteúdo, seja por invasões em sistemas de grandes empresas, como a Microsoft, ou pelo fato de o sigilo com o cliente não abranger informações armazenadas em sistemas de anotação automatizados. Já existe jurisprudência nesse sentido em cortes internacionais.  

Algumas dessas ferramentas deixam claro, em suas políticas de privacidade, que estas não são válidas perante autoridades governamentais. Em outras palavras: o conteúdo pode ser solicitado pelo governo ou por um tribunal, inexistindo o sigilo. Enquanto não houver uma norma ou jurisprudência consolidada sobre o assunto, a questão permanece sujeita à interpretação discricionária de cada magistrado — e, como diz o ditado, nunca se sabe o que se passa na cabeça de um juiz.

10 maio 2026

Hermès, Ferrari, Rolex, BYD e fidelização de cliente

 Da newsletter da Bloomberg de 1o. de maio


(...) Eu não tinha ideia, por exemplo, de que não dá para simplesmente entrar numa loja e comprar uma Birkin, Kelly ou Constance da Hermès. Certa vez, entrei na loja principal da grife no Reino Unido, na sofisticada Bond Street, em Londres, e vi pessoas na fila para comprar alguma coisa. Agora percebo que provavelmente estavam esperando para colocar seus nomes na lista de espera para a próxima Birkin disponível! Ou Kelly ou Constance. 

(,,,) a procura por novas bolsas Hermès inflacionou o valor das antigas. Uma Birkin padrão no mercado de revenda pode alcançar um valor muito superior às 10.000 libras (13.500 dólares) do modelo básico. A Hermès não tem um controle firme sobre o mercado secundário (...). A Rolex possui um programa de certificação que controla os relógios que voltam ao mercado. Um selo de aprovação da Hermès em uma bolsa "revendida" adicionaria autenticidade e status à sua posse. 

(...) a Ferrari também controla os preços e a disponibilidade de seus carros, que podem custar perto de £ 200.000 (US$ 271.000) novos. É possível comprar uma Ferrari "seminova certificada" por um valor um pouco maior, o que permite à empresa acompanhar sua base de clientes (além de permitir que compradores iniciantes sejam reconhecidos como parte do seleto grupo de proprietários de Ferrari).

Será que uma associação com James Bond — embora não com a Bond Street — pode ajudar o elegante e inovador Denza Z9GT da BYD? A montadora chinesa acaba de lançar seu veículo elétrico topo de linha em Paris, com o ex-James Bond Daniel Craig estrelando seus anúncios. A BYD parece ter deixado de lado sua proposta de "custo-benefício" para este luxuoso veículo elétrico, que tem uma autonomia de 640 km com apenas cinco minutos de carga. O carro é tão caro quanto uma Ferrari. O preço europeu, claro, reflete tarifas e outras imposições comerciais. Mas, segundo  Juliana Liu,  "a estratégia está em desacordo com o que as montadoras chinesas têm a oferecer: tecnologia avançada em um ritmo mais acelerado e a um preço mais baixo". A BYD, acrescenta ela, "está anunciando ao mundo, por meio de preços de alto padrão, que seus produtos são tão bons quanto os das marcas ocidentais tradicionais". Quem sabe? Pode ser que faça história. O valor de revenda de veículos elétricos é notoriamente baixo.

Há no texto acima muitos pontos interessantes relacionados ao marketing. Para a contabilidade, a criação de um programa de acompanhamento, como o sugerido para a Hermès, parece aparentemente uma despesa, mas por ter efeito a longo prazo, gerar riqueza e permitir o acompanhamento dos clientes da empresa, possui algumas das características de um ativo. É mais fácil levar essas despesas potenciais para o resultado, mas, em uma contabilidade que busca a melhor mensuração, não seria de estranhar que os valores fossem ativados.