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03 junho 2025

Trapaça é consistente


Isso tem muitas implicações para contabilidade: 

(...) Um novo estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology descobriu que a desonestidade é realmente um comportamento consistente – em outras palavras, uma vez trapaceiro, praticamente sempre um trapaceiro.

Pesquisadores liderados por Isabel Thielmann acompanharam 1.916 participantes ao longo de três anos, testando repetidamente sua honestidade usando diferentes jogos de trapaça, onde eles poderiam mentir para ganho pessoal (seja para ganhar dinheiro ou para evitar trabalho tedioso).

“Ao contrário das suposições de longa data, há uma consistência notável no comportamento desonesto que pode ser atribuída a fatores disposicionais subjacentes”, escrevem os pesquisadores. Em outras palavras: algumas pessoas são apenas mais propensas à desonestidade, e essa tendência as segue em diferentes situações. (...)

Então, da próxima vez que alguém lhe disser "Eu só menti por causa das circunstâncias", isso provavelmente é uma mentira também. Como esta pesquisa sugere, a verdade sobre a mentira é que algumas pessoas apenas fazem isso mais do que outras – e provavelmente continuarão fazendo isso, as circunstâncias serão condenadas. 

Fonte: aqui 

Perigo da IA


A ilusão de conexão torna-se especialmente problemática através do que os pesquisadores chamam de “simplesflancia” – a tendência dos sistemas de IA de lisonjear e concordar com os usuários, independentemente do que é dito. A OpenAI teve recentemente que reverter uma atualização depois que os usuários descobriram que seu modelo era excessivamente lisonjeiro, priorizando a adequação sobre a precisão ou a honestidade. (...) Amizades são inerentemente exigentes e complicadas. Eles exigem reciprocidade, vulnerabilidade e desconforto ocasional. “Os seres humanos são imprevisíveis e dinâmicos”, disse Guingrich. Essa imprevisibilidade faz parte da magia e da insubstituíbilidade das relações humanas. (...) Companheiros de IA, otimizados para a satisfação do usuário, raramente fornecem o atrito construtivo que molda o caráter e aprofunda a sabedoria. Os usuários podem se acostumar com a natureza livre de conflitos e sob demanda do companheirismo de IA, enquanto o trabalho essencial das relações humanas – compromisso, escuta ativa, gerenciamento de desentendimentos – pode começar a parecer irracionalmente exigente. (...)

Fonte: aqui 

Intangíveis e a posição de uma Big Four


Uma das críticas à contabilidade atual é a dificuldade de reconhecer e mensurar os intangíveis. Baruch Lev, em diversos momentos, inclusive em The End of Accounting, critica fortemente os reguladores, que estão inertes diante do problema. Recentemente o Iasb tentou uma discussão e tudo parou na questão de amortizar ou não o ágio adquirido, questão esta que dividiu o comitê. Agora o Fasb está propondo uma discussão com os intangíveis, aceitando sugestões. 

Diante dessa oportunidade, a EY adotou a seguinte postura:

 Em nossa carta de comentários, não acreditamos que haja uma necessidade generalizada de revisar significativamente os atuais princípios contábeis dos EUA (US GAAP) relacionados a ativos intangíveis e recomendamos que o Conselho concentre seus recursos em outras áreas de aprimoramento da divulgação financeira. Caso o Conselho decida iniciar um projeto sobre intangíveis, acreditamos que melhorias pontuais e de escopo limitado seriam uma abordagem mais eficaz, incluindo o alinhamento das diretrizes de reconhecimento e mensuração para ativos de pesquisa e desenvolvimento em andamento adquiridos, a atualização dos exemplos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e a consideração do feedback de preparadores e investidores antes de avançar com um projeto de divulgação sobre P&D.

Ou seja, não façam nada, pois tudo está bom. Estranho. 

02 junho 2025

Itau e o caso do executivo

O contador Eliseu Martins, renomado especialista em contabilidade e professor emérito da FEA-USP, firmou acordo com o Itaú para encerrar dois processos judiciais movidos pelo banco, informou o Valor Econômico. Ele pagará R$ 2,5 milhões, além dos R$ 1,5 milhão já devolvidos anteriormente, totalizando 4 milhões. A disputa envolve pareceres contábeis contratados mas não entregues e uma sociedade “de fato” com o ex-CFO do Itaú, Alexsandro Broedel, com quem Martins dividia os lucros na proporção de 60% a 40%. O Itaú acusa ambos de fraude, alegando que parte dos serviços pagos não foi efetivamente prestada e que houve transferências de recursos que beneficiaram Broedel.

No acordo, Martins reconhece a existência da sociedade informal com Broedel, mas nega conhecimento sobre quem autorizava os pagamentos dentro do banco e sustenta que seus filhos, sócios das empresas envolvidas, não participaram da gestão nem tinham conhecimento das operações. O banco, por sua vez, afirma que a confissão de Martins valida suas investigações internas e manterá as ações contra Broedel, exigindo o ressarcimento de R\$ 2,645 milhões restantes. Martins declarou que assinou o acordo como gesto de boa fé, reafirmando sua idoneidade e longa relação profissional com o banco, pautada na confiança e reconhecimento de sua expertise técnica. 

Teoria da escova de dentes


Um estudo recente de Farid Anvari et al identificou que 43 mil novas medidas foram publicadas na área da psicologia desde 1993. Desse total, metade nunca foi utilizada além do artigo que introduziu a medida. E talvez uma parcela ainda maior jamais tenha sido usada fora do "grupo" de pesquisa do criador da medida.

Este texto aqui apresenta uma teoria interessante: a da escova de dentes. Não utilizamos as medidas criadas por terceiros. Haveria uma barreira motivacional que reforça a necessidade prática de a pesquisa apresentar alguma novidade — que nem sempre será útil para a ciência.

Perdão presidencial


O presidente dos Estados Unidos parece gostar de maus pagadores. Por meio de um decreto, a Casa Branca perdoou as "estrelas" de reality show Todd e Julie Chrisley. Em 2022, o casal foi condenado por evasão fiscal e fraude bancária — crimes tipicamente associados a golpistas —, mas a presidência considerou que a pena aplicada foi injusta.

No programa Chrisley Knows Best, o casal exibia o estilo de vida luxuoso de sua família na Geórgia e no Tennessee. O reality foi exibido entre 2014 e 2023, chegando a alcançar 2 milhões de espectadores em sua oitava temporada. A avaliação do programa no IMDb é de 4,9, com a maioria das notas sendo 1 ou 10.

Quanto ao crime cometido, os Chrisleys enviaram documentos falsos para obter mais de 36 milhões de dólares em empréstimos pessoais. Por isso, Todd foi condenado a 12 anos de prisão e Julie, a 7 anos.

Prêmio Darwin

Da Wikipedia:  

Prêmios Darwin (do inglês Darwin Awards) são uma honraria irônica, atribuída àqueles que cometem erros tidos como estúpidos e que levam à própria morte ou esterilização e à subsequente incapacidade de legar a seus descendentes suas características, dessa forma "contribuindo" para a melhoria do pool genético da humanidade e para a diminuição da estupidez. O nome do prêmio deriva do biólogo e naturalista britânico Charles Darwin, que popularizou a Teoria da Evolução. Os Prêmios Darwin começaram a ser atribuídos em 1991, muito embora já houvesse casos que preencheriam seus critérios e requisitos anteriormente. O caso mais antigo remonta a 1874, quando o aluno de uma universidade fantasiou-se de vampiro para uma festa e, para fingir que havia sido caçado, tentou prender uma estaca de madeira na camisa e acabou atravessando-a no peito.  

Um brasileiro já venceu o prêmio em 2008: Adelir Antônio de Carli, um padre, que tentou usar balões para viajar. 

O vídeo acima mostra um homem tentando embarcar em um navio, na Austrália. Isso me faz lembrar de uma resposta que um ministro da Islândia deu para alguém que questionou o fato de um turista ter arriscado sua vida e ter morrido: acreditamos em Darwin.