Na noite passada, a cerimônia do Prêmio Ig Nobel fez jus à sua promessa de "primeiro fazer as pessoas rirem e depois fazê-las pensar". Já assisti a edições anteriores online, mas foi uma experiência completamente diferente vivenciar tradições como a "chuva de aviões de papel" pessoalmente. Não tinha certeza se havia escolhido um lugar na primeira fila quando percebi que muitos daqueles aviões estavam vindo em direção à minha nuca, mas valeu a pena quando consegui pegar uma das cuecas de algodão autografadas que os vencedores do Prêmio Ig Nobel de Ciências do Solo deste ano jogaram para a plateia. Eles enterraram centenas de cuecas semelhantes para investigar a saúde do solo.
Os prêmios são entregues pelos vencedores do outro Prêmio Nobel (o sueco), que também recebem presentes. Este ano, entre os presentes estavam copos de leite da equipe que descobriu que as proteínas do leite de barata contêm três vezes mais energia do que as do leite de vaca. Os laureados com o Nobel também ganharam uma cueca, como mencionado anteriormente — e ver o astrofísico suíço Michel Mayor, em seu próprio país, usando-a na cabeça com bom humor, tornou a viagem ainda mais proveitosa.
Os Prêmios Ig Nobel capturam um tipo de humor irreverente, às vezes surreal, que permeia muitos laboratórios e grupos de pesquisa, impulsionado pelo amor à ciência, pelo desejo de desmistificar parte de sua pompa e por muito café. É o mesmo impulso que levou grupos a comparecerem em massa ao evento do Ig Nobel fantasiados, ou que inspirou os pesquisadores de leite a usarem camisetas combinando com a frase "barata é meu animal espiritual". Ou ainda, que inspirou o descobridor do primeiro exoplaneta orbitando uma estrela semelhante ao Sol a colocar uma cueca na cabeça, só para dar risada.
Após o último aviãozinho de papel voar e a ópera final, com tema de fungos, ser cantada, muitas conversas pós-evento giraram em torno das dificuldades enfrentadas por cientistas ao redor do mundo. O consenso foi que, em tempos difíceis, o senso de humor é uma habilidade de sobrevivência. Certamente me senti revigorado por essa celebração assumidamente nerd daquilo que torna a ciência tão divertida: descobrir coisas. É uma sensação que me dará forças até o ano que vem. Vejo vocês em Antuérpia!
Da newsletter da Nature.
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