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07 janeiro 2019

Crime e castigo

Um argumento comum é que uma forma de combater o crime é através do aumento da punição. Isto seria uma forma de reduzir os potenciais benefícios do crime, dentro da lógica de Garry Becker. Uma pesquisa mostrou, a princípio, que isto pode não ser verdadeiro (via aqui):

Esse aumento na duração do encarceramento é impulsionado por sentenças mais longas, tanto para crimes violentos quanto para crimes de propriedade, e se traduz em um aumento persistente do encarceramento. Essas melhorias de sentenciamento e encarceramento não diminuem o crime no nível do condado, indicando que, em termos de segurança pública, o retorno marginal à postura duradoura do crime pode ser próximo de zero.

Rir é o melhor remédio

Enquanto isto, na internet:





06 janeiro 2019

Entra ou não na conciliação?


Em uma postagem nesta semana comentamos sobre o erro do Deutsche Bank. No Brasil, alguns correntistas de um banco também tiveram uma surpresa no ano novo:

Entre as festas de Natal e ano-novo, alguns clientes do Banco Safra ficaram milionários de repente. Devido a um erro no sistema da instituição, foram depositados milhões de reais para alguns correntistas. Pouco tempo depois, o dinheiro foi estornado e, até agora, não houve esclarecimentos sobre o ocorrido por parte da situação.

O Banco Safra havia depositado quase R$ 200 milhões nas contas corporativas movimentadas por Renan e três primos, donos da rede Atacadão dos Móveis, com sede em Porto Alegre. Foram feitos depósitos de R$ 52,5 milhões, R$ 35 milhões, R$ 42 milhões e R$ 70 milhões em quatro contas bancárias corporativas.

O dinheiro entrou como se fosse resultado de compras feitas por clientes da rede no cartão de crédito. “Eu recebo esse tipo de crédito na conta todos os dias, mas são valores normais, nunca nesse porte”, disse Renan. Ele logo imaginou que fosse um erro do banco e nem chegou a procurar a instituição. “Fiquei monitorando por quase quatro horas e não fiz nenhuma movimentação. É triste estar milionário e não poder mexer no dinheiro”, brinca. “Me senti como um Eike Batista, com os bens bloqueados.”

No dia seguinte, toda a movimentação feita pelo Safra nas contas da empresa foi excluída e não aparece sequer no extrato de dezembro.


Se você fosse o contador da empresa, registraria ou não o valor?

Ensino e Juventude

Em 1851 um texto do O Comércio afirmava o seguinte:

Convêm, pois, ensinar á mocidade de todas as classes a conhecer o Creador e a creação em geral, a lingoa materna e a contabilidade.

(É bom lembrar que na época, o ensino inicial era constituído do português - a alfabetização - e a matemática. No segundo caso, a contabilidade era uma aplicação dos conhecimentos matemáticos, mas também uma possibilidade de emprego futuro)

Neste sentido, tenho continuamente escutado de meus colegas, professores, que os alunos de hoje estão piores. Quando quero me envolver nesta discussão, tenho discordado. E tenho o apoio do Joe Hoyle, um professor de contabilidade, com 47 anos de profissão que escreveu:

Estudantes raramente mudam com os anos. Em 1958 eu escutei meu professor falar para outro professor: "estudantes hoje não leem ou compreendem. Eles têm que ter tudo explicado para eles". Eu literalmente ouvi quase as mesmas palavras na semana passada fora do meu escritório.

Ontem li em um trecho do livro Dataclisma (Christian Rudder) que "o Twitter, na verdade, pode estar melhorando a escrita dos usuários". Pelos dados de Rudder, a palavra média do Twitter é maior que a do Corpus da Língua Inglesa. Dito de outra forma: talvez nunca se tenha escrito tanto quanto na época atual. 

Ainda a polêmica do Bitcoin

Afinal, o Bitcoin tem futuro ou não. Para Rogoff a questão é outra:

(...) É tentador dizer: "É claro que o preço está caindo aos pedaços". Os reguladores estão gradualmente percebendo que não podem consentir com a crescente presença de grandes transações tecnológicas que facilitam a evasão fiscal e a atividade criminosa. Ao mesmo tempo, os bancos centrais da Suécia à China estão percebendo que também podem emitir moedas digitais . Como destaquei em meu livro publicado em 2016 referente ao passado, presente e futuro das moedas, quando se trata de novas formas de dinheiro, o setor privado pode inovar, mas no devido tempo é o governo que se regula e se apropria. (...)

No momento, a verdadeira questão é se a regulamentação global será bem-sucedida no desenvolvimento de sistemas que agora são caros para rastrear e monitorar as criptomoedas. E também quando isso acontecer. Qualquer grande economia avançada que seja tola o suficiente para tentar aceitar moedas criptografadas, como o Japão fez no ano passado, corre o risco de se tornar um destino global para a lavagem de dinheiro. (Movimentos subsequentes do Japão para distanciar-se das criptocorrências foram talvez uma das causas das oscilações que a economia mundial deu este ano). No final, as economias avançadas certamente coordenarão a regulação da criptomoeda, como fizeram em outras medidas para evitar a lavagem de dinheiro e a evasão fiscal.

Mas isso deixa muitos jogadores insatisfeitos. Afinal, muitos países - incluindo Cuba, Irã, Líbia, Coréia do Norte, Somália, Síria e Rússia - estão atualmente trabalhando sob sanções financeiras dos EUA. Seus governos não necessariamente se preocuparão com as externalidades globais se as criptomoedas que podem ter valor sejam encorajadas, desde que sejam usadas em algum lugar.


Completo aqui

História da Contabilidade: Falência de uma empresa em 1856

A empresa Araujo, Braga e Oliveira foi constituída em 1851 na cidade do Rio de Janeiro. O nome correspondia aos proprietários Bento José de Araujo, José Ferreira da Silva Braga e Manoel Joaquim de Oliveira, sendo que o último seria também o gerente.

A empresa era bastante atuante no comércio, conforme os registros da época, com transações com vestiário (1), rolos de fumo (2), arroz, açúcar (3), entre outros. Na relação dos estabelecimentos, a Araujo, Braga e Oliveira ora aparecia como comércio de vestiário, ora como comissões e consignações.

A empresa estava localizada na distinta Rua Direita, com número 104 (4). Em outubro de 1856 a empresa tornou-se insolvente (5). O motivo seria a gestão de Oliveira, que fizera transações de enorme valor e arriscada, fora da área do comércio. Além disto, Oliveira não apresentava as demonstrações contábeis desde 1853, além de outros problemas, conforme o seguinte trecho da sentença da sua condenação

Que o gerente devendo pelo contrato social dar balanço todos os semestres e pelo codigo art. 10  §4o todos os annos, não o fizera, sendo o ultimo de 1853, e este mesmo sem as formalidades do citado artigo 10 do codigo, exame a fl. 137. Que a escripturação é mal feita e mesmo escandalosa, pois não ha individuações das partidas lançada no - Diario - até 21 de Setembro de 1854, e desta data, em - Borrador - que lhe serve de continuação, estando neste as transacçães de letras sem ordem alguma, e o - Caixa - appresentado de Abril de 1856 á Outubro avultados saldos em seu favor, quando não ha antradas que estejam em relação com os figurados pagamentos, citado exame. Que, finalmente os livros estão em folhas em branco inutilisadas, escripturação e contabilidade informes com emendas de letras e até de quantias.  

A falência da casa parece que foi relevante, uma vez que foi expressamente citada na assembleia do Banco Rural e Hypothecario de 14 de agosto de 1857 (6)

O resultado foi a condenação de Oliveira, conforme artigos do então novo código comercial. Além disto, a sentença condena o cônego Joaquim de Oliveira Durão. O cônego aparentemente conhecia o que Oliveira estava fazendo e aparentemente o ajudou. Os demais sócios foram absolvidos, pois aparentemente não “conheciam” o que Oliveira estava fazendo na empresa.

Nos meses seguintes, os administradores da massa falida promoveram uma tentativa de recuperação do dinheiro, através da venda dos ativos que sobraram da empresa, incluindo os prédios (7).

Notas
(1) Ou armazéns de pano de algodão e mantas de Minas. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (RJ) 1853, ed 10, p 446
(2) rolos de fumo. Diario do Rio de Janeiro, 1853, ed 253, p 3
(3) Também no Diario do Rio de Janeiro, em diversos números.
(4) Rua Direita, 104. Vide Indicador Alphabetico da Morada dos seus principais habitantes 1857
(5) Gazeta Forense, 1857, ed 6, p. 2 e 3. O trecho a seguir é baseado nesta referência
(6) Diário de Pernambuco 1857 ed 190, 21 de agosto, p. 1-2
(7) Conforme, por exemplo, O Correio da Tarde, 1858, ed 66, p. 2, Ano Iv, 20 (?) de março.

Rir é o melhor remédio

Cinco cirurgiões estão discutindo quem é o melhor paciente para operar.

O primeiro cirurgião diz: "Eu gosto de ter contadores em minha mesa de operações, porque quando você os abre, tudo dentro é numerado."

O segundo responde: "Sim, mas vejam os eletricistas! Tudo dentro deles é codificado por cores".

O terceiro cirurgião diz: "Eu realmente acho que os bibliotecários são os melhores; dentro deles está tudo em ordem alfabética".

O quarto cirurgião diz: "Você sabe, eu gosto de construtores ... esses caras sempre entendem quando você tem algumas peças sobrando no final e quando o trabalho demora mais do que você disse que seria".

Mas o quinto cirurgião venceu a discussão quando disse: "Vocês estão errados. Os políticos são os mais fáceis de operar. Não há coração e a cabeça e a parte de trás são intercambiáveis."

Adaptado daqui