Fonte: aqui.
13 abril 2025
Mestrado e Doutorado em Educação na UnB - 2025
Estão abertas as inscrições para a seleção de candidatos aos cursos de Mestrado Acadêmico e Doutorado Acadêmico do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE), da Universidade de Brasília (UnB), com ingresso no segundo período letivo de 2025.
Mestrado: 33 vagas
Doutorado: 40 vagas
Políticas públicas e gestão da educação – POGE
Educação e Diversidade na Infância, Juventude e Vida Adulta - EDIJA
Pedagogia, Formação Docente, Currículo e Avaliação – PDCA
Educação Matemática - EDUMAT
Educação, Tecnologias e Comunicação - ETEC
Educação Ambiental, do Campo, Indígena, Quilombola e das Relações Étnico-Raciais – EACQREs
INSCRIÇÕES
De 07 de abril de 2025 (a partir das 18h) até 07 de maio de 2025 (até as 22h).
Edital completo: aqui.
12 abril 2025
Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Kohler
Eric Louis Kohler (1892–1976) - Quando o governo dos Estados Unidos decidiu distribuir recursos para os países europeus após a segunda guerra mundial, o gestor do que ficou conhecido como Plano Marshall, Paul Hoffman, escolheu Kohler para ser o controlador dos recursos. Kohler já era considerado “a consciência da profissão contábil americana” e conseguiu manter o plano longe dos escândalos. Foram mais de 20 bilhões de dólares, uma quantia enorme para época, durante anos e para vários países.
Kohler foi o único presidente da American Accounting Association (AAA) eleito por duas vezes (1936 e 1946) e editor do Accounting Review por mais tempo do que qualquer outra pessoa (1928–1942). Por meio de suas ações e escritos, ele impactou profundamente não apenas o pensamento e a prática contábil, mas também as instituições da área, especialmente durante as décadas de 1930 e 1940. Nesse tempo, seu principal interesse era a necessidade de uma declaração autoritativa de princípios e normas fundamentais de contabilidade que sustentassem os relatórios financeiros corporativos.
Esse interesse foi vigorosamente expressado em seu editorial polêmico de 1934 no Accounting Review, intitulado “A Nervous Profession, Standards Must Come” (“Uma Profissão Nervosa: Normas Devem Surgir”), no qual Kohler demonstrou sua falta de confiança no American Institute of Accountants (AIA, atualmente AICPA — American Institute of Certified Public Accountants) e conclamou a American Association of University Instructors in Accounting (atualmente AAA) a liderar a formulação de um corpo de princípios e normas contábeis.
Esse movimento se materializou, por exemplo, com a publicação no Accounting Review de junho de 1936 do documento “Tentative Statement of Accounting Principles Affecting Corporate Reports” (“Declaração Provisória de Princípios Contábeis que Afetam os Relatórios Corporativos”), redigido pelo recém-criado Comitê Executivo da AAA. Tal documento representava uma tentativa de criar uma declaração unificada (embora compacta) de princípios contábeis.
O monumental Dictionary for Accountants de Kohler também foi concebido nesse mesmo espírito de definição de padrões. O esforço subsequente de Kohler para definir termos contábeis se estendeu por muitos anos e passou a ser influenciado pela torrente de avanços científicos, tecnológicos e metodológicos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.
Os efeitos desse trabalho continuam presentes nos períodos seguintes. Há extensas citações a esse dicionário como fonte das definições utilizadas no Statement of Accounting Standards No. 1.
Kohler enxergava a contabilidade e a divulgação contábil como instrumentos relevantes de controle social (ou autocontrole). Isso o levou a enfatizar o uso de termos e conceitos contábeis relativamente simples, mas abrangentes e claramente expressos, assim como sua defesa do custo histórico como base para as divulgações contábeis.
Baseado no texto de W.W. Cooper para o The History of Accounting
Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Gantt
Henry Laurence Gantt (1861–1919) - O engenheiro industrial americano Henry Laurence Gantt fez contribuições notáveis para a análise contábil durante seu período formativo. Colega e discípulo de Frederick Winslow Taylor, Gantt via o orçamento como um meio de atribuir responsabilidades e medir o desempenho, e não apenas como uma forma de limitar os gastos. Ele foi pioneiro no uso de recursos visuais para planejar e controlar operações. O Gráfico de Gantt, precursor da Técnica de Avaliação e Revisão de Programas (PERT), era uma representação gráfica que permitia aos gestores visualizar o andamento do trabalho e tomar ações corretivas para manter os projetos dentro do cronograma e do orçamento.
Somente após Taylor, Gantt e outros especialistas em eficiência realizarem estudos de tempos e movimentos e testes de cada operação nas fábricas é que os padrões de custo puderam ser calculados cientificamente.
Em 1915, Gantt analisou problemas da contabilidade de custos relacionados ao tempo ocioso, à alocação de custos indiretos e à definição de custos padrão. Ele popularizou a ideia de que o tempo ocioso representava uma perda, e não um custo legítimo de produção. Gantt defendia a alocação proporcional dos custos indiretos com base na capacidade normal e considerava os custos históricos dos produtos irrelevantes. Segundo ele, os contadores deveriam calcular quanto um item "deveria custar, caso fossem utilizados os métodos corretos de manufatura e a fábrica operasse em plena capacidade. Isso poderia ser chamado de custo ideal, e todos os esforços deveriam ser direcionados à sua obtenção."
Do verbete escrito por Michael Chatfield, The History of Accounting. Foto aqui
Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: F Donaldson Brown
F. Donaldson Brown (1885–1965) foi um grande nome da contabilidade gerencial do século XX. Formado em engenharia, entrou na empresa DuPont Powder Co em 1909 e três anos depois já ocupava o cargo de gerente assistente do departamento de vendas. Nessa posição e em 1912, Brown criou a fórmula de cálculo do Retorno sobre o Investimento, o ROI, ou como é muitas vezes conhecida, a fórmula da DuPont.
O chefão da empresa gostou da expressão e promoveu Brown. Quando a General Motors estava em dificuldade, os DuPonts assumiram o controle da empresa. E Brown foi deslocado para a fabricante de automóveis, sendo nomeado vice-presidente de Finanças em 1921.
O ROI também foi aplicado na General Motors e permitia que os grandes grupos corporativos analisassem setores distintos baseado em uma mesma métrica. Brown trouxe o conceito que a rotatividade do capital era um fator importante na mensuração da lucratividade. Até hoje a fórmula é usada em livros de análise de balanços e faz parte de modelos empíricos de pesquisa.
Os críticos do ROI argumentam que a expressão enfatiza os resultados de curto prazo, mas o próprio Brown já sabia disso e em 1924 afirmou que:
“É evidente que o objetivo da gestão não é necessariamente a maior taxa de retorno possível sobre o capital, mas sim o maior retorno compatível com o volume alcançável, cuidando para garantir que o lucro de cada incremento de volume seja ao menos igual ao custo econômico do capital adicional exigido.”
Além da criação do ROI, Brown desenvolveu a solução do preço de transferência para a General Motors. Isso significava que as divisões da empresa competiam com os fornecedores externos através da medida. Ele afirmava:
“A questão do preço do produto de uma divisão para outra é de grande importância. A menos que uma situação competitiva verdadeira seja preservada, no que se refere aos preços, não há base sobre a qual o desempenho das divisões possa ser avaliado.”
Brown também utilizou, tanto na DuPont, quanto na General Motors, dos custos padrões. Nessa época, o sistema permitiu que a GM implantasse uma política de remuneração dos seus executivos baseada no preço da ação. Assim, o sucesso da empresa melhorava a vida dos executivos.
Assim, Brown teve grandes contribuições para a área contábil: ROI, preços de transferência, padrões e remuneração.
(Adaptado do verbete de Stephen Young, The Dictionary of Accounting)
11 abril 2025
Grandes nomes da história da contabilidade dos EUA: Edwards
James Don Edwards (1926–2020) - Professor J.M. Tull de Contabilidade na Universidade da Geórgia, James Don Edwards obteve seu doutorado pela Universidade do Texas. Foi presidente da American Accounting Association (1971) e membro do conselho curador do Financial Accounting Standards Board – FASB (1972–1978). Também integrou o Comitê Trueblood sobre os Objetivos das Demonstrações Financeiras (1971–1973).
Em 1960, Edwards escreveu History of Public Accounting in the United States (História da Contabilidade nos Estados Unidos), uma obra abrangente baseada em documentação original que retrata o desenvolvimento da profissão contábil pública e que continua sendo uma fonte valiosa para pesquisas históricas. Por exemplo, Edwards incluiu uma análise dos certificados de CPA emitidos por cada estado.
Em 1961, Edwards e Roland F. Salmonson coautoraram um livro que analisa as contribuições de quatro escritores pioneiros da contabilidade: Eric Louis Kohler, A.C. Littleton, George Oliver May e William Andrew Paton. Esse livro oferece uma excelente visão tanto dos autores quanto do campo da contabilidade, por meio de sinopses de suas obras. Entre outros aspectos, essas sinopses mostram: a preocupação de Kohler com a linguagem contábil; a crença de Littleton no custo histórico; o esforço de May para inserir a contabilidade no contexto da economia como um todo; e a busca de Paton por uma contabilidade baseada em valores correntes.
Edwards foi editor da edição comemorativa do centenário da AICPA publicada em maio de 1987 no Journal of Accountancy. Por seu trabalho nessa edição — onde demonstrou com excelência sua habilidade em relacionar a história da contabilidade com a prática profissional —, recebeu o Hourglass Award da Academy of Accounting Historians em 1993. Também em 1993, foi agraciado com a Medalha de Ouro por Serviços Meritórios do American Institute of Certified Public Accountants (AICPA). Em 1994, recebeu um doutorado honorário em contabilidade da Universidade de Paris.
(Do verbete de Richard Vangermeersch, The History of Accounting).
Adicionalmente, ele lecionou nos Estados Unidos e no exterior - incluindo palestras e seminários convidados no Brasil. Sua principal obra, The Theory and Measurement of Business Income, escrita em parceria com Philip Bell, é um clássico da contabilidade.
Novo capítulo no caso J&J
Um dos casos mais interessantes relacionados ao passivo diz respeito ao famoso talco da Johnson & Johnson. O talco foi, e ainda é, um grande sucesso de vendas em diversos países do mundo. Há tempos, a empresa sabia que o produto, por conter amianto, era cancerígeno. Mesmo assim, continuou produzindo e comercializando o talco. A ganância pelo lucro falou mais alto que a preocupação com a saúde dos clientes.
Com a descoberta da associação entre o talco e a doença, começaram a surgir processos judiciais. A negativa inicial da empresa tornou-se insustentável diante das evidências. Em alguns países, a empresa chegou a mudar a fórmula. Mas isso não impediu o avanço das ações judiciais movidas por clientes que desenvolveram a doença e por seus familiares.
Nos últimos anos, a empresa tentou uma abordagem controversa. Criou outra companhia, sediada em um local estrategicamente escolhido por ser mais favorável do ponto de vista jurídico, e transferiu todos os passivos para essa nova empresa. Dessa forma, "limpava" o balanço da Johnson & Johnson e deixava o problema com a nova companhia, que já nascia praticamente falida.
Entretanto, a manobra da empresa tornou-se evidente demais, e o Judiciário passou a desqualificar essa estratégia. A Johnson & Johnson recuou e tentou realizar um grande número de acordos judiciais. Passou então a pressionar os que resistiam ao acordo a aderirem à posição da maioria.
No final de março, a empresa sofreu outro grande revés: um juiz federal de falências rejeitou o acordo de 9 bilhões de dólares. Houve oposição tanto por parte do administrador de falências do Departamento de Justiça quanto de alguns demandantes que não aceitaram os termos propostos.
Aguardemos as próximas cenas.






