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31 março 2026

Fundação IFRS e os números de 2025

A Fundação IFRS publicou hoje suas demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, revelando um cenário de recuperação e ajustes estratégicos. Vamos para os números contábeis nessa postagem. O relatório anual, intitulado "Fit for the Future" (Preparada para o Futuro), mostra como a instituição lidou para tentar garantir a viabilidade de seus dois conselhos emissores de normas: o IASB e o ISSB.

O balanço apresenta que a Fundação registrou um superávit de £1,5 milhão, recuperando-se do déficit de £1,7 milhão do ano anterior. A receita total cresceu para £51,3 milhões, impulsionada por um aumento nas contribuições jurisdicionais e receitas de publicações.

Um dos pontos mais sólidos da Fundação é a posição de liquidez. A geração de caixa operacional foi positiva, permitindo que a Fundação encerrasse o ano com £43,6 milhões em caixa e equivalentes (versus £35,5 milhões do exercício anterior). Além disso, a estrutura de capital permanece conservadora, operando com recursos próprios.

O relatório traz um ponto interessante, ao contemplar números separados do Iasb e do Issb. O Iasb é o pilar de estabilidade, com receitas consolidadas provenientes de contribuições voluntárias de longo prazo e licenciamento de dados. O conselho de sustentabilidade ainda vive uma fase de transição, apesar de ter alguns números mais significativos que seu irmão mais velho. 

30 março 2026

Contador de Epstein não viu nada de impróprio


O depoimento de Richard Kahn, antigo contabilista e gestor de confiança de Jeffrey Epstein, revela a complexa estrutura financeira que sustentava as atividades do falecido financista. Kahn, que atuou como co-executor do espólio, afirmou em tribunal nunca ter presenciado qualquer atividade imprópria ou ilegal durante os anos em que geriu as contas e as empresas de Epstein.

É bom lembrar que o criminoso Epstein deixou, no seu testamento, parte do dinheiro para Kahn.  

IFRS 16, IA e Iasb


 Eis o texto do excelente Iasplus

Este relato detalha uma iniciativa pioneira do IASB (International Accounting Standards Board): o uso de Inteligência Artificial (IA) para analisar as práticas de divulgação contábil de 753 empresas sobre arrendamentos (IFRS 16) em 2024.

O resumo destaca os seguintes pontos:

Metodologia e Abordagem

A equipe técnica treinou a IA para examinar as demonstrações financeiras consolidadas, incluindo a tradução automática para o inglês de relatórios publicados em outros idiomas. O objetivo foi medir a prevalência de certas informações e avaliar a qualidade das divulgações dos arrendatários.

Design e Validação

Houve uma fase piloto com 50 entidades para refinar os prompts (comandos). A equipe realizou verificação manual de uma amostra dos resultados e exigiu que a IA fornecesse referências diretas (excertos e números de páginas) para garantir a rastreabilidade dos dados.

Limitações Identificadas

O IASB foi transparente sobre os desafios da ferramenta:

  • Formatação e Terminologia: A IA é sensível a variações de estilo e termos sinônimos, o que pode gerar falsos negativos ou positivos.

  • Confiabilidade: Perguntas "fechadas" (Sim/Não) mostraram-se muito mais eficazes do que análises abertas.

  • Margem de Erro: Devido ao volume de dados, não foi possível validar 100% das respostas, portanto os resultados são indicativos, não determinativos.

Conclusão

Apesar das limitações, a IA permitiu processar uma quantidade massiva de dados em tempo recorde, fornecendo insights valiosos que seriam inviáveis através de uma revisão puramente humana.


Parabéns pela divulgação do método. Nem sempre uma organização possui uma evidência clara que está usando a IA para fazer o trabalho mais eficiente. Mas creio que no relatório divulgado poderia ter um link para os arquivos com os resultados. O público externo poderia verificar cada caso e ajudar na qualidade do trabalho. 

Novas minutas GRI

A Global Reporting Initiative (GRI) publicou minutas de exposição (exposure drafts - EDs) para as normas GRI com o objetivo de fortalecer o relato e a gestão da poluição. As EDs estão abertas para comentários até 8 de junho de 2026.

As seguintes minutas de exposição foram publicadas:

ED Poluição do Ar: Nesta minuta, a GRI propõe uma nova norma sobre poluição do ar que, em comparação com as normas existentes, inclui requisitos de divulgação mais amplos e profundos sobre:

  • A gestão dos impactos da poluição do ar;

  • Metas de redução de emissões de poluentes atmosféricos e o progresso em direção a essas metas;

  • A extensão das emissões de poluentes atmosféricos; e

  • Incidentes relacionados a emissões de poluentes atmosféricos.

ED Poluição do Solo: Nesta minuta, a GRI propõe uma nova norma sobre poluição do solo que inclui divulgações sobre a gestão dos impactos da poluição do solo, a extensão dos poluentes liberados no solo e incidentes relacionados à poluição do solo.

ED Incidentes Críticos: Nesta minuta, a GRI propõe uma nova norma sobre incidentes críticos que, em comparação com as normas atuais, amplia o escopo de "vazamentos significativos" para todos os incidentes críticos e traz novas divulgações sobre:

  • Informações sobre prevenção, preparação e resposta a incidentes críticos, bem como os planos estabelecidos;

  • Incidentes críticos registrados; e

  • O tipo e a quantidade de vazamentos, incluindo o material derramado.

 Para aqueles que acham que sustentabilidade começar e termina no ISSB. Fonte: Iasplus

Tesouro holandês sofre ataque cibernético

Eis um trecho 

O Ministério das Finanças da Holanda informou os membros do Parlamento, em uma carta nesta segunda-feira, sobre um "acesso não autorizado" a vários de seus sistemas bancários, incluindo o portal digital de gestão bancária do Tesouro.

"Devido à investigação forense em andamento e por razões de segurança, diversos sistemas foram temporariamente retirados do ar, incluindo o portal digital de gestão bancária do Tesouro", escreveu o Ministro das Finanças, Eelco Heinen, na carta.

Heinen alertou que o ciberataque resultou em "cerca de 1.600 instituições públicas que mantêm seus fundos no Ministério das Finanças" estando "atualmente impossibilitadas de visualizar digitalmente o saldo de suas contas no Tesouro".

Ele continuou: "Os participantes da gestão bancária do Tesouro incluem, entre outros, ministérios, agências, entidades jurídicas com atribuições estatutárias, instituições de ensino, fundos sociais e governos descentralizados".

"Também não é possível, temporariamente, que os participantes solicitem empréstimos, depósitos ou facilidades de crédito através do portal, alterem o limite intradiário ou gerem relatórios", alertou Heinen. (...)

IA no setor público: uma reflexão necessária

Um texto do Tech Policy Press discute o uso de inteligência artificial por parte do governo. Como em algumas situações, a IA está tomando decisão e estruturando a forma como o governo exerce sua autoridade, os problemas são importantes. Em diversos casos, não há um supervisão adequada ou um mecanismo de recurso para as pessoas que são afetadas. 

O caso dos Correios no Reino Unido é um alerta sobre a confiança cega em sistemas de controle financeiro. Ao implementar o software Horizon (da Fujitsu), a agência ignorou bugs que apontavam faltas de caixa inexistentes. Relatórios contábeis falhos foram usados como prova para punir e prender funcionários inocentes. A tragédia só foi interrompida quando a escala dos erros evidenciou a baixíssima qualidade tecnológica e a falta de mecanismos de controle e governança da própria agência.ue 

Esse é o primeiro ponto: a dificuldade de auditar decisões tomadas por sistemas que impacto os usuários dos serviços. O segundo aspecto é que a legislação atual não acompanha a velocidade do serviço. E nada garante que a IA irá decidir de forma justa, ou simplesmente irá reproduzir os vícios e erros das decisões passadas. 


Se uma pessoa revisa os resultados, aprova recomendações ou retém a autoridade para intervir, presume-se que a responsabilidade permanece humana. Esse modelo fazia sentido quando sistemas automatizados apoiavam decisões isoladas. Mas os sistemas de IA contemporâneos podem aprender com dados, atualizar modelos internos e otimizar múltiplas variáveis sem instrução humana explícita em cada etapa. Sistemas agentes vão além, executando processos contínuos e estabelecendo objetivos intermediários. Eles estruturam como o julgamento é exercido, em vez de meramente informar escolhas. Nesse ambiente, é cada vez mais inadequado assumir que a revisão na ponta final possa sustentar uma responsabilidade pública significativa.

Essa mudança não é mais teórica. Governos estaduais e locais já estão utilizando sistemas que moldam decisões ao longo do tempo e entre domínios. (...)

29 março 2026

Origens da Escola de Comércio de São Paulo


Eis o resumo:

O artigo examina as relações institucionais entre a Faculdade de Direito de São Paulo (FDSP) e a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) entre 1902 e 1932, duas instituições de destaque localizadas no Largo de São Francisco, em São Paulo. A pesquisa é relevante em função da importância histórica de ambas as entidades para o desenvolvimento local, regional e nacional, especialmente no início do século XX, período caracterizado pelo crescimento da produção cafeeira e pela transformação econômica, política e social de São Paulo. O objetivo central do estudo é reconstituir as conexões institucionais entre FDSP e FECAP, com ênfase nas interações entre seus professores, funcionários e alunos. Para isso, realizamos uma análise documental baseada em fontes primárias, como arquivos e periódicos da época, além de fontes secundárias, como obras comemorativas e bibliografia especializada. Como resultado, apontamos que após três décadas de funcionamento, as relações consolidaram-se não apenas pela proximidade geográfica, mas também pelo crescente vínculo entre as duas instituições. 

AS RELAÇÕES ENTRE A FACULDADE DE DIREITO DE SÃO PAULO E A FUNDAÇÃO ESCOLA DE COMÉRCIO ÁLVARES PENTEADO (1902-1932) -
ARIEL ENGEL PESSO

É importante que o curso da Fecap foi um dos pioneiros. O texto que a criação da Escola de Comércio, em 1902, estava voltada para negócios do setor cafeeiro, enquanto a Faculdade de Direito formava para o Estado. 


Vários professores da Faculdade de Direito participaram a criação da Escola de Comércio. Existia até uma proximidade física dos prédios, além de disciplinas iguais para ambos os cursos. Para completar, mesmos professores trabalharam em ambas instituições.