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27 abril 2020

Reduziu o custo?

Muitas universidades transformaram as aulas presenciais em on-line por conta do Covid-19. O aluno que estava pagando por um curso presencial teria agora direito a um desconto? Questão interessante.

Já existe um movimento para tentar conseguir descontos nas mensalidades. Mas as instituições dizem que não ocorreu redução nos custos; na verdade, as aulas on-line aumentaram os custos. A grande questão é saber se os custos do ensino presencial são evitáveis ou não. Segundo as instituições, o maior custo é pessoal. Parte deste custo é evitável, ou seja, pode existir uma economia com a aula on-line. Resta saber o montante disto. Além disto, estas instituições devem estar pagando um conta de luz menor. Da mesma forma, devem ter dispensado o funcionário terceirizado da limpeza. Tudo isto poderia ser somado para chegar ao custo evitável. Além disto, em razão das medidas adotadas no país, há sempre a possibilidade de redução de salários e benefícios neste período. Mas o valor total talvez seja bem menor do que se poderia pensar, já que provavelmente a instituição deve continuar pagando o professor pela aula on-line. 

Outro aspecto é verificar se a mudança representou algum custo adicional (equipamento, contratação de software etc). Acho pouco provável.

Multiplan e o retorno

Quando a OMS declarou o Covid uma pandemia, algumas empresas começaram a tomar posição para o que poderia acontecer. Quase uma semana depois, no dia 17 de março, a empresa Multiplan algumas medidas que estava tomando, incluindo a redução do horário de funcionamento dos shoppings centers gerenciados pela empresa. Naquela ocasião, a Multiplan indicava que a medida “foi tomada com o intuito de resguardar a saúde e o bem-estar dos nossos consumidores, colaboradores, lojistas e de toda a população e será reavaliada constantemente pela Companhia de acordo com o desdobramento dos fatos, determinações e orientações das autoridades competentes”. A política da empresa era do tipo “entregar os anéis para não perder os dedos”. A empresa chamava a atenção para as medidas de prevenção e conscientização. Nos termos da empresa, “a Companhia tem trabalhado junto às autoridades, buscando atenuar os impactos causados pela situação atual e tem, também, se colocado à disposição para auxiliar em iniciativas que possam ajudar a sociedade”.

Mas isto não foi suficiente, já que os governos estaduais e municipais tomaram medidas de suspender as operações de alguns dos shoppings da empresa. No dia seguinte ao comunicado, a empresa teve que fechar os shoppings do Rio de Janeiro e de Porto Alegre. Ao dar a notícia, a empresa novamente enfatizou que estava trabalhando junto com as autoridades para “atenuar os impactos causados pela situação atual e tem, também, se colocado à disposição para auxiliar em iniciativas que possam ajudar a sociedade”. Um dia depois as unidades de São Paulo e Brasília foram suspensas e, logo a seguir, em Belo Horizonte, Canoas, Jundiaí e Ribeirão Preto. O comunicado encerrava com as mesmas palavras de apoio às autoridades.

Quase um mês depois, a mesma empresa publica um anúncio de página inteira nos jornais intitulado “O Coronavírus e a Saúde no Brasil”. O anúncio começa afirmando que se trata de uma epidemia (sic) de proporções mundiais e que “atinge o Brasil num momento extremamente delicado da nossa economia”. A seguir, a empresa afirma que está seguindo as orientações das autoridades internacionais de saúde para reduzir o risco de contaminação. E depois disto, uma estratégia de reduzir a gravidade da doença e a necessidade de levar em consideração os aspectos econômicos. O comunicado encerra com as seguintes frases:

Para vencermos essa pandemia [esta é a primeira vez que o termo é usado], o Brasil e o Governo contam com o trabalho indispensável de nossos agricultores, comerciários, industriários, prestadores de serviços, profissionais liberais e empresários que, através dos impostos pagos, sustentam a Nação [não é bem isto; o melhor seria “sustentam o governo”]. O desemprego e a fome podem gerar consequências tão ou mais letais que o coronavírus. Juntos vamos lutar pela saúde do Brasil!”

O texto encerra com a assinatura do CEO da empresa.

O conteúdo vai no sentido de que o isolamento social pode causar mais prejuízo do que as mortes. O desemprego e a fome podem ser tão ou mais prejudiciais que as mortes pelo Covid. É um argumento. O problema é que o anúncio força nos dados. Não irei falar do fato de que o anúncio superestima a população brasileira (indica 212 milhões de habitantes, versus o dado do Ibge de 211 para abril de 2020). Ou que o número de óbitos reportados pela OMS corresponde somente aos casos comprovados de mortes relacionadas com a doença; ou seja, as mortes pelo Covid-19 estão subestimadas. Também não é razoável comparar Brasil com Itália, onde a curva da doença está em momentos distintos.

Mas o texto usa o seguinte argumento: doenças respiratórias matam 150 mil pessoas por ano no Brasil e o coronavírus “contabiliza” [termo usado pela empresa] até o presente momento 3.313 mortes. Há uma comparação inadequada aqui: as mortes por outras doenças é contada em termos anuais, enquanto da pandemia é feita a contagem acumulada de alguns dias. Faz sentido? Não.

Veja que o argumento da Multiplan tem sua validade, mas forçar na tortura dos dados termina por comprometer o restante do texto.

Rir é o melhor remédio

Lucro operacional ou Ebitda?

26 abril 2020

Assembleias

Mais de trinta assembleias de acionistas já foram convocadas desde que a CVM regularizou a possibilidade do evento ser também digital. Eis um panorama interessante.

As seguintes empresas (total de 16) fizeram a convocação de forma exclusivamente digital:
Light - Anima - Usiminas - Paranapanema - Log-In - International Meal - Brasil Brokers - Sinqia - Alupar - Sabesp - Vale - Tupy - TLSA - Alpargatas - Arezzo - Vivara - Telebras

As empresas (12 até agora) a seguir estão chamando a assembleia de forma híbrida:

BRF - Emae - Banco da Amazonia - Bombril - Guararapes - Ideias Net - Coteminas - Santanense - Hering - Bahema - Ser - Copasa

Quanto ao sistema de comunicação, 13 empresas não indicaram, na convocação, o sistema que será usado ou indicaram que irão usar um sistema próprio ou um sistema a ser disponibilizado (BRF - EMAE - Bombril - Telebras - Guararapes - Brasil Brokers - Springs - Coteminas - Santanense - Bahema - Tupy - TLSA - Copasa - Springs). A demais indicaram o sistema, com uma predominância pelo Zoom (Light - Anima Holding - Paranapanema - Log-in - International Meal - Ideias Net - Alpargatas - Sabesp - Arezzo ou seja 9 empresas). Mas também foram citados Teams (4 empresas ou Usiminas - Banco da Amazonia - Mitre - Hering), Webex (Sinqia - Alupar - Vale), Webecast (Vivara) e Net Globe (Ser Educacional).

O leitor poderá notar que das nove empresas que irão usar o Zoom, oito fizeram a opção pela assembleia exclusivamente digital.

Medallion: o rei do mercado financeiro

Resumo:

The performance of Renaissance Technologies’ Medallion fund provides the ultimate counterexample to the hypothesis of market efficiency. Over the period from the start of trading in 1988 to 2018, $100 invested in Medallion would have grown to $398.7 million, representing a compound return of 63.3%. Returns of this magnitude over such an extended period far outstrip anything reported in the academic literature. Furthermore, during the entire 31-year period, Medallion never had a negative return despite the dot.com crash and the financial crisis. Despite this remarkable performance, the fund’s market beta and factor loadings were all negative, so Medallion’s performance cannot be interpreted as a premium for risk bearing. To date, there is no adequate rational market explanation for this performance.


Medallion Fund: The Ultimate Counterexample?Bradford Cornel The Journal of Portfolio Management March 2020, 46 (4) 156-159; DOI: https://doi.org/10.3905/jpm.2020.1.128


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Divórcio Embraer Boeing

O Covid fez mais uma vítima: o acordo entre as fabricantes de aviões Embraer e Boeing está desfeito. Este acordo surgiu depois que a Airbus adquiriu a fabricante canadense Bombadier. Nos últimos meses, a Boeing enfrentava problemas sérios de reputação (queda de aviões), atrasos e cancelamento de encomendas. A crise das cias aéreas parece que foi o ponto final.

A Boeing acusou a Embraer de não cumprir o combinado para fechar o acordo. A empresa brasileira julga que a Boeing cancelou o acordo de forma indevida, arrumando justificativas.

Fontes da indústria dizem que a Boeing estava interessada na Embraer principalmente pelo acesso a engenheiros de baixo custo e novas opções de fabricação, mas agora está pensando em cortar 10% de sua força de trabalho enquanto também procura ajuda federal dos EUA para o setor aeroespacial.


Segundo a Reuters, há uma multa de 100 milhões de dólares, mas parece que a Embraer quer mais, alegando que foi prejudicada nas vendas dos jatos E2. A agência Estado afirma que

A Embraer, que informou acreditar estar em conformidade com suas obrigações no acordo e ter cumprido com todas as condições necessárias até a data de ontem (prazo final para conclusão), disse que buscará todas as medidas cabíveis contra a Boeing pelos danos sofridos.