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26 maio 2026

Imposto corporativo importa

O resumo (via Marginal Revolution):


Surgem três achados. Primeiro, melhorias na competitividade tributária agregada estão positiva e significativamente associadas ao crescimento do PIB real per capita, de forma robusta a uma ampla variedade de controles. Segundo, esse efeito agregado é impulsionado inteiramente pelo pilar do imposto corporativo; nenhum outro componente apresenta efeito significativo sobre o crescimento. Terceiro, o efeito do imposto corporativo se materializa contemporaneamente e se acumula ao longo do tempo, com um efeito cumulativo de três anos estatisticamente significativo de aproximadamente 0,16 ponto percentual para cada melhora de um ponto na pontuação do imposto corporativo. Esses resultados sugerem que o que importa para o crescimento é a arquitetura completa do sistema de tributação corporativa, e não apenas a alíquota estatutária nominal.

Imagem criada pelo GPT a partir do resumo. Veja que a recente reforma tributária brasileira pode ter um papel interessante sobre o crescimento econômico no futuro. Alguém defendeu isso? 

25 maio 2026

IA na contagem de estoque: um exemplo do fracasso da IA

Eis um relato de uma experiência ruim com IA na área contábil. Segundo a Reuters, a empresa Starbucks resolveu parar com a experiência de usar a inteligência artificial na contagem de estoques, denominada de Automated Counting.  A ferramenta tentava resolver um problema crônico de falta de produtos na rede. A fornecedora do aplicativo, NomadGo, afirmava que obtinha 99% de precisão, mas parece que o percentual não era atingido, já que ocorria, com frequência, contagem incorreta. 

Aqui tem um vídeo, de 2025, onde executivos afirmam que o aplicativo e a seguir um comentário no Reddit:


E você deve ter lido um bocado de texto falando que a profissão contábil - que não é só contagem de estoque, obviamente - iria acabar. 

Impostos sobre bilionários

A taxação sobre bilionários faz sentido? Parece que em termos de arrecadação a resposta seria sim

Este artigo documenta a riqueza dos bilionários da Califórnia e os impostos que eles pagam. Atualmente, a riqueza dos bilionários da Califórnia supera US$2 trilhões, o equivalente a 50% do PIB do estado. Essa riqueza cresceu 144% de 2023 a 2025, impulsionada pelo boom da inteligência artificial. Em uma perspectiva de prazo mais longo, a riqueza real da classe bilionária da Califórnia — os 0,0002% domicílios mais ricos — foi multiplicada por 30 entre 1982 e 2025, enquanto a renda familiar média real na Califórnia aproximadamente dobrou. Os bilionários da Califórnia pagam cerca de 0,2% de sua riqueza em imposto de renda estadual da Califórnia, o equivalente a US$3,2 bilhões por ano, representando, em média, 2,4% da arrecadação total do imposto de renda da Califórnia no período de 2023 a 2025. Usando dados da Securities and Exchange Commission referentes à Alphabet, Meta, Oracle e Nvidia desde 2004, estimamos a trajetória da riqueza, da renda e dos impostos pagos pelos quatro principais bilionários da Califórnia — Page, Brin, Zuckerberg, Ellison até 2020 e Huang desde 2021 — com foco em sua riqueza empresarial. Apenas esse grupo detém quase US$1 trilhão em riqueza empresarial, quase metade da riqueza total dos bilionários da Califórnia. Para esse grupo, o crescimento da riqueza, de 322% entre 2023 e 2025, e a baixa tributação, equivalente a 0,04% da riqueza em imposto de renda anual da Califórnia, são ainda mais pronunciados. O imposto único proposto para bilionários da Califórnia, de 5%, pagável ao longo de 5 anos, é pequeno em relação aos ganhos de riqueza dos bilionários da Califórnia e grande em relação aos impostos que eles pagam atualmente. Estimamos que esse imposto poderia arrecadar cerca de US$100 bilhões, com impactos comparativamente pequenos sobre a arrecadação do imposto de renda. Usando estimativas empíricas de respostas de mobilidade à tributação sobre a riqueza, constatamos que um imposto anual sobre a riqueza dos bilionários da Califórnia poderia gerar uma receita adicional substancial mesmo após considerar perdas de imposto de renda decorrentes da mobilidade.

California Billionaires: Wealth, Taxes, and Wealth Tax Revenue Estimates -- by Jasper Boll, Emmanuel Saez, Gabriel Zucman

Mais sobre proibição de celular em escolas

Agora no Brasil:

Preocupações com os impactos negativos do uso de celulares por estudantes têm levado a apelos, em todo o mundo, por restrições mais rigorosas ao uso de telefones nas escolas. Este artigo avalia o impacto de uma política de 2023 que proibiu usos não pedagógicos de celulares dentro das escolas no Rio de Janeiro, Brasil. Para isolar os efeitos causais da política, comparamos escolas de ensino fundamental II que já tinham regras rígidas sobre o uso de celulares antes da política (“escolas de controle”) com escolas semelhantes que não tinham regras rígidas (“escolas de tratamento”), antes e depois da proibição. Embora as restrições tenham sido implementadas de forma imperfeita tanto antes quanto depois da proibição, mostramos que o uso de celulares dentro da escola caiu substancialmente nas escolas de tratamento em relação às escolas de controle. Em seguida, mostramos que as notas dos testes, que vinham apresentando tendências semelhantes nos dois grupos antes da proibição, melhoraram em 0,06 desvio-padrão nas escolas de tratamento em relação às escolas de controle.

The Educational Impacts of School Phone Bans: Evidence from Brazil -- by Guilherme Lichand, Luca Moreno-Louzada, Thiago da Costa, Matthew Gentzkow

Corrupção percebida

O resumo:

Usando uma amostra representativa de mais de 7.000 ucranianos, estudamos como tratamentos informacionais afetam as percepções de corrupção e o comportamento pró-social. Documentamos uma grande lacuna entre a corrupção percebida e a corrupção vivenciada: embora a maioria dos respondentes veja a corrupção como disseminada e como um grande problema nacional, um número muito menor relata exposição direta a ela. Por meio de um experimento controlado randomizado, constatamos que informar os cidadãos sobre condenações bem-sucedidas aumenta a percepção de disposição do governo para combater a corrupção, mas não reduz as percepções gerais de corrupção. Comunicar apenas a escala da corrupção não gera efeitos significativos. Os tratamentos informacionais têm pouco efeito sobre doações e voluntariado, tanto hipotéticos quanto reais, sugerindo uma transmissão limitada entre mudanças de crenças e ação pró-social. Assim, embora intervenções informacionais possam fortalecer a credibilidade institucional, elas, por si só, não são suficientes para melhorar tangivelmente o engajamento cívico ou reduzir as percepções de corrupção.

The Word Is Not Enough: Testing the Effects of Information Treatments on Perceived Corruption in Ukraine -- by Yuriy Gorodnichenko, Ilona Sologoub, Yuriy Fedyk

É interessante que a pesquisa foi realizada na Ucrânia, um dos países na parte de baixo da escala de corrupção. E onde o presidente era um ator de uma série de televisão que discutia e criticava exatamente o problema. 

Queda na taxa de natalidade no mundo


O gráfico é do Financial Times (via aqui) e mostra a queda na taxa de natalidade em vários países do mundo. As razões são diversas, que inclui educação, trabalho, cultura e, óbvio, tecnologia. As consequências para contabilidade: redução na oferta de trabalhadores no futuro, dificuldade no equilíbrio das contas públicas e um bocado de etc. 

Aumento de capital exigido para bancos

A notícia

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, disse nesta segunda-feira que a autarquia segue discutindo a possibilidade de ajustar um mecanismo que exige reserva de recursos por bancos para mitigar riscos no sistema de crédito, ressaltando que eventual mudança seria “muito gradual”.

O BC tem mantido em 0% o valor do chamado Adicional Contracíclico de Capital Principal (ACCP), apesar de ter indicado no ano passado que o patamar poderia ser elevado.

O ACCP é um instrumento de mitigação de riscos relacionados a períodos de crescimento acelerado do crédito, quando há otimismo econômico, ou a fases de redução demasiada da oferta em tempos de pessimismo. Em geral, a reserva é acumulada pelos bancos em momentos de expansão do crédito para ser consumida na fase de retração, suavizando as tendências.

Em maio de 2025, a autarquia informou que vinha estudando sistemática que estabelece um valor positivo para o ACCP aplicável a períodos sem acúmulo significativo de riscos financeiros, indicando que a medida poderia ser adotada em um futuro próximo.

Seria importante saber o custo real da adoção da política.