No dia 24 de agosto, procuradores-gerais de 16 estados americanos — liderados por Nebraska, com apoio de Texas, Alasca e Flórida — enviaram às quatro grandes empresas de auditoria (Deloitte, EY, KPMG e PwC) uma carta de 38 páginas, com cópia à SEC, questionando os compromissos climáticos assumidos por essas firmas.
Segundo o documento, as Big Four apoiam publicamente a adoção de divulgações relacionadas ao clima nos relatórios financeiros — tendo aderido à Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD) e sido membros fundadores da Net Zero Financial Service Providers Alliance.
Os procuradores argumentam que esse posicionamento gera um conflito de interesses: ao defender mais exigências de divulgação climática, as firmas ampliariam a demanda por serviços de consultoria e auditoria relacionados ao tema — beneficiando-se financeiramente de custos que, segundo a carta, acabam repassados a clientes e consumidores. O documento também levanta a hipótese de que a falta de divulgação desses compromissos aos clientes de auditoria possa violar leis estaduais de proteção ao consumidor e cláusulas contratuais que exigem conformidade legal.
A carta termina com 38 perguntas às firmas, várias delas pedidos de documentos — como materiais de treinamento sobre divulgação climática usados desde 2020. Até a publicação da matéria, as Big Four não haviam se manifestado.
Fica em aberto se esse movimento é o início de um recuo regulatório mais amplo em relação às pautas ESG no mercado americano, ou um episódio isolado de disputa política em torno do tema.
O documento pode ser encontrado aqui
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