Serviço Público
Fonte: Aqui
03 agosto 2011
Termômetro de Insolvência I
Termômetro de Insolvência
Por
Alexandre Alcantara da Silva
Visitando o Blog de Stephen
Kanitz, achei um texto do mesmo comentando sobre seu termômetro de
insolvência: Os Próximos 20 Anos Serão de Ouro
II. Neste post Kanitiz destaca o contexto que o motivou a criar o
seu conhecido Termômetro de Insolvência:
Estudei em Harvard uma matéria que me encantou: Management of
Lending - Administração de Carteiras de Empréstimos.
Era uma matéria difícil que exigia conhecimentos de
psicologia, negociação, análise de balanços, análise setorial, lei societária,
lei do crédito, crédito e cobrança, lei das falências, enfim uma área
em que eu teria poucos concorrentes.
A primeira coisa que fiz ao retornar foi criar o famoso Termômetro
de Insolvência, também conhecido como o Termômetro de Kanitz, uma das primeiras
experiências de credit scoring no Brasil.
No
mesmo post ele cita a divulgação do artigo "Como prever
falências de empresas",
publicado na Revista Exame, edição de dezembro de 1974. Como bem ele destaca,
este exemplar da Revista Exame é uma raridade, vide ao final link para a
íntegra do artigo.
De acordo com SILVA
(2010, p. 173)
O estado de insolvência de uma empresa pode ser definido como a
incapacidade para pagar as suas obrigações financeiras na data de seu
vencimento, bem como quando seus ativos forem inferiores ao valor dos seus
passivos.
Buscando subsidiar as decisões de concessões de crédito ou mesmo
subsidiar decisões estratégicas, alguns modelos têm sido desenvolvidos, e
quando associados a outras técnicas de análise tornam-se instrumentos valiosos
para permitir a caracterização da situação econômico-financeira das empresas.
Estes modelos têm por objetivo identificar, mediante procedimentos
estatísticos (em especial a análise discriminante), a relação funcional entre
os índices financeiros e o estado de solvência (lucros, fluxos de caixa,
rentabilidade), ou de insolvência (falência, incapacidade de cumprir com as
obrigações) de uma organização. Por ter como base a utilização de índices de
solvência, rentabilidade e lucratividade, devem ser adequados às
características de organizações de um mesmo setor.
Termômetro de Insolvência II
Termômetro de Insolvência
Por
Alexandre Alcantara da Silva
(continuação)
Quando
escrevi nosso livro de Análise de Balanço (SILVA, 2010) inseri
um capítulo por título “Modelos estatísticos de previsão de insolvência”, para
o qual obtive boas informações no artigo e na tese de livre docência de KANITZ:
"Indicadores Contábeis e Financeiros de previsão de insolvência: a
experiência da pequena e média empresa brasileira" (curiosidade: a
tese, defendida em 1976, foi toda datilografada. É possível obter uma fotocópia
junto a USP, pois é um excelente material para pesquisa). Posteriormente consegui
o seu livro "Como prever falências", editado em 1978, onde o
tema é apresentado de forma mais simplificada como o seu modelo foi
desenvolvido.
No que pese a existência
de vários modelos estatísticos para previsão de insolvência, uma coisa é certa
e deve ser ponderada: a contabilidade brasileira padece de qualidade em seus
balanços, em decorrência de alguns fatores, conforme já era citado por KANITZ
(1976, p. 10-12):
a) sistema contábil ineficiente para captar de forma adequada as
informações passíveis de escrituração;
b) falta de consciência quanto a princípios contábeis no Brasil,
pois não havia à época um órgão que efetuasse pesquisas neste sentido;
c) a adulteração de balanços; e
d) a prática do window dressing (contabilidade criativa).
O cenário não mudou
muito desde 1976, grande parte do empresariado brasileiro ainda não vislumbra a
contabilidade como ferramenta de gestão, especialmente entre os pequenos e
médios empresários. Esperamos que muito em breve nos livremos do jeitinho
brasileiro de, na hora da necessidade, elaborar um “balanço perguntado” para
satisfazer as necessidades dos analistas de crédito (vide artigo indicado sobre
este tema). Alguns afirmam que com a convergência do Brasil às normas
internacionais de contabilidade e de auditoria a qualidade das demonstrações
contábeis irá melhorar. Esta é outra história, ainda precisa de muita pesquisa
para revelar-se verdadeira.
Quando da leitura da tese
de livre docência e do livro de KANITZ observei que em ambos, na referência
bibliográfica, consta referenciado um livro de Lopes Sá: "Curso
Superior de Análise de Balanço". Achei interessante que em uma tese
defendida na USP constar uma referência à obra de Lopes Sá (dentre outros
autores brasileiros também referenciados como: Arnaldo REIS, Aulos FRANCO, R.
M. TREUHERZ, e N.H TUNG). Intrigado com isto, em uma das conversas que
mantive por telefone com o saudoso Prof. Lopes Sá o mesmo me relatou que havia
participado anteriormente, em 1973, da banca de Doutorado de Kanitz, ou seja,
antes do que ele chamava de conversão da USP ao modelo
"estadunidense".
Movido pela curiosidade,
eu fui dar uma lida no livro de SÁ sobre Análise de Balanço, onde verifiquei
que o mesmo, quando mais jovem foi pioneiro no Brasil na análise de grande
volume de balanço de empresas (7.100 balanços entre 1953 a 1957) com
vistas a identificar o perfil ideal de equilíbrio da empresas brasileiras (SÁ,
1977, p. 24-28; SILVA, 2010, p. 18-19 - vide tópico 2.2.1).
Em sua obra SÁ (1977, p.
25 – a primeira edição é de 1953) faz menção aos estudos realizados no início
do Séc. XX pelo alemão SCHAMALENBACH, que tentava avaliar o impacto da inflação
e do tempo sobre a análise de balanço, declarando a ineficácia das análises das
situações estáticas, em contraposição à teoria dualista de SCHMIDT. Os
trabalhos destes autores alemães são posteriormente citados por TINOCO (1992)
em seu trabalho sobre avaliação patrimonial.
Termômetro de Insolvência III
Termômetro de Insolvência
Por Alexandre Alcantara da Silva
(continuação 2)
Em outro trecho,
comentando o resultado de sua pesquisa, SÁ (1977, p.25) expõe:
Quando observamos, por exemplo, as proporções que devem
ser guardadas entre o volume dos créditos cedidos aos clientes e o dos
recebidos de fornecedores, não nos é possível ficar alheios aos pontos de
conexão no tempo, relativamente aos investimentos e financiamentos em
créditos. A importância da análise das situações na dinâmica é que nos
conduziu à elaboração da teoria da proporção definida dos valores, que chamamos
de ponto de equilíbrio do capital (ver nosso livro "O Equilíbrio do Capital
das Empresas").
Observamos, pela análise de milhares de balanços, que existem
proporções certas nas combinações dos valores de acordo com o giro ou a
velocidade dos mesmos no tempo e com o processo da formação do rédito.
Enunciamos a primeira das leis a respeito:
"Os valores que se combinam
para a formação da estrutura do capital de funcionamento
das empresas guardam entre si relações constantes".
Imagine como deve ter
sido trabalhoso fazer este levantamento no final da década de 1950 por SÁ e por
Kanitz na década de 70.
Ao abordarmos a questão
do uso de indicadores setoriais obtidos através de publicações especializadas
fizemos um breve comentário sobre a primeira edição da revista EXAME Melhores e
Maiores (SILVA, 2010. p. 89 – nota de rodapé), para demonstrar como era
complexo trabalhar como tão grande volume de dados antes do advento da
microinformática.
A primeira edição da Revista Melhores & Maiores –
uma raridade que encontrei na Biblioteca do Senado – saiu em setembro de 1974,
sob a direção do Prof. Stephen Kanitz, e foi chamada “Os melhores e os
maiores”. A capa destacava que seriam apresentadas as 500 maiores empresas
privadas por vendas e as 50 maiores empresas estatais e como se comportou cada
setor. No texto de apresentação – “como foi feito” – encontramos uma pérola do
“recurso tecnológico” utilizado na elaboração do ranking. Veja uma
parte do texto:
“Durante oito meses – a partir de 16 de dezembro de 1973 – foram
examinados mais de 10 mil balanços de empresas. Chegou-se, com isso, a uma
seleção de 1.600 balanços, que foram então analisados em profundidade. Os dados
recolhidos em cada balanço foram passados para cartões de computador, de modo a
permitir o processamento eletrônico – único meio de tornar viável um
empreendimento de tal porte, em que foram efetuados cerca de 18 milhões de
cálculos e consumidas 212 horas de computador.”
Termômetro de Insolvência IV
Termômetro de Insolvência
Por Alexandre Alcantara da Silva
Ao longo dos anos
identifiquei vários artigos sobre indicadores de insolvência. Ao final
apresento uma seleção de alguns destes artigos. Creio que os mesmos podem ser
sugeridos a alunos que desejam fazer uma pesquisa sobre o tema em seu trabalho
de conclusão de curso, ou ainda como referência complementar para disciplina de
Análise das Demonstrações Contábeis.
Dentre os artigos
indicados destacamos:
a)
KASSAI & KASSAI - desvendam
o modelo de insolvência de KANITZ, demonstrando como a técnica pode facilmente
ser realizada utilizando uma planilha eletrônica, muito mais simples do que a
forma adotada por SÁ e KANITZ;
b)
ALTMAN - dois artigos produzidos
pelo professor americano, um dos mais citados pesquisadores sobre o assunto,
sendo que um dos artigos foi escrito em parceria com dois professores
brasileiros; e
c)
BRUNI, FAMÁ e MURRAY - trazem
uma avaliação crítica de cada um dos vários modelos desenvolvidos no Brasil.
Caso o leitor tenha
material adicional sobre o tema nos enviem (alexandre@alcantara.pro.br),
ficaremos gratos.
REFERENCIAS
KANITZ,
Stephen Charles. Como prever falências de empresas. Revista Exame.
São Paulo: Abril, dez. 1974. Disponível em: http://pt.scribd.com/doc/61123852/ComoPreverFalenciaEmpresa-Kanitz-2>
Acesso em: 01 ago. 2011
__________.
Indicadores contábeis e financeiros de previsão de insolvência: a experiência
da pequena e média empresa brasileira. 1976. Tese (Livre-docente) – Faculdade
de Economia e Administração, Universidade de São Paulo, São Paulo.
__________.
Como prever falências. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1978.
__________.
Os próximos 20 anos serão de ouro II.
Disponível em: http://blog.kanitz.com.br/2010/11/os-p.html> Acesso em: 01
ago. 2011
SÁ,
Antônio Lopes de. Curso superior de análise de balanço. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1977. 2 v.
SILVA,
Alexandre Alcantara. Estrutura, análise
e intepretação das demonstrações contábeis. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010
TINOCO, João
Eduardo Prudêncio. Avaliação patrimonial em contabilidade á valores de entrada
e saída. Caderno de Estudos nº 06,
São Paulo, FIPECAFI, Outubro/1992. Disponível em: http://www.eac.fea.usp.br/cadernos/completos/cad06/avaliacao.pdf>
Acesso em: 01 ago. 2011
ARTIGOS
INDICADOS
ALTMAN, Edward I. Financial ratios, discriminant
analysis and the prediction of corporate bankrupcy. Journal of Finance, v. 23, nº 4, p. 589-609, Sept. 1968.
__________;
BAIDYA, Tara K. N.; DIAS, Luiz Manoel Ribeiro. Previsão de problemas financeiros
em empresas. Revista de Administração de Empresas. São Paulo, v. 19, nº
1, p. 17-28, jan./mar. 1979. Também disponível em: http://rae.fgv.br/rae/vol19-num1-1979/previsao-problemas-financeiros-em-empresas
>. Acesso em: 01 ago. 2011.
Assaf Neto,
Alexandre; RIBEIRO, Evandro Marcos Saidel; RICI, Emerson Tadeu Gonçalves. Cálculo da duration como ferramenta auxiliar aos modelos de previsão de
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Acesso em: 01 ago. 2011
Bruni, A. L., Murray, A. D. & Famá,
R. (1998). Modelos Brasileiros Preditivos de Risco de Crédito: Um Estudo
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Sanvicente, Antônio Zoratto; Minardi, Andrea Maria A. F. Identificação de indicadores contábeis
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Disponível em: http://rae.fgv.br/rae/vol35-num3-1995/analise-dinamica-capital-giro-modelo-fleuriet>
Acesso em: 01 ago. 2011
Gimenes, Régio
Marcio Toesca; Uribe-Opazo,
Miguel Angel. Previsão de Insolvência de
Cooperativas Agropecuárias por Meio de Modelos Multivariados. Rev. FAE, Curitiba, v.4, n.3, p.65-78,
set./dez. 2001 65. Disponível em: http://www.fae.edu/publicacoes/pdf/revista_da_fae/fae_v4_n3/previsao_de_insolvencia.pdf>
Acesso em: 01 ago. 2011
Teste 509
A crise espanhola pode ter desdobramentos “interessantes”. Se um dos bancos espanhóis, o Bankia, tiver problemas financeiros, as pessoas irão olhar os empréstimos realizados pela instituição. Um dos empréstimos concedidos pelo Bankia foi realizado para que _______ fizesse um conjunto de transações milionárias, sendo dado em garantia certos “ativos”. Isto significa dizer que ______ é uma garantia na operação.
Hola! - fotografia
Museo del Prado - Goya
Real Madrid - Cristiano Ronaldo
Resposta do Anterior: Will Schuester, cujo personagem chegou a pensar de “desistir do seu sonho” e ser contador.
Confusão
Hoje, gastos fixos - como salários, previdência, dívida e repasses a Estados e municípios - consomem R$ 9 de cada R$ 10 que o governo arrecada. Resta apenas R$ 1 para investir. (Estudo vê Dilma de ''mãos amarradas'' - Segundo levantamento, a cada R$ 10 arrecadados pelo governo, R$ 9 são gastos com despesas fixas e sobra apenas R$ 1 para investir - Lu Aiko Otta – Estado de S Paulo, 1 de agosto de 2011 – A6)
A intenção era boa, mas houve uma grande confusão entre gastos fixos, despesas fixas, investimento, despesas de custeio, etc.
A intenção era boa, mas houve uma grande confusão entre gastos fixos, despesas fixas, investimento, despesas de custeio, etc.
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