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24 julho 2026

Mudança na ciência


“Se você analisar a publicação de Watson e Crick na revista Nature em 1953, verá que ela tem menos de uma página e se parece mais com o início de uma proposta de pesquisa do que com um artigo… Não há a menor possibilidade de que isso fosse publicado da mesma forma, com apenas dois autores, hoje em dia.”

Os dados do Nature Index mostram que o número de artigos escritos por pequenas equipes tem diminuído na última década. Essa mudança reflete a complexidade esperada nas publicações modernas, que podem exigir experimentação extensiva e coleta de dados, afirma o químico David Leigh. 

(Da newsletter da Nature)

Fico imaginando as dificuldades futuras dos comitês de premiação. 

Apostas em mercado de previsão

A cada dia enfrentamos questões éticas no nosso trabalho. E a evolução tecnológica atualiza alguns desses dilemas. Eis um caso interessante que está surgindo agora – e que felizmente não afeta as empresas brasileiras (ironia): os empregados devem ter permissão dos patrões para fazerem apostas no mercado de previsão?

Quando o funcionário não lida com informações estratégicas, talvez isso nem tenha passado pela discussão dos gestores de recursos humanos das empresas. Mas se o funcionário trabalha com informações sensíveis? Parece que grandes empresas estão dizendo que sim. E isso inclui instituições financeiras, como o Goldman Sachs, que já impôs limites para seus funcionários apostarem no mercado de previsão, informaram o NY Times e a Bloomberg. A exceção são as apostas em esportes e entretenimento. E o problema tem se estendido para outras empresas.

Recentemente, um funcionário do Google e um soldado do exército utilizaram informação sigilosa para fazerem apostas sobre a operação de captura de Maduro na Venezuela. É também interessante que algumas empresas de investimento estão usando o mercado de previsão para operações financeiras, como hedge.

A ironia no primeiro parágrafo é que o mercado de previsão no Brasil é ilegal. Já comentamos isso antes. Mas fazendo uma adaptação da reflexão para o nosso país, uma empresa poderia exigir que os empregados solicitassem permissão para apostar em uma bet?

Se uma empresa já proíbe que um funcionário negocie ações com base em informação privilegiada, por que não proibiria que ele apostasse, num mercado de previsão, sobre o resultado de uma reunião do Copom, o desfecho de uma negociação sigilosa ou até um evento geopolítico do qual tenha conhecimento antecipado por sua função? A governança corporativa talvez precise, em breve, tratar o mercado de previsão como mais uma fronteira

15 julho 2026

Mais um produto da OpenAI é desativado


A empresa Open AI anunciou, em outubro de 2025, um navegador de IA, que ela chamou de Atlas. A empresa do ChatGPT imaginava que desbancaria o reinado do Chrome. O novo navegador poderia reservar passagens aéreas ou fazer compras e seu anúncio, pelos executivos da empresa, parecia um produto revolucionário. 

Provavelmente o leitor nunca soube da existência do Atlas. O produto foi um fracasso, que inclui falahs de segurança e lentidão em fazer as tarefas: o navegador levou dez minutos para incluir três itens no carrinho de compras da Amazon, segundo o The Verge.  

Agora chegou a hora do reconhecimento do fracasso. A empresa já divulgou que irá descontinuar o Atlas em outubro. 

Fisco em clientes?


Do Boring is Optional

Quando a Receita Federal [inglesa] decidiu, em 1992, que os contribuintes deveriam ser conhecidos como "clientes" , o Parlamento reagiu exatamente como se esperava.

Um colega questionou se os clientes agora poderiam comparar preços entre diferentes repartições fiscais para encontrar uma opção mais vantajosa. Outro perguntou se os clientes insatisfeitos poderiam simplesmente levar seus negócios para outro lugar. Um terceiro queria saber se, seguindo a melhor tradição do varejo britânico, o cliente teria sempre razão — e, caso contrário, se o pagamento poderia ser retido até que o serviço melhorasse.

As coisas só melhoraram quando alguém sugeriu que qualquer pessoa que deixasse a "base de clientes" da Receita Federal poderia em breve se tornar cliente das Prisões de Sua Majestade.

Desenho aqui

A Fala do gestor


Com base na literatura que demonstra que a disfluência (disfluency) na fala transmite informações sobre a incerteza do falante, criamos uma medida de incerteza da empresa com base na disfluência da fala dos gestores em teleconferências sobre resultados e examinamos seu impacto sobre os analistas. Mostramos que, quando os gestores exibem maior disfluência (que denominamos “incerteza acústica gerencial”) em suas respostas às perguntas dos analistas, a dispersão das previsões dos analistas aumenta, mesmo após considerar as características da linguagem utilizada por gestores e analistas. Além disso, constatamos que a associação positiva entre incerteza acústica e dispersão das previsões dos analistas se concentra em teleconferências nas quais as respostas dos gestores demonstram maior especificidade e informações prospectivas, e em empresas com notícias de lucros mais negativas e ambientes informacionais mais fracos. Nossos resultados são consistentes com a incerteza expressa nas características acústicas da fala gerencial que afeta os participantes do mercado e sugerem que nossa medida captura um aspecto único da incerteza da empresa.

The sound of uncertainty: Examining managerial acoustic uncertainty in conference calls - Daniela De la Parra e John Gallemore. Imagem aqui

14 julho 2026

Encontro de Reguladores

O relatório do International Forum of Accounting Standard Setters (IFASS), um tipo de encontro de reguladores, que ocorreu na Austrália, no final de abril de 2026, está disponível aqui. O Brasil estava presente através de um representante do Conselho Federal de Contabilidade. 

Entre os temas tratados os relatórios ambientais, a questão do custo e a contabilidade do terceiro setor, através do INPRF. Sobre a escalabilidade:

Esta sessão tratou de escalabilidade e proporcionalidade no reporte, com foco em como os requisitos de divulgação podem permanecer úteis para a tomada de decisão, ao mesmo tempo em que acomodam diferenças de porte, recursos e capacidade. A discussão abordou estruturas em camadas, regimes de divulgação reduzida e mecanismos de proporcionalidade como formas de administrar a carga de reporte sem comprometer a transparência. Os participantes observaram que as restrições de recursos afetam não apenas os preparadores, mas também os emissores de normas e reguladores, reforçando a importância da colaboração, de ferramentas compartilhadas e de iniciativas de capacitação. O diálogo destacou a necessidade de sistemas de reporte que apoiem a consistência global, permitindo ao mesmo tempo aplicação flexível, de modo a assegurar que o reporte de alta qualidade continue sendo viável em diferentes contextos econômicos e institucionais.

Rir é o melhor remédio


 Maiores passivos