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28 julho 2026

O caso do talco pode estar perto de uma solução

Em empresa J&J, fabricante do famoso talco Johnson, anunciou na segunda que conseguiu um acordo na resolução de um grande conflito judicial, que estava colocando a empresa no chão. O acordo prevê pagamentos de 5,5 bilhões para resolver um grande número de processos que alegam que o produto provocava câncer de ovário.


O talco Johnson tem sido acusado de conter amianto, um produto cancerígeno. A acusação também diz que a empresa sabia do problema e durante décadas continuou oferecendo o produto como se fosse seguro. Para se ter uma ideia, há uma previsão de 76 mil processos, embora essa conta talvez possa chegar a 90 mil em breve. 

É interessante que a empresa afirma agora que seus produtos à base de talco nunca contiveram amianto. O produto teve venda interrompida nos Estados Unidos em 2020 e no mundo em 2023. Em um comunicado à imprensa, a J&J afirmou que o talco é seguro, não tem amianto e não provoca câncer. Isso realmente parece muito estranho já existem estudos indicando que o uso do talco pode estar associado a uma aumento no risco de câncer, embora a evidência seja inconsistente e não há uma relação causal. 

Essa não é a primeira vez que a empresa anunciou que tinha resolvido a questão. Mas parece que agora há o apoio de escritórios de advocacia dos demandantes e um apoio do governo para resolver o problema. Alguns analistas estão otimistas. 

Alguns estudos científicos (Via Consensus):

[1] Talc Exposure and Risk of Ovarian Cancer: A Systematic Review and Meta-Analysis with Limited Evidence on Cervical and Endometrial Cancers — M. S. Seyyedsalehi, W. Powley & P. Boffetta, 2026, Cancers. Citations: 0.

[2] Association of Powder Use in the Genital Area With Risk of Ovarian Cancer — K. O’Brien et al., 2020, Obstetrical & Gynecological Survey. Citations: 49.

[3] Exposure to Cosmetic Talc and Mesothelioma — J. Moline, K. Patel & A. Frank, 2023, Journal of Occupational Medicine and Toxicology. Citations: 16.

No Blog

Abril de 2025 Novo Capítulo

Fev 2025 Tentando não pagar

Maio 2024 Passivo do Talco

Fev 2023 Perde no tribunal

Out 2022 Usando a falência

SOX e aspectos negativos

O resumo:


O treinamento no trabalho (on-the-job training) é um dos principais motores do desenvolvimento de capital humano (Becker, 1962). Argumentamos que a Sarbanes-Oxley Act (SOX), voltada a fortalecer a independência do auditor, alterou a economia da contabilidade pública (public accounting) e, sem intenção, reduziu as oportunidades de os contadores investirem em seu capital humano no exercício da profissão. A SOX proibiu as firmas de contabilidade pública de oferecer serviços de consultoria a clientes de auditoria e introduziu barreiras à transição de contadores para empresas clientes. Isso enfraqueceu as oportunidades de colaboração entre auditoria e consultoria, limitou a exposição dos contadores à resolução de problemas de negócios dos clientes e reduziu o networking. Isso diminuiu as oportunidades de os contadores adquirirem experiência ampla, desenvolverem habilidades e expandirem redes profissionais, tornando a profissão contábil menos atraente, sobretudo para os talentos mais promissores. Usando dados em nível individual, comparamos contadores (grupo tratado) e consultores (grupo de referência/benchmark) antes e depois da SOX, dentro da mesma firma de contabilidade pública, período e localização. Após a SOX, os contadores passaram a ter menor probabilidade de migrar para funções de consultoria ou para clientes de suas firmas de auditoria, e seus salários caíram. Em linha com a ideia de que a redução das oportunidades de carreira desestimula a formação em contabilidade, constatamos uma queda na qualidade dos alunos que optam pelo curso de contabilidade após a SOX. Fundamentalmente, para conectar de forma mais direta as oportunidades de carreira às matrículas universitárias em contabilidade, mostramos que, quando declinam as transições de ex-alunos universitários da contabilidade pública para a consultoria, tanto a quantidade quanto a qualidade das matrículas subsequentes em contabilidade em suas universidades de origem também caem. Revelamos, assim, um custo até então negligenciado das regulações relativas à profissão contábil.

Vivek Pandey, Xingyu Shen, Joanna S. Wu, Xixi Xiao, Independence at what cost? Regulation, accounting careers, and human capital, Journal of Accounting and Economics, 2026, ISSN 0165-4101, Imagem aqui

27 julho 2026

Boas notícias para América Latina

Da The Economist (via aqui):


A proporção de pessoas que passam fome tem diminuído mais rapidamente na América do Sul do que em qualquer outro lugar do mundo. Caiu um terço desde 2020, segundo um relatório publicado em 21 de julho pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura ( FAO ). Apenas 3,5% da população da região consome calorias insuficientes, o menor índice já registrado. Eliminar a fome até 2030 é uma das metas de “desenvolvimento sustentável” da ONU . “Se existe uma região no mundo com potencial para alcançar esse objetivo, é a América do Sul”, afirma Máximo Torero, economista-chefe da FAO .

Lula, como o presidente é conhecido, fez da segurança alimentar uma prioridade quando retornou ao cargo em 2023. Até 2025, o Brasil saiu do  Mapa da Fome da ONU , que monitora países onde mais de 2,5% da população sofre de fome crônica. Chile e Guiana, rica em petróleo, também foram removidos da lista. A Argentina está quase lá, com menos de 3%. Colômbia e Paraguai estão se aproximando, com 4%, enquanto Peru e a Venezuela, assolada por crises, estão chegando perto de 5%. Até mesmo Equador e Bolívia apresentaram uma leve melhora, para 11% e 20%, respectivamente. Apenas o Suriname está caminhando na direção errada.

Essa queda se baseia em fundamentos mais sólidos. O primeiro deles é a estabilidade macroeconômica. Os bancos centrais da América do Sul são muito mais independentes e hábeis em controlar a inflação do que eram há duas décadas.

Temos uma grande tendência a enfatizar notícias ruins. Não lembro de ter visto a notícia acima sendo divulgada. 

Fiscalização como resposta ao escândalo: SEC


Eis o resumo:

Examinamos a intensidade investigativa dos escritórios regionais da SEC após um escândalo de profissionalismo no qual dezenas de funcionários da SEC foram flagrados acessando repetidamente pornografia na internet em dispositivos de trabalho. Constatamos que, quando o escândalo veio a público, os escritórios implicados intensificaram sua atividade investigativa, possivelmente para reparar sua reputação. Na época, a atividade de investigação em nível de escritório era observável pela alta direção da SEC e, potencialmente, por seus supervisores no Congresso, mas não pelo público em geral. Interpretamos essa resposta, portanto, sob a ótica da teoria da reputação burocrática, como um reparo reputacional direcionado à própria hierarquia da agência e a seus principais políticos — as audiências que de fato podiam observá-la. Observamos também que a sede da SEC instaurou mais investigações após a divulgação do escândalo, mas apenas nas regiões dos escritórios implicados, em linha com um aumento da supervisão e uma menor confiança nesses escritórios envolvidos no escândalo. Esses picos de intensidade investigativa foram de curta duração, mas os escritórios implicados no escândalo também emitiram mais AAERs (Accounting and Auditing Enforcement Releases) após o episódio, o que é consistente com a ideia de que esses escritórios aceleraram resultados de fiscalização reais e onerosos, e não apenas a abertura de investigações. De forma mais ampla, nossas evidências sugerem que o reparo reputacional dentro de um órgão regulador pode operar por meio de canais internos de accountability (responsabilização).

Trabalho aqui, Imagem aqui

Blann, James and White, Roger M.,

How Does the SEC Respond to Reputation Shocks?

(July 07, 2026). Available at SSRN: https://ssrn.com/abstract=7095618

Rir é o melhor remédio

 

Experimento natural

24 julho 2026

"Fico Feliz em corrigir o erro"


Eis o resumo (Memorare, Tubarão, v. 13, n. 1, jan./jun. 2026. ISSN: 2358-0593): 

Com o avanço das tecnologias digitais, humanos passam a interagir com Inteligências Artificiais — sistemas treinados para simular aspectos do raciocínio humano, como aprendizado, tomada de decisão, reconhecimento de padrões e linguagem natural. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo analisar um episódio em que a Inteligência Artificial Copilot mobiliza estratégias textuais de reparação de “face” após cometer um erro de resposta. O enquadramento teórico baseia-se nos estudos pragmáticos da face social e nas abordagens de cortesia e descortesia. A análise sugere que a IA pode simular, por meio da escrita, comportamentos associados ao trabalho de face, como justificativa do erro, reformulação enunciativa, uso de humor e pedido de desculpas, contribuindo para mitigar danos interacionais e sustentar uma imagem de competência e colaboração.

As autoras são da área de linguística e isso faz o trabalho ser muito interessante. A figura é do texto e o termo "face" está explicado no artigo. Fonte: aqui

Apostas e saúde das famílias

 Parece que o problema não é só no Brasil:


As apostas esportivas estão prejudicando a saúde financeira das famílias mais vulneráveis , segundo um novo estudo que levanta uma questão política emergente.

O estudo , que se baseia em dados de transações de mais de 180 mil famílias, descobriu que as apostas esportivas não substituem as compras ou outros jogos de azar, como bilhetes de loteria ou idas ao cassino, mas sim os complementam, corroendo as economias e aumentando o endividamento. "Apostas arriscadas tomam o lugar de investimentos com valor esperado positivo", como comprar uma casa ou investir para a aposentadoria, afirma o estudo. (Uma parcela considerável de apostadores, segundo o relatório, afirma que vê as apostas como uma estratégia de investimento.)

O volume mensal de negociações na Kalshi e na Polymarket, em grande parte em apostas esportivas, saltou de US$ 2 bilhões no início de 2025 para quase US$ 50 bilhões em junho . Os efeitos negativos começam a aparecer. Pesquisadores do Fed de Nova York atribuíram o aumento da inadimplência em empréstimos ao consumidor à legalização dos esportes. Um estudo separado constatou que, para cada dólar apostado em esportes, o investimento líquido em ações e outros instrumentos financeiros caiu pouco mais de dois dólares, sugerindo que os consumidores estão desperdiçando dinheiro que poderia ser usado para construir patrimônio a longo prazo.