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02 março 2026

IA e a guerra


Diante do clima bélico do governo dos Estados Unidos, um movimento recente chamou a atenção de funcionários que trabalham com inteligência artificial nas empresas Google, OpenAI e Anthropic: o possível uso da IA pelo governo em operações militares.

A pressão, por enquanto, está sobre a empresa responsável pelo Claude, que pode ser excluída de contratos com o Departamento de Defesa caso não conceda permissão para vigilância em massa ou para o uso da tecnologia com fins letais sem supervisão humana. Ao mesmo tempo, há negociações em curso para que algo semelhante seja feito com Google e OpenAI.

Ceder pode ser positivo para os lucros. Mas será que a sociedade teria uma visão favorável da empresa após isso?

 

Brasil subestimado


Diversos países do Oriente Médio estão sendo arrastados para o conflito atual e têm recebido ataques de mísseis do Irã. Acredito que a atualização bayesiana adequada é que o Brasil está subestimado.

O país tem muita água e grande capacidade de produzir seu próprio alimento. É uma potência agrícola. Está desenvolvendo cada vez mais seus combustíveis fósseis. Nenhum vizinho — nem mesmo vizinho próximo — ousa ameaçá-lo. Não se consegue imaginar conquistá-lo, porque nem mesmo o governo do Brasil conquistou plenamente o próprio país.

É grande o suficiente para que até mesmo os Estados Unidos só consigam pressioná-lo de forma limitada.

As taxas de criminalidade são altas, mas, pelo lado positivo, isso confere ao país certa resiliência. As pessoas estão acostumadas a eventos adversos, e a sociedade está estruturada de acordo com isso. Não é possível escrever sobre “o Brasil caindo em distopia” sem provocar risos.

Se a imigração o incomoda (não é a minha posição), o Brasil e a cultura brasileira não serão submersos por pessoas vindas de outros lugares. Para o bem ou para o mal.

O Brasil “continuou sendo Brasil” tanto sob a democracia quanto sob a autocracia.

Fonte: aqui

Escutando o sonho dos outros

Pedi para a IA fazer um resumo do texto do Pluralistic, e o resultado pareceu quase uma vingança contra o que Doctorow disse sobre o assunto — e contra o fato de que tantas pessoas lhe enviam produções do Chat.


A comparação é bastante divertida: ninguém gosta de ouvir o sonho dos outros. Textos que recebemos produzidos por uma IA são um pouco isso.

No diálogo entre alguém que escreveu algo e alguém que discorda, mas não entende suficientemente para rebater, a única pessoa qualificada para avaliar a resposta do chatbot é o autor original — ou seja, o estranho para quem você acabou de enviar a transcrição do chat.

Enviar a um desconhecido um bloco de texto de IA não verificado não é uma forma de diálogo — é uma tentativa de coagir um estranho a realizar trabalho não remunerado em seu nome. Desconhecidos não são seu “humano no circuito”, cujo tempo valioso estaria disponível para revisar cuidadosamente, de graça, as frases plausíveis que um chatbot produziu para você.

Acredito que a IA é muito boa para traduzir rapidamente um texto em língua inglesa (italiana, francesa, espanhola...) e fará isso de forma mais rápida e melhor do que eu conseguiria. Ao contrário de Doctorow, não tenho aversão ao texto produzido por IA. Mas, de fato, é estranho ficar lendo textos com “cara de IA”, feitos por IA e que qualquer pessoa poderia gerar na sua própria ferramenta.

Estamos aprendendo a lidar com tudo isso. Mas certamente não será lendo os sonhos dos outros. O blog usa IA? Sim — na tradução ou na produção de imagens. Os textos são destacados como tal. O trecho acima, em itálico, foi traduzido por uma IA. Também usamos a ferramenta para alguma ideia pontual. Fora isso, é o ser humano aqui falando.

Rir é o melhor remédio

 


01 março 2026

Polymarket, Insider e auditoria


O falatório começou com postagens alegando que um pequeno grupo de carteiras digitais fez repetidamente apostas altas em resultados financeiros pouco antes dos relatórios oficiais serem publicados. As empresas citadas no tópico incluem Home Depot, DoorDash, CarMax, Thor Industries e StoneX. Nada disso é ilegal por si só. Pessoas tentam adivinhar resultados todo trimestre, e alguns traders são genuinamente bons nisso. O que faz essa história ganhar força é o padrão que os traders dizem estar vendo: posições enormes, entradas de última hora e uma taxa de acerto que parece mais "já sabia" do que "modelo de análise forte". Além disso, todas as empresas mencionadas são auditadas pela mesma firma: a KPMG.

A origem da desconfiança é gamingamerica, via Going Concern

Paramount leva a WB streaming

A Netflix decidiu abandonar sua tentativa de adquirir os estúdios e a divisão de streaming da Warner Bros Discovery depois que o conselho da Warner considerou a oferta da Paramount Skydance mais vantajosa do que a proposta da própria Netflix. 

Com essa decisão, a Paramount segue como provável vencedora da disputa pelo controle da Warner, em um acordo que pode totalizar cerca de US$ 110 bilhões incluindo dívida.

A Netflix, apesar de recuar, receberá uma taxa de rescisão de aproximadamente US$ 2,8 bilhões da Paramount pela desistência do acordo anterior entre Netflix e Warner.


Normas de sustentabilidade do ISSB avançam no mundo


As notícias dos últimos dias mostram um avanço na adoção das normas de sustentabilidade baseadas na IFRS S1 e S2. 

A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia (FSC) publicou um projeto, com  término de comentários em 31 de março de 2026 e adoção prevista para 2027. 

Já  o governo do Reino Unido publicou a versão final do UK Sustainability Reporting Standards (UK SRS), com o uso voluntário, com adaptações dos padrões ISSB. Está em andamento a análise dos requisitos de enquadramento para certos tipos de empresas privadas. 

A Agência de Serviços Financeiros Japonesa (FSA) determinou que certas empresas listadas nas bolsas serão obrigadas a divulgar informações de sustentabilidade usando os padrões do país. 

E, não menos importante, o Conselho de Contabilidade e Auditoria da Etiópia (AABE) lançou uma consulta sobre a adoção de normas ISSB, com prazo até 25 de março de 2026.