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14 agosto 2006

Risco Brasil

Reportagem do Estado de S. Paulo de hoje.

Brasil precisa de mais crescimento para ter 'upgrade'

Segundo as agências de classificação de risco, grau de investimento exige que País cresça bem mais que 3%

Patrícia Campos Mello

Se o próximo presidente da República quiser exibir o trunfo do "grau de investimento" durante seu mandato, ele vai ter que pôr o Brasil para crescer bem mais do que parcos 3% ao ano. E, para isso, o novo governo não vai escapar das dolorosas reformas necessárias, principalmente de um ajuste fiscal mais profundo e de maior qualidade.

Esse é o diagnóstico das três principais agências de classificação de risco, responsáveis pelo cobiçado carimbo de grau de investimento, que equivale a um sinal verde para os investidores e reduz o custo de captação de recursos. Tanto a Standard & Poor's, como a Fitch e a Moody's, que esquadrinham os indicadores econômicos dos países e as perspectivas das economias de 100 nações para elaborar seus pareceres.

Segundo analistas ouvidos pelo Estado, existe a possibilidade de o Brasil ser promovido a grau de investimento até 2010 - mas não será nada fácil. "A diferença é que, dois ou três anos atrás, seria impossível pensar no Brasil chegando a grau de investimento", diz Mauro Leos, da Moody's. "Agora, com todas as melhoras do País, já se pode falar nisso."

Para Lisa Schineller, diretora de rating soberano da Standard & Poor's, países na mesma faixa de classificação do Brasil hoje levam, em média, 5 anos para chegar ao grau de investimento. Mas o México levou 7 anos e a África do Sul, pouco menos que seis anos - os dois países têm taxas de crescimento relativamente baixas, semelhantes às brasileiras. Outros países, como a Rússia e o Casaquistão, chegaram ao grau de investimento em apenas 3 anos. Mas eles crescem muito rápido e foram beneficiados pelos altos preços do petróleo.

"O principal é melhorar o lado fiscal", diz Lisa. "Com a redução do endividamento e dos gastos do governo, além de diminuição da carga tributária, seria possível ter uma queda nas taxas de juros, que permitiria um crescimento mais acelerado."

Para Roger Scher, responsável pela área de Ratings Soberanos da América Latina da Fitch, o maior obstáculo para a promoção do Brasil a grau de investimento é o baixo crescimento do PIB. O crescimento médio do Brasil nos últimos 10 anos foi de 2% a 3%. Este ano, deve chegar a 3,5%. A média de crescimento dos países com a mesma classificação que o Brasil é 5,8%.

"É preciso fazer as reformas que vão possibilitar esse maior crescimento", diz Scher. Um crescimento maior ajudaria a reduzir a relação dívida PIB. Além disso, sem expansão mais rápida do PIB, será difícil equacionar o problema de má distribuição de renda no País e investir em infra-estrutura.

"O próximo governo precisa pôr na agenda um banco central independente, reforma trabalhista, tributária e da Previdência, se o País quer crescer mais e chegar a grau de investimento", diz Scher. Segundo ele, o "Brasil está correndo, correndo, só para ficar parado no mesmo lugar." "Para realmente andar pra frente, precisa fazer mais do que está fazendo, e isso implica reformas estruturais." Scher diz que, desde 2004, não há avanço nas reformas.

Mesmo assim, há que se dar o crédito devido. A promoção para grau de investimento nunca esteve tão próxima, por causa de uma série de progressos dos últimos anos. A principal foi a redução da vulnerabilidade externa - o Brasil passou de déficits em conta corrente para superávit, graças ao ótimo desempenho das exportações. Houve também uma melhora da estrutura da dívida doméstica, com redução da parcela indexada à taxa Selic, eliminação da parte atrelada ao dólar e aumento dos prazos. Mesmo a relação dívida PIB, ainda alta em cerca de 50%, era de 70%. A dívida externa do setor público caiu de 100% do PIB para menos de 20%. "O setor público se desalavancou", diz Lisa.

BRICs
Fora o Brasil, todos os outros chamados BRICs são grau de investimento. Um relatório preparado por economistas da Goldman Sachs há três anos projetou que Brasil, Rússia, Índia e China (batizados de BRICs) terão o maior crescimento entre os países do mundo e se tornarão as maiores economias globais neste século.

Entre os BRICs, a China é a que tem a melhor classificação, seguida de Rússia e Índia. "O fato é que o Brasil ainda é mais arriscado do que todos os outros BRICs, em termos de capacidade do governo de pagar suas dívidas", diz Lisa.

A China, por exemplo, tem um sistema financeiro problemático, cheio de créditos podres, e riscos políticos, por causa do regime autoritário. Mas a inflação do país e a dívida do governo são muito baixas (ver arte) e a economia cresce 10% ao ano. E, o principal: tem reservas de mais de US$ 800 bilhões, que deixam qualquer credor tranqüilo.

A Rússia também tem riscos políticos e problemas de propriedade privada, como mostrou o caso Yukos. Mas o país tem enormes reservas de petróleo, o governo tem um superávit nominal do orçamento de mais de 6% do PIB e um superávit em conta corrente de 10,6%.

A Índia é o caso mais controverso, porque tem problemas de déficit orçamentário, infra-estrutura e legislação trabalhista. O déficit do governo foi de 7% do PIB, superior ao brasileiro, e a relação dívida bruta sobre o PIB é de 82,5%, também acima do Brasil. Mas o país praticamente não tem dívida externa, sua taxa de juro real é baixa e a poupança é alta. E, principalmente, a Índia cresce 8% ao ano. "Com essa taxa de crescimento, a Índia terá a mesma relação dívida PIB que o Brasil em três anos", diz Scher.

04 abril 2012

Composição do Endividamento


Definição – Este índice, também denominado de perfil da dívida, mostra a relação entre o passivo de curto prazo da empresa e o passivo total. Ou seja, qual o percentual de passivo de curto prazo é usado no financiamento de terceiros.

Fórmula – Composição do endividamento = (Passivo Circulante / Passivo) x 100

Sendo
Passivo Circulante – refere-se ao passivo de curto prazo usado pela empresa, ajustado pelas duplicatas e cheques descontados.
Passivo Total – corresponde ao capital de terceiros da empresa, ajustado pelas duplicatas e cheques descontados.

Unidade de Medida – O índice está expresso em percentagem, mostrando quantos por cento a empresa financia com recursos de curto prazo.

Intervalo da medida – Este índice irá variar entre zero e cem. Quanto mais próximo de cem, maior o uso de recursos de curto prazo.

Como calcular – Este índice é obtido com os valores do balanço patrimonial da empresa.

A figura a seguir é o balanço da empresa JBS, referente ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2011, em milhares de reais.

Para obter o índice basta usar as informações da figura:

Composição do Endividamento = [10 395 699 / (10395 699 + 15 415 997)] x 100
Composição do Endividamento = 40,3%

Isto significa que 40% da dívida com terceiros é de curto prazo. No ano anterior este índice era de 37,5%.

Grau de utilidade – Elevado. É um índice importante para saber o grau de compromisso de curto prazo da empresa. Ele deve ser usado em conjunto com outros índices para ter uma ideia precisa dos financiamentos da empresa.

Controvérsia de Medida – Alguma, referente a reclassificação

Observações Adicionais

a) Como todo índice, é importante que esta medida seja complementada com outras. Assim, uma análise com somente o endividamento oneroso pode revelar o grau de dificuldade da empresa com seus financiadores.
b) Valores elevados indicam um perfil da dívida mais arriscado. Isto pode representar, na teoria, um custo menor, mas o risco é maior.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram:

17 fevereiro 2010

Dívida do Brasileiro

Endividamento dos brasileiros bate recorde e chega a R$ 555 bilhões

Márcia De Chiara – 15/2/2010 - O Estado de São Paulo

Nunca o brasileiro deveu tanto. Entre cartões de crédito, cheque especial, financiamento bancário, crédito consignado, empréstimos para compra de veículos, imóveis - incluindo os recursos do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) -, a dívida das famílias atingiu no fim do ano passado R$ 555 bilhões. O valor é quase 40% da renda anual da população, que engloba a massa nacional de rendimentos do trabalho e os benefícios pagos pela Previdência Social.

"O endividamento do consumidor é recorde", afirma o economista chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges. Ele fez um estudo, a pedido do Estado, para medir o grau de endividamento das famílias. Constatou que, se os bancos resolvessem cobrar toda a dívida, levando em conta o empréstimo principal e os juros, de uma só vez, cada brasileiro teria de entregar quase cinco meses de rendimentos.

Em 2008, eram necessários 4,3 meses de rendimentos (salários, aposentadorias e pensões) para quitar os empréstimos. Em dezembro do ano passado o índice subiu para 4,8 meses, a maior relação entre dívida e rendimentos da série histórica iniciada em 2001, quando eram precisos dois meses de rendimentos para pagar os empréstimos. Borges explica que o estudo levou em conta a estimativa da massa de rendimentos nacional, não apenas nas seis regiões metropolitanas, e os benefícios pagos pela Previdência Social.

"Os benefícios pagos pela Previdência respondem por um quarto do total da massa de rendimentos de R$ 1,4 trilhão em 2009", observa o economista, ressaltando a importância da inclusão das pensões e aposentadorias.

RECORDE

Outro estudo, feito pelo consultor Humberto Veiga, da Universidade de Brasília, confirma que o endividamento do brasileiro é recorde, mas com números diferentes. Ele considerou apenas o saldo de empréstimos com recursos livres, isto é, excluiu os empréstimos do SFH e levou em consideração somente a massa de salários das seis regiões metropolitanas do País, deixando de fora os benefícios da Previdência.

Como a base de rendimentos considerada no estudo de Veiga é menor, ou seja, é a massa de salários nas seis regiões metropolitanas, o economista concluiu que o brasileiro encerrou 2009 devendo o equivalente a 10 meses e 20 dias de salário, a maior marca da série iniciada em 2004. Em 2008, a dívida, nessa fórmula de cálculo, era menor: correspondia a 10 meses e 2 dias de salário.

O aumento do endividamento das famílias é apontado também por outro tipo de pesquisa. De acordo com a diretora da Kantar Worldpanel (ex-Latin Panel), Christine Pereira, 65% dos dois mil lares visitados na Grande São Paulo e na Grande Rio pela consultoria tinham algum tipo de financiamento em 2009. No ano anterior, esse índice estava em 60%. Ela observa que, no ano passado, o porcentual de famílias com financiamento era superior a 50% em todos os estratos de renda.

RISCOS

Apesar do endividamento recorde do consumidor, o estudo da LCA mostra que o comprometimento da renda mensal com financiamentos diminuiu nos últimos 12 meses. Em 2008, o gasto com prestações consumia 5,9% da renda mensal e, no fim do ano passado, 15%. O pico do comprometimento da renda com empréstimos foi atingido em 2006, quando as prestações respondiam por 18,2% do orçamento. "De lá para cá houve um alívio", observa Borges.

O economista diz que a chave dessa aparente contradição entre endividamento recorde e menor comprometimento da renda mensal do consumidor é o alongamento dos prazos de pagamento dos financiamentos. De 2006 a 2009, os prazos médios quase que dobraram, passando de 17,3 meses para 31,1 meses. Dois anos e meio é maior prazo médio da série histórica do crédito.

Com mais prazo, ressalta Borges, o consumidor gasta mais com encargos financeiros. "O montante que as famílias estão pagando hoje aos bancos é maior, mesmo com a queda nas taxas de juros ao consumidor nos últimos meses." Um dado que ratifica esse raciocínio é o lucro robusto dos bancos auferido em 2009.

EMPREGO

Para Borges, enquanto o brasileiro continuar empregado - o que, na opinião dele, é o cenário mais provável -, o aumento do grau de endividamento das famílias não necessariamente vai representar elevação da taxa de inadimplência.

Segundo o economista, o risco de alta da inadimplência fica adiado para 2011, quando o emprego e o ritmo de atividade devem crescer mais lentamente.

Mas o indicador antecedente do calote, o Indicador Serasa Experian de Perspectiva de Inadimplência do Consumidor, que aponta a tendência para os próximos seis meses, mostra outra realidade. Pelo quarto mês consecutivo, o indicador subiu em dezembro.

"A inadimplência hoje está em queda, mas vai parar de cair em seis meses", afirma o gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi, com base nos resultados do indicador que leva em conta cerca de uma centena de variáveis.

Ele aponta três razões que sustentam essa previsão de reversão de tendência da inadimplência. A primeira delas é o crescimento acelerado da tomada de crédito por parte das famílias num ritmo superior ao aumento da renda. Outra razão é a corrosão do poder de compra da renda do consumidor, com repique inflacionário neste início de ano.

Por último, Rabi ressalta a elevação do custo dos financiamentos em várias modalidades de crédito. Esse movimento já é nítido em vários estudos que pesquisam as taxas de juros ao consumidor. "O cenário para o segundo semestre deste ano é muito diferente do quadro do segundo semestre de 2009", alerta o economista.

11 abril 2012

Dividend yield = Dividendos / Valor de Mercado

Definição – Este índice mede a distribuição de resultados para os acionistas pelo valor de mercado do capital próprio. Corresponde ao grau de distribuição de resultado por cada unidade de valor de mercado.

Fórmula – Dividend Yield = Dividendos / Valor de Mercado

Ou então Dividend Yield = Dividendos por ação / Preço de Mercado da Ação

Dividendos = valor distribuído ao acionista. Em virtude das peculiaridades do nosso mercado, deve incluir tanto os dividendos quanto os juros sobre o capital próprio.
Valor de Mercado = corresponde ao valor de mercado do capital próprio ou capitalização. Representa o valor de mercado das ações da empresa.

Unidade de Medida – em números absolutos. Se multiplicar o valor por 100 o resultado será em percentual.

Intervalo da medida – Este índice pode variar entre zero e um. Em casos extremos e raros pode ser maior que a unidade. Nesta situação, a empresa distribuiu dividendos numa parcela maior que o valor de mercado.

Como calcular – Parte da informação é obtida nas demonstrações contábeis da empresa. A outra parte, o valor de mercado, em endereços da internet. Veja o exemplo da Souza Cruz. O valor dos dividendos distribuídos pode ser obtido na demonstração dos fluxos de caixa:

A empresa distribuiu R$1,583 bilhão em 2011. O valor de mercado da empresa pode ser obtido em endereços que já citamos na postagem sobre capitalização. O valor de mercado ao final de 2010 era de R$27,6 bilhões.

O índice pode então ser calculado da seguinte forma:

Dividend Yield = 1,583 / 27,6 = 0,057

Indicando que para cada R$ investido no final de 2010 o acionista teria um dividendo de R$0,057.

Grau de utilidade – Moderado. Pode ser usado para selecionar as empresas pagadoras de dividendos ao longo do tempo, daquelas onde o retorno decorre da valorização do preço das ações.  Em situações de perpetuidade (modelo Gordon de dividendos descontados), o índice somado a taxa de crescimento corresponde ao custo do capital próprio.

Controvérsia de Medida – Alguma. Observe que usamos o valor de mercado inicial para confrontar com os dividendos pagos em 2011. É possível usar o valor médio ou o valor no final do período. Quando as ações estão crescendo, como é o caso da Souza Cruz, o uso do valor inicial tende a apresentar um índice mais elevado. As escolhas diferentes podem conduzir a valores diferentes. No caso da Souza Cruz, a empresa informou  um índice de 0,059, um pouco acima do que calculamos aqui.

Observações Adicionais
a)     Em caso de ausência do fluxo de caixa, pode-se usar a informação da DMPL referente à distribuição proposta de dividendos como uma aproximação. E existindo a informação no balanço patrimonial dos dividendos a pagar, o valor dos dividendos pagos corresponde ao valor existente na DMPL mais a variação de dividendos a pagar do passivo da empresa;
b)     Em razão da obrigatoriedade de distribuição mínima de dividendos existente na nossa legislação, alguns analistas consideram que esta medida pode ser afetada por esta exigência;
c)     Este índice pode servir de parâmetro para verificar a evolução da política de dividendos da empresa ao longo do tempo. Empresas com maiores índices pagam mais dividendos. Além disto, pode ser um índice interessante para aqueles que procuram ações subavaliadas pelo mercado e que pagam bons dividendos.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram:


21 março 2012

P/L = Preço da ação / Lucro por ação

Definição – corresponde a relação entre o preço da ação e o lucro por ação da empresa. Supondo que o lucro líquido é dos acionistas, mede o tempo de retorno do investimento de uma ação

Fórmula – P/L = Preço da ação / Lucro por ação

Sendo
Preço da ação = representa o valor de negociação médio das ações da empresa, numa determinada data.
Lucro por ação = corresponde ao lucro líquido do exercício dividido pelo valor da ação.

Como ambos os itens são divididos pelo número de ação, o P/L corresponde a relação entre o valor de mercado do capital próprio dividido pelo lucro líquido do exercício.

Unidade de Medida – A medida está expressa em número de períodos. Se o lucro usado corresponde ao lucro trimestral, o valor do P/L estará expresso em trimestres. O mais usual é usar o lucro anual e, portanto, o P/L corresponde ao número de anos.

Intervalo da medida – Como não faz sentido usar este índice quando a empresa tem prejuízo, podemos dizer que o intervalo está entre zero a infinito. Em momentos de mercado aquecido o valor tende a ser maior. Valores entre 5 a 20 são normais no mercado.

Como calcular – Este índice pode ser calculado por uma das duas fórmulas apresentadas. O lucro pode ser obtido na demonstração do resultado da empresa. Já o valor de mercado refere-se o valor cotado na bolsa de valores. Algumas bases de dados fornecem este número já calculado.

A figura seguir mostra o valor do P/L já calculado para a empresa Multiplus, que atua com programas de fidelidade. O índice já foi calculado e o resultado é de 21,3, indicando que com o lucro apurado pela empresa e o preço de negociação da ação no mercado, um investidor levará 21,3 anos para ter de volta o valor investido, considerando somente a geração de lucro.



Grau de utilidade – Moderado. Sua aplicação só pode ser feita para empresas com ações negociadas na bolsa de valores. Isto, obviamente, limita seu uso. Mas este é um índice que também possui aplicações mais abrangentes, sendo usado, na média do mercado, para evidenciar o grau de “aquecimento” do mercado.

Controvérsia de Medida – Alguma. O principal problema talvez seja o cálculo do lucro por ação.

Observações Adicionais

a) Em situações onde existe um mercado aquecido, o valor do P/L tende a aumentar. Assim, é importante a observação de uma série histórica do índice.

b) O cálculo do lucro por ação deve levar em consideração os tipos de ações existentes em cada empresa, o percentual do capital e a cotação no mercado.

c) Como o lucro é uma informação divulgada, para as empresas de capital aberto, a cada três meses, a periodicidade deste índice deve ser também trimestral.

d) Para evitar que o índice seja influenciado pela distribuição de proventos, é comum as bases de dados fazerem um ajuste para proventos no preço das ações.

e) Durante um determinado período podem ocorrer ofertas e cancelamentos de ações. O mais usual é trabalhar com a estrutura de capital mais recente da empresa.

f) Assim como os demais índices, não existe um valor ideal. Valores elevados denotam um preço aquecido, indicando ser um momento para venda das ações; valores reduzidos pode ser um sinal de que o preço da ação da empresa está baixo. É sempre importante fazer um comparativo do histórico da empresa e do mercado.


Veja também:


05 março 2012

Liquidez Corrente

Definição – compara os ativos de curto prazo com as dívidas (passivo) de curto prazo de uma empresa. A liquidez corrente mostra se no curto prazo, geralmente um ano, os ativos são suficientes para cobrir as obrigações de curto prazo.

Quando a liquidez corrente é maior que a unidade isto significa dizer que o capital de giro líquido é positivo.

Fórmula – Liquidez Corrente = Ativo Circulante/Passivo Circulante

Sendo
Ativo Circulante = também denominado de ativo corrente. Engloba o caixa e equivalentes, aplicações de curto prazo (títulos e valores mobiliários), contas a receber, estoques, adiantamentos a terceiros, despesas antecipadas, entre outros.
Passivo Circulante = corresponde ao passivo de curto prazo, denominado também de passivo corrente. Compreende fornecedores, financiamentos e empréstimos de curto prazo, impostos a pagar de curto prazo, dividendos propostos, salários e encargos a pagar, entre outras.

Os dados podem ser obtidos no balanço patrimonial de cada empresa. Por dividir duas informações de uma mesma data, a liquidez corrente diz respeito a uma data específica. Assim, falamos em liquidez corrente de 31 de dezembro de um determinado ano.

Unidade de Medida – Por dividir um valor monetário por outro valor monetário, a liquidez corrente não possui uma unidade de medida.

Intervalo da medida – Como os valores de ativo e passivo circulante são positivos, a liquidez corrente varia entre zero a infinito. Isto faz com que a distribuição do índice num determinado setor assuma uma distribuição assimétrica à esquerda. A maioria das empresas possuem uma liquidez entre 0,5 a 3,5.

Como calcular – A figura abaixo mostra o balanço de 31 de setembro de 2011 da Drogasil em R$Mil

O cálculo da liquidez é realizado dividindo o Ativo Circulante pelo Passivo Circulante:

Liquidez Corrente = 751.699/316.231 = 2,38 (aproximadamente)

Isto significa dizer que os ativos de curto prazo da empresa são 2,38 maiores que as obrigações de curto prazo. Isto significa que a empresa possui ativos suficientes para quitar as obrigações de curto prazo.

Grau de utilidade – Elevado. A liquidez corrente é um dos índices mais usados e citados na literatura. Além disto, faz parte dos modelos de concessão de crédito de instituições financeiras.

Cuidados Adicionais
a) É aconselhável fazer reclassificações no balanço, o que pode afetar no resultado final da liquidez da empresa. Assim, as contas a receber que são negociadas numa operação de factoring devem ser retiradas do ativo e transferidas para o passivo. Isto tende a reduzir a liquidez para os casos onde o ativo circulante é superior ao passivo circulante. Outra situação é o caso de conta corrente com saldo negativo. É usual classificar este valor como passivo.
b) Para alguns analistas a liquidez corrente é muito ampla e considera alguns ativos de baixa liquidez. Assim, retiram-se os ativos de menor liquidez, como estoques e despesas antecipadas. Este índice é conhecido como liquidez seca. Situações práticas mostram que relação entre a liquidez seca e a liquidez corrente é muito próxima, o que reduz a importância deste cálculo.
c) Não existe um padrão aconselhável para liquidez. Em setores de comércio varejista seria interessante uma liquidez menor que em setores com sazonalidade, por exemplo. No comércio, baixa liquidez pode significar maior nível de eficiência nas atividades operacionais. Já as empresas de maior porte podem operar com menor liquidez corrente que empresas de pequeno porte. Empresas que dominam a cadeia de suprimento também podem operar com menor liquidez.
d) Como a liquidez corrente faz parte de modelos de concessão de crédito de instituições financeiras, e alguns destes modelos consideram que liquidez maior representa menor risco. É possível que as empresas sejam incentivadas a melhorar seu desempenho de liquidez. Isto pode ser feito usando o caixa para pagar dívidas de curto prazo. Em geral, este procedimento, aumenta a liquidez quando o índice é menor que a unidade.
e) Alguns ativos e passivos que são usados na liquidez podem não expressar um recebimento ou pagamento até o final do próximo exercício social. É o caso de certos financiamentos que estão classificados no curto prazo por cláusulas existentes no contrato.
f) A liquidez corrente é influenciada pelo ciclo operacional da empresa. Quando existe sazonalidade isto pode alterar o resultado do índice.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram:

14 março 2012

Ebitda

Definição – O EBITDA é a sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Corresponde a uma forma de calcular um lucro, obtido a partir da demonstração do resultado, sem levar em consideração estes itens.

Fórmula – Ebitda = Lucro Operacional Antes do Imposto de Renda e Despesa Financeira + Depreciação + Amortização

Sendo

Lucro Operacional – corresponde ao resultado operacional da empresa, antes do cálculo do imposto de renda. Ou seja, corresponde ao resultado proveniente dos ativos da empresa. Isto deveria incluir as receitas financeiras, assim como o resultado com investimentos realizados em outras empresas e outros tipos de receitas. Como nós calculamos o lucro operacional correto antes da despesa financeira, não é necessário incluir a despesa financeira no cálculo.

Depreciação e Amortização – refere-se a parcela destas despesas, que podem estar nas despesas operacionais ou no custo dos produtos industrializados pela empresa que foram vendidos no período.

Unidade de Medida – O Ebitda está expresso em reais.

Intervalo da medida – A rigor, pode variar de um número negativo até um número positivo. Entretanto como não considera as despesas financeiras, os impostos e a depreciação e amortização, o Ebitda tende a ser positivo. A história deste índice mostra que ele foi divulgado exatamente por transformar resultados operacionais negativos em Ebitda positivo. Ou seja, é um índice que foi criado para ser positivo.

Como calcular – A CVM tem uma instrução própria mostrando como as empresas devem calcular o Ebitda para fins de divulgação. Esta instrução foi criada em razão das diversas formas que estavam sendo usadas no mercado para obter este valor. Ela é válida para empresas de capital aberto.

Iremos mostrar como se deve fazer o cálculo para qualquer tipo de empresa. A figura a seguir mostra a demonstração do resultado da Gerdau S/A obtida no seguinte endereço.

Com a figura acima é possível calcular o lucro operacional antes das despesas financeiras.

Lucro Operacional = Resultado antes dos Tributos sobre o Lucro + Despesas Financeiras =1 981 661 + 298 451 = 2 280 112 mil reais

Observe que a despesa financeira é somada uma vez que não entra no cálculo do lucro operacional.

É necessário obter a informação da depreciação e amortização. Em geral este valor é obtido na Demonstração dos Fluxos de Caixa. Veja o extrato desta demonstração para Gerdau S/A a seguir

Lembrando que

Ebitda = Lucro Operacional + Amortização e Depreciações
Ebitda = 2 280 112 + 128 383 = 2 408 495 mil reais.

Ou seja, o Ebitda da Gerdau S/A foi de 2,4 bilhões de reais em 2011.

Grau de utilidade – Regular. Alguns investidores usam o Ebitda para empresas novas, tentando projetar o seu grau de viabilidade. Em algumas empresas o Ebitda é usado para fins de remuneração.

Controvérsia de Medida – Muita. O Ebitda tem sido considerado um substituto do fluxo de caixa por alguns analistas. Não é. O Ebitda tem sido usado como uma aproximação da agregação de valor de uma empresa. Não existe nenhuma vinculação comprovada entre o Ebitda e o valor da empresa, na teoria e na prática. O Ebitda tem sido usado por empreendimentos recentes, em buscas de novos investidores. Durante a bolha da internet e nos períodos de crescimento da bolsa, cresceu o uso deste índice. Desconfie de uma empresa que enfatiza o resultado pelo Ebitda, mas não pelo índices mais conservadores.

Observações Adicionais
a) O Ebitda também tem sido usado em certos índices, seja no numerador ou no denominador. Assim, é possível encontrar “ebitda sobre vendas” ou “valor do empreendimento sobre ebitda”.

b) Em geral o resultado do Ebitda é mais favorável para empresa que o lucro operacional. Por este motivo, as empresas com prejuízo operacional preferem destacar o Ebitda, que tende a apresentar um resultado melhor para empresa.

c) O Ebitda é muito controverso. O famoso investidor Warren Buffett, numa de suas cartas anuais para os acionistas de sua empresa, criticou esta medida.

Leia mais:

16 março 2012

Endividamento


Definição – Mede se uma empresa é muito ou pouco endividada, ou seja, se usa muito ou pouco capital de terceiros onerosos.

Fórmula – Endividamento = (Passivo / Ativo) x 100

Sendo
Passivo – corresponde a soma do passivo circulante e do passivo não circulante (de longo prazo) da empresa. Para as empresas que possuem um quantidade significativa de desconto de duplicatas, do lado do ativo, este valor deverá ser somado ao passivo.
Ativo – refere-se ao total do ativo da empresa. Nas empresas com desconto de duplicatas expressivo, este valor deverá ser considerado no passivo, pois trata-se de um empréstimo com garantia.

Unidade de Medida – O endividamento está expresso em percentagem. Assim, falamos que uma empresa possui 40% de endividamento, significando que o passivo representa 40% do ativo da empresa.

Intervalo da medida – A rigor o endividamento pode ser superior a 100%, quando a empresa possui passivo a descoberto (ou seja, patrimônio líquido negativo). O normal é que o índice esteja entre 0 e 100%, sendo que quando maior o índice maior o nível de endividamento.

Como calcular – Os valores do índice são encontrados no balanço patrimonial das empresas.

A figura a seguir foi retirada do balanço da Braskem, obtido aqui. Os valores estão expressos em reais mil.


O passivo corresponde a soma do circulante e do não circulante:

Passivo = 6629 975 + 15 640 221 = 22 270 196

O denominador é o ativo, que corresponde a 32 054 milhões de reais. Assim, o endividamento é dado por:

Endividamento = (22 270 / 32 054) x 100 = 69,5%

Ou seja, o endividamento da empresa é de quase 70%. Assim, o ativo é financiado por 30% de capital próprio e 70% de capital de terceiros.

Grau de utilidade – Elevado. É um dos índices mais relevantes para análise de uma empresa. Mostra se a empresa é muito ou pouco endividada.

Controvérsia de Medida – Pouca. Existem algumas medidas alternativas, mas nada que questione a forma de cálculo apresentada aqui.

Observações Adicionais
a) Uma possibilidade alternativa é relacionar o passivo com o patrimônio líquido. A desvantagem desta opção é que o intervalo da medida poderá variar entre zero e infinito. Já o índice passivo sobre ativo varia entre zero e cem por cento.

b) O fato de a empresa ser muito endividada não significa necessariamente algo ruim. Tudo irá depender da composição da dívida. No exemplo apresentado, observe que quase todo dívida de curto prazo da empresa é originária de fornecedores, que geralmente não tem despesas financeiras. Isto significa 5 bilhões de reais. Os financiamentos e empréstimos, geram despesa financeira, corresponde a algo em torno de 12 bilhões de reais. Além disto, quando a empresa consegue captar a um custo reduzido, numa operação com juros subsidiados, volumes elevados de financiamento pode permitir alavancar o resultado da empresa.

Veja também:

Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento 
Capitalização 
Margem Bruta
ROI 
Liquidez Corrente

27 março 2012

Prazo de Estocagem

Definição – quantos dias o estoque fica na empresa. Mostra o tempo, em dias, que a empresa leva para vender seus estoques.

Fórmula – Prazo de Estocagem = (Estoque médio / Custo da Mercadoria Vendida) x 360

Sendo

Estoque Médio = corresponde a média do estoque inicial mais estoque final, dividido por dois.
Custo da Mercadoria Vendida = refere-se ao valor das mercadorias que foram vendidas pela empresa no período

Unidade de Medida – O valor está expresso em dias.

Intervalo da medida – O índice varia entre zero a infinito. Maiores valores indicam que os estoques duram mais nas prateleiras da empresa. Normalmente o valor máximo não deve ultrapassar a um ano.

Como calcular – As informações estão disponíveis na demonstração do resultado e nos balanços patrimoniais.

Vamos usar o exemplo da Magazine Luíza, uma empresa de comércio varejista. A figura a seguir mostra o balanço patrimonial da empresa:


A média dos estoques é dado por:

Estoque médio = (1264 657 + 849 799) / 2 = 1 057 228

O custo da mercadoria vendido é obtido na demonstração do resultado da empresa:



Observe na figura que está incluso na linha de custo também captações para operações financeiras. A empresa detalha a parte referente a mercadoria vendida em notas explicativas.

Assim, o Custo da Mercadoria Vendida que deve ser usado corresponde a R$4 163 438 mil reais. Com estes valores podemos calcular o prazo de estocagem:

Prazo de Estocagem = (1 057 228 / 4 163 438 ) x 360 = 91 dias

Ou seja, o estoque permanece na empresa por 91 dias.

Grau de utilidade – Elevado. O índice é muito importante para empresas comerciais e industriais, mas pouco expressivo para empresas prestadoras de serviços.  Entretanto, para fins de política econômica, o índice pode sinalizar o comportamento da economia. Geralmente em situações de recessão, as empresas tendem a acumular um grande volume de estoques num primeiro instante, o que aumenta o prazo de estocagem. Em momentos de saída da recessão, as indústrias de produção de insumos tendem a aumentar o volume de estocagem.

Controvérsia de Medida – Nenhuma.

Observações Adicionais

a) O prazo de estocagem pode ser influenciado por variações sazonais. No caso da empresa analisada, a mesma promove uma grande liquidação em janeiro. Isto justificar o prazo aparentemente elevado encontrado no índice.

b) O prazo de estocagem pode ser influenciado por variações de longo prazo. A criação de um canal de distribuição mais eficiente, aliado a melhoria na logística no país, pode indicar uma redução no prazo de estocagem.

c) Em períodos inflacionários, o estoque pode ser usado como uma forma de redução das perdas com inflação. Isto tende a aumentar o prazo de estocagem, já que as empresas compram mercadorias para se protegerem da inflação.

d) De uma maneira geral, comércios são mais eficientes quando possuem prazos reduzidos de estocagem. Entretanto, esta redução pode ter como consequência uma perda de clientes, em razão do aumento no número de mercadorias não repostas, que leva a perda de vendas.

e) O prazo de estocagem pode ser influenciado pelo setor de atuação. Isto é particularmente verdadeiro para indústrias, onde o processo produtivo impede reduções drásticas no nível de estocagem.


Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram:

24 abril 2012

Crescimento Sustentável

Definição – este índice determina a taxa de crescimento máxima das vendas em comprometer a estrutura financeira.

Fórmulas – Crescimento sustentável = Variação no PL / PL inicial

Variação no PL = corresponde à variação ocorrida no patrimônio líquido da empresa no período. Nas situações onde nenhum lucro é distribuído, a variação irá corresponder ao próprio lucro líquido. Caso exista distribuição, a variação no PL corresponde ao lucro vezes a taxa de retenção.
PL Inicial = refere-se ao patrimônio no inicio do período.

Unidade de Medida – Pode ser expresso em percentual se multiplicar por 100.

Intervalo da medida – Este índice pode variar, pelo menos em teoria, entre menos infinito a infinito. Entretanto, em situações de lucro irá variar entre zero a cem por cento.

Como calcular – Os valores podem ser obtidos na DMPL de uma empresa. A figura a seguir é um pedaço da DMPL da empresa Les Lis Blanc Deux, do setor de moda.

Em 31 de dezembro de 2010 o patrimônio líquido da empresa era de 153 milhões de reais. A empresa gerou um lucro de 37,7 milhões, dos quais 8,9 foram distribuídos. Assim, o lucro que ficou na empresa foi de 28,7 milhões. O crescimento sustentável é de

Crescimento Sustentável = 28,7 / 153 = 0,1877

Ou seja, a empresa pode crescer a uma taxa de 18,77%. Observando a demonstração do resultado da empresa tem-se a seguinte figura:

Durante o ano de 2011 a receita da empresa apresentou o seguinte crescimento:

Crescimento das Receitas = (471,1 / 351,1) – 1 = 0,342

Ou seja, a receita vem aumentando muito além do crescimento sustentável da empresa. Persistindo esta diferença, isto pode gerar problemas financeiros.

Grau de utilidade – Regular. É um índice interessante para empresas com lucro e taxa de crescimento elevada. Além disto, não é muito usada pelos analistas.

Controvérsia de Medida – Alguma. É muito difícil prever uma taxa de crescimento adequada para uma empresa. No anterior, a empresa do exemplo apresentou um crescimento sustentável de 0,24. Naquele período o crescimento das vendas foi novamente superior ao crescimento sustentável (34%).

Observações Adicionais
a) Este índice é bastante defendido por Robert Higgins, no livro Analysis for Financial Management.
b) Multiplicando o numerador e denominador por vendas e ativo, o índice corresponde a margem líquida vezes a taxa de retenção do lucro vezes o retorno do ativo vezes o giro do ativo. Higgins denomina esta fórmula de PRAT, sendo P = margem líquida (profit margin), R = retenção do lucro; A = giro do ativo e T = alavancagem que poderíamos traduzir para MARA.
c) Este índice deve ser considerado no longo prazo. A empresa que apresenta crescimento de vendas muito acima da sua capitalização pode estar aumentando o endividamento, com reflexo no risco.
d) Trata-se, portanto, de um índice conservador, onde a expansão deve ser feita com recursos próprios da própria empresa.

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18 março 2012

Endividamento Oneroso

Definição – Mensura a participação do endividamento que gera despesa financeira para empresa em relação ao total do ativo

Fórmula – Endividamento = (Passivo Oneroso / Ativo) x 100

Sendo
Passivo Oneroso – Deve ser considerado somente o passivo que gera despesa financeira para a empresa: empréstimo, financiamento e debêntures. Não são considerados os passivos relacionados ao ciclo operacional ou referentes as dívidas com o governo.
Ativo – refere-se ao total do ativo da empresa. Nas empresas com desconto de duplicatas expressivo, este valor deverá ser considerado no passivo, pois se trata de um empréstimo com garantia.

Unidade de Medida – O valor está em percentagem. Como estamos usando dados do balanço patrimonial, o endividamento oneroso é uma informação de uma data específica, geralmente final de período.

Intervalo da medida – O índice pode variar entre zero e cem por cento, sendo que quando mais próximo de cem por cento mais endividada será a empresa. Pelo menos teoricamente o valor pode ser maior que cem, quando a empresa possui passivo a descoberto.

Como calcular – A fonte do índice é o balanço patrimonial da empresa.

A figura a seguir é o extrato do balanço da empresa Positivo Informática. Os valores estão em mil reais. Observe que se deve separar o passivo oneroso somente, que no caso corresponde aos empréstimos:

Passivo Oneroso = 236 441 + 116 377 = 352 818




O valor do ativo é obtido facilmente, conforme a figura abaixo:



Assim, o endividamento oneroso corresponde a:

Endividamento Oneroso 31/12/2011 = 352,8 / 1451 = 24,3%

Grau de utilidade – Moderado. É um índice pouco destacado na literatura e na prática, apesar de ser bastante útil. É interessante comparar o resultado com o endividamento. Na empresa que usamos como exemplo, o índice de endividamento é de 57,32% (661 milhões mais 171 milhões dividido por 1451). Ou seja, apesar do endividamento da empresa ser quase 60% do ativo, somente 24% gera despesa financeira.

Controvérsia de Medida – Pouca.

Observações Adicionais
a) Uma alternativa é comparar com o investimento da empresa, conforme demonstrado no índice ROI.
b) Apresentar um endividamento oneroso não significa algo ruim. Se a taxa de juros cobrada no empréstimo for reduzida, isto indica que a empresa consegue captar por um custo baixo e poderá aproveitar a alavancagem.
c) O endividamento oneroso possui um resultado menor que o endividamento. Esta diferença corresponde ao endividamento com passivo não onerosos. No caso da empresa Positivo, 33% da estrutura de financiamento é derivada de terceiros, de maneira não onerosa.

Endividamento
Ebitda
Margem Operacional
NIG sobre Vendas
Valor do Empreendimento
Capitalização
Margem Bruta
ROI
Liquidez Corrente

13 março 2012

Margem Operacional

Definição – Este índice mostra qual o lucro operacional obtido por uma empresa para cada unidade de venda realizada.

Fórmula – (Lucro Operacional / Vendas Líquidas) x 100

Sendo

Lucro Operacional – corresponde ao resultado operacional da empresa. Ou seja, é o resultado proveniente do investimento realizado nos seus ativos. Isto inclui também o resultado com aplicações financeiras (receitas financeiras), com investimento em outras empresas e outros tipos de receitas denominadas de “não operacionais”. No passado o lucro operacional no Brasil incluía as despesas financeiras, mas isto felizmente é passado. Que fique como uma nota de rodapé da nossa história.

Vendas Líquidas – corresponde a receita de vendas de produtos e serviços da empresa, líquido de impostos sobre vendas, abatimentos e devoluções.

Unidade de Medida – O valor está expresso em percentual sobre as vendas.

Intervalo da medida – A margem operacional pode variar entre -100% até infinito. Espera-se que uma empresa possua resultado operacional positivo; deste modo, o índice será positivo. Também não é usual que a margem ultrapasse os 100%, já que neste caso o lucro operacional seria maior que a receita de vendas. Mas é uma exceção que pode ocorrer.

Como calcular – A seguir encontra-se a demonstração do resultado do 4º. Trimestre da Marisa, uma empresa de varejo na área de confecção, em R$ mil.

A receita líquida da empresa foi de 765 milhões de reais:

Receita Líquida = 651 056 + 100 584 + 13 556 = 765 196 mil

O lucro operacional deve incluir as receitas financeiras, que são originárias das aplicações financeiras das sobras de recursos do capital de giro. Ou seja, as receitas financeiras fazem parte da atividade operacional da empresa. Assim, o lucro operacional é de:

Lucro Operacional = 69 497 + 34 794 = 104 291 mil reais.

A Margem Operacional da empresa pode ser obtida da seguinte forma:

Margem Operacional = (104 291 / 765 196) x 100 = 13,62%

Isto significa dizer que de cada R$100 de receita que a empresa obtém, R$13,62 representa o lucro das operações, antes do imposto de renda e da remuneração dos financiadores (capital próprio e de terceiros).

Grau de utilidade – Moderadamente elevada. Existem outros índices de margem, o que reduz um pouco a utilidade. Além disto, é um indicador com polêmica no cálculo.

Controvérsia de Medida – Alguma. Em geral os analistas usam o lucro antes das receitas financeiras. Mas isto é incorreto, tecnicamente.

Observações Adicionais
a) A margem operacional é o que resta, antes de remunerar os financiadores da empresa. Se a margem é negativa, isto provavelmente significa que os acionistas irão arcar com prejuízo. No longo prazo, uma empresa com margem negativo é inviável.

b) A margem operacional também pode ser calculada após o imposto de renda, mas antes da despesa financeira. No caso da Marisa, o lucro antes do imposto de renda e contribuição social foi de 50 149 mil reais. O imposto de renda e contribuição somaram 13 876 mil, o que significa uma alíquota de 27,67% (ou 13876/50149). Como o lucro operacional obtido foi de R$104 milhões, este lucro após o imposto seria de 75 434 mil reais [ou 104291 x (1 – 0,2767)]. Isto corresponde a uma margem operacional após imposto de 9,85%. Outra forma de obter este número é multiplicar 13,87 por (1-0,2767).

c) Margens maiores indicam maior lucratividade. Entretanto, em alguns momentos, as empresas podem reduzir sua margem para ganhar mercado. Assim, margens reduzidas pode não ser um fator negativo.

d) Este índice pode ser desdobrado da seguinte forma:

Uma empresa pode aumentar sua margem operacional melhorando o retorno do ativo ou girando mais suas vendas.

Esta é uma série de textos sobre os principais índices usados na análise das demonstrações contábeis.  Outros textos publicados foram: