No gráfico, de vermelho, o preço do mais caro sanduíche do McDonalds, de 2010 a 2026. De verde, o mais caro MacBook, no mesmo período. A partir dos valores observados, uma linha tendência foi projetada. Em 2081 as retas irão se encontrar.
06 março 2026
05 março 2026
Ironia e paradoxo do trabalho
Tim Harford trata do paradoxo do trabalho:
No nível da experiência diária, o trabalho tende a ser uma das atividades menos prazerosas. Mas, no nível da vida como um todo, não trabalhar é uma das maiores fontes de infelicidade.
Ou, de forma mais direta:
As pessoas não gostam de trabalhar.
Mas sofrem profundamente quando não trabalham.
A grande história de Harford foi um grande acervo que surgiu quando o governo Roosevelt resolveu contratar milhares de escritores para produzir textos. Parte do projeto foram relatos de pessoas, em geral idosos, que refletiram sobre a vida.
O colunista do Financial Times acha irônico que agora pesquisadores debruçaram sobre os arquivos. Mas eles não leram os depoimentos todos, mas pediram que uma IA produzissem um relato, a partir de uma amostra dos arquivos.
O arquivo original começou com trabalhadores desempregados na depressão dos anos trinta. E a pesquisa foi realizada usando ferramentas que estão ameaçando o emprego de milhões. Eis a ironia.
Grammarly oferece revisão de versões de IA de professores reais
O Grammarly está sendo acusado de “necromancia” depois que usuários descobriram um recurso que permite revisar manuscritos com versões de IA de professores reais — alguns dos quais já faleceram.
O problema foi inicialmente apontado por Verena Krebs, historiadora medieval e professora da Ruhr-University Bochum. No domingo, Krebs compartilhou uma captura de tela mostrando a ferramenta “Expert Review”, que permite aos usuários escolher o historiador David Abulafia como um dos “especialistas” disponíveis para avaliar um artigo. Se Abulafia se oporia à sua inclusão ali, provavelmente nunca saberemos, já que ele faleceu em janeiro.
A notícia provocou uma série de reações intensas em círculos acadêmicos.
“Agora o Grammarly está oferecendo ‘revisão especializada’ do seu trabalho por acadêmicos vivos e mortos”, escreveu Vanessa Heggie, professora associada de história da ciência e da medicina na University of Birmingham, em uma publicação no LinkedIn. “Sem a permissão explícita de ninguém, está criando pequenos modelos de linguagem baseados em trabalhos coletados dessas pessoas e usando seus nomes e reputações.”
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Há muitos anos o Chess.com oferece a oportunidade do usuário jogar contra "grandes jogadores", como Carlsen e Nakamura. Mas acredito que deve existir um pagamento para o uso da imagem dos jogadores. No caso relatado, parece que isso não ocorre.
Políticos, aumento de salários e violência contra os políticos
Um corpo crescente de pesquisas sugere que pagar mais aos agentes públicos reduz a corrupção. No entanto, aumentar os salários pode produzir efeitos indesejados em áreas onde o crime organizado está presente.
Em um artigo publicado no American Economic Journal: Economic Policy, os autores Massimo Pulejo e Pablo Querubín mostram que salários mais altos reduziram práticas corruptas em licitações públicas entre executivos municipais italianos, mas aumentaram a probabilidade de que esses funcionários fossem alvo de ataques criminosos.
O estudo explora uma característica da legislação italiana que concede um aumento salarial mensal de 28,6% a prefeitos e outros executivos de municípios com população superior a 5.000 habitantes, conforme medido pelo censo mais recente. Como esse limite cria uma descontinuidade clara na remuneração, os autores puderam utilizar um desenho de regressão descontínua para estimar o efeito causal dos salários dos executivos municipais sobre ataques criminosos.
Utilizando dados coletados pela ONG Avviso Pubblico sobre 2.464 ataques criminosos contra agentes públicos entre 2014 e 2020, os autores constataram que membros do executivo municipal em cidades logo acima do limite de 5.000 habitantes tinham 6,3 pontos percentuais a mais de probabilidade de serem alvo de grupos criminosos do que seus equivalentes em cidades logo abaixo desse limite — um efeito de aproximadamente 0,28 desvios-padrão.
O Painel A mostra a probabilidade de que executivos municipais tenham sofrido pelo menos um ataque criminoso entre 2014 e 2020. O Painel B apresenta o número médio de ataques no mesmo período. Em ambos os painéis, as observações são agrupadas em intervalos de população ao longo do eixo x. As linhas contínuas representam polinômios quadráticos ajustados separadamente em cada lado do ponto de corte, com intervalos de confiança de 95% indicados por linhas tracejadas.
Nos dois painéis, o polinômio ajustado para municípios acima do limite aparece em nível mais alto do que o ajustado para municípios abaixo dele, com um salto ascendente na marca de 5.000 habitantes. Os intervalos de confiança se ampliam ao redor do ponto de corte, refletindo maior variância nas estimativas da probabilidade de ataque e do número de ataques. Ainda assim, há pouca sobreposição entre os intervalos de confiança nas proximidades imediatas do limite. Essa descontinuidade sugere que salários mais altos para executivos municipais levaram diretamente a níveis mais elevados de ataques por grupos criminosos.
Os resultados indicam que aumentos salariais para agentes públicos em cargos sensíveis a processos de contratação pública reduziram práticas ilícitas. Contudo, em ambientes com presença de crime organizado, grupos criminosos passaram da estratégia de suborno para a violência. Assim, uma política anticorrupção duradoura precisaria abordar tanto os incentivos dos agentes públicos quanto a sua segurança.
O artigo original está aqui: “Plata y Plomo: How Higher Wages Expose Politicians to Criminal Violence” appears in the February 2026 issue of the American Economic Journal: Economic Policy.
O texto foi obtido daqui
Finanças pessoais: Economia de Pirro
Achei o termo Economia de Pirro para explicar algumas coisas que nós fazemos na vida financeira ou que uma empresa faz em suas decisões. Voltando ao passado, o rei Pirro de Épiro, 279 anos antes da era cristã, derrotou os romanos. Mas perdeu muitos de seus melhores guerreiros. Percebendo isso, o rei afirmou que tinha vencido a batalha, mas ficado arruinado. O termo permaneceu e tem sido usado quando saímos vitoriosos de forma aparente, mas a um custo elevado demais.
Para a vida financeira, uma economia pírrica é algo que custa demais, muito mais do que o benefício. O gasto para “economizar dinheiro” pode representar uma saída de caixa que, do contrário, não teria ocorrido. O caso típico é comprar um produto em promoção quando não temos necessidade dele. Ou então, comprar um pacote quando precisamos de somente uma unidade.
Quando resolvemos fazer parte de um clube premium, gastamos um valor para desfrutar de descontos que não iremos recuperar nas compras futuras ou, então, forçamos a fazer compras futuras para justificar o gasto premium.
O importante é que a economia de Pirro também ocorre na empresa. Uma empresa que compra uma grande quantidade de estoque, usando um caixa de que precisava e aumentando o risco de obsolescência, é uma situação típica. Uma área deseja comprar uma licença de software e o brilhante gestor da área de TI decide abrir a oportunidade para outros setores. Vários irão se candidatar, ao mesmo tempo que aumenta a complexidade da compra.
Redução no custo
Uma empresa está sendo auditada e começa a pressionar o auditor a repassar, no preço, a economia gerada pelo uso de inteligência artificial. Caso não ocorra uma redução expressiva nos honorários, a empresa pode buscar um novo auditor.
Parece uma história normal, como a que ocorreu com a Grant Thornton, que fazia a auditoria. Mas fica muito irônico quando ficamos sabendo que a empresa que estava sendo auditada e pressionando pela redução no valor do contrato é a KPMG, uma big four.
Também não deixa de ser um bom argumento para quem estiver sendo auditado pela KPMG negociar os valores contratados. A fonte da notícia é o confiável Financial Times (via aqui).
Imagem criada pelo Gemini, a partir do texto acima.
04 março 2026
Erros em filmes
A newsletter de Stephen Follows junta cinema/serie com estatística. Recentemente, ele analisou 200 mil erros entre 11842 filmes. Alguns são conhecidos dos amantes por terem muitos erros, como Armageddon (1998) que é usado pela NASA para treinamento gerencial, com 168 erros em 150 minutos. Há erros de todo tipo: furos de enredo, fatos incorretos, eventos históricos incorretos, falhas de continuidade, membros da equipe aparecendo em cena, entre outros.
Ele aponta que talvez o filme com maior número de erros seja The Martian (imagem acima) e a lista é bem grande: tamanho do Sol semelhante ao visto da Terra, objetos flutuam durante aceleração, pressão do traje e níveis de oxigênio não fecham, protocolos de descompressão são ignorados, solo tóxico por perclorato não tratado, quantidades de sementes e plantio de batatas que não correspondem à colheita mostrada, entre outros.
Talvez o mais conhecido dos erros seja de continuidade. E o texto de Follows apresenta alguns exemplos interessantes: em Pulp Fiction, buracos de bala já aparecem na parede do apartamento atrás de Jules e Vincent antes de Marvin disparar o tiro que supostamente os cria; em Harry Potter e a Pedra Filosofal, o nível da bebida no cálice de Harry muda entre cortes nas cenas do Grande Salão, apesar de ninguém tocá-lo, em The Dark Knight Rises, o capuz do Batman alterna entre danificado e intacto durante a mesma sequência de luta na rua e, o mais interessante de todos, em Pretty Woman, o croissant de Julia Roberts se transforma em uma panqueca entre planos na cena do café da manhã — e depois volta a ser croissant.
O autor do artigo não citou, e talvez não seja efetivamente um "erro", mas The Accountant é rápido demais em fazer certas tarefas contábeis. Ou eu que sou lento?






