Eis o resumo:
Estudamos as consequências das ações afirmativas no ingresso em universidades. Desenvolvemos um arcabouço empírico que distingue os efeitos sobre estudantes marginalmente beneficiados e deslocados dos efeitos gerais da política. Os efeitos gerais incluem realocações de equilíbrio, à medida que estudantes beneficiados deixam vagas que outros preenchem e estudantes deslocados ocupam vagas em outras instituições, deslocando outros por sua vez. Aplicamos esse arcabouço a uma política de grande escala no Brasil que exigia que todas as instituições federais reservassem metade de suas vagas para candidatos racial e socioeconomicamente desfavorecidos. Explorando as notas de corte para admissão, constatamos que estudantes marginalmente beneficiados frequentam e se formam em cursos de maior qualidade. Seus ganhos em graduação são cerca de duas vezes maiores que as perdas de estudantes marginalmente deslocados não beneficiados, refletindo as opções externas mais fracas desses estudantes. Para avaliar os efeitos gerais, estimamos um modelo de escolhas de cursos e resultados potenciais. Entre todos os estudantes realocados, os beneficiados ainda ganham quase o dobro do que os deslocados perdem, mas as realocações de equilíbrio fazem com que a política desloque cerca de 30% mais estudantes do que beneficia. As perdas dos alunos não selecionados compensam, portanto, cerca de dois terços dos ganhos de graduação dos alunos selecionados, resultando em um ganho líquido modesto para todos os alunos.
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