07 setembro 2025
Falando em impostos, Lady Godiva ...
(...) uma nobre anglo-saxã do século XI, teria cavalgado nua pelas ruas de Coventry para protestar contra os impostos opressivos que seu marido, o conde Leofric de Mercia, impunha aos habitantes da região. De acordo com a lenda, após as repetidas súplicas dela, Leofric finalmente concordou em reduzir a tributação, mas impôs uma condição incomum: que ela fizesse o trajeto completamente nua. Assim, Lady Godiva aceitou o desafio, anunciando que os cidadãos deveriam manter-se em suas casas e fechar as janelas. Apenas um homem, mais tarde apelidado de "Peeping Tom", desobedeceu — e foi, conforme a tradição, punido por isso. Como resultado, Leofric cumpriu sua promessa e reduziu os impostos.
Fonte: Wikipedia
Imposto e a lógica de Morton
A lógica de Morton era a seguinte: se o súdito vivia no luxo e gastava muito consigo mesmo, obviamente tinha renda suficiente para contribuir com o rei. Por outro lado, se o súdito vivia de forma frugal e não mostrava sinais de riqueza, então devia ter economias substanciais — e, portanto, também podia pagar ao rei.
Fonte: aqui
Relação dívida PIB em 25 anos
Desde 2000, especialmente após a crise financeira de 2008 e a pandemia de COVID-19, os níveis de endividamento público cresceram significativamente em diversas economias avançadas. O indicador dívida/PIB mede quanto um país deve em relação ao tamanho de sua economia e reflete sua capacidade de administrar e pagar obrigações futuras.
Segundo dados do FMI, os países com maiores aumentos foram Japão (+116 pontos percentuais), Singapura (+86 pp) e Estados Unidos (+71 pp). Apesar de possuírem economias estáveis e pouco risco de calote, enfrentam o peso crescente dos pagamentos de juros.
Em contrapartida, apenas Bélgica (-2,8 pp), Islândia (-21,2 pp) e Israel (-20,6 pp) reduziram sua relação dívida/PIB desde 2000. Os dados da figura acima estão desatualizados, mas isto não afeta a análise da tendência.
A relação para o Brasil acompanha o crescimento mundial. Em 2000, no governo FHC, a relação era de 62%. Agora, em 2025, está em 92%, com estimativa, para 2030, de 99,4%, ainda abaixo das economias mais avançadas.
A evolução da relação dívida/PIB está diretamente ligada à contabilidade pública, pois esse indicador resulta da mensuração e do registro das obrigações financeiras do Estado em comparação com a riqueza gerada pela economia. A contabilidade pública não apenas cumpre uma função técnica de registro, mas também exerce um papel estratégico: oferece transparência, subsidia análises sobre solvência e capacidade de endividamento e orienta tanto os órgãos de controle quanto a sociedade sobre a viabilidade das políticas fiscais e a necessidade de reformas estruturais.Efeitos da obrigação de divulgação ESG no mundo
Eis o resumo:
Compilamos um novo conjunto de dados sobre a divulgação obrigatória de informações ambientais, sociais e de governança (ESG) ao redor do mundo para analisar os efeitos dessas exigências na liquidez das ações. Documentamos um efeito positivo das exigências de divulgação ESG sobre a liquidez das ações em nível de empresa. Os efeitos são mais fortes quando os requisitos de divulgação são implementados por instituições governamentais, não em regime de “cumprir ou explicar”, e quando estão associados a uma forte aplicação por instituições informais. Empresas com ambientes informacionais mais frágeis se beneficiam mais das exigências de divulgação ESG. Nossos resultados apoiam a visão de que a regulação da divulgação ESG melhora o ambiente informacional e gera efeitos benéficos nos mercados de capitais.
Fonte: The Effects of Mandatory ESG Disclosure Around the World - Philipp Krueger et al
06 setembro 2025
Reputação e valor
Este artigo investiga como o consumo da obra criativa de um artista é impactado quando há um movimento de “cancelamento” do artista nas redes sociais devido a sua má conduta. Diferentemente de marcas de produtos, marcas humanas são particularmente vulneráveis a riscos de reputação, mas ainda se entende pouco sobre como a má conduta afeta seu consumo. Usando o caso de R. Kelly, examinamos a demanda por sua música após choques inter-relacionados de publicidade e sanções de plataformas — especificamente, a remoção de suas músicas das principais playlists da maior plataforma global de streaming. Uma análise superficial do consumo após esses escândalos poderia levar à conclusão equivocada de que os consumidores estão intencionalmente boicotando o artista em desgraça. Propomos uma estratégia de identificação para distinguir os efeitos da curadoria da plataforma dos da escuta intencional, explorando a variação no status de remoção das músicas e a demanda geográfica. Nossas descobertas mostram que a queda no consumo é motivada principalmente por fatores do lado da oferta devido às remoções de playlists, e não por mudanças na escuta intencional. A cobertura midiática e os apelos ao boicote têm efeitos promocionais, sugerindo que boicotes nas redes sociais podem, inadvertidamente, aumentar a demanda musical. A análise de outros casos de cancelamento envolvendo Morgan Wallen e Rammstein não mostra queda de longo prazo na demanda, reforçando os potenciais efeitos promocionais dos escândalos na ausência de sanções pelo lado da oferta.
Pensando no valor do artista como sendo a geração de caixa, a remoção de playlist pode afetar o ativo. Mas veja que o boicote como fator para aumentar a demanda parece estranho, já que não é este o objetivo.


%20-%20General%20government%20gross%20debt.png)


