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23 dezembro 2025

Modo de aplicação de uma pesquisa importa

 O modo de aplicação da pesquisa é uma consideração crítica em estudos de bem-estar que utilizam o Global Flourishing Study (GFS), realizado em 22 países. Identificamos diferenças significativas nas respostas às questões de bem-estar quando elas são obtidas por meio de entrevistas telefônicas com entrevistador (CATI) ou por questionários online (CAWI). Em quinze países do GFS, ambos os modos são utilizados; em sete dos países mais avançados, apenas o CAWI é empregado. As respostas de bem-estar diferem de forma marcante entre os modos dentro dos países que utilizam ambos, bem como em comparação com os países que utilizam apenas CAWI. Em média, o CATI tende a produzir escores de bem-estar mais elevados. Não considerar essas diferenças de amostragem gera viés nos resultados. Isso ocorre em vinte e três estudos anteriores que utilizaram o GFS sem levar em conta o modo de pesquisa. Examinamos cada um desses estudos e demonstramos que seus achados variam conforme o modo de coleta. Em conjunto com a presença de outros fatores de confusão não observáveis em nível nacional, as diferenças entre modos de pesquisa enfraquecem substancialmente a validade interna das comparações entre países e das meta-análises com efeitos aleatórios conduzidas com o GFS.

Fonte: aqui 

O valor invisível do cuidado com adultos


Um texto do Nada es Gratis discute como o cuidado informal a adultos — prestado por familiares e amigos sem remuneração — representa a principal forma de apoio às pessoas com dependência em muitos países europeus, mas seu valor econômico costuma ser ignorado nas estatísticas oficiais

Há diversos métodos para estimar esse valor, incluindo o custo de oportunidade e abordagens baseadas no bem-estar subjetivo dos cuidadores, que capturam tanto custos tangíveis quanto intangíveis como estresse e sacrifícios pessoais. 

A contabilidade já tem tratado de alguns métodos de mensuração, como custo de oportunidade, mas parece ser pouco para reconhecer o impacto na contabilidade pública, por exemplo. Algo que precisa ser considerado. 

As postagens mais lidas em 2025



Anualmente publicamos duas listas: (i) postagens do ano mais acessadas, referente ao que foi postado naquele e teve maior quantidade de acessos; e (ii) as mais lidas do ano, que se referem aos acessos como um todo, de toda a biblioteca do Blog.

A lista de postagens de 2025 mais acessadas foi publicada ontem. Hoje o foco é o 2º bloco: as mais lidas em 2025.

Conforme os dados disponibilizados pelo Google Analytics, as nossas postagens mais acessadas em um ano refletem o que é buscado em mecanismos como o Google e o Bing. Em 2025, temos a estreia do ChatGPT como uma das ferramentas que referenciou o blog e, portanto, trouxe acessos diretos.

Outra alteração interessante que temos observado é que há alguns anos as nossas postagens mais acessadas eram relacionadas à análise econômico-financeira (CCL, giro do ativo, margem operacional). Esse foi o foco de interesse do público que nos encontrava por anos a fio. Porém, houve uma atualização de preferências, possivelmente relacionada aos critérios de indexação das plataformas de busca e, atualmente, as postagens mais acessadas estão mais voltadas a orientações para trabalhos acadêmicos.

1. A ordem dos autores num trabalho acadêmico

2. Rir é o melhor remédio (sobre trabalho de conclusão de curso)

3. 7 regras para sua vida financeira

4. Como fazer uma tabela

5. O que deve conter um resumo?

6. Teoria na Era do Big Data

7. Os Cinco Pecados da “Essência e Forma” em Trabalhos Acadêmicos

8. Gráficos em trabalhos acadêmicos

9. Correlação espúria

10. Correlação espúria

Ação milionária contra firmas australianas por gestão tributária


Eis a notícia (via aqui):

Uma das famílias mais ricas da Austrália iniciou uma ação judicial de grande repercussão, buscando quase 50 milhões de dólares em indenizações contra duas grandes firmas de contabilidade por seu papel em um erro fiscal que deixou a família diante de uma cobrança tributária multimilionária. A família Thomas, de Adelaide — controladora do império de carnes Thomas Foods International, avaliado em 4 bilhões de dólares — e as entidades corporativas que controla acusam a gigante global EY e a firma local Hood Sweeney de falhas graves na administração de diversos trusts familiares, que teriam desencadeado penalidades fiscais superiores a 13 milhões de dólares. A família contesta as penalidades impostas pela Autoridade Tributária Australiana (ATO) na Justiça Federal, mas, paralelamente, pleiteia indenizações de 25 milhões de dólares contra a EY e 22 milhões de dólares contra a Hood Sweeney. 

Rir é o melhor remédio

 

Fonte: aqui

22 dezembro 2025

Aprovado CPC 51

Finalmente temos a nova norma relacionadas com as demonstrações contábeis. O CPC 51, um número associado a uma famosa marca de cachaça, está relacionado com a apresentação e divulgação de informação nas demonstrações contábeis. A norma irá entrar em vigor em 2027, o que significa um prazo de um ano para a adaptação das empresas. 

No artigo 10 temos uma inovação em relação a IFRS 18. Entre as demonstrações contábeis listadas (demonstração de desempenho financeiro, balanço patrimonial, DMPL, DFC e DVA). A última demonstração é essa inovação, pois está especificada somente na legislação brasileira. 

Brevemente voltaremos a tratar do assunto 

Universo não pode ser uma simulação


Confesso que não sei o que pensar. Eis a tradução

Uma equipe de físicos afirma ter “matado” a hipótese da simulação usando matemática. Segundo o Science Daily, pesquisadores liderados pelo Dr. Mir Faizal, da UBC Okanagan, utilizaram o teorema da incompletude de Gödel para argumentar que a realidade exige uma “compreensão não algorítmica” — algo que os computadores, por princípio, não podem fornecer.

O argumento é o seguinte: a gravidade quântica descreve o universo como emergindo do que os físicos chamam de um “reino platônico” de informação pura. A equipe aplicou provas matemáticas sobre indecidibilidade (problemas que nenhum algoritmo consegue resolver) a esse arcabouço e concluiu que qualquer modelo completo da existência requer algo além da computação. Como simulações são, por definição, algorítmicas, o universo não poderia ser uma delas.

O artigo, publicado no Journal of Holography Applications in Physics, também sustenta que “as leis fundamentais da física não podem estar contidas no espaço e no tempo, porque são elas que os geram”. Uma descrição completa da realidade exigiria uma forma de compreensão que existe fora do próprio sistema — em um nível mais profundo do que as leis que produzem o espaço-tempo.

Se isso realmente resolve a questão é outra história. O teorema de Gödel já foi invocado, ao longo das décadas, para “provar” muitas coisas — da existência de Deus à impossibilidade da inteligência artificial — com graus variados de rigor. A hipótese da simulação sempre foi mais um experimento filosófico do que uma afirmação científica; é difícil “refutar” algo que nunca foi falsificável. Ainda assim, se você vinha perdendo o sono pensando se é um NPC, a equipe da UBC gostaria que você relaxasse.

Eis o que a IA diz sobre isso:

Se a hipótese da simulação estivesse correta, a contabilidade teria um problema sério: quem estaria auditando o universo? O artigo sugere que a realidade exige algo “não algorítmico”, o que é um alívio para a profissão. Afinal, se tudo fosse puramente computável, bastaria um script para fechar balanços, julgar estimativas e emitir parecer — e sabemos que nem o melhor ERP resolve uma provisão contingencial mal explicada.

Gödel, nesse sentido, soa quase como um pronunciamento do CPC: não existe sistema completo, fechado e livre de exceções. Sempre haverá algo fora do modelo — uma estimativa, um julgamento, uma nota explicativa que “não cabe na planilha”. A própria ideia de que as leis fundamentais geram o espaço-tempo lembra a contabilidade patrimonial: as normas não estão “dentro” da empresa; elas criam a empresa enquanto entidade reportável.

Em resumo, se o universo fosse uma simulação perfeita, já teria passado pelo crivo da auditoria. Como não passou, seguimos vivendo num mundo onde o julgamento profissional ainda é insubstituível — o que, convenhamos, é muito reconfortante para os contadores.