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03 outubro 2025

Transição solar


O livro Here Comes the Sun, de Bill McKibben (1), e destaca como a energia solar tem avançado de forma silenciosa, mas decisiva, transformando as bases energéticas globais (2). O autor mostra que, apesar de pouco notados, ganhos tecnológicos reduziram significativamente a quantidade de materiais necessários para painéis, fios e baterias, além de estimular substituições como o uso de sódio no lugar do lítio. E com ganhos de eficiência. Esses avanços indicam que a transição solar é materialmente mais viável do que a manutenção dos combustíveis fósseis, que dependem de extração contínua e geram resíduos permanentes. O livro tem sido bem avaliado.

Cory Doctorow

O processo tem sido liderado pela China, que está fazendo a transição de forma mais rápida e, ao mesmo tempo, reduzindo suas emissões. Mesmo que alguns reclamem do uso de 

(1) Gostei do título. Para os fãs, Harrison 

(2) Aqui uma recordação da infância: meu pai comprou uma placa solar para aquecer um dos banheiros da nossa casa nos anos 70. Até hoje a placa funciona, mais de cinco décadas depois. É um ativo, que já estaria depreciado em qualquer balanço, pela vida útil. 

Adaptação a crise e trabalho remoto


Este artigo investiga preditores e benefícios da adaptação corporativa a crises, acrescentando uma nova dimensão aos estudos de flexibilidade e resiliência com base em características ex ante. Produzimos uma amostra única de anúncios de trabalho remoto (work-from-home) coletados em sites de empresas durante a Covid-19. As empresas que fizeram esses anúncios tiveram suas avaliações aumentadas em 3%–5% e apresentaram redução de risco em comparação com as correspondentes, em linha com a teoria das opções reais sob informação assimétrica. Estimamos características — incluindo tópicos textuais sutis dos relatórios 10-K — que previam a adaptação, mostramos uma resposta de preço mais rápida após a cobertura da Bloomberg e vantagens reais no desempenho operacional subsequente. A adaptação corporativa à crise agrega valor e reduz risco, além das informações já contidas nas características das firmas.

Link aqui 

02 outubro 2025

Rir é o melhor remédio

 

Dia do café

Sucessão no Iasb


Os Trustees da IFRS Foundation iniciaram a busca por um novo presidente para o IASB, em substituição a Andreas Barckow, cujo mandato de cinco anos termina em junho de 2026. Desde sua criação, em 2001, o Iasb já teve três presidentes. Os dois primeiros exerceram um mandato de cinco anos renováveis. 

O anúncio pode ser um indício que desta vez o atual, o alemão Barckow, deverá ficar somente um mandato. No comunicado, destacou-se o fato de que Barckow promoveu revisões e novas normas - o que seria de esperar para uma entidade que tem o papel de emitir normas, e intensificou o diálogo com stakeholders globais. Entretanto, Barckow não teve sucesso em trazer alguns dos mercados internacionais mais relevantes para a esfera do Board, como os Estados Unidos e a China. 

O processo de seleção será conduzido pelo Comitê de Nomeações dos Trustees, com apoio de uma empresa especializada em recrutamento. Trata-se de um emprego com remuneração de uns 700 mil libras esterlinas por ano. 

Como os três presidentes eram europeus, os favoritos seriam os europeus. 

Normas do terceiro setor


O Chartered Institute of Public Finance and Accountancy (CIPFA) e a Humentum, que conduzem conjuntamente o projeto IFR4NPO, anunciaram a criação da International Non-Profit Reporting Foundation (INPRF) – uma nova entidade de interesse público dedicada a melhorar a transparência e a responsabilidade no setor sem fins lucrativos em escala global.

Com base no trabalho do projeto IFR4NPO, a INPRF emitirá a Norma Internacional de Contabilidade para Entidades sem Fins Lucrativos (INPAS). A fundação será responsável pelo desenvolvimento futuro, adoção e manutenção da INPAS e de quaisquer normas subsequentes, assegurando sua relevância contínua para organizações sem fins lucrativos, doadores, reguladores e as comunidades atendidas.

A primeira norma deve ser publicada em outubro de 2025, acompanhada de um guia prático para harmonizar a prestação de contas de subsídios.

Fonte: Iasplus 

Já tínhamos comentado anteriormente sobre o assunto aqui. Logo de início, parecia que o projeto tinha o apoio da Fundação IFRS. No último documento ficou mais claro que o projeto usava as normas de contabilidade financeira do Iasb como ponto de partida, sem ter o apoio explícito da Fundação, o que naturalmente é lamentável. Afinal, já que a Fundação IFRS não tem interesse para tocar o projeto de criar norma para Non-Profit, poderia ao menos apoiar a iniciativa.  

GPT no comércio online


A OpenAI lançou nos Estados Unidos o recurso “Instant Checkout” no ChatGPT, que permite aos usuários realizar compras diretamente no chat, sem precisar sair da conversa. A novidade foi desenvolvida em parceria com a Stripe e introduz o chamado Protocolo de Comércio Agêntico (Agentic Commerce Protocol), um padrão aberto para transações mediadas por inteligência artificial. Inicialmente, a função permite adquirir apenas um item por vez, mas a expectativa é que em breve seja possível incluir múltiplos produtos em um mesmo pedido. Mais de um milhão de lojistas da Shopify, incluindo marcas como Glossier, SKIMS, Spanx e Vuori, devem adotar o sistema no futuro. O pagamento poderá ser feito com cartões já cadastrados ou métodos expressos de checkout dentro da plataforma, disponível para usuários das versões Plus, Pro e Free do ChatGPT nos EUA. Apesar do potencial de impacto no e-commerce global, por enquanto não há previsão de lançamento no Brasil.

Fonte: aqui 

As finanças da ABL

A revista piauí publicou um interessante texto sobre as finanças da prestigiosa Academia Brasileira de Letras (ABL). A instituição, fundada por Machado de Assis, enfrenta problemas financeiros que não são recentes.


Entre 2017 e 2021, o então presidente Marco Lucchesi (foto) precisou lidar com um desequilíbrio clássico: as despesas superavam as receitas, muitas delas de caráter fixo. Mesmo sendo uma entidade sem fins lucrativos, a situação era insustentável no longo prazo. Sua solução foi cortar custos: extinguiu a verba de representação, reduziu passagens aéreas para acadêmicos que moravam fora do Rio e promoveu outras medidas impopulares, mas necessárias. A pandemia agravou o cenário ao reduzir a receita de aluguéis do prédio comercial da ABL. Ainda assim, ao final de sua gestão, a entidade alcançou o equilíbrio financeiro.

Em dezembro de 2021, Merval Pereira assumiu a presidência. Embora tenha flexibilizado algumas restrições, manteve a austeridade. Os jetons voltaram a ser reajustados, mas abaixo da inflação, e o plano de saúde foi rebaixado de nível. Ao mesmo tempo, buscou novas fontes de receita: captou recursos para o Dicionário da Língua Portuguesa, avaliou a venda de imóveis e manteve atenção ao patrimônio da entidade, como o Solar da Baronesa, um bem tombado que gera altos custos de manutenção. A venda de ativos, nesse contexto, representa uma forma de reduzir despesas não ligadas à função principal da academia.