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04 março 2026

Fraude bilionária no setor de combustíveis

Uma extensa reportagem da Piauí mostra como funcionava o esquema de fraude fiscal do grupo Refit no setor de combustíveis. Na realidade, são várias formas criada pelo grupo para reduzir a carga tributária, segundo a acusação dos órgãos públicos. 


A primeira maneira é usar empresas de fachada para importar combustível. Essas empresas estavam localizadas em estados com incentivos fiscais.  A segunda forma era declara que estava sendo importado petróleo bruto, quando o combustível já estava processado para consumo. A terceira maneira era vender com preços abaixo do mercado, onde os tributos não eram repassados para o governo. Finalmente, o grupo usava fundos de investimentos e outros mecanismos para reduzir patrimônio e lavar recursos. 

O resultado disso é uma dívida tributária estimada de 25 bilhões de reais. 

03 março 2026

Um novo Rembrandt


Pesquisadores do Rijksmuseum identificaram uma pintura como sendo obra de Rembrandt van Rijn. A análise do painel de madeira, do estilo, das alterações feitas nos detalhes enquanto a obra ainda estava sendo pintada, da assinatura aplicada com a tinta ainda fresca e da elevada qualidade geral confirmam que se trata de uma obra autógrafa do próprio Rembrandt, realizada quando ele tinha 27 anos e havia acabado de se mudar para Amsterdã.

Visão de Zacarias no Templo (1633) é uma representação sombria do relato no Evangelho de Lucas em que o sumo sacerdote Zacarias descobre que sua esposa idosa e “estéril”, Isabel, dará à luz um filho — o futuro João Batista. O anjo anunciador, Gabriel, não aparece visivelmente na pintura. Ele é representado apenas como um brilho de luz no canto superior direito do painel — uma abordagem inovadora para a época, quando anjos eram geralmente retratados como figuras humanas com asas.

Zacarias é retratado no momento em que realiza seus deveres no templo — lendo as Escrituras diante de um turíbulo fumegante com incenso em chamas — sendo claramente pego de surpresa pelo anúncio. Sua expressão transmite espanto e incredulidade, atitude que desempenha papel central no restante da narrativa: Gabriel o torna mudo por sua descrença, e ele permanece sem falar durante a concepção e os nove meses de gestação, recuperando a voz apenas depois de escrever que concorda com Isabel em dar ao recém-nascido o nome de João.

Um rótulo na parte posterior do painel, datado de 1898, registra que a obra foi exibida em setembro e outubro daquele ano como um autêntico Rembrandt. Décadas depois, em 1960, especialistas em Rembrandt rejeitaram a atribuição, e a pintura caiu na obscuridade. Foi adquirida por um colecionador particular em 1961, e nenhum estudioso teve permissão para examiná-la até dois anos atrás, quando o atual proprietário entrou em contato com o Rijksmuseum.

Pela primeira vez em 65 anos, Visão de Zacarias no Templo passou por um exame rigoroso — desta vez com tecnologia moderna de imageamento e, sobretudo, com um conhecimento muito mais aprofundado sobre as técnicas e materiais de Rembrandt, graças à Operation Night Watch, o ambicioso projeto de pesquisa e conservação do museu.

Esse estudo de dois anos revelou que todas as tintas utilizadas na obra também aparecem em outras pinturas de Rembrandt van Rijn do mesmo período. A técnica pictórica e a construção das camadas de tinta são igualmente comparáveis a outros trabalhos iniciais do artista. Varreduras Macro-XRF e inspeção visual identificaram ainda alterações na composição que reforçam a autenticidade da obra. A pesquisa sobre a assinatura indica que ela é original, e a análise dendrocronológica do painel de madeira confirma que a data de 1633 inscrita na pintura está correta.

A obra agora está cedida ao Rijksmuseum em empréstimo de longo prazo e será exibida ao público a partir de 4 de março.

Fonte aqui. Há várias questões contábeis aqui. Para proprietário, um ativo, de baixo valor, repentinamente é valorizado. Nada agora de custo histórico, mas um valor justo, se é que existe, seria uma opção. 

EY em Números


O Financial Times expôs os números do negócio da EY:

A EY cortou funcionários e impôs maior eficiência em suas operações globais sob a liderança da CEO Janet Truncale, de acordo com dados da rede global das Big Four de auditoria e consultoria.

As demonstrações financeiras anuais registradas na Companies House do Reino Unido mostram que o órgão coordenador da EY arrecadou US$ 1,8 bilhão das firmas-membro nacionais no ano encerrado em 27 de junho de 2025, o mesmo valor do ano anterior, apesar de um aumento de 4% na receita em toda a rede.

Uma dessas medidas de “eficiência” adotadas em 2025 foi a demissão, pela EY EUA, de centenas de assistentes executivos, substituídos por profissionais mais baratos no Caribe e na América do Sul. Vale notar, contudo, que isso ocorreu em julho e o exercício fiscal da EY termina em 30 de junho — ou seja, tecnicamente, essa medida pertence ao exercício fiscal seguinte.

Fonte: aqui 

Catástrofe do seguro


Com as mudanças climáticas recentes, um grande número de regiões estão se tornando inseguráveis pelo setor privado:  

As seguradoras sobrevivem ganhando mais dinheiro ao cobrir riscos do que perdem com esses mesmos riscos. Por isso, preferem clientes menos propensos a acionar o seguro (na medida em que conseguem prever o risco envolvido) e exigem franquias elevadas para desencorajar pedidos de indenização. Quando os pagamentos superam o valor arrecadado em prêmios, as seguradoras aumentam esses prêmios ou se retiram do mercado. Porém, quando o risco é considerado catastrófico — podendo afetar dezenas de milhares de clientes, como nos casos das tempestades na Flórida ou dos incêndios na Califórnia — são as resseguradoras que recuam primeiro, pois acabarão arcando com a maior parte dos custos.

As resseguradoras agregam padrões de sinistros para estimar a probabilidade de terem que realizar pagamentos massivos decorrentes de futuras catástrofes naturais. Fazem isso reunindo dados de exposição das seguradoras que atuam em determinada área geográfica e analisando modelos de catástrofe (simulações computacionais que estimam perdas potenciais causadas por desastres naturais). Ao combinar essas informações com uma análise detalhada das condições locais, chegam a uma estimativa de sua perda total potencial caso um evento catastrófico ocorra.

Os furacões, as inundações e os incêndios estão aumentando em frequência e intensidade, seguradoras e resseguradoras estão se retirando de áreas de alto risco, reduzindo crédito imobiliário e depreciando valores de propriedade. Este processo pode levar ao abandono de territórios inteiros. 

Para contabilidade, essa nova realidade requer uma atenção, seja nas notas explicativas, informando claramente aonde a empresa não conseguiu uma cobertura de seguro, ou até mesmo na constituição de passivos.  

Esta é uma razão para o crescente interesse das instituições financeiras, e dos bancos centrais, na questão ambiental. Mas, ao contrário do que defendem alguns, não sei se a regulamentação pode ajudar aqui.  

Uma questão de perspectiva?

Como você está? Bem, espero, apesar de tudo. E, se estiver, então você é como todos os amigos e colegas que me enviaram mensagens no Natal, todos afirmando que também estavam muito bem, também apesar de tudo.

(...) Pode ser que meus amigos sejam todos pessoas afortunadas, protegidas das misérias da realidade, e pode ser que estejam mantendo uma aparência corajosa diante de um sofrimento secreto. Mas pode ser também que exista um curioso descompasso entre nossa satisfação com a própria vida e nosso desespero em relação à vida dos outros.

Seria útil ter dados mais sistemáticos sobre esse descompasso e, uma década atrás, os pesquisadores do Ipsos MORI reuniram alguns. Eles perguntaram a pessoas em 40 países quantos de seus concidadãos diriam estar “razoavelmente felizes” ou “muito felizes”, e depois compararam esses palpites com a realidade medida pela World Values Survey.

A diferença foi marcante. A maioria das pessoas disse ao Ipsos MORI que estava preocupada com o bem-estar de seus compatriotas, e, no entanto, a maioria das pessoas que respondeu à World Values Survey mostrou-se bastante otimista em relação à própria felicidade.

(...) Para além da questão do crime, inevitavelmente obtemos informações sobre a nação e o mundo em geral por meio de algum tipo de mídia, que sempre prioriza o dramático e o controverso. Já as informações sobre nossa própria vida são, em grande parte, não mediadas.

Há também a questão do controle. O economista Johannes Spinnewijn certa vez estudou as crenças e o comportamento de pessoas em busca de emprego e constatou que, em geral, elas eram otimistas demais quanto às suas perspectivas e pessimistas demais quanto à própria capacidade de mudar essas perspectivas. (...)

Nossas vidas digitais nos empurram na direção oposta. A destruição do jornalismo local e a ascensão das redes sociais significam que nosso consumo de notícias está cada vez mais concentrado em eventos nacionais e globais — precisamente as esferas da vida em que somos mais pessimistas. Isso é corrosivo. Passe 16 horas rolando o feed em busca de desgraças e você pode facilmente concluir que o fim dos tempos chegou; passe 16 horas vivendo sua própria vida e talvez as coisas não pareçam tão ruins.

De Tim Harford.  Como esperar uma contabilidade baseada no julgamento e crença do preparador, como deseja os reguladores, se a perspectiva pode ser tão enviesada? Há solução para esse dilema? Talvez deixar para o usuário as conclusões, pode ser um mantra. Ou evitar tantas informações? 

Rir é o melhor remédio


 Deixa para depois

02 março 2026

Pizza e índice de ataque

Há um monitoramento da atividade de pedidos de pizza na redondeza do Pentágono. Quanto mais pedidos, maior a chance que os Estados Unidos estejam preparando alguma decisão geopolítica.  Novamente, no final de semana, o índice não falhou: elevado consumo, ataque ao Irã. 

Gráfico da newsletter da Bloomberg