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30 junho 2026

Uso de IA na pesquisa histórica

Os modelos de linguagem de grande escala (LLMs, na sigla em inglês) estão reduzindo as barreiras de entrada para o trabalho com fontes de dados interessantes que antes exigiam fortes habilidades em ciência de dados, como livros-razão manuscritos, textos, imagens ou gravações de áudio. Este guia fornece uma introdução para pesquisadores que estão começando a usar LLMs. Ele apresenta um fluxo de trabalho passo a passo para transformar uma ideia de pesquisa em código e dados funcionais e descreve as quatro principais maneiras de interagir com um LLM: a janela de bate-papo, assistentes integrados ao editor, ferramentas de codificação agentiva e a API. Em seguida, aborda as decisões que um profissional precisa tomar em sequência, começando por avaliar se um LLM é a ferramenta certa e se os dados podem ser enviados para ele, passando por como selecionar modelos, escrever prompts, gerenciar limites de contexto e controlar custos, e finalmente como validar, reproduzir, documentar e corrigir medidas geradas por LLMs em contextos de regressão. Uma revisão de pesquisas recentes mostra como essas ferramentas já extraem, vinculam, harmonizam e classificam dados históricos em grande escala. Quatro exemplos práticos com arquivos de replicação ilustram o uso de LLMs. Eles classificam emoções em pinturas, vinculam registros censitários sem nomes, medem a relevância e o sentimento dos jornais em relação à Lei de Exclusão Chinesa de 1882 e avaliam a expressividade emocional dos discursos de guerra de Franklin D. Roosevelt. O guia também condensa o fluxo de trabalho, as recomendações de melhores práticas e a preparação de pacotes de replicação em tabelas resumidas e listas de verificação para auxiliar economistas aplicados.

Muito interessante e útil. 

A Practitioner's Guide to Using Large Language Models and Generative AI in Economic History - Andreas Ferrara

Sabedoria da multidão ou minoria informada: mercado de previsão


Os mercados de previsão ganharam reputação por sua impressionante precisão, mas o mecanismo por trás dessa precisão permanece surpreendentemente opaco. Em seu artigo de 2026, "Precisão do Mercado de Previsão: Sabedoria da Multidão ou Minoria Informada?",  Roberto Gómez-Cram, Yunhan Guo, Theis Ingerslev Jensen e Howard Kung fazem a primeira análise abrangente do universo de transações da Polymarket e revelam um resultado que derruba as narrativas dominantes. A precisão, demonstram eles, não provém da grande multidão nem de especialistas, mas de uma pequena minoria persistentemente habilidosa — aproximadamente 3% dos traders — que reagem instantaneamente a notícias públicas, corrigem violações de preços e negociam contra os erros comportamentais da multidão. 

O texto prossegue com uma entrevista. Interessante que 3% já foi suficiente para formar um mercado com uma boa precisão.

Infelizmente o governo brasileiro, através da CVM, proibiu o acesso do brasileiro ao mercado de previsão. Idiotice pura. 

Wiki-spy

 A página Wiki Spy parece algo bobo. Um monte de figuras, aleatórias, da Wikipedia. Para fazer esse texto apareceu a figura:


Cliquei na Lady Gaga (parte inferior direita) e uma nova página surgiu:

Cliquei agora na Taylor Swift e 

Parece rede social e rolagem de postagens que fazemos. 


GPT e educação


O número de estudos analisados é pequeno, mas é uma discussão importante: 

 Esta revisão sistemática visa explorar as implicações éticas do uso do ChatGPT no ensino superior, avaliar as percepções das partes interessadas e oferecer recomendações práticas para abordar os dilemas éticos emergentes. O estudo empregou a metodologia de Revisão Sistemática da Literatura (RSL) baseada no PRISMA. Artigos revisados ​​por pares, publicados em inglês entre 2022 e 2025, foram selecionados, e um total de 26 estudos foram identificados, triados e analisados ​​com base em critérios de inclusão e exclusão definidos. A revisão identificou preocupações éticas importantes, incluindo desonestidade acadêmica, segurança de dados, acesso desigual, diminuição do engajamento entre professores e alunos e dependência excessiva da IA. Os resultados indicam percepções divergentes entre alunos, educadores e pesquisadores em relação ao uso ético do ChatGPT, com muitos destacando tanto benefícios quanto riscos. A revisão ressalta a necessidade de marcos regulatórios e políticas éticas em instituições de ensino. Embora o ChatGPT apresente oportunidades para inovação pedagógica, seus desafios éticos devem ser abordados por meio de diretrizes abrangentes, programas de conscientização e políticas de uso responsável. Os resultados apoiam a necessidade de avaliação contínua para garantir que as ferramentas de IA contribuam construtivamente para os resultados educacionais.

Osso de Ishango


Do blog de Pedro Demo:

Trata-se do Osso de Ishango, de 18 mil aC, que hoje está no Real Instituto Belga de Ciências Naturais, em Bruxelas. Foi descoberto em 1950, no lago Eduardo, na fronteira da atual República Democrática do Congo, perto de um século após os colonos europeus se maravilharem com as possibilidades comerciais do até então inexplorado rio Congo. Atravessando a África central, o rio foi e ainda é a espinha dorsal da região, usado há milênios como uma via comercial muito privilegiada. Trata-se de um fêmur de babuíno com uma série de traços entalhados. Não há consenso entre os arqueólogos em relação à finalidade do artefato, mas especula-se que cada traço indique um montante devido por alguém a outra pessoa e que, juntos, sejam o registro de uma transação ou um conjunto de créditos e débitos. Os entalhes poderiam ser registro de que as transações foram pagas, ou liquidadas, ou pendentes (Joseph, 1991). Se o Osso de Ishango foi mesmo uma talha numérica comercial, os traços representam também o primeiro exemplo conhecido de valor, que é um conceito sofisticado. Atribuir valor é exercício de pensamento abstrato, até porque o que M [de McWilliams (2025), no livro Dinheiro] valoriza e o preço que ele está disposto a pagar por algo podem ser bem diferentes daquilo que outrem valoriza e de quanto está disposto a pagar pelo mesmo item. Parece claro que estamos falando de hipóteses de trabalho científicas - estamos supondo que o osso foi entalhado como contabilidade (a pagar, a receber), mas não temos certeza disso. Em si, o entalhe pode ter outros significados ou nenhum, por ter sido, digamos, um passatempo eventual de alguém que entalhou. 

Cabe, então, se perguntar: teriam nossos antepassados africanos buscado resolver a situação desenvolvendo forma preliminar de comércio para a qual precisavam de contabilidade? Se a própria história da humanidade começa na África, não surpreenderia que a história do dinheiro também principie por lá. Para além de meras conjeturas, o que sabemos é que os africanos estavam contando (poderiam estar só entalhando!)... O Osso de Ishango é ferramenta de registro muito antiga, e, se os ancestrais estavam contando para fazer transações, é provável que a moeda-base fossem pessoas. A escravidão foi o pecado original do dinheiro (M:32). No registro tradicional da espécie, ela foi nômade, sedentária, depois nômade de novo, antes de se fixar, por volta de 5 mil aC em comunidades pequenas que se organizariam prevalentemente em torno do dinheiro. Mas a teoria do Osso de Ishango, de um comércio primitivo, insinua que os ancestrais pensaram em dinheiro muito antes disso. As pessoas que entalharam o Osso eram caçadores-coletores no limiar de um novo mundo. No centro de sua sociedade, na Idade da Pedra, estava a tecnologia temida por Zeus: o fogo. 

Não é possível afirmar que seja o primeiro exemplar de uma transação comercial. Há controvérsias quanto a datação do osso. Mas é incrível imaginar que se tenha algo bem mais antigo que as tabuletas da região do oriente médio. 

29 junho 2026

IFRIC

A Fundação IFRS anunciou novos membros do comitê de interpretação. Entre os nomes, José Victor Sousa, que trabalha como executivo na Vale. Conforme o comunicado divulgou, Sousa tem mais de 15 anos de experiência com normas contábeis IFRS e está ajudando a implementar os padrões de sustentabilidade do ISSB. 

A Vale é uma das empresas que foram listadas, pelo CFC, como exemplo de entidade que já estavam fazendo as normas de sustentabilidade da Fundação. 

Transparência Real

Da Bloomberg


Em nome da transparência, o rei Charles III divulgou o valor dos impostos que paga. O problema é que esse pequeno feixe de luz lançado sobre as finanças reais nos diz pouco sobre sua verdadeira renda ou riqueza. Em vez de abrir suas contas a um escrutínio democrático completo, as revelações talvez sirvam apenas para desviar a atenção de um generoso aumento na remuneração do monarca britânico em um momento de aperto econômico nacional.