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03 março 2026

EY em Números


O Financial Times expôs os números do negócio da EY:

A EY cortou funcionários e impôs maior eficiência em suas operações globais sob a liderança da CEO Janet Truncale, de acordo com dados da rede global das Big Four de auditoria e consultoria.

As demonstrações financeiras anuais registradas na Companies House do Reino Unido mostram que o órgão coordenador da EY arrecadou US$ 1,8 bilhão das firmas-membro nacionais no ano encerrado em 27 de junho de 2025, o mesmo valor do ano anterior, apesar de um aumento de 4% na receita em toda a rede.

Uma dessas medidas de “eficiência” adotadas em 2025 foi a demissão, pela EY EUA, de centenas de assistentes executivos, substituídos por profissionais mais baratos no Caribe e na América do Sul. Vale notar, contudo, que isso ocorreu em julho e o exercício fiscal da EY termina em 30 de junho — ou seja, tecnicamente, essa medida pertence ao exercício fiscal seguinte.

Fonte: aqui 

Catástrofe do seguro


Com as mudanças climáticas recentes, um grande número de regiões estão se tornando inseguráveis pelo setor privado:  

As seguradoras sobrevivem ganhando mais dinheiro ao cobrir riscos do que perdem com esses mesmos riscos. Por isso, preferem clientes menos propensos a acionar o seguro (na medida em que conseguem prever o risco envolvido) e exigem franquias elevadas para desencorajar pedidos de indenização. Quando os pagamentos superam o valor arrecadado em prêmios, as seguradoras aumentam esses prêmios ou se retiram do mercado. Porém, quando o risco é considerado catastrófico — podendo afetar dezenas de milhares de clientes, como nos casos das tempestades na Flórida ou dos incêndios na Califórnia — são as resseguradoras que recuam primeiro, pois acabarão arcando com a maior parte dos custos.

As resseguradoras agregam padrões de sinistros para estimar a probabilidade de terem que realizar pagamentos massivos decorrentes de futuras catástrofes naturais. Fazem isso reunindo dados de exposição das seguradoras que atuam em determinada área geográfica e analisando modelos de catástrofe (simulações computacionais que estimam perdas potenciais causadas por desastres naturais). Ao combinar essas informações com uma análise detalhada das condições locais, chegam a uma estimativa de sua perda total potencial caso um evento catastrófico ocorra.

Os furacões, as inundações e os incêndios estão aumentando em frequência e intensidade, seguradoras e resseguradoras estão se retirando de áreas de alto risco, reduzindo crédito imobiliário e depreciando valores de propriedade. Este processo pode levar ao abandono de territórios inteiros. 

Para contabilidade, essa nova realidade requer uma atenção, seja nas notas explicativas, informando claramente aonde a empresa não conseguiu uma cobertura de seguro, ou até mesmo na constituição de passivos.  

Esta é uma razão para o crescente interesse das instituições financeiras, e dos bancos centrais, na questão ambiental. Mas, ao contrário do que defendem alguns, não sei se a regulamentação pode ajudar aqui.  

Uma questão de perspectiva?

Como você está? Bem, espero, apesar de tudo. E, se estiver, então você é como todos os amigos e colegas que me enviaram mensagens no Natal, todos afirmando que também estavam muito bem, também apesar de tudo.

(...) Pode ser que meus amigos sejam todos pessoas afortunadas, protegidas das misérias da realidade, e pode ser que estejam mantendo uma aparência corajosa diante de um sofrimento secreto. Mas pode ser também que exista um curioso descompasso entre nossa satisfação com a própria vida e nosso desespero em relação à vida dos outros.

Seria útil ter dados mais sistemáticos sobre esse descompasso e, uma década atrás, os pesquisadores do Ipsos MORI reuniram alguns. Eles perguntaram a pessoas em 40 países quantos de seus concidadãos diriam estar “razoavelmente felizes” ou “muito felizes”, e depois compararam esses palpites com a realidade medida pela World Values Survey.

A diferença foi marcante. A maioria das pessoas disse ao Ipsos MORI que estava preocupada com o bem-estar de seus compatriotas, e, no entanto, a maioria das pessoas que respondeu à World Values Survey mostrou-se bastante otimista em relação à própria felicidade.

(...) Para além da questão do crime, inevitavelmente obtemos informações sobre a nação e o mundo em geral por meio de algum tipo de mídia, que sempre prioriza o dramático e o controverso. Já as informações sobre nossa própria vida são, em grande parte, não mediadas.

Há também a questão do controle. O economista Johannes Spinnewijn certa vez estudou as crenças e o comportamento de pessoas em busca de emprego e constatou que, em geral, elas eram otimistas demais quanto às suas perspectivas e pessimistas demais quanto à própria capacidade de mudar essas perspectivas. (...)

Nossas vidas digitais nos empurram na direção oposta. A destruição do jornalismo local e a ascensão das redes sociais significam que nosso consumo de notícias está cada vez mais concentrado em eventos nacionais e globais — precisamente as esferas da vida em que somos mais pessimistas. Isso é corrosivo. Passe 16 horas rolando o feed em busca de desgraças e você pode facilmente concluir que o fim dos tempos chegou; passe 16 horas vivendo sua própria vida e talvez as coisas não pareçam tão ruins.

De Tim Harford.  Como esperar uma contabilidade baseada no julgamento e crença do preparador, como deseja os reguladores, se a perspectiva pode ser tão enviesada? Há solução para esse dilema? Talvez deixar para o usuário as conclusões, pode ser um mantra. Ou evitar tantas informações? 

Rir é o melhor remédio


 Deixa para depois

02 março 2026

Pizza e índice de ataque

Há um monitoramento da atividade de pedidos de pizza na redondeza do Pentágono. Quanto mais pedidos, maior a chance que os Estados Unidos estejam preparando alguma decisão geopolítica.  Novamente, no final de semana, o índice não falhou: elevado consumo, ataque ao Irã. 

Gráfico da newsletter da Bloomberg 

PwC e uma IA que pode compreender e raciocinar em planilhas


A PwC desenvolveu um agente de IA avançado capaz de compreender e raciocinar em planilhas complexas de nível empresarial, algo em que modelos de IA convencionais têm dificuldade. Esses arquivos, com milhões de células, múltiplas abas, fórmulas e dados multimodais, são centrais para decisões corporativas, mas historicamente inacessíveis à IA. O novo agente foi projetado para mapear a estrutura das planilhas, extrair dados relevantes, validar consistência e oferecer insights que antes exigiam semanas de trabalho manual, reduzindo tarefas de auditoria, análise financeira e controle de dados de dias para horas. A iniciativa representa um avanço prático em IA aplicada ao núcleo das operações empresariais. 

Competências digital


Eis o resumo:

Objetivo: Propor um instrumento para mensurar a competência digital de profissionais de contabilidade gerencial e identificar os fatores individuais e organizacionais mais relevantes associados a essa competência.
Método: Realizou-se um levantamento com 109 profissionais de contabilidade gerencial para desenvolver e validar uma escala de competência digital composta por 10 itens, seguindo as etapas metodológicas de desenvolvimento de escalas (elaboração de itens, construção da escala e avaliação da dimensionalidade, confiabilidade e validade), bem como análises fatoriais exploratória e confirmatória. Também foram examinadas variáveis individuais (cargo, experiência, idade, gênero, escolaridade) e organizacionais (departamento de análise de dados, afinidade tecnológica, porte da empresa, transformação digital).
Resultados: Os resultados indicam que fatores individuais estão significativamente associados à competência digital dos profissionais de contabilidade gerencial. Especificamente, a competência digital declina com a idade, mas é mais elevada entre os profissionais que ocupam cargos de controladoria e aqueles com maior interesse em tecnologia. Além disso, a competência digital está negativamente associada à presença de um departamento de análise de dados independente na organização.
Contribuições: Este estudo apresenta várias contribuições. Primeiramente, representa um avanço na literatura sobre digitalização na contabilidade gerencial, evidenciando que características individuais desempenham um papel central no aprimoramento da competência digital na área contábil e financeira. Em segundo lugar, traz uma contribuição metodológica, ao introduzir uma nova escala para mensurar a competência digital de contadores de contabilidade gerencial. Por fim, oferece implicações práticas, ao sugerir que departamentos de análise de dados independentes podem, inadvertidamente, dificultar o desenvolvimento da competência digital desses profissionais.
 

Imagem: Gemini