Baseado em Morong pedi para o Gemini elaborar um dialogo entre os dois grandes mestres da contabilidade. É uma boa forma de entender a questão da entidade.
Imagine um encontro atemporal em uma biblioteca clássica. De um lado, Luca Pacioli (1445–1517), vestindo seu hábito de monge franciscano, com sua pena e pergaminhos. Do outro, William A. Paton (1889–1991), o acadêmico americano, de terno e óculos, representando o rigor da contabilidade moderna.
O Diálogo: A Origem vs. A Entidade
Paton: Frei Luca, é uma honra. Seu tratado Summa de Arithmetica é a fundação de tudo o que fazemos. No entanto, preciso confessar que sua visão sobre a confusão entre o patrimônio do mercador e o da empresa me causa calafrios. Na contabilidade moderna, a Entidade é um ser vivo, independente de quem a criou.
Pacioli: (Sorri calmamente) Meu caro mestre Paton, vejo que o futuro trouxe muita complexidade. Em minha Veneza, o mercador é o negócio. Se Francesco compra uma seda fina ou um pedaço de pão para sua mesa, o dinheiro sai da mesma bolsa. Como eu poderia dizer a ele que sua mão direita não pertence à esquerda? Na prática da minha era, separar os bens do dono seria um exercício de fantasia. A conta "Capital" é apenas o registro do que o homem possui.
Paton: Eu compreendo as limitações do seu tempo, Frei. Mas veja, o mundo mudou. Hoje temos o investidor não dono. Imagine uma grande ferrovia ou uma fábrica de automóveis. O investidor coloca seu capital lá, mas ele não "manda" no martelo ou na locomotiva. Se não separarmos o que é da corporação do que é do acionista, o lucro se torna uma ilusão e a gestão se torna impossível. A entidade precisa ter uma alma jurídica própria para que possamos medir sua eficiência real.
Pacioli: Você fala de "eficiência" e "alma jurídica". Para mim, a contabilidade é sobre a confiança e a verdade diante de Deus e dos homens. Se o mercador deve, ele deve por inteiro. Se ele tem lucro, é para sua família e para sua alma. Criar uma barreira artificial entre o homem e sua obra me parece perigoso. Como você garante a responsabilidade se o dono pode se esconder atrás dessa "entidade"?
Paton: Não é sobre se esconder, Frei, é sobre transparência para o mercado de capitais! Sem o Princípio da Entidade, como um banco saberia se está emprestando dinheiro para a empresa crescer ou para o dono comprar uma carruagem luxuosa? Para o investidor moderno, a empresa é um motor de geração de valor. Precisamos saber quanto esse motor produz, independentemente de quantas moedas o dono tem no bolso.
Pacioli: (Ponderando) Entendo. No meu tempo, o comércio era pessoal, baseado no nome e na honra de um único homem. Se hoje as empresas são como grandes navios com mil donos, admito que minha bússola precisaria de novos ajustes. Minhas "partidas dobradas" foram feitas para organizar a mente de um mercador, mas vejo que você as usa para organizar o progresso de uma nação inteira.
Paton: Exatamente. Você nos deu a linguagem, Frei Luca. Eu apenas adicionei a gramática necessária para que essa linguagem pudesse ser lida por milhares de desconhecidos que confiam seu suado dinheiro a empresas que nunca visitaram.
