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04 fevereiro 2026

A erosão do poder disciplinar e pastoral nas empresas de contabilidade

Eis o resumo:


As firmas de contabilidade tradicionalmente operaram como instituições ao mesmo tempo elitizadas e reinventivas, que oferecem uma trajetória profissional estruturada e prestigiosa e impõem um processo de socialização profundamente transformador para os auditores. No entanto, mudanças recentes no mercado de trabalho e a evolução das preferências profissionais estão desafiando esse regime de poder, com implicações significativas para as firmas e seus empregados. Com base em 31 entrevistas semiestruturadas com auditores no Canadá, nosso estudo examina como essas transformações estão remodelando as dinâmicas de poder dentro das firmas de contabilidade.  Primeiro, constatamos que as firmas estão cada vez mais tendo dificuldade em definir e produzir o auditor ideal. Em vez disso, como destacamos, observa-se a emergência do auditor “padrão” (*default auditor*), um profissional moldado mais por restrições do mercado de trabalho e por um engajamento transacional do que pelos mecanismos tradicionais de seleção e disciplina conduzidos pelas firmas.  Segundo, analisamos a erosão do poder pastoral (isto é, um poder fundamentado na orientação e no cuidado) dentro das firmas, à medida que auditores de nível júnior passam a priorizar o cuidado de si, enquanto sócios e gerentes (P&Ms) enfrentam crescentes dificuldades para estabelecer e sustentar relações pastorais com seus subordinados. Como resultado dessa erosão, P&Ms oscilam entre a autossacrifício (assumindo responsabilidades adicionais para compensar o desengajamento dos auditores) e um crescente sentimento de injustiça (a percepção de que estão dando demais e recebendo pouco em troca).  Para capturar esse impasse crescente, desenvolvemos o conceito de paralisia disciplinar e pastoral — um estado em que P&Ms não podem mais recorrer aos mecanismos tradicionais de disciplina e punição para impor normas de conduta profissional, mas também têm dificuldade em reinventar novas formas de poder pastoral. Examinamos as implicações dessa perda de controle, questionando se ela representa uma mudança temporária ou uma transformação mais permanente. Por fim, discutimos as consequências mais amplas de as firmas de contabilidade se tornarem menos parecidas com instituições normalizadoras e mais semelhantes a organizações “comuns”.

Prudência no passivo: um caso italiano

Um texto do Commercialista Telematico aborda o caso de dívidas fiscais na Itália, com ênfase na prudência e no tratamento contábil de um possível ganho. Na terra de Pacioli, o governo propôs um plano de perdão parcial de dívida fiscal, denominado rottamazione-quinquies.

A empresa que adere ao programa obtém o benefício de eliminar juros, multas e encargos, algo semelhante ao que já vimos no Brasil. A lei italiana também estabelece que o benefício será perdido caso duas parcelas não sejam pagas.

Considere uma empresa com um passivo fiscal de 100, ao qual foram acrescidos multas e juros de 40. Ao aderir ao plano de perdão da dívida, o passivo poderia ser reconhecido como sendo apenas 100. Contudo, como há risco de perda do benefício, o valor de 40 não deveria ser reconhecido imediatamente como ganho, em razão do princípio da prudência.

Contrariamente a parte della dottrina, il principio della prudenza civilistica (Art. 2423-bis c.c.) impedisce la rilevazione del provento al momento dell’adesione o nel bilancio 2025.  

Perfil psicológico e jogadores de futebol de elite

O resumo


Este estudo explora os perfis psicológicos de jogadores de futebol de elite, revelando que o sucesso em campo vai além da capacidade física. Ao analisar uma amostra de 328 participantes, incluindo 204 jogadores de futebol de elite dos principais times do Brasil e da Suécia, constatamos que os jogadores de elite apresentam habilidades cognitivas excepcionais, incluindo melhor planejamento, memória e tomada de decisão. Eles também demonstram traços de personalidade como alta conscienciosidade e abertura à experiência, além de níveis reduzidos de neuroticismo. Com o uso de inteligência artificial, identificamos padrões psicológicos únicos que podem auxiliar na identificação e no desenvolvimento de talentos. Esses achados podem ser utilizados para compreender melhor os atributos mentais que contribuem para o sucesso no futebol e em outras áreas de alto desempenho.

Imagem aqui 

 

Descarte de lixo como um negócio no Japão

Um texto do Wall Street Journal explica a razão dos turistas não encontrarem lixeiras no Japão. E as ruas são limpas e os turistas, 43 milhões em 2025, não sabem aonde descartar o lixo que geram nos passeios.  

Tudo começou com um ataque com gás sarin no metrô de Tóquio. No ataque, o terrorista usou um lixeira e por motivo de segurança, as lixeiras públicas foram removidas e as pessoas passaram a carregar o lixo para casa.  

Em locais muito turísticos, as autoridades abrem uma exceção e colocam lixeiras, como é o caso de Osaka. Uma parte do texto mostra como o capitalismo funciona:

Alguns japoneses decidiram resolver o problema por conta própria. Um grupo de estudantes da Universidade Seikei, em Tóquio, começou a caminhar por Shibuya no ano passado carregando lixeiras nas costas como mochilas [foto]. O que começou como uma iniciativa voluntária está se transformando em um negócio que vende anúncios nos recipientes. “Toneladas de pessoas jogam o lixo nas nossas lixeiras”, disse o cofundador Junsei Kido, de 20 anos, que quer levar o negócio para outras cidades como Quioto, além de festivais e shows. 


 

03 fevereiro 2026

Um contador é também herdeiro de Epstein


Com os novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, ficamos sabendo que Jeffrey Epstein planejou deixar sua fortuna — estimada em cerca de US$ 630 milhões — para 43 herdeiros após sua morte em 2019. A maior beneficiária seria sua namorada de longa data, Karyna Shuliak (foto), a quem ele pretendia dar US$ 100 milhões, um anel de diamante de 32,73 quilates e várias propriedades de luxo, incluindo sua mansão em Manhattan, um apartamento em Paris, um rancho e duas ilhas privadas nas Ilhas Virgens Americanas. Os pagamentos, porém, dependem da resolução dos créditos e reivindicações de vítimas. Mas contador não foi esquecido. Eis o trecho:

Os próximos maiores beneficiários do The 1953 Trust são Darren Indyke, advogado pessoal de longa data de Epstein, que deveria receber US$ 50 milhões, e Richard Kahn, seu contador pessoal de longa data, que deveria receber US$ 25 milhões. Além de serem co-executores do espólio, Indyke e Kahn eram as principais escolhas de Epstein para atuar como administradores fiduciários (trustees). 

(Interessante que no verbete da Wikipedia não aparece o nome do contador dele. Discreto o profissional

Emprego na contabilidade no futuro, segundo pesquisa da Indiana CPA Society


Um relatório recente da Indiana CPA Society (INCPAS) revela que 52% dos contadores esperam que suas firmas reduzam o número de funcionários em 20% nos próximos cinco anos. 

O estudo, conduzido pela CPA Crossings e intitulado “Transforming Your Firm’s Business Model: Workforce Transformation and Talent Management Strategies”, entrevistou 205 profissionais em tempo integral de firmas de contabilidade em 31 estados dos EUA, abrangendo cargos que vão de contador júnior a sócio.

O relatório destaca uma mudança significativa nas expectativas sobre a força de trabalho, com a maioria dos respondentes prevendo uma menor necessidade de funcionários de nível inicial no futuro.

Essa mudança é impulsionada por avanços tecnológicos e pela escassez de talentos, que estão desestruturando os modelos tradicionais de negócios na contabilidade pública.

A estrutura convencional em forma de pirâmide, baseada em um grande contingente de profissionais iniciantes, está se tornando insustentável.

De acordo com os resultados, as firmas precisarão priorizar a contratação de profissionais com habilidades tecnológicas e de negócios, capazes de ingressar em níveis mais experientes e gerar maior valor aos clientes com mais rapidez.

Fonte original aqui , via aqui. Imagem aqui

IA e as Conferências


Eis um trecho 

O que a Corporate America está dizendo sobre a adoção de IA nas teleconferências de resultados 

Com cerca de 50% da capitalização de mercado do S&P 500 já tendo divulgado resultados até agora nesta temporada de balanços, estamos nos concentrando no que as empresas estão dizendo sobre inteligência artificial em suas teleconferências de resultados. 

Para isso, recorremos aos analistas do Goldman Sachs liderados por Ben Snider, que acompanham comentários de executivos focados na adoção de IA. “A adoção de IA continuou sendo um tema popular nas teleconferências de resultados neste trimestre, mas apenas um pequeno número de empresas quantificou seus ganhos de produtividade com o uso de IA”, disse Snider. 

Fonte: aqui . Imagem aqui