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17 julho 2025

Sofisticação da malandragem: pesquisadores estão inserindo mensagens secretas nos artigos


Pesquisadores têm inserido mensagens secretas em seus artigos na tentativa de enganar ferramentas de inteligência artificial (IA) para obter relatórios positivos de revisão por pares. A Nature identificou de forma independente 18 estudos de pré-publicação em ciência da computação contendo essas mensagens ocultas — em que o texto é especificamente elaborado para manipular modelos de linguagem de grande escala (LLMs). Muitos editores proíbem o uso de IA na revisão por pares, mas há evidências de que alguns pesquisadores utilizam LLMs para avaliar manuscritos ou ajudar na redação de relatórios de revisão. Isso cria uma vulnerabilidade que outros agora parecem estar tentando explorar, afirma o metacientista forense James Heathers.

Fonte: aqui 

Imposto sobre perda: uma novidade

Uma mudança tributária proposta pelo governo Trump traz um elemento realmente inusitado na forma de pagamento ao fisco — e pode ser perigosa, caso outros governos adotem a mesma lógica. O foco recai sobre os jogadores profissionais.

Pelas novas regras, os jogadores pagarão mais impostos quando tiverem ganhos, mas haverá uma limitação no valor a ser abatido em caso de perdas. E é justamente nesse ponto que está o aspecto mais estranho.

Suponha que um apostador ganhe um milhão em jogos e perca também um milhão, ficando empatado. A regra só permite compensar até 90% do prejuízo. Em outras palavras, mesmo sem obter ganho líquido, apenas 900 mil poderão ser deduzidos, restando 100 mil sujeitos à tributação.


Se mudarmos um pouco os números, a situação fica ainda pior. Imagine que o jogador ganhe um milhão e perca um milhão e cem mil. Foi um período ruim, com prejuízo líquido de 100 mil. Ainda assim, apenas 90% de um milhão e cem mil poderão ser abatidos — ou seja, 990 mil. No fim, além de perder 100 mil, o jogador ainda deverá pagar imposto sobre 10 mil.

Ou seja, o grande vencedor é a “casa”, neste caso o imposto de renda. A regra entrará em vigor a partir de 2026. Quase imediatamente, surgiu reação no legislativo, com a apresentação do projeto Fair Accounting for Income Realized From Betting Earnings Taxation Act (FAIR BET Act), que busca tornar a contabilidade mais justa, permitindo a dedução integral das perdas. O projeto foi apresentado por um congressista de Nevada, onde o jogo é uma atividade econômica relevante.

(Baseado no texto de Ian Frisch, da newsletter do NYTimes)

Rir é o melhor remédio

Alguns outdors engraçados:




16 julho 2025

Um erro de marketing, com impacto no custo: um caso curioso


Encontrei no Quora

Em 1984, as Olimpíadas voltaram aos Estados Unidos, e o McDonald's investiu pesado em seu patrocínio aos jogos. Para demonstrar confiança na equipe olímpica americana, a rede lançou a promoção "If the U.S. wins, you win!" (“Se os EUA ganharem, você ganha!”). Os clientes recebiam cartões com um evento olímpico impresso; se os americanos ganhassem medalha de ouro, prata ou bronze naquela modalidade, o cliente ganhava um Big Mac, batatas fritas ou Coca-Cola, respectivamente.

Nenhuma empresa lança uma promoção de “ganhe um ___ grátis” sem estimar bem os custos. O McDonald's provavelmente baseou seus cálculos no desempenho dos EUA nos últimos jogos em que participaram, em 1976, quando conquistaram 94 medalhas (34 de ouro). Na época, a União Soviética e a Alemanha Oriental dominaram com 125 e 90 medalhas, respectivamente.

O que o McDonald's não considerou foi que, em 1984, os jogos ocorreriam nos EUA, e a URSS e seus aliados boicotariam as Olimpíadas (em retaliação ao boicote americano em 1980). Sem a competição do bloco oriental, os EUA explodiram no quadro de medalhas, conquistando 174 medalhas no total, sendo 83 de ouro.

Resultado: o McDonald's teve que distribuir muito mais comida do que previa, incluindo mais que o dobro de Big Macs do planejado. Circularam rumores de que algumas lojas ficaram sem Big Macs e até histórias bizarras, como a de que o então CEO do McDonald's teria cuspido pessoalmente em cada 50º sanduíche — supostamente para afastar clientes (embora ninguém saiba se isso realmente aconteceu).
 

Temperatura e o comportamento da pessoas


Quem não se lembra de Tristes Trópicos? Parece que sempre escutamos que a elevada temperatura dos países tropicais influenciam no comportamento das pessoas. Uma nova pesquisa mostra o seguinte:

Evidências acumuladas indicam que a temperatura ambiental afeta substancialmente os resultados econômicos e a violência, mas as razões para essa ligação são apenas parcialmente compreendidas. Nós estudamos se a temperatura influencia diretamente o comportamento, avaliando o efeito do estresse térmico em múltiplas dimensões da tomada de decisão econômica, do julgamento e do comportamento destrutivo com 2.000 participantes no Quênia e nos Estados Unidos, que foram aleatoriamente designados para diferentes temperaturas em um laboratório. O principal achado é que a maioria das dimensões importantes da tomada de decisão econômica não é afetada pela temperatura. Também constatamos que o calor aumenta significativamente a disposição de destruir voluntariamente os ativos de outros participantes na amostra do Quênia. 

Destructive Behaviour, Judgement, and Economic Decision-making under Thermal Stress - Ingvild Almås et al. Economic Journal, forthcoming (Via aqui)

Há outro interesse aqui: com o aquecimento global, o tema passa a ter um relevância adicional, 

Efeito nas receitas públicas da política de Trump


Veja que interessante:

Os parceiros comerciais dos Estados Unidos, em grande parte, não retaliaram contra as amplas tarifas impostas por Donald Trump, permitindo que um presidente zombado por “sempre recuar” arrecadasse quase US$ 50 bilhões em receitas extras de alfândega a um custo relativamente baixo.

Quatro meses após Trump dar o tiro de abertura em sua guerra comercial, apenas China e Canadá ousaram revidar contra Washington, que impôs uma tarifa global mínima de 10%, taxas de 50% sobre aço e alumínio e 25% sobre automóveis.

Ao mesmo tempo, as receitas dos EUA provenientes de tarifas alfandegárias atingiram um recorde de US$ 64 bilhões no segundo trimestre — US$ 47 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados pelo Tesouro dos EUA na sexta-feira.

As tarifas retaliatórias da China sobre importações americanas, as mais consistentes e significativas entre todos os países, não tiveram o mesmo efeito, com a receita geral proveniente de tarifas alfandegárias apenas 1,9% maior em maio de 2025 do que no ano anterior.
 

Não tinha lido isso na imprensa brasileira. O fato de não ter existido retaliação seria por receio de começar uma guerra econômica ou por acharem que Trump irá recuar?  Imagem aqui