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27 maio 2026

Felicidade em uma pesquisa global

Um estudo realizado em 76 países revelou que pessoas mais confiantes, pacientes, altruístas e cooperativas tendem a relatar níveis mais elevados de felicidade e satisfação com a vida, sugerindo que o bem-estar depende de mais do que apenas prosperidade material. O estudo foi publicado no periódico International Journal of Happiness and Development (via aqui).

A pesquisa analisou preferências comportamentais, padrões estáveis ​​na forma como as pessoas tomam decisões e interagem com os outros, e como esses padrões se relacionam com o bem-estar subjetivo. O bem-estar subjetivo é uma métrica que engloba tanto a satisfação com a vida quanto experiências emocionais como felicidade, prazer e preocupação.

Overdick, K. and De Neve, J-E. (2026) ‘Subjective wellbeing and behavioural preferences: evidence from global survey data’, Int. J. Happiness and Development, Vol. 10, No. 2, pp.140–171.

Evidenciação de impactos relacionados com pessoas


Anteriormente comentamos sobre o assunto. O Grupo de Trabalho sobre Desigualdade e Divulgação de Informações Financeiras Relacionadas a Assuntos Sociais (TISFD, na sigla em inglês) lançou um documento de um arcabouço regulatório, visando ajudar empresas e bancos a divulgar os riscos relacionados com recursos humanos. O sumário está na imagem. 

O prazo é 31 de julho de 2026. A proposta inclui harmonização e convergência de normas existentes, incluindo GRI. 

Usando IA para escolher seu candidato: coloque na sua agenda


Eis o texto:

Não estou dizendo que a IA é superinteligente ou que pode decidir melhor do que você. Estou dizendo que, se você — como eu — dedica uma hora ou mais à pesquisa antes de votar em eleições locais, a IA pode auxiliar nessa pesquisa de forma muito eficaz. E se você não faz essa pesquisa — porque não estava disposto a perder uma hora com isso antes —, a IA a torna tão mais rápida que talvez você queira começar a fazê-la.

Isso é de Scott Alexander (Astral Codex). Ele passou para o Claude suas crenças e características: Votarei nas primárias da Califórnia em junho de 2026. Sou um liberal centrista ...) e a IA devolveu com uma lista de potenciais candidatos, com uma recomendação forte. 

A seguir, Alexander fez uma análise de eleições passadas. Continuando: 

Eu testei isso informalmente (sem controles rigorosos) em 10 eleições difíceis, nas quais eu não tinha certeza em quem votaria. Atribuo uma nota A ao Claude se ele recomendou o mesmo candidato em que acabei votando, uma nota B se recomendou minha segunda opção dentre vários candidatos, uma nota C se eu entendo o raciocínio dele, mas discordo, e uma nota F se escolheu alguém que eu detesto. Sua pontuação final foi:

5 x As

3 x Bs

2 x Cs

Quando falhava, geralmente era porque eu sigo a política de fazer meu voto valer em eleições importantes, em vez de fazer escolhas por diversão/utópicas/guiadas pela consciência em eleições que não importam. Eu não contei isso para o Claude, e ele tendia a ignorar candidatos marginais sem chance de vitória.

Isso me lembra uma piada que contavam durante a ditadura. O governo, para decidir quem seria o sucessor do presidente Medici, comprou um computador poderoso e começou a eliminar potenciais candidatos com as instruções. Começou pelo básico: tem que ser militar. Eliminou milhões de brasileiros. Continuou, general ou similar. Reduziu mais ainda a lista. E colocaram para o computador analisar a última instrução: tem que ser honesto. O computador processou durante muito tempo e voltou com a resposta: Honesto não tem. Serve Ernesto?

Válido para os tempos atuais? 

26 maio 2026

IA e verdade na prática contábil


O resumo parece promissor:

Este ensaio reflexivo examina como a inteligência artificial (IA) está transformando a produção da verdade na prática contábil. Com base na analítica da governamentalidade de Foucault e na experiência do autor como diretor de auditoria em uma Big Four e professor de contabilidade, o ensaio argumenta que sistemas baseados em IA estão constituindo um novo aparato contábil, que desloca as reivindicações de verdade da correspondência representacional com a realidade documentada para a plausibilidade probabilística dentro de distribuições aprendidas. Evidência, materialidade e julgamento profissional estão sendo reorganizados em torno de resultados de modelos, escores de risco e limiares algorítmicos. A contribuição distintiva do ensaio é mostrar que essa transformação opera por meio da cumplicidade, e não da coerção: os profissionais aderem à governança algorítmica porque o sistema torna a conformidade o caminho de menor exposição profissional em comparação com o exercício do julgamento contextual. Essa disposição é, em si mesma, um efeito governamental. O ensaio identifica as condições institucionais necessárias para manter a verdade probabilística aberta à contestação, argumentando que a coragem profissional individual é necessária, mas insuficiente sem estruturas de apoio em normas, educação, regulação e prática organizacional. A menos que a profissão construa tais condições, a contabilidade corre o risco de se estreitar em uma conformidade algorítmica autorreferencial, corroendo a accountability pública da qual depende sua legitimidade.

Othmar Manfred Lehner, AI and the production of truth in accounting practices: a Foucauldian analysis, Critical Perspectives on Accounting, Volume 103, 2026, 102862, ISSN 1045-2354.

Normas do Terceiro Setor em Espanhol


Recentemente, a INPRF, uma entidade do terceiro setor que foi criada para produzir normas contábeis, baseadas nas normas internacionais de contabilidade, anunciou a publicação da versão da NIC, Norma Internacional de Contabilidade, em espanhol. A versão em espanhol está disponível para download gratuito. A norma é acompanhada de material de apoio, incluindo guia de implementação e guias práticos. A publicação em espanhol foi conduzida por um comitê de revisão liderado por Hernan Pablo Casinelli, do GLENIF, buscando precisão técnica e alinhamento, quando pertinente, com a tradução oficial das NIIF para PYMEs.

Fica uma dica para o CFC: faça a tradução para língua portuguesa e adote, urgentemente, a INPRF. 

A obrigação do auditor


Ao certificar os relatórios públicos que, em conjunto, retratam a situação financeira de uma corporação, o auditor independente assume uma responsabilidade pública que transcende qualquer relação de trabalho com o cliente. O contador público independente que desempenha essa função especial deve lealdade última aos credores e acionistas da corporação, bem como ao público investidor. Essa função de “cão de guarda público” exige que o contador mantenha total independência em relação ao cliente em todos os momentos e requer completa fidelidade à confiança pública.

Isso é da justiça dos Estados Unidos (The U.S. Supreme Court, United States v. Arthur Young & Co., 465 U.S. 805 (1984), Decided: March 21, 1984, via aqui)

IDH: uma boa notícia

O principal índice de um país é o IDH. E agora saiu uma boa notícia: o país entrou na categoria dos países com índice muito alto, atingindo 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação a 0,744 em 2012. Quanto mais próximo de 1, melhor. 

Diversos itens são levados em consideração no IDH, incluindo educação, renda, saúde e outros. Há 30 anos, o Brasil tinha um parâmetro de 0,555. E o desempenho do país deveu-se muito a educação, que saiu de 0,679 em 2012 para 0,798 em 2024.