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24 fevereiro 2026

OpenAI e a queima de caixa

 

Empresas em fase de crescimento geralmente captam recursos de financiamento, próprio e de terceiros, investem muito e não conseguem ter caixa das operações. Esse padrão já é bastante conhecido no mundo. Somente com a maturidade é que as empresas conseguem gerar caixa operacional. 

O gráfico mostra quatro empresas onde isso ocorreu: Uber, Tesla, Netflix e OpenAI. A informação é do fluxo de caixa livre, uma junção do caixa operacional com investimento. Esses valores precisam ser cobertos com captação de recursos ou fluxo de financiamento. Em vermelho, quando esse valor é negativo. No caso, a queima de caixa pode durar anos. 

Mas é notório, visualmente, que o volume de caixa queimado pela OpenAI é muito diferente do que ocorreu com as outras três empresas. E as estimativas são gigantescas. Segundo o The Information, as projeções para a empresa são de um queima de caixa de 218 bilhões de dólares entre 2026 e 2029 — cerca de 111 bilhões a mais do que as projeções internas da empresa feitas apenas dois trimestres atrás. Ou 23 vezes o que a Tesla queimou entre 2007 e 2018.

As apostas são elevadas, mas o fruto esperado pode ser bem maior. O produto base da empresa, o GPT, tem um crescimento muito mais rápido que o serviço de transporte, o veículo elétrico ou os filmes.  O valor corresponde ao PIB da Ucrânia, para se ter uma dimensão do que significa. 

23 fevereiro 2026

Uma grande surpresa em um tanque velho de guerra


A notícia é de 2017, mas voltou a circular como algo novo (aqui e aqui). Mas é um caso contábil interessante e desafiador.

Um britânico comprou no eBay um tanque de guerra do Iraque. Ao abrir o compartimento de combustível, ele encontrou cinco barras de ouro escondidas, com o valor estimado de 2 milhões de libras. O ouro foi entregue às autoridades britânicas para investigação. 

As barras de ouro correspondem a um ativo oculto. Ao comprar o tanque, o britânico comprou todo seu conteúdo, mas fica a dúvida se isso inclui o ouro.  Se o ouro for considerado do comprador, é um ganho, por ser algo inesperado. O custo de aquisição do tanque, que corresponde ao valor histórico, distancia do valor real. Há aqui uma discussão interessante entre preço histórico e preço justo. 

Mercado de aposta expande para questões geopolíticas


O mercado de apostas está crescendo e incorporando temas geopolíticos, constatou um texto da Rest of World. A principal plataforma de apostas, a Polymarket, mostra isso, conforme o gráfico da postagem. Se inicialmente era interessante consultar o site para saber a chance do Brasil ganhar a Copa do Mundo de futebol (9% de chance, hoje), hoje eventos como chance do Banco Central reduzir a taxa de juros em março (94%), um ministro do STF ser removido do cargo antes de 2027 (21%), Lula ser reeleito (53%) ou a inflação de 2026 estar entre 3,5 a 4% (49%) predominam. 

Em muitos casos, o contador precisa de dados objetivos e fontes razoáveis para sustentar suas previsões. Sabendo que a taxa de juros irá diminuir em março, isso pode alterar os valores usados no teste de impairment, por exemplo. Mesmo não usando os dados, é legal dar uma olhada. Agora o Polymarket está dizendo que a chance do Clube Atlético Mineiro ganhar do Grêmio na quarta, dia 25, é somente 29%, o mesmo percentual para o empate. 

22 fevereiro 2026

Deepfake do bem

A notícia é da Índia: 


Empreendedores estão recriando parentes falecidos ou ausentes para vídeos de casamento e outras ocasiões.

A indústria da “tecnologia do luto” tem benefícios, mas suas implicações de longo prazo ainda não estão claras.

A Índia elaborou projetos de lei para conter a enxurrada de deepfakes, que são usados majoritariamente para golpes e desinformação. 

Fei-Fei Li


Em uma época onde imigrantes são vistos de forma negativa, a história de Fei-Fei Li é impactante. Chegou nos Estados Unidos com 15 anos, sem falar inglês, com pais trabalhando em restaurantes. Ela consegue um emprego lavando pratos. É aprovada em Princeton, bolsa integral, e durante sete anos passava a semana no departamento de física e os finais de semana trabalhando na lavanderia que a família tinha aberto. Fez doutorado na Caltech. 

Em 2007, ela lidera uma equipe responsável pelo ImageNet, um grande conjunto de dados de visão computacional. Em 2012, a equipe rodou uma rede neural naquele conjunto de dados e reduziu pela metade a taxa de erro existente. Alguns consideram que foi o início do deep learning. 

Em 2024 funda a World Labs. Em quatro meses, captação de US$ 230 milhões e valuation de US$ 1 bilhão. Hoje, valuation em torno de US$ 5 bilhões.

Seu novo modelo, Marble, gera ambientes 3D persistentes a partir de texto ou imagens. Diferentemente dos geradores de vídeo que simulam profundidade quadro a quadro, o Marble cria espaço geométrico real, no qual os objetos permanecem onde você os deixou. (....)

De lavanderia a ImageNet e a uma empresa de inteligência espacial avaliada em US$ 5 bilhões. Fei-Fei Li fez agora duas apostas que o restante do campo considerava prematuras e grandes demais. A primeira criou a visão computacional moderna. A segunda tenta dar às máquinas a capacidade de compreender a física.

Se ela estiver certa novamente, este é o último grande desbloqueio antes que a IA incorporada realmente funcione.

 

Um caso recente de falha de comunicação contábil


Recentemente a imprensa anunciou que o banco público Banco do Brasil teve um aumento no índice de atraso acima de 90 dias, para 5,17%. A notícia inicial foi que a empresa responsável por uma dívida de 3,6 bilhões de reais seria a Braskem.  Mas a Braskem foi a público informar que não tinha dívidas com o banco estatal. Logo a seguir, descobriu-se que seria a Novonor a responsável pelo aumento da inadimplência.

Tudo isso parece indicar um problema de transparência e clareza na divulgação. Em contextos de análise de risco e contabilidade financeira, é crucial que os relatórios — em especial notas explicativas e comunicados aos investidores — deixem claro quem é o devedor responsável por um aumento tão substancial. 

21 fevereiro 2026

Jogos Olímpicos e recursos do governo


Fiquei imaginando replicar isso no Brasil:  

Os Jogos Olímpicos são um dos eventos esportivos mais amplamente seguidos e visíveis no mundo. Os governos alocam recursos para as Federações Esportivas em busca de resultados competitivos que dependem de uma combinação de fatores incertos. Este estudo aplica o índice Färe-Primont (FPI) pela primeira vez no campo do esporte para estimar a produtividade e a eficiência e analisar os resultados da participação das Federações Esportivas Espanholas nas últimas quatro edições dos Jogos Olímpicos (2008-2021). Procura também identificar a existência de padrões comportamentais nas Federações Esportivas Espanholas que fazem o melhor uso dos recursos disponíveis. Os resultados do estudo sugerem que a estrutura das fontes de financiamento, o tamanho dos órgãos governamentais e o período de tempo que os FSS competem (idade) são fatores que influenciam sua eficiência e produtividade. 

No caso de jogos olímpicos, eu tenho recursos alocados em esportes e uma medida objetiva de desempenho, no caso medalhas. Mas seria possível pensar nisso em outras situações? 

Guevara-Pérez, J. C., Le Clech, N. A., Martín Vallespin, E., & Urdaneta-Camacho, R. (2026). Evaluation of Spanish Olympic Federation Performance Using the Färe-Primont Index. Sage Open, 16(1).